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Maggi faz balanço do ano e traça metas para 2018

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, fez um balanço do ano de 2017 na última semana e falou sobre as expectativas para o ano de 2018 que, segundo ele, continuará sendo a de abrir novos mercados para os produtos brasileiros. De acordo com o ministro, para esse avanço, é importante o Brasil ter uma política maior de abertura ao setor externo. “Para vendermos, além dos arranjos resolvidos, da negociação dos certificados sanitários, o país precisa estar pronto para importar também, para tornar mais equilibrada a balança comercial. Exportamos US$ 85 bilhões e importamos US$ 10 bilhões”, disse.

O ativo ambiental do país, conforme explicou o ministro, é um elemento importantíssimo para ser colocado à mesa com os parceiros de outros países. Confira os temas abordados pelo ministro nesse balanço de final de ano.

Meio Ambiente
“O banco de dados da Embrapa territorial permitiu dar total transparência sobre a ocupação do solo no país. Não se trata de ‘achismo ou chutômetro’, são informações de satélite que mostram a preservação de mais de 66% do território nacional com vegetação nativa. Tudo preservado na forma original de quando Cabral chegou ao Brasil. Nenhum país no mundo tem a agricultura tão sustentável como a nossa. Isso nos torna competitivos. Temos que corrigir o discurso de quem ataca nossa agricultura e, isso, com base em números incontestáveis”.

Supersafra
“O produtor sabe que em ano de grandes safras, os preços ficam mais baixos. Faz parte da nossa atividade e, por isso, em determinados momentos a política agrícola tem que entrar em ação. Quando os preços caem muito, é preciso dar sustentação aos preços. Isso não significa proteger o aspecto financeiro do agricultor, mas proteger a agricultura porque o produtor que quebra, no ano seguinte ele não estará no mercado, consequentemente vai faltar mercadoria. Política agrícola é isso: interferir quando o preço está muito baixo para haver equilíbrio e para que os consumidores não tenham problemas.”

Resultados
“O ano foi difícil, de muitas incertezas, mas, sem dúvida nenhuma, estamos mais fortes do que antes. Estamos terminando o ano com volume maior de exportação e também em recursos financeiros, 13% a mais em volume de vendas e 9% em faturamento.”

Frigoríficos
“Não há como apontar prejuízo em função da operação realizada em frigoríficos no mês de março. Foi um grande susto, mas também nos trouxe alertas. Na verdade, foi uma operação muito mais folclórica, midiática.Mas, a partir dali, fizemos mudanças para aumentar a confiança dos importadores e consumidores no nosso serviço de fiscalização. Demos segurança no sentido de evitar interferência política em todos os procedimentos e estamos criando um novo sistema de inspeção, mais moderno. Por isso, digo que o Brasil vai sair mais forte ainda. Foi uma coisa que não deveria ter acontecido, mas as lições ficaram. Sempre digo que do limão sempre se faz limonada.”

País sem aftosa
“O importante é que nós estamos chegando ao final de 2017 já com o Brasil sendo declarado livre de febre aftosa com vacinação. E vamos caminhar para até 2023 retirar a vacina e transformar o plantel brasileiro livre de aftosa sem vacinação. Até lá, vamos avançar e fazer o enfrentamento. O Ministério da Agricultura está muito seguro do que está propondo e nós vamos seguir em frente.”

Estados Unidos
“Demoramos 17 anos para abrir o mercado lá e, quando conseguimos, plantas frigoríficas tiveram problemas. Trata-se de um mercado exigente e estamos fazendo todo o retrabalho para voltar dentro de muito pouco tempo. Penso que nos primeiros meses do ano será possível reverter isso. Também houve a taxação do álcool deles e isso contribui para sensibilizar a relação comercial.”

Rússia
“Estamos renegociando com a Rússia a reabertura do mercado de carnes. Eles sempre reclamaram maior participação de venda de produtos agrícolas aqui no Brasil como trigo, peixes e carnes também. Esperamos que em janeiro, fevereiro, a gente volte a todo vapor vendendo para a Rússia.”

Importação de leite uruguaio
“Nós somos o produto das escolhas do passado. Estão previstas entre os países do Mercosul todas as condições de negociação, entre seus membros, com ou sem custos. O Ministério da Agricultura e nenhum dos ministérios têm capacidade de simplesmente trancar tudo e não deixar que o fluxo de comércio aconteça. Nós tomamos algumas ações que achávamos que deviam ser tomadas. Temos, então, que trabalhar permanentemente nas políticas internas. Falei com o ministro Henrique Meireles (Fazenda), há poucos dias, e expliquei que, quando nós agricultores temos que competir com custos diferentes, criam-se dificuldades. Nossa carga tributária, sobretudo de insumos, é um diferencial. E precisamos concorrer de igual para igual.”

Fonte: Canal Rural