Daily Archives

30 de julho de 2018

  • Fechamento de fábricas na China: Falta defensivo e preço sobe

    O fechamento de diversas fábricas na China, por conta da política de recuperação ambiental implantada naquele país, já está impactando fortemente no agronegócio brasileiro. Como consequência das restrições, reduziu sensivelmente a oferta de matéria-prima para a fabricação de defensivos agrícolas em diversas partes do mundo – especialmente no Brasil, que é o maior comprador dos ingredientes ativos asiáticos.

    A maioria dos agroquímicos importados sofreram considerável elevação dos preços FOB (Free On Board – contrato de exportação com custos de transporte interno incluso até o carregamento do navio), de acordo com levantamento da Consultoria AllierBrasil. A pesquisa verificou mais de 70 produtos técnicos e intermediários comprados pelo Brasil no exterior, e ficou evidenciada a correlação entre o fechamento de fábricas na China, o fornecimento global e o aumento dos preços dos produtos exportados para o Brasil.

    O estudo “Fechamento de Fábricas de Produtos Agroquímicos na China (2017)” mostra que os fabricantes chineses estão numa escalada de aumento de preços. “Sendo a China o maior fornecedor mundial, além de ser o maior exportador destes produtos para o mundo, inclusive para o Brasil e a Índia (que também exporta em grande quantidade para o Brasil), qualquer restrição no país asiático, impacta toda a cadeia de produção e consequentemente os preços”, afirma o engenheiro agrônomo e diretor da consultoria AllierBrasil, Flavio Hirata. Na avaliação do especialista, “a reposição de estoques para a próxima safra ainda vai trazer mais surpresas”.

    Segundo informação recolhida pelo escritório em Xangai da Red Surcos, principal empresa de pesticidas de capital argentino, somente 20% das fábricas deste setor estão habilitadas para operar atualmente. Apenas 400 fábricas (de um total de 2.200) que existem em todo o país estão habilitadas, explicou o especialista Sebastián Calvo.

    Das fábricas que estão paradas, há muitas que foram fechadas em forma definitiva e outras que deverão se ajustar à normativa mais estrita para voltar a operar. “Essa situação está afetando a oferta de produtos por parte da China, que resulta estratégica para o abastecimento do mercado mundial, que faz pensar que é muito difícil ver uma baixa de preços no mercado futuro”, observou Calvo.

    A estimativa é que a situação piore ainda mais no médio e longo prazo: até 2020 haverá 30% menos empresas na agroindústria chinesa, e as que ficarem serão as maiores, ou seja, uma grande concentração de mercado – o que deve provocar menos concorrência de preços.

    “Os chineses se haviam posicionado como líderes absolutos por baixos custos, mas agora o cenário mudou. A mudança para a Índia como fornecedor central já se está dando em produtos chave como o clorpirifos e piretróides”, afirmou Calvo. Outro inseticida que deve faltar nos estoques brasileiros é o Benzoato de emamectina, considerado o mais eficiente para o controle da lagarta Helicoverpa armigera. Esta é uma das pragas que provocam os maiores prejuízos na agricultura do País.

    Aprovado para uso emergencial no Brasil até Julho de 2019, o produto é vendido por quatro empresas autorizadas: Tide/Prentiss, CCAB, Ourofino e Macroseeds. A Syngenta, com o Proclaim, é a única empresa que detém o registro definitivo do Benzoato de emamectina em todo o território brasileiro. De acordo com especialistas ouvidos pelo Agrolink, a melhor maneira de prevenir a alta ainda mais forte dos preços e até mesmo uma possível falta de abastecimento é garantir a compra o quanto antes.

    Fonte: Agrolink

  • Soja: o que você precisa saber para ter sucesso na safra 2018/2019

    Antes de começar a nova safra e tomar decisões sobre compra de insumos, arrendamento de terras ou mesmo aquisição de maquinários, entender a situação atual da economia e política pode fazer a diferença para garantir um bom lucro. Pensando nisso, o 1º Fórum Soja Brasil – Safra 2018/2019, que aconteceu em Uberlândia (MG), nesta quinta, dia 26, trouxe um grande time de especialistas para dar dicas essenciais sobre clima, economia, comércio exterior, manejo e os rumos que as eleições podem dar ao país

    O Projeto Soja Brasil chega a sua sétima edição nesta safra 2018/2019 e, mantendo a tradição de dar apoio aos produtores do Brasil, o 1° Fórum do ciclo reuniu grandes especialistas, mediados pela apresentadora Kellen Severo, para trazer uma análise bastante completa sobre as possibilidades da temporada. Confira abaixo os tópicos e as opiniões:

    Eleições

    Uma das primeiras preocupações que o produtor deve ter no ano é com as eleições, que acontecem em outubro. Isso pode mudar drasticamente os rumos da economia e atrapalhar o planejamento inicial de safra, afirmou o analista de mercado e sócio da Tendências Consultoria Integrada Rafael Cortez, durante sua palestra.

    “Desde 2013, os eventos políticos têm influenciado fortemente as atividades econômicas do país. Então entender quem são os candidatos e os impactos que eles trarão ao país é fundamental para se antecipar às tendências que o mercado trará, como a política monetária, a taxa de câmbio, entre outros indicadores da economia”, diz.

    O analista explica que existem dois cenários a serem previstos e antecipados pelos produtores a respeito daqueles que vencerem as eleições:

    1 – se vencer o candidato que o mercado confia, ou que tenha atuado no governo atual, ou pelo menos, tenha uma proposta que dê andamento ao modo que a economia caminha atualmente.

    “Se isso acontecer, o câmbio deve recuar, afetando os preços recebidos pelos produtores. No entanto, na hora de comprar os insumos, os valores dos produtores devem recuar junto com o dólar, por exemplo”, conta Cortez.

    2 – se vencer um político com menos expressão, nome e tradição política, ou contrário aos conceitos que o mercado considera ideais.

    “Se isso acontecer, lá em março o câmbio estará em um patamar parecido com o atual. E, mais adiante, em junho ou julho, os gastos para fazer a nova safra podem ser mais elevados. De maneira geral, o pior cenário deve se igualar com estes dias que antecedem as eleições. Claro que mais para a frente, dependendo das decisões, o cenário pode piorar”, diz.

    Mercado

    Para o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach não só a eleição no Brasil trará impactos a comercialização da soja, mas também o embate entre China e Estados Unidos. Segundo ele o produtor precisará se atentar para não perder oportunidades de negócios, ainda mais com preços tão rentáveis.

    “Considerando o pior cenário político no Brasil, com a entrada de algum candidato que o mercado não apoie, o dólar tende a subir mais do que agora. Pois vivemos uma incerteza de quem será candidato e quais as possibilidades, isso mantém o câmbio valorizado”, diz Barabach. “O dólar pode até ultrapassar os R$ 4.”

    Para o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz, se o cenário continuar assim, e a tabela dos fretes não cair o produtor terá dificuldades para travar preços futuros. “Mesmo com preços elevados, os negócios de soja futura estão travados, pois ninguém sabe como enfrentar essa tabela. Ela encarece muito e atrapalha as negociações”, diz.

    Para o executivo há chances inclusive de os produtores não aumentarem suas áreas de soja, pois não conseguem travar negócios futuros e com isso não obtém o dinheiro para financiar a safra. “Essa tabela está atrasando tudo, o financiamento, a compra de insumos e isso trará um impacto lá na frente, quando a safra começar”, conta Braz. “Vamos lutar junto com outras entidades para tentar derrubar essa tabela, pois ela faz mal não só aos produtores, mas aos consumidores que já estão sentindo no bolso o preço mais caros dos seus produtos.”

    Clima

    Um dos assuntos mais aguardados pelos participantes do Fórum tratava justamente sobre os rumos que o clima teria neste ano, já que existe uma chance de influência do El Niño, que traria muitas chuvas para a região Sul e seca para o Nordeste, e que foi responsável pelo incremento de produção da temporada anterior.

    Segundo a editora de meteorologia do Canal Rural, Pryscilla Paiva, muitos mapas estão apontando chances de até 80% de El Niño. “Isso não está confirmado ainda, há grande chances. Por isso é preciso monitorar diariamente as previsões para não dar chance de erros”, conta.

    Para Pryscilla as chuvas devem mesmo chegar em setembro, mas não com grandes volumes no Sudeste e Centro-Oeste. “Essas duas regiões não terão muita água no solo, e as chuvas previstas não irão repor a umidade necessária para o solo. Para piorar em outubro faltará chuvas. Então o produtor terá que pensar se vale a pena plantar com pouca água, pois essa situação demorará a normalizar e a safra pode ficar comprometida”, ressalta ela.

    No Sul as chuvas devem ser mais volumosas e a preocupação ficará por conta da ferrugem asiática, que se prolifera melhor com excesso de umidade. “A condição é diferente no Sul, por lá há chances de chuvas demais e é preciso tomar todos os cuidados necessários para que aquelas cenas de alagamentos não se repitam”, diz.

    Manejo e pragas

    Ainda sobre um possível El Niño, a principal entidade de pesquisa de soja do Brasil, a Embrapa, está preocupada. Isso porque o fenômeno acaba trazendo ainda mais chuvas, gerando condições ideais para a proliferação da ferrugem asiática.

    O chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Soja, Ricardo Vilela Abdelnoor, falou sobre essa preocupação durante seu debate. “O El Niño preocupa sim, pois a frequência de chuvas aumenta muito na região Sul, que normalmente já sofre com a doença. A umidade é a condição ideal para que aumente a pressão da doença”, diz Abdelnoor.

    Com isso o pesquisador alertou para que os produtores redobrem as atenções com o vazio sanitário, que começou em muitos estados em junho e julho. Abdelnoor ressalta que os produtores devem abrir os olhos e não deixar nenhuma planta guaxa viva nos campos ou próxima a eles.

    “Existe fiscalização, mas ela não tem o contingente suficiente para fazer isso, então é importante que o produtor entenda a importância de se fazer o vazio corretamente para controlar a incidência da doença e iniciar a nova safra com uma pressão menor. E, consequentemente, menos gastos também”, conta.

    Para o José Magid Waquil, do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), esta é uma boa oportunidade de os produtores apostarem todas as fichas no manejo de resistência contra a ferrugem. “O manejo da resistência precisa ser realizado para preservar as tecnologias que existem hoje. É preciso fazer o refúgio para que as tecnologias Bt não percam suas eficiências”, conta ele.

    Fonte: Canal Rural

  • Saiba o que pode influenciar o mercado da soja nesta semana

    Diante da tarifa de 25% impostas pelos chineses sobre a soja norte-americana, o governo Trump busca alternativas para as exportações da oleaginosa. Na sema passada o presidente dos Estados Unidos anunciou que a União Europeia se comprometeu a aumentar o volume de compras de soja norte-americana em troca de uma melhor relação comercial, que prevê a retirada de algumas tributações e barreiras.

    “Depois da China, os países da UE são os que mais importam soja norte-americana anualmente, o que reforça a importância da relação comercial entre os EUA e o bloco”, destaca o analista da Safras & Mercado, Luiz Fernando Roque.

    O mercado encarou o acordo com bons olhos, o que faz Chicago ganhar certo suporte fundamental no curto-prazo. O especialista não descarta que novos acordos sejam firmados nas próximas semanas com outros países ou blocos econômicos, o que poderá mexer ainda mais com o mercado.

    Além do acordo com os europeus, o anúncio de um auxílio financeiro de US$ 12 bilhões oferecido aos sojicultores dos Estados Unidos também chamou a atenção. Embora em parte criticado, o dinheiro pode dar fôlego aos produtores norte-americanos, diminuindo a pressão sobre o governo e dando mais tempo para a negociação com os chineses.

    Enquanto analisam as questões comerciais, o mercado também olha para o desenvolvimento da safra norte-americana. As lavouras do país voltaram a ter uma melhora nas condições após três semanas de piora. O mês de agosto será decisivo para a definição da produção, e o fator climático pode trazer volatilidade para a CBOT. A tendência atual é de uma colheita com poucas perdas.

    Fonte: Canal Rural

  • China procura Brasil para estudo de agroquímicos

    O mercado de agroquímicos da China está procurando os laboratórios brasileiros para avaliações e analises sobre princípios ativos de agroquímicos genéricos a fim de ingressar no mercado do País. De acordo com o Gerente de Desenvolvimento e Suporte Técnico da Mérieux NutriScience, Roberto Sardinha, a atividade do mercado brasileiro está atraindo os chineses.

    “Somos um dos maiores produtores agrícolas do mundo. Além disso, com o objetivo de registar produtos no país, muitos fabricantes chineses optam por realizar os estudos em laboratórios brasileiros, que possuem conhecimento sobre as exigências especificas dos órgãos reguladores, assim como proximidade e acesso para manter discussões técnicas quando necessário”, comenta.

    Atualmente, a China é o maior produtor de agroquímicos do mundo, com o faturamento anual do segmento chegando aos 308 bilhões de iuanes. Segundo a Gerente de Agroquímicos de Xangai da Mérieux NutriScience, Kathy Zhu, os avanços do mercado chinês estão diretamente ligados com a intenção de desenvolver novas tecnologias e na atualização do processo produtivo de defensivos.

    “O setor é um dos que mais cresce no país, pois as empresas têm capacidade para investir na produção de ingredientes ativos, que estão com as patentes quase expirando, como piraclostrobina e protioconazol, assim como produtos mais antigos como Glifosato, 2,4-D e Atrazina”, explica.

    Os estudos realizados no Brasil definem a equivalência do produto ao registrado anteriormente, analisando propriedades físico-químicas, efeitos tóxicos e eco toxicológicos, concluindo se ele é capaz, ou não, de fazer mal à saúde humana. “Os estudos realizados aqui também são aceitos nos países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o que facilita o registro e posteriormente a venda do defensivo em outros mercados”, finaliza Sardinha.

    Fonte: Agrolink