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31 de julho de 2018

  • TRIGO/CEPEA: incertezas quanto aos fretes limitam negociações

    As incertezas relacionadas aos valores de fretes no Brasil seguem limitando as negociações envolvendo trigo e derivados. No entanto, como em praticamente todo o primeiro semestre deste ano a comercialização esteve aquecida, muitos compradores consultados pelo Cepea se mostram sem necessidade de novas aquisições. No geral, segundo pesquisas do Cepea, o ritmo de negócios diminuiu fortemente no mercado interno a partir de maio, quando as dificuldades logísticas se iniciaram após a greve dos caminhoneiros.

    O clima adverso no Brasil e as possíveis reduções na produção e produtividade no Sul podem alterar este cenário de baixa liquidez, já que a necessidade de importação deve crescer. Por sua vez, como a logística dos portos nacionais até o destino pode ficar mais encarecida, os preços finais do cereal e dos derivados devem subir também no mercado doméstico.

    Fonte: CEPEA/ESALQ

  • Produção mundial de soja deve chegar a 358 MT

    O novo relatório do Conselho Internacional de Grãos (IGC) revelou que a estimativa para a safra 2018/2019 é de que a colheita da soja chegue a níveis históricos, batendo as 358 milhões de toneladas em todo o mundo. Na última estimativa do Conselho, o cálculo havia somado uma quantia de 356 milhões.

    Segundo o IGC, esse aumento significa um ganho de 21 milhões de toneladas em relação à safra passada, que contabilizou 337 milhões de toneladas colhidas. Além disso, o Conselho previu também um ligeiro acréscimo nos estoques da oleaginosa, que na safra anterior foram registrados em 40 milhões de toneladas.

    “Com um aumento na previsão para a produção mundial de soja em 2017/18, a projeção também foi aumentada para os estoques existentes, que são estimados em 41 milhões de toneladas”, diz o relatório.

    Nesse cenário, o comércio internacional da soja está sendo monitorado a uma taxa de 156 milhões de toneladas, apesar da situação de incerteza. Isso porque o setor da soja caiu cerca de 11% ao mês no Índice de Cereais e Oleaginosas do Conselho Internacional de Cereais (GOI-CIC), devido a guerra comercial travada entre a China e os Estados Unidos e a redução da colheita na Argentina.

    “Embora muitos produtores tenham obtido safras recordes em 2017/18, ainda é esperado que a produção mundial de soja diminua em 3%, para 337 milhões de toneladas, devido à notável redução da colheita na Argentina. De qualquer forma, o Brasil está emergindo novamente como o maior exportador do mundo, e as exportações dos Estados Unidos devem atingir um recorde”, finaliza o IGC.

    Fonte: Agrolink

  • Syngenta investe em agtech na América Latina

    A Syngenta vem promovendo uma série de anúncios que indicam um investimento maior da multinacional na área de tecnologia e digitalização da produção agrícola, principalmente na América Latina. Os investimentos da empresa em agtech vão desde aplicativos que de automação da pulverização até ferramentas de gerenciamento de risco.

    De acordo com a Syngenta, a plataforma brasileira de software de manutenção agrícola Strider, que promove o gerenciamento das pragas na lavora, será a próxima aquisição sul-americana da companhia. Além disso, a empresa participou de uma rodada de US $ 6 milhões para o mercado argentino de agronegócios Agrofy.

    Segundo, Ariadne Caballero, líder de agricultura digital para América Latina (LATAM) na Syngenta, ainda não é possível elencar quais são os principais problemas que os agricultores da LATAM estão enfrento. No entanto, a empresa vem trabalhando na identificação desses empecilhos e tentando abranger o maior número de produtores possível com seus novos investimentos.

    “No topo, você tem grandes empresas do agronegócio que estão usando ERPs e tudo é executado através de software, mas uma vez que você descobre que você tem alguns que estão usando caneta e papel e alguns que estão apenas mantendo tudo na cabeça. Então, estamos tentando atender a todos esses segmentos diferentes, dependendo do tipo de decisão que eles precisam tomar”, explica.

    Caballero explica que o foco principal da Syngenta é na identificação dos riscos potenciais que o produtor irá enfrentar e que prejudicarão no rendimento de sua lavoura. Para isso, ela admite ser possível uma parceria com outras empresas privadas a fim de desenvolver produtos de qualidade e que realmente colaborem com o processo produtivo.

    “Nós nos concentramos em três pilares. No coração estão os sistemas de gerenciamento de fazendas porque é aqui que criamos o maior valor para o cliente no nível de compreensão de seus números. A partir disso, temos ferramentas de agronomia digital que são o núcleo da Syngenta. A peça final é ferramentas de gerenciamento de risco – como você usa dados para reduzir o risco para os produtores?”, conclui.

    Fonte: Agrolink

  • Brasil deve plantar recorde de soja apesar de custos e incertezas

    Produtores brasileiros se preparam para semear uma área recorde com soja na safra 2018/19, mas os trabalhos devem se desenvolver, a partir de setembro, em condições consideradas mais desafiadoras, com incertezas domésticas e externas, e em meio a custos elevados.

    Por ora, ainda há poucas estimativas sobre o próximo ciclo, mas já se forma um consenso de que o plantio crescerá em cerca de 1 milhão de hectares, para pouco mais de 36 milhões, apesar de receios quanto a entrega e uso de insumos, da alta do dólar ante o real, dos fretes mais caros e da disputa comercial entre Estados Unidos e China.

    “O solo ainda tem boa reserva de nutrientes graças ao bom nível de tecnologia na última safra. Ninguém vai deixar de plantar, mas pode ter variabilidade na produtividade”, avaliou o diretor de agronegócios do Itaú BBA, Pedro Fernandes, em entrevista à Reuters.

    Em estudo, o banco aponta que os custos para a implantação da soja, o principal produto do agronegócio do Brasil, tendem a subir em 2018/19 justamente por causa do câmbio e de seus reflexos sobre os preços dos insumos, desde fertilizantes a agroquímicos no geral, muitos dos quais importados.

    Em Mato Grosso, maior produtor do país, a tendência é de que os custos cresçam cerca de 10 por cento, para 2,1 mil reais por hectare, mas com as margens de ganhos podendo cair pela metade ante a última safra, para algo entre 1,2 mil e 1,5 mil reais por hectare, segundo o trabalho do Itaú BBA.

    “A rentabilidade da soja em 2018/19 voltará à média de cinco anos. Será uma safra rentável ainda, mas não como foi 2017/18. Essa queda nas margens virá do aumento do custo e da diminuição da receita por saca, por causa da queda dos preços na Bolsa de Chicago”, destacou Fernandes.

    Tendo-se por base o contrato mais negociado na CBOT, as cotações da oleaginosa acumulam perda de mais de 10 por cento em 2018 em razão da escalada da tensão entre Estados Unidos e China, o maior importador mundial da commodity.

    O recuo se acentuou após Pequim anunciar tarifas sobre as importações de soja norte-americana, o que fez disparar os prêmios do produto do Brasil, líder mundial em exportações da commodity e principal fornecedor do mercado chinês.

    “A queda dos preços em Chicago foi parcialmente compensada pelos prêmios mais altos. Mesmo assim, nesses últimos três meses o preço FOB de exportação de soja (do Brasil) caiu 15 por cento”, disse nesta semana o chefe do setor de grãos da Datagro, Flávio França Júnior, minimizando ganhos para o país em meio à disputa entre as duas maiores economias do mundo.

    Para ele, o maior risco para o produtor ainda é o dólar, que deve ter forte volatilidade em razão das eleições de outubro. Segundo o analista, dependendo do vencedor do pleito, o câmbio pode estar no momento de venda da colheita em um patamar totalmente diferente do observado na época do plantio.

    Logística
    Outra frente de preocupação para os produtores diz respeito aos fretes, que agora seguem uma tabela instituída pelo governo na esteira dos protestos de caminhoneiros, em maio. O receio não é só com o transporte da soja que será colhida no verão, mas com a oferta de insumos para o plantio ainda neste ano.

    No primeiro semestre, por exemplo, as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro caíram 2,3 por cento na comparação anual, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos.

    “Definitivamente o mercado de grãos não está nada satisfeito com as novas regras”, afirmou o diretor da corretora Cerealpar, Steve Cachia.

    “Apesar de o mercado internacional estar conspirando para que o Brasil registre uma explosão na área de soja, não acho que isso vai acontecer neste ano. Acho que as outras incertezas pesam para que o produtor brasileiro tenha mais cautela e cuide mais do patrimônio”, avaliou ele.

    Em uma projeção preliminar, Cachia diz esperar que a área de soja no Brasil cresça entre 1 e 3 por cento, de 35 milhões de hectares em 2017/18. A próxima colheita somaria um recorde de 121 milhões de toneladas, ante cerca de 119 milhões de toneladas estimadas pelo governo brasileiro no ciclo anterior, segundo a Cerealpar.

    A Safras & Mercado tem previsões semelhantes, apostando em semeadura de 36 milhões de hectares e colheita de quase 120 milhões de toneladas.

    “Nesta nova temporada, notamos mais uma vez um quadro bastante favorável ao cultivo da oleaginosa. As grandes produtividades registradas em todo o país na temporada 2017/18 aliadas à elevação dos preços praticados ao longo de todo o ano de 2018 culminaram na manutenção de uma margem razoável para os produtores, mesmo com o crescimento dos custos de produção”, afirmou o consultor da Safras, Luiz Fernando Roque, em nota.

    Mas ele reconhece que a forte alta do dólar e a questão dos fretes são fatores que inicialmente impedem uma expansão ainda maior da área plantada.

    “Neste primeiro momento, nota-se uma grande incerteza em torno desses fatores fundamentais, o que traz insegurança para a decisão produtor. Aliado a isso, a recuperação dos preços do milho nos últimos meses também deve impedir um maior avanço da área de soja”, completou.

    Fonte: Agrolink