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30 de agosto de 2018

  • Cientistas isolam gene resistente à ferrugem do trigo

    Uma equipe internacional de pesquisadores da Universidade de Sidney, da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth (CSIRO), do John Innes Center, do Limagrain UK e do Instituto Nacional de Botânica Agrícola (NIAB) isolou os primeiros genes de resistência contra a ferrugem de trigo. De acordo com a Universidade de Sidney, a ferrugem listrada causa inúmeros danos ao cultivo do trigo.

    “A ferrugem do trigo é uma das doenças mais disseminadas e devastadoras, e a ferrugem das listras – que é amarela brilhante e tem forma de listras – é o mais problemático desses patógenos em todo o mundo porque se adapta facilmente a diferentes climas e ambientes. Além disso, não existem muitos genes eficazes que os criadores possam usar em suas variedades”, diz em nota.

    Nesse cenário os cientistas clonaram três genes relacionados à resistência à ferrugem, chamados Yr7, Yr5 e YrSP, e agora têm uma compreensão completa da estrutura do gene e das relações entre os três. Segundo eles, esta pesquisa foi uma contribuição importante para a compreensão da classe de proteínas do receptor imune dos genes de resistência do trigo.

    “A equipe de pesquisa de ferrugem da Universidade de Sydney sob a direção do professor Robert Park – líder mundial em pesquisa de ferrugem do trigo – criou mutações em 2015 e identificou mutantes para cada gene, enquanto, sem saber, em paralelo, cientistas do Reino Unido estavam trabalhando em dois dos genes”, informou a Universidade.

    Os pesquisadores informam ainda que apesar da estrutura gênica muito semelhante, cada gene confere uma especificidade de reconhecimento distinta e única ao patógeno da ferrugem da faixa.

    Fonte: Agrolink

  • Bayer e Monsanto iniciam integração

    As gigantes Bayer e Monsanto já iniciaram, na prática, seu processo de integração que levará à formação daquela que é apontada como a maior empresa de Pesquisa e Desenvolvimento mundial. O sinal verde para o início dessa fase foi dado na semana passada, quando foi concluída e aprovada pelos órgãos reguladores a venda de ativos em herbicidas e sementes à Basf.

    “Até a semana passada, quando ainda não havíamos recebido a aprovação da aquisição pelos órgãos governamentais, Bayer e Monsanto trabalhavam como empresas independentes. Ou seja, não tínhamos a permissão para contatar a equipe da Monsanto e vice-versa. Com a aprovação, que foi na semana passada, agora os profissionais e as empresas estão conversando para definir a estratégia das equipes, como marketing e as demais áreas”, explica Paulo Pereira, diretor de Comunicação da Bayer no Brasil.

    No XXXI Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, que acontece de 27 a 31 de agosto no Rio de Janeiro (RJ), Bayer e Monsanto já atuam em conjunto. Há integração de suas equipes de comunicação, bem como o compartilhamento do mesmo estande na feira que ocorre paralelamente ao evento, nos pavilhões do Riocentro. O grande destaque é a apresentação da Plataforma Intacta 2 Xtend – a nova geração de soja com data prevista de lançamento para 2021.

    “Os portfólios das duas empresas são complementares. Seremos a empresa que mais investe em P&D no mundo. A maneira como as empresas atuarão no futuro está sendo estruturada, mas o foco da empresa sempre será inovação, sustentabilidade da agricultura e nossos clientes”, projeta Paulo Pereira.

    Fonte: Agrolink

  • Soja Intacta beneficiou América do Sul

    Um estudo da PG Economics, publicado na revista GM Crops and Food indicou que o plantio da soja Intacta com tolerância a herbicidas e resistência a insetos beneficiou os agricultores da América do Sul, com aumento de receita de US $ 7,64 bilhões nos primeiros cinco anos de adoção. Intitulado “A contribuição econômica e ambiental da soja Intacta na América do Sul: os primeiros cinco anos”, o estudo avaliou os cinco anos de uso do produto.

    “Um total de 73,6 milhões de hectares foram plantados para soja contendo essas características desde 2013/14, com os agricultores se beneficiando de um aumento na renda de US $ 7,64 bilhões. Para cada US$ 1 extra gasto com esta semente em relação à semente convencional, os agricultores ganharam um adicional de US$ 3,88 em renda extra”, diz o estudo.

    Além disso, a soja Intacta se mostrou um aliado na preservação ambiental, reduzindo a necessidade de pulverização, que, automaticamente, reduz também o uso de maquinários que auxiliam na poluição. Em 2017/2018, por exemplo, foi o ciclo que mais se notou avanços nesse sentido.

    “A tecnologia também facilitou cortes importantes no uso de combustível e mudanças de lavoura, resultando em uma redução significativa na liberação de emissões de gases do efeito estufa da área de cultivo da Intacta. Em 2017/18, isso equivalia a remover 3,3 milhões de carros das estradas”, informa o texto.

    Nesse cenário, o impacto ambiental causado pelo uso de pesticidas foi reduzido de forma bastante significativa, segundo os pesquisadores. Isso porque, o Quociente de Impacto Ambiental (EIQ) acabou sendo reduzido em quase um terço com a adoção da soja biotecnológica.

    “A tecnologia de sementes reduziu a pulverização de pesticidas em 10,44 milhões de kg (-15,1%) e, como resultado, diminuiu o impacto ambiental associado ao uso de herbicidas e inseticidas nessas culturas (conforme medido pelo indicador, o Quociente de Impacto Ambiental (EIQ) foi reduzido em 30,6%”, conclui o relatório

    Fonte: Agrolink

  • Especialista diz que sem glifosato plantio da soja é inviável

    A suspensão do glifosato no Brasil inviabiliza a adoção de práticas agrícolas consideradas mais sustentáveis, como o plantio direto, e levará a agricultura do país a um retrocesso no manejo da lavoura. A opinião é da vice-presidente da Sociedade Brasileira da Ciência de Plantas Daninhas, Camila Porto.

    “Hoje o glifosato é fundamental para o plantio direto. Sem ele, a agricultura brasileira terá que regredir e usar um manejo que não é conservacionista: arar e gradear a terra. Inviabiliza o sistema de produção e de controle de plantas daninhas”, afirmou, durante o XIII Congresso Brasileiro de Ciência de Plantas Daninhas, evento que preside, no Rio de Janeiro (RJ).

    Herbicida mais utilizado no Brasil, o glifosato tem sido tema de discussão judicial. No dia 3 de agosto, uma decisão da Justiça Federal, em Brasília, determinou sua suspensão até que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dê prioridade à reavaliação toxicológica do produto.

    A situação preocupa produtores rurais em todo o Brasil, às vésperas do início do plantio da safra 2018/2019 de soja, principal cultura agrícola nacional. A Advocacia Geral da União (AGU) entrou com recurso e uma resposta ainda é aguardada.

    Na semana passada, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que é produtor de soja, divulgou em sua conta no Twitter que a determinação da primeira instância havia sido derrubada. Posteriormente, voltou atrás, desculpando-se por passar a informação incorreta.

    Crítico da suspensão do glifosato, Maggi chegou a dizer, em outra ocasião, que a safra nova estaria inviabilizada sem o herbicida. E que os agricultores teriam duas alternativas: não plantar soja ou desobedecer a ordem da Justiça.

    Em resposta à reportagem de Globo Rural, também na última semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária informou que a reavaliação toxicológica do glifosato vem sendo feita desde 2008. Alega que ainda não há conclusão sobre a possível relação do herbicida com a ocorrência de câncer

    Questionada na Justiça sobre uma “demora” na análise, a Anvisa justifica que o assunto é complexo e leva tempo chegar a uma definição. Defende ainda que, mesmo se ficar claro que o herbicida não tem relação com câncer, as avaliações devem ser constantes, considerando outros fatores.

    “É seguro”

    Nos Estados Unidos, outra disputa judicial colocou mais um item no debate sobre a possível relação entre o glifosato e casos de câncer. A Monsanto foi condenada a pagar uma indenização de US$ 289 milhões ao jardineiro Dewayne Johnson, que teve seu diagnóstico de linfoma Não-Hodgkin ao uso do herbicida.

    Dona da Monsanto, a alemã Bayer afirmou que o veredicto está em desacordo com evidências científicas e conclusões de agentes reguladores em todo o mundo. Desde a sentença de Johnson, o número de processos judiciais relacionados ao glifosato saltou de 5,2 mil para 8 mil, segundo informações da própria companhia.

    Gerente de Assuntos Científicos da Bayer/Monsanto, Guilherme Cruz, avalia que, independente das questões litigiosas no Brasil e nos Estados Unidos, a visão da empresa é de que o glifosato é seguro e que os casos não têm embasamento científico.

    “Estamos aguardando a decisão (da Justiça brasileira), mas a nossa avaliação é de que o produto é seguro do ponto de vista científico”, diz ele.

    Gerente de boas práticas agrícolas da empresa, Ramiro Ovejero, lembra que em pelo menos 90% da área plantada com soja na América do Sul é utilizada a técnica do plantio direto. “Só por isso, dá para se ter uma ideia da necessidade do glifosato. Ele é um ferramenta importante para o manejo das plantas daninhas.”

    Fonte: Revista Globo Rural