1

Trump tenta tranquilizar agricultores dos EUA atingidos pela guerra comercial com a China

Grandes exportadores de carne de porco e soja para a China, os produtores americanos estão na linha de frente na guerra comercial travada entre Washington e Pequim e, faltando 18 meses para as eleições presidenciais, Donald Trump procura tranquilizá-los.

“Nossos formidáveis agricultores patriotas estarão entre os grandes beneficiários do que acontece hoje”, tuitou Trump na terça-feira (14/5), um dia após o anúncio de represálias da China após a adoção de tarifas mais elevadas por parte dos Estados Unidos na última sexta-feira (10).

A agricultura americana exporta muito. E o mundo rural, considerado, em termos gerais, como favorável ao republicano Trump, tem sido desde o ano passado alvo de represálias não apenas de Pequim, mas também da União Europeia, Canadá e México.

Por enquanto, muitos produtores permanecem leais ao presidente, mas “outros não estão tão seguros disso”, disse à AFP William Rodger, porta-voz da American Farm Bureau Federation, o principal sindicato do agronegócio americano.

“Não temos números concretos que nos digam exatamente quão forte é o apoio, ou a oposição, mas nosso sentimento é que a maioria dos agricultores ainda apoia o presidente, porque aderem a muitas de suas políticas”, explicou.

Sid Ready, produtor do estado de Nebraska, lamenta a guerra comercial, mas a entende. “Acho que os agricultores são bastante resistentes e devemos tolerar” esta situação “que, a longo prazo, valerá a pena”, opinou.

Renda em queda
Mas, admite Rodger, a paciência dos produtores tem limites, já que sua renda não para de cair há seis anos, devido à superprodução global.

Dados do Departamento da Agricultura indicam que as receitas passaram do recorde de US$ 123,4 bilhões em 2013 para US$ 92 bilhões em 2014. No ano passado, foram de apenas US$ 63,1 bilhões.

No momento em que os agricultores do centro do país tentam superar as inundações que atingiram suas plantações, ou impediram diretamente o cultivo, as tarifas adicionais não vão beneficiá-los em nada.

A federação que reúne os produtores de soja (ASA) também apoia “em geral os objetivos da administração” Trump, mas critica seus procedimentos.

Os afiliados da entidade dizem que estão “frustrados” com a incapacidade dos negociadores americanos e chineses de chegar a compromissos e acreditam que a tarefa à frente está ameaçada.

“Os produtores de soja não têm vocação para serem vítimas colaterais de uma guerra comercial sem fim”, disse o presidente da ASA, Davie Stephens, acrescentando que foram necessários mais de 40 anos para construir o mercado de soja na China.

Muitos temem que seus clientes chineses, que compravam um terço da soja americana antes do conflito, voltem-se para outros produtores, especialmente o Brasil.

Quanto mais tempo durar o conflito, “será cada vez mais difícil para mim”, disse Stephens.

“Vencemos sempre”
“Esperamos que a China nos faça a honra de continuar comprando nossos formidáveis produtos agrícolas”, disse Trump na terça-feira. Se isso não acontecer, o governo comprará a soja não vendida à China, graças ao dinheiro gerado pelas tarifas.

Na semana passada, Trump aludiu à possibilidade de que esses produtos adquiridos fossem então distribuídos entre os países pobres, ignorando as distorções comerciais.

Washington também considera outras ajudas a seus produtores. Já em julho do ano passado destinou US$ 12 bilhões para compensar os prejudicados pela perda de mercados.

Através de vários programas, os agricultores americanos recebem cerca de US$ 20 bilhões por ano em ajuda.

O lobby da indústria de carne suína (NPPC) comemorou “a proposta de ajuda do presidente Trump”. “Estamos dispostos a trabalhar com o Ministério da Agricultura para facilitar as exportações de carne suína como ajuda alimentar”, disse o presidente do NPPC, David Herring.

As exportações de carne suína são atualmente 26% da produção. Um volume significativo tem a China como destino.

“Vocês querem saber uma coisa?”, disse Trump a repórteres, acrescentando: “Nós sempre vencemos”.

Fonte: G1 Agro