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13 de junho de 2019

  • As culturas de entressafra podem influenciar a produtividade da soja

    A principal espécie cultivada na entressafra da soja é o milho segunda safra, geralmente entre os meses de fevereiro e julho. Uma prática relevante para aumentar a produtividade do milho é a aplicação de Nitrogênio (N) mineral. Por outro lado, nas últimas safras, muitos produtores têm optado em suprimir a adubação nitrogenada no milho, visando reduzir custos e o risco inerente à atividade frente a fatores climáticos adversos, sobretudo déficit hídrico. No entanto, um fator desconsiderado é o impacto da adubação nitrogenada no milho segunda safra sobre a soja em sucessão, o qual ainda não está adequadamente elucidado. O trigo é outra cultura utilizada na entressafra da soja no Brasil, principalmente na parte subtropical do país. Espécies para cobertura do solo como a braquiária ruziziensis (Urochloa ruziziensis) e a crotalária (Crotalaria spectabilis) também são utilizadas para melhorar a qualidade e a conservação do solo em regiões onde não há incidência de geadas.

    Em Londrina/PR, vem sendo conduzido um experimento de campo com diferentes formas de uso do solo no período de entressafra da soja: 1- pousio (área mantida sem cultivo entre as safras de soja), 2 – braquiária (Urochloa ruziziensis), 3 – crotalária (Crotalaria spectabilis), 4 – milho segunda safra com 0 kg ha-1 de N em cobertura, 5- milho segunda safra com 80 kg ha-1 de N em cobertura e 6 – trigo (Triticum aestivum). Nesse trabalho, a crotalária e a braquiária estão sendo usadas como cobertura do solo.

    Na primeira safra (2016/17), a produtividade de grãos de soja não foi influenciada pelas culturas de entressafra. Por outro lado, nas safras 2017/18 e 2018/19, as produtividades foram maiores na soja cultivada após braquiária do que na cultura semeada após milho, com e sem N em cobertura, e pousio, sem diferir das produtividades verificadas após a crotalária e o trigo. Como a área foi manejada em Sistema Plantio Direto bem conduzido antes da instalação do experimento, só foi possível observar o efeito das culturas de entressafra a partir da segunda safra, em função dos efeitos acumulados.

    Dessa forma, os resultados indicam a possibilidade de aumento de produtividade da soja com uso de culturas de cobertura do solo na entressafra, como braquiária, comparativamente ao cultivo de milho, o qual predomina nos sistemas de produção de grãos no Brasil. Enfatiza-se que uma opção para conciliar o uso comercial das áreas na entressafra da soja com maior produção de biomassa é o consórcio do milho com espécies de braquiária. Na presente pesquisa não foi observado efeito significativo da adubação nitrogenada no milho segunda safra sobre a soja em sucessão. Por fim, enfatiza-se que os dados obtidos se referem a três safras, sendo necessária a continuação da pesquisa para verificação dos efeitos das culturas de entressafra sobre a soja ao longo do tempo.

    Fonte: Canal Rural

  • Pesticidas usados nos EUA estão proibidos na Europa e até no Brasil

    Estudo abrange até 2016, último ano da presidência de Barack Obama, e não considera a ação da Agência de Proteção Ambiental (EPA) sob Donald Trump, ainda mais enfraquecida.
    Boa parte do volume total de pesticidas utilizados na agricultura dos Estados Unidos está proibida na União Europeia, e 2% destes produtos não são permitidos no Brasil, revela um estudo publicado pela revista Environmental Health.

    Dos 374 ingredientes ativos autorizados para a agricultura nos Estados Unidos em 2016, 72 estão proibidos na União Europeia.

    Dos produtos em particular proibidos tanto na União Europeia como no Brasil estão o Paraquat, um perigoso herbicida, e o forato, um inseticida neurotóxico cuja fumigação nos EUA é proibida apenas no Estado de Nova York.

    Já os Estados Unidos proíbem apenas dois ou três pesticidas permitidos nos outros países.

    “A princípio, o regulador americano era muito bom e proibiu um grande volume de pesticidas, como o DDT”, destaca o autor do estudo, Nathan Donley, pesquisador da ONG Centro para a Biodiversidade.

    A Agência de Proteção Ambiental (EPA) foi criada em 1970 e proibiu rapidamente vários pesticidas.

    “Muitos americanos ainda têm esta ideia de que há uma agência reguladora que é muito funcional e muito protetora. Muitos simplesmente não sabem até que ponto os Estados Unidos ficaram para trás”.

    O estudo abrange até 2016, último ano da presidência de Barack Obama, e não envolve a EPA da administração de Donald Trump, ainda mais enfraquecida.

    “Quando a EPA toma decisões que não agradam o setor agrícola, se coloca em uma situação política delicada”, já que é o Congresso que define seu orçamento, denuncia Donley.

    Fonte: G1

  • Com previsões de mais chuvas nos EUA, mercado do milho inicia sessão desta 5ª feira com altas na CBOT

    Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram a sessão desta quinta-feira (13) do lado positivo da tabela. As principais posições da commodity exibiam valorizações de 6,75 a 5,25 pontos, por volta das 9h32 (horário de Brasília). O vencimento julho/19 era cotado a US$ 4,36 por bushel, enquanto o setembro/19 operava a US$ 4,43 por bushel.

    De acordo com as informações da Reuters Internacional, os futuros do milho nos Estados Unidos da América registraram uma alta de 1% na quinta-feira. “As altas se devem as previsões de clima úmido em uma região produtora que geraram temores de que os agricultores fossem forçados a abandonar os planos de semeadura”, destaca a Reuters.

    Segundo análise de Bryce Knorr da Farm Futures, os preços do cereal provavelmente vão continuar com altas por conta das preocupações com as áreas faltam ser semeadas. “As notícias sobre o quanto foi plantado será absorvido lentamente pelo o mercado e alguns produtores ainda estão tentando plantar milho no leste do Meio-Oeste”, diz Knorr.

    O mercado também aguarda a divulgação do novo relatório de exportação do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que será divulgado hoje. Os analistas esperam que a agência mostre vendas de milho entre 13,8 milhões e 33,5 milhões de bushels na semana encerrada em 6 de junho.

    Fonte: Notícias Agrícolas

  • Jornada Técnica da Soja 2019

    Perspectivas para mais rentabilidade no agronegócio.

    As últimas décadas foram determinantes para que a agricultura pudesse provar do aumento de produtividade.

    De acordo com o coordenador-geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Garcia Gasques, o aumento da produtividade agrícola tem sido a forma mais segura de suprir as necessidades do aumento da demanda de alimentos em todo o mundo. Entre 1975 e 2015, a taxa média de crescimento da produtividade agropecuária no Brasil foi de 3,58% ao ano.

    Toda essa crescente se dá através de muita tecnologia investida por meio do plantio direto, desenvolvimento genético, técnicas de manejo e controle sanitário. Mas, como fator determinante vale ressaltar o manejo de fertilidade do solo, onde muitas vezes o agricultor investe em uma tecnologia sem conseguir explorá-la em todo seu potencial gerando gastos.

    Pensando na importância da fertilidade dos solos é que acontece a 4ª edição da Jornada Técnica da soja COTRIJUC – GETAGRI voltada para o Solo. O objetivo do evento que acontece no dia 18 de junho, em Júlio de Castilhos, às 13h30 no Clube União Esportivo é reunir especialistas no assunto para discutir com produtores e pessoas ligadas a cadeia do agronegócio a importância de boas práticas agrícolas, conservação e manejo adequado.

    Confira a programação:
    13h30 – Recepção/inscrições
    13h45 – Abertura
    14h – Palestra: Manejo de fertilidade do solo para altas produtividades – Dr. Jackson Fiorin
    15h – Resultados do Campo tecnológico Cotrijuc Getagri – Felipe Michelon
    15h45 – Coffe Break
    16h – Palestra: Manejo conservacionista do solo – Dr. Telmo Amado
    17h – Debate com painelistas – Mediador Dr. Geomar Corassa
    17h30 – Encerramento

    Foto e texto: Ascom Cotrijuc

  • Plantio Direto: um avanço tecnológico incomparável

     

    Quem já era agricultor nos anos 70, dificilmente se esquecerá das visões chocantes das enxurradas que arrastavam ladeira abaixo a camada mais fértil da sua lavoura, abrindo voçorocas pelo caminho e assoreando rios, lagoas e reservatórios de hidrelétricas.

    Era prática corrente nessa época o agricultor iniciar as operações de preparo do solo para o plantio das culturas da temporada (soja e milho, principalmente) no final do inverno e início da primavera. O campo era lavrado e gradeado – uma ou duas vezes – deixando a camada superficial do solo pulverizada. Vinham as chuvas intensas de primavera e estimadas 20 toneladas/ha de solo superficial eram arrastadas para a parte mais baixa da lavoura. Perdia-se a camada mais fértil do solo. Uma lástima.

    No início da década de 1970, no entanto, alguns agricultores pioneiros do Paraná (Rolândia, Castro e Ponta Grossa) deram início ao estabelecimento de uma prática nova de fazer agricultura, a qual dispensava o uso do arado e da grade previamente ao plantio, cujas sementes era depositadas diretamente sobre a palhada da cultura anterior. Iniciava-se a prática do Sistema de Plantio Direto (SPD) no Brasil.

    A partir dessa iniciativa, transcorreram cerca de 20 anos (início da década de 1990) até que o sistema se estabelecesse em definitivo como uma das ferramentas tecnológicas mais impactantes para o desenvolvimento agrícola brasileiro.

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    O começo foi difícil, dada a falta de máquinas apropriadas para o cultivo direto e pelo alto custo dos herbicidas – glifosato, principalmente, muito utilizado na dessecação pre-plantio da lavoura. No início da década de 1990, no entanto, a vigência da patente do glifosato venceu e o preço caiu significativamente, estimulando o avanço na adoção do SPD.

    O SPD tem enormes vantagens sobre o convencional. Além de reduzir significativamente a erosão da camada superficial do solo – a mais rica em nutrientes – ele possibilita antecipar o cultivo das lavouras da primavera/verão, principalmente a 2ª safra do milho e do algodão, mas, também, da 1ª safra da soja e do milho nas regiões onde se cultivam cereais de inverno.

    Outra vantagem do sistema, não menos importante, é o efeito da palhada deixada sobre o solo no controle de plantas daninhas, na redução do impacto das gotas de chuva sobre os agregados do solo e na redução da perda de umidade do solo coberto pela palhada, permitindo que estiagens moderadas sejam melhor suportadas pelas culturas.

    Mais de 100 milhões de hectares (Mha) são cultivados no SPD no mundo. EUA, Brasil, Argentina, Canadá, Austrália e Paraguai, pela ordem, são os países que mais o utilizam. No Brasil, o SPD é utilizado em mais de 32 Mha ou cerca de 50% da área cultivada do país. No estado do Paraná, seu uso alcança 90% da área cultivada.

    Em países com invernos muito frios, o SPD é limitado pela necessidade de revolver-se o solo para aquece-lo e, assim, possibilitar a germinação das sementes na primavera.

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    Mas nem tudo são flores com o uso do SPD. É importante esclarecer que o sistema precisa vir acompanhado das boas práticas associadas ao sistema: não revolvimento do solo, rotação de culturas e formação de abundante palhada de cobertura. Muitos produtores afrouxaram as rédeas e estão mexendo no solo com o objetivo de descompactá-lo, calcareá-lo ou eliminar invasoras resistentes e, pior, estão reduzindo ou eliminando os terraços para facilitar a operação das máquinas, cada vez maiores.

    E pior, estão operando as máquinas no sentido da declividade do terreno, com o objetivo de facilitar as operações de tratos culturais: distribuição dos agrotóxicos, principalmente. Resultado: a erosão está voltando e o patrimônio e lucro do agricultor está escoando pelas voçorocas.

    A rotação de culturas é uma exigência para um manejo correto do SPD. O cultivo do milho depois da soja, no mesmo ano agrícola ou em anos consecutivos, não é rotação, é sucessão. Mas, se bem essa prática não corresponda à rotação desejada, o cultivo da braquiária em consórcio com o milho safrinha ameniza a prática indesejada, de vez que ela incrementa a formação de abundante palhada que promove uma maior cobertura do solo, que retarda os efeitos de uma eventual escassez de chuvas.

    Segundo estudos da Embrapa, o consórcio milho/braquiária reduz em 50% o tempo necessário para que o solo acumule 1% de matéria orgânica, em comparação com o milho safrinha sem braquiária. Dado o sistema radicular abundante da braquiária, ela ajuda na descompactação do solo e na infiltração da água das chuvas, além de incrementar o volume de palhada protetora sobre o solo.

    Antes da implementação do SPD, a construção de terraços nas lavouras era a principal estratégia do agricultor para o controle da erosão do solo. O SPD não veio para substituir os terraços, mas para integrar-se a eles no processo de manejo e conservação do solo.

    Considerando ser desaconselhado o revolvimento do solo após estabelecido o SPD, a correção do solo com calcário deve ser realizada antes de estabelecer o Sistema. Após vários anos de cultivo pode haver necessidade de repetir a calagem, para o que se recomenda aplicá-lo a lanço, sobre a superfície do solo.

    O avanço do milho safrinha, hoje a safra principal (28 milhões de toneladas na safra e 69 milhões de toneladas na safrinha, em 2019), é consequência do estabelecimento do SPD.

    Por: Amélio Dall’Agnol  – Pesquisador Embrapa Soja Londrina