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26 de junho de 2019

  • Quarta-feira começa com desvalorização para o milho na Bolsa de Chicago

    A quarta-feira (26) começa com os preços internacionais do milho futuro em viés de baixa na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais cotações registravam desvalorizações entre 3,25 e 3,75 pontos por volta das 09h01 (horário de Brasília).

    O vencimento julho/19 era cotado à US$ 4,44, o setembro/19 valia US$ 4,49 e o dezembro/19 era negociado por US$ 4,54.

    Segundo analise de Tony Dreibus da Successful Farming, os grãos ficaram um pouco mais baixos durante a noite, em resposta aos últimos números de estoques trimestrais de grãos e no aguardo dos próximos relatórios de áreas total plantada que serão divulgados na sexta-feira.

    Segundo informações da Agência Reuters, analistas consultados classificaram os estoques de milho em 5,33 bilhões de bushels (159,9 milhões de toneladas) em junho, ante 5,31 bilhões de bushels (159,3 milhões de toneladas) no ano anterior.

    O mercado agora aguardo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que deve divulgar suas estimativas de área de plantio no final desta semana. Os analistas esperam uma área de milho de cerca de 86,7 milhões de acres (34,68 milhões de hectares), bem abaixo da estimativa de junho da World Agricultural Supply and Demand Estimates.

    Fonte: Notícias Agrícolas

  • Soja tem leve recuo em Chicago nesta 4ª se posicionando antes dos dados do USDA

    O mercado da soja apresenta leves recuos nesta quarta-feira (26), após as boas altas registradas no início da semana. Os traders, segundo explicam analistas internacionais, se reposicionam à espera dos novos boletins que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz na sexta-feira, dia 28.

    Assim, perto de 7h35 (horário de Brasília), os futuros da oleaginosa perdiam pouco mais de 2 pontos nas posições mais negociadas, com o julho cotado a US$ 8,99 e o agosto, US$ 9,04 por bushel.

    Um dos relatórios traz a posição dos estoques trimestrais norte-americanos em 1º de junho e, para alguns analistas e consultores, os números podem impressionar e causar alguma pressão sobre as cotações.

    De outro lado, o ajuste da área de plantio da safra 2019/20 dos EUA. Para o milho, as expectativas são de uma considerável redução, enquanto para a soja ainda se espera um corte na área, porém, um pouco mais tímido. A janela ideal para a semeadura da oleaginosa está bem ajustada, porém, há muitos produtores ainda apostando nos trabalhos de campo.

    Até lá, os traders especulam e reajustam suas posições à espera destes números e também de possívieis notícias que venham da reunião do G20 que começa na sexta-feira e que pode promover o encontro de Donald Trump e Xi Jinping após mais de um mês de negociações paralisadas entre EUA e China.

    Fonte: Notícias Agrícolas

  • O solo é vida, que precisa ser preservada

    O solo é um patrimônio, cujo valor depende da sua capacidade de oferecer um ambiente mais ou menos propício para o desenvolvimento das plantas.  Visto a olho nu, o solo parece um corpo inerte e sem vida.

    Nada, no entanto, é mais vivo do que um solo fértil. Os seres vivos que o habitam, embora em sua maioria invisíveis a olho nu, estão presentes aos milhões em cada centímetro cúbico de matéria. São invisíveis porque são minúsculos, daí serem denominados de micro-organismos.

    No entanto, para que esses micro-organismos sobrevivam no solo e desempenhem seu importante papel de dar-lhe vida, eles precisam da presença de água para sobreviver, de material orgânico para se alimentar e de ar para respirar. Para que isto aconteça, o solo precisa da presença de muita matéria orgânica, a qual confere maior capacidade de retenção de água das chuvas, dificulta a sua compactação e o deixa mais poroso.

    Solo poroso disponibiliza muito ar para a respiração dos micro-organismos e facilita o aprofundamento do sistema radicular das plantas. Se bem há microrganismos indesejáveis habitando o solo (fungos e bactérias, entre outros), a quantidade de micro-organismos benéficos é muito maior; incluindo fungos e bactérias benéficos.

    O manejo adequado destaca-se entre as estratégias que conferem maior qualidade ao solo. Bem manejado, o solo não apresenta compactação, encharcamento ou erosão e plantas conseguem, em períodos de baixa precipitação pluviométrica, suportar deficiências hídricas sem perdas ou com perdas reduzidas.

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    Os solos menos férteis do planeta são encontrados nas regiões tropicais, onde as elevadas temperaturas aceleram a decomposição da matéria orgânica, desfavorecendo o seu acúmulo e a vida dos micro-organismos.

    A formação de abundante palhada, com a rotação adequada de culturas, incrementa o índice de matéria orgânica no solo, o que promove a vida microbiana e a capacidade produtiva desses solos. Solos degradados, baixa produtividade e pobreza, caminham juntos.

    Um passo gigante no manejo e conservação do solo no Brasil foi dado na década de 1970, com a adoção do Sistema de Plantio Direto na palha (SPD). Inicialmente, esse sistema caminhou muito lentamente, só deslanchando na década de

    1990, ou seja, 20 após seu estabelecimento. O novo sistema, desde de que bem conduzido, incrementa o índice de matéria orgânica do solo e evita a erosão da camada superficial, a mais rica em nutrientes.

    A lenta adoção do SPD durante os primeiros 20 anos deveu-se à desinformação sobre a nova técnica de cultivo, a falta de maquinários apropriados para o manejo da palhada e o desconhecimento sobre como manejar os herbicidas sob as novas condições de cultivo.

    Também, havia dúvidas dos produtores quanto às vantagens produtivas de utilizar a nova técnica, visto que a produtividade pode cair durante os primeiros anos de implantação do sistema (3 a 5 anos), para depois aumentar contínua e consistentemente.

    O monocultivo ou a repetição continuada de um sistema de sucessão, como soja-trigo ou soja-milho safrinha, degrada química, física e biologicamente o solo, com a consequente perda de produtividade no correr dos anos, além de incrementar a presença de pragas, doenças e plantas daninhas.

    Quanto mais fértil um solo, mais rico em vida, cuja intensidade se traduz em mais produtividade.

    Por: Amélio Dall’Agnol – Pesquisador Embrapa Soja

  • Plantio Direto: um avanço tecnológico incomparável

    Quem já era agricultor nos anos 70, dificilmente se esquecerá das visões chocantes das enxurradas que arrastavam ladeira abaixo a camada mais fértil da sua lavoura, abrindo voçorocas pelo caminho e assoreando rios, lagoas e reservatórios de hidrelétricas. Era prática corrente nessa época o agricultor iniciar as operações de preparo do solo para o plantio das culturas da temporada (soja e milho, principalmente) no final do inverno e início da primavera.

    O campo era lavrado e gradeado – uma ou duas vezes – deixando a camada superficial do solo pulverizada. Vinham as chuvas intensas de primavera e estimadas 20 toneladas/ha de solo superficial eram arrastadas para a parte mais baixa da lavoura. Perdia-se a camada mais fértil do solo. Uma lástima.

    No início da década de 1970, no entanto, alguns agricultores pioneiros do Paraná (Rolândia, Castro e Ponta Grossa) deram início ao estabelecimento de uma prática nova de fazer agricultura, a qual dispensava o uso do arado e da grade previamente ao plantio, cujas sementes era depositadas diretamente sobre a palhada da cultura anterior. Iniciava-se a prática do Sistema de Plantio Direto (SPD) no Brasil.

    A partir dessa iniciativa, transcorreram cerca de 20 anos (início da década de 1990) até que o sistema se estabelecesse em definitivo como uma das ferramentas tecnológicas mais impactantes para o desenvolvimento agrícola brasileiro. O começo foi difícil, dada a falta de máquinas apropriadas para o cultivo direto e pelo alto custo dos herbicidas – glifosato, principalmente, muito utilizado na dessecação pre-plantio da lavoura. No início da década de 1990, no entanto, a vigência da patente do glifosato venceu e o preço caiu significativamente, estimulando o avanço na adoção do SPD.

    O SPD tem enormes vantagens sobre o convencional. Além de reduzir significativamente a erosão da camada superficial do solo – a mais rica em nutrientes – ele possibilita antecipar o cultivo das lavouras da primavera/verão, principalmente a 2ª safra do milho e do algodão, mas, também, da 1ª safra da soja e do milho nas regiões onde se cultivam cereais de inverno.

    Outra vantagem do sistema, não menos importante, é o efeito da palhada deixada sobre o solo no controle de plantas daninhas, na redução do impacto das gotas de chuva sobre os agregados do solo e na redução da perda de umidade do solo coberto pela palhada, permitindo que estiagens moderadas sejam melhor suportadas pelas culturas.

    Mais de 100 milhões de hectares (Mha) são cultivados no SPD no mundo. EUA, Brasil, Argentina, Canadá, Austrália e Paraguai, pela ordem, são os países que mais o utilizam. No Brasil, o SPD é utilizado em mais de 32 Mha ou cerca de 50% da área cultivada do país. No estado do Paraná, seu uso alcança 90% da área cultivada.

    Em países com invernos muito frios, o SPD é limitado pela necessidade de revolver-se o solo para aquece-lo e, assim, possibilitar a germinação das sementes na primavera.

    Mas nem tudo são flores com o uso do SPD. É importante esclarecer que o sistema precisa vir acompanhado das boas práticas associadas ao sistema: não revolvimento do solo, rotação de culturas e formação de abundante palhada de cobertura. Muitos produtores afrouxaram as rédeas e estão mexendo no solo com o objetivo de descompactá-lo, calcareá-lo ou eliminar invasoras resistentes e, pior, estão reduzindo ou eliminando os terraços para facilitar a operação das máquinas, cada vez maiores. E pior, estão operando as máquinas no sentido da declividade do terreno, com o objetivo de facilitar as operações de tratos culturais: distribuição dos agrotóxicos, principalmente. Resultado: a erosão está voltando e o patrimônio e lucro do agricultor está escoando pelas voçorocas.

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    A rotação de culturas é uma exigência para um manejo correto do SPD. O cultivo do milho depois da soja, no mesmo ano agrícola ou em anos consecutivos, não é rotação, é sucessão. Mas, se bem essa prática não corresponda à rotação desejada, o cultivo da braquiária em consórcio com o milho safrinha ameniza a prática indesejada, de vez que ela incrementa a formação de abundante palhada que promove uma maior cobertura do solo, que retarda os efeitos de uma eventual escassez de chuvas.

    Segundo estudos da Embrapa, o consórcio milho/braquiária reduz em 50% o tempo necessário para que o solo acumule 1% de matéria orgânica, em comparação com o milho safrinha sem braquiária. Dado o sistema radicular abundante da braquiária, ela ajuda na descompactação do solo e na infiltração da água das chuvas, além de incrementar o volume de palhada protetora sobre o solo.

    Antes da implementação do SPD, a construção de terraços nas lavouras era a principal estratégia do agricultor para o controle da erosão do solo. O SPD não veio para substituir os terraços, mas para integrar-se a eles no processo de manejo e conservação do solo.

    Considerando ser desaconselhado o revolvimento do solo após estabelecido o SPD, a correção do solo com calcário deve ser realizada antes de estabelecer o Sistema. Após vários anos de cultivo pode haver necessidade de repetir a calagem, para o que se recomenda aplicá-lo a lanço, sobre a superfície do solo.

    O avanço do milho safrinha, hoje a safra principal (28 milhões de toneladas na safra e 69 milhões de toneladas na safrinha, em 2019), é consequência do estabelecimento do SPD.

    Por: Amélio Dall’Agnol