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A chamada era do Agro 4.0 já chegou?

Quanto custa receber uma informação rápida, em tempo real, no agronegócio ou em qualquer negócio? Para o produtor rural, que pode diminuir custos de produção e aumentar a competitividade com um dado precioso, pode valer bastante.

O agricultor já virou produtor ou empresário rural há tempos. Essa mudança passou pela gestão de pessoas e do negócio. Mudaram ainda as relações entre o “homem do campo” e as tecnologias. Prova disso é a revolução cultural e digital que está acontecendo em todos os setores, inclusive na agricultura familiar.

E foi com o avanço das tecnologias da informação, a multiplicação de plataformas digitais e a introdução de novas técnicas, que as relações entre os produtores rurais e consumidores está modificando.

O impacto vai da qualidade até a competitividade. Essas mudanças vindas com a era digital estão dando origem a novos negócios e oportunidades, com o surgimento e crescimento de tecnologias através de startups, plataformas e sistemas integrados.

Tecnologia 4.0 também no campo
A transição para o Agro 4.0, com acesso à internet até em locais mais remotos, deve acontecer através da frequência 4G 700 MHz, que foi liberada recentemente no país após o desligamento do sinal analógico de televisão. Esperança para os produtores que viviam em áreas de sombra, sem sinal de internet.

De acordo com dados levantados pelo IBGE, o acesso à internet no campo aumentou 1.790,1% desde o último levantamento, passando de 75 mil, em 2006, para 1.425.323 produtores que declararam ter acesso em 2017. Destes 61% já usam smartphones para realizaram algumas atividades, e o whatsapp é considerado como o principal meio de comunicação na zona rural, utilizado por 96% dos produtores com acesso à internet.

Mas aumentar esse acesso ainda é um obstáculo, porque ainda há áreas descobertas por sinal de celular. Com a chegada da tecnologia 4G nas áreas agrícolas, o produtor rural poderá receber informações da lavoura em tempo real. De acordo com especialistas, esta frequência é uma das melhores bandas para a chamada internet das coisas, com longo alcance do sinal e de boa qualidade.

Inclusão digital que permite o acesso a tecnologias, como a do projeto Climate FieldView, negócio de agricultura digital da Bayer, que tem como objetivo alcançar até o final de 2019 cerca de 5 milhões de hectares com cobertura da tecnologia 4G.

A estimativa foi feita com base em estudos, mas há chances de o tamanho da área ser ainda maior. Isso significa atingir cerca de 10% da área total plantada de grãos no Brasil. Atualmente, o acesso à internet alcança apenas 700 mil hectares.

Utilizada por produtores da Cooperalfa, principalmente em Santa Catarina, o Climate FieldView permite que a leitura feita e os mapas cheguem ao e-mail cadastrado pelo agricultor, com leitura em tempo real da velocidade de plantio, da distribuição de sementes e adubos, além dos índices programados para pulverização, se há sobreposição de aplicação e qual a umidade e temperatura no momento do referido manejo, tudo isso em tempo real. Tecnologia que já está nas mãos de produtores catarinenses.

Informação em tempo real
A plataforma digital reúne todas as informações, acopla as análises de solo, cruza esses dados e os correlaciona com as projeções de produtividade, em tempo real. Se uma máquina parar, por exemplo, a informação chega ao exato momento no celular do agricultor.

O agrônomo da cooperativa Alfa, Vilmar Marcon, de Canoinhas, diz que esse modelo de análise também indica mapas de produtividade gerados pela colheitadeira e informa a umidade do próprio grão “na hora”.

Pensando em utilizar a internet como uma aliada, o homem do campo ou empresas que atuam no segmento agro incorporaram definitivamente a rastreabilidade, o monitoramento em tempo real e a interatividade de sistemas inteligentes que facilitam a vida dos empresários rurais.

Fonte: G1