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1 de outubro de 2019

  • Produtores de grãos desconfiam do Dicamba enquanto Bayer promove nova semente

    Os produtores brasileiros estão cautelosos quanto à iminente introdução no mercado de uma nova tecnologia de sementes de soja geneticamente modificada, citando os riscos associados ao Dicamba, um herbicida tolerado pelo novo material.

    Amplamente utilizado nos Estados Unidos, o Dicamba foi descrito como um produto volátil e que pode facilmente ser espalhado pelo vento, comprometendo a soja não tolerante a ele, disseram produtores à Reuters.

    “O Dicamba fica suspenso no ar, qualquer brisa leva esse produto muito longe, e isso causa uma toxicidade em outras sojas”, disse Cayron Giacomelli, agricultor e agrônomo. “Por isso, eu tenho medo dessa tecnologia.”

    A Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) afirmou na sexta-feira que a Bayer, proprietária da tecnologia de sementes “Intacta 2 Xtend”, está convidando produtores a participarem dos testes nesta safra.

    A Aprosoja solicitou que eles busquem informações com a Bayer a respeito do impacto do uso do Dicamba, acrescentando que há herbicidas alternativos no Brasil.

    “Nos EUA, onde a tecnologia já foi lançada, as ervas daninhas são diferentes das existentes no Brasil. Lá o Dicamba se constitui em ferramenta essencial”, afirmou a Aprosoja.

    O produtor José Soares disse à Reuters que não vai participar dos testes da Bayer. “O Dicamba é muito perigoso, e não temos necessidade.”

    A Bayer afirmou que a semente combina biotecnologia com novas ferramentas de proteção ao cultivo para elevar “a produtividade do agricultor a um novo patamar”.

    A companhia alemã disse ainda que há especialistas e acadêmicos acompanhando os testes da nova semente e a aplicação do defensivo Dicamba, com o intuito de entender as especificidades das condições brasileiras.

    Segundo a Bayer, variedades de soja com a tecnologia Xtend foram lançadas em 2016 nos EUA. A Bayer informou que planeja lançar a tecnologia comercialmente no Brasil na safra 2021/2022.

    Os produtores brasileiros não se opõem ao uso da nova tecnologia, mas querem que a Bayer se responsabilize por eventuais problemas.

    Antonio Galvan, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), disse à Reuters que a contaminação decorrente da aplicação do Dicamba nos EUA é uma preocupação.

    “Se o produto for para o mercado, que a empresa seja totalmente responsabilizada por qualquer problema que venha a acontecer”, afirmou Galvan, acrescentando que a soja que não tem resistência ao Dicamba é um dos produtos mais suscetíveis à toxicidade do herbicida.

    A companhia disse que vai recomendar que agricultores no Brasil utilizem o Dicamba “com uma nova formulação, capaz de reduzir significativamente a volatilidade do produto em relação à primeira geração”.

    Paralelamente, a Aprosoja MT e outras associações regionais estão questionando na Justiça a validade da patente da soja Intacta RR2 PRO, uma semente tolerante ao herbicida glifosato e a insetos.

    Sobre o herbicida Dicamba, a Bayer disse que está preparada para responder a questões e treinar intensamente agricultores que optarem pelo uso da tecnologia.

    “A escolha sobre qual tecnologia usar é sempre do produtor”, apontou a empresa.

    A Aprosoja afirmou que mais de 2.700 reclamações foram abertas nos EUA por sojicultores que não utilizavam a tecnologia Xtend, mas foram afetados pelo Dicamba aplicado em fazendas vizinhas.

    A janela de plantio mais ampla no Brasil apresenta riscos que os agricultores norte-americanos não enfrentam, acrescentou a Aprosoja.

    Fonte: Reuters

  • China compra soja dos EUA antes de negociações comerciais, dizem operadores

    Empresas chinesas compraram até 600 mil toneladas de soja dos Estados Unidos nesta segunda-feira para embarques de novembro a janeiro, como parte de uma cota livre de tarifas atribuída nesta semana aos importadores para compra de até 2 milhões de toneladas, disseram duas fontes com conhecimento das negociações mencionadas.

    As aquisições de ontem (30/9) aconteceram antes das negociações comerciais de alto nível entre EUA e China, que têm início agendado para a próxima semana e visam encerrar uma guerra comercial que já dura 15 meses e afetou as exportações agrícolas norte-americanas e os mercados globais.

    Uma quantidade entre duas e dez cargas de cerca de 60 mil toneladas de soja cada já foram vendidas, disseram as fontes. Uma fonte disse que os compradores incluem empresas privadas e estatais.

    A China fez frequentes compras de produtos agrícolas dos EUA como gesto de boa vontade antes das negociações comerciais.

    As compras contribuíram para um rali nos contratos futuros da soja em Chicago, valor de referência da oleaginosa, nesta segunda-feira. O vencimento mais ativo encerrou a sessão em alta de 2,41%.

    Importadores chineses realizaram compras de mais de 1 milhão de toneladas de soja dos EUA na semana passada, após as negociações de segundo escalão realizadas em Washington, na maior onda de aquisições ao menos desde junho.

    A China, que tem obtido a maior parte de sua soja na América do Sul desde que a guerra comercial com os EUA explodiu no ano passado, concedeu isenções a diversos importadores para que comprem soja dos EUA sem as tarifas retaliatórias, como um gesto de boa vontade antes das negociações.

    Uma solução para a guerra comercial, porém, está longe de esclarecida, após fontes afirmarem que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, está considerando deslistar empresas chinesas das bolsas de valores norte-americanas. A China alertou nesta segunda-feira que o movimento, que representaria uma escalada radical nas tensões comerciais entre os países, desestabilizaria os mercados internacionais.

    Fonte: Reuters

  • Soja: Mercado começa a sessão desta 3ª feira com ligeiras valorizações na Bolsa de Chicago

    Após fechar a sessão de ontem com fortes valorizações, as cotações futuras da soja iniciaram o pregão desta terça-feira (01) com ligeiras valorizações na Bolsa de Chicago (CBOT). Os principais contratos da commodity exibiam altas de 2,25 a 1,75 pontos, por volta das 09h23 (Horário de Brasília). O contrato novembro/19 era negociado a US$ 9,08 por bushel, enquanto, o vencimento janeiro/2020 trabalhava US$ 9,21/bushel.

    De acordo com as informações do Analista da Farm Futures, Bryce Knorr, os futuros de grãos estão operando com volatilidade nesta manhã, digerindo os ganhos acentuados nesta segunda-feira a partir de relatórios de alta das ações do USDA. “Com as próximas estimativas de produção, oferta e demanda devidas pelo governo em 10 de outubro, a atenção voltou-se para as previsões meteorológicas de sinais de geada que poderiam encerrar a estação de crescimento”, afirmou Knorr.

    Embora algumas áreas do oeste do Corn Belt possam ser danificadas no final desta semana, ainda não há sinal de frio generalizado. Os modelos climáticos americanos continuam oscilando nas previsões no final da próxima semana, mas falta confirmação até o momento.

    Nesta segunda-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) atualizou o seu boletim de semanal de acompanhamento de safras, informando o avanço da colheita do milho e da soja no Corn Belt. Nesse início de colheita para a soja, até 29 de setembro 7% das lavouras foram colhidas, sendo que o mercado apostava em um avanço de 6%.

    Em igual período do ano passado, a colheita era de 22% e a média dos últimos cinco anos é de 20%. As lavouras em condições boas e excelentes ficaram em 55%, uma melhora de 1% com relação à semana anterior.

    Fonte: Notícias Agrícolas