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16 de outubro de 2019

  • Micotoxina: Desafio brasileiro

    De acordo com a Pesquisa Mundial de Micotoxinas (MTX Survey), a América do Sul apresenta um risco para micotoxinas “acima dos limites de segurança” em matérias-primas como milho, trigo, soja, seus subprodutos relacionados e rações animais. Nessa entrevista (Comunidade Engormix), o professor Carlos Mallmann, do Laboratório de Análises de Micotoxinas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), revela o tamanho do desafio enfrentado no Brasil.

    Qual é a extensão e a importância do controle da micotoxina no Brasil?

    O tamanho do desafio é ‘São Pedro’. Nós estamos em um país tropical e subtropical, onde as condições climáticas são extremamente favoráveis ao crescimento fúngico. Então nós não temos como controlar isso em determinadas situações. Evidentemente que o agronegócio necessita do fungicida para minimizar a presença, não só pela parte da micotoxina, mas pela parte da questão produtiva, que tem um efeito colateral de minimizar também a pressão contaminante dos fungos que podem ser toxigênico, ou micotoxigênicos.

    Se não conseguirmos controlar isso, dependendo do ano que a gente tem, nós vamos ter a possibilidade de deixar esse fungo crescer com a velocidade e com a possibilidade de produção de toxinas. Esse vai ser um desafio constante que o País terá, não conseguiremos nos livrar das micotoxinas nunca, por serem contaminantes naturais. As estratégias são para minimizar essa pressão contaminante, mas solução momentânea não existe e vai levar muitos anos para que isso possa talvez ocorrer.

    Então a melhor prática é realmente a prevenção? É detectando isso, por exemplo, no grão armazenado?

    O que está sendo feito para ajudar o produtor é a seleção na genética para que seja possível encontrar um equilíbrio entre produtividade e produção de rações. São duas coisas diferentes: produtividade são aquelas toneladas que o produtor consegue tirar da sua área e a produção é no que aquilo vai se transformar.

    O milho em si passa a ter valor no momento em que ele é transformado em proteína, o animal tem que receber uma ração com a nutrição adequada e com a segurança, portanto é uma equação que tem que atender os dois lados, de um lado a quantidade e de outro a qualidade, sem que seja necessária a inclusão de aditivos.

    O grande cuidado que se deve ter é com o mercado externo, com a imagem e com o que o Brasil representa?

    Aí entra um segundo fator. Nós produzimos, conseguimos controlar isso, vamos secar esse material e vamos armazenar. A armazenagem não melhora em nada a qualidade do material, ela apenas pode conservar aquilo que a gente conseguiu ensilar, então esse é um outro ponto em que nós podemos falhar, já que nossa estrutura de armazenagem não é suficientemente capaz de abrigar e conservar essa produtividade de várias supersafras.

    Esse ano o Brasil vai exportar cerca de 30 milhões de toneladas de milho e isso tem que sair com uma segurança e, por barreira sanitária, o comprador pode recusar o recebimento de qualquer produto que está previsto dentro da legislação específica daquele país e isso gera um custo de avaliar a presença disso, assegurando o mercado com o provimento de material previamente segurado.

    Por: AGROLINK –Leonardo Gottems

  • Aprosoja recomenda cautela com Dicamba

    A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) divulgou comunicado oficial recomendando que os produtores tenham cautela com o uso da nova tecnologia Xtend, que introduza resistência ao herbicida Dicamba. A preocupação é que se repitam no Brasil alguns problemas do produto registrados nos Estados Unidos, principalmente a deriva. Confira a nota na íntegra:

    Comunicado aos produtores de soja sobre o uso de Xtend e Dicamba

    Brasília, 27/09/2019 – Produtores de todo o país estão sendo convidados pela Bayer a participar de testes com a nova tecnologia Xtend para sementes de soja a partir desta safra. Essa tecnologia é tolerante ao Dicamba, um herbicida para plantas de folhas largas muito utilizado nos Estados Unidos para o controle de ervas daninhas. Porém, pesquisas de campo indicam que o Dicamba tem apresentado problemas relacionados à deriva nas lavouras norte-americanas.

    Tendo em vista que a soja é a cultura mais sensível ao herbicida, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e suas associadas estaduais orientam os sojicultores a buscarem com a empresa informações sobre os impactos do uso deste produto em suas lavouras.

    A empresa está prometendo inserir a biotecnologia em materiais mais produtivos do que os atuais. Apesar de representar um atrativo ao produtor, ele não fica obrigado a usar o herbicida. Isso porque, segundo pesquisadores brasileiros, há outros produtos para controle de ervas daninhas no Brasil. Nos Estados Unidos, onde a tecnologia já foi lançada, as ervas daninhas são diferentes das existentes no Brasil. Lá o Dicamba se constitui em ferramenta essencial.

    O Dicamba é um produto com regras de uso muito mais complexas para aplicação do que qualquer outro defensivo agrícola, o que, consequentemente, apresenta mais riscos ao ser aplicado. Um dos problemas é o alto potencial de volatilização.

    O herbicida volatiliza e pode causar deriva se for aplicado em dias com temperaturas acima dos 29 graus celsius, umidade do ar abaixo dos 40%, ventos acima de 16 km/h e em dias com inversão térmica. Se houver deriva na aplicação, os efeitos sobre a soja não tolerante são danosos.

    Nos Estados Unidos mais de 2,7 mil reclamações foram abertas nos órgãos de controle por sojicultores que não usavam a biotecnologia e que tiveram lavouras atingidas pelo herbicida aplicado em fazendas vizinhas.

    O risco de injúria é real e os prejuízos serão inevitáveis se atingirem plantas em fase reprodutiva. A larga janela de plantio no Brasil propicia que isto ocorra, o que não acontece em território norte-americano, onde o plantio é feito em 15 dias. Mesmo lá, muitos produtores passaram a adotar a tecnologia para se protegerem da deriva.

    A Aprosoja Brasil e suas associadas estaduais querem evitar que os problemas verificados nos Estados Unidos se repitam no Brasil. Portanto, é importante que os produtores, ao participarem de eventos-testes, questionem a empresa e seus técnicos sobre as formas seguras de aplicação desse produto e os impactos se o herbicida for aplicado nas condições climáticas encontradas no Brasil.

    Essas informações já foram levadas ao conhecimento do Ministério da Agricultura e da Embrapa. Tudo isso está sendo feito para proteger nossas lavouras, produtores e aplicadores e para garantir a rentabilidade dos produtores e a sustentabilidade da sojicultura nacional.

  • PIB gaúcho é o maior dos últimos seis anos com forte influência da agropecuária

    O bom desempenho da agropecuária fortaleceu a economia gaúcha no primeiro semestre de 2019, quando o Estado alcançou 3,8% de crescimento, enquanto o Brasil cresceu 0,7% no mesmo período. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul nos seis primeiros meses do ano foi fortemente influenciado pelos desempenhos da agropecuária, que cresceu 7,2% (impulsionada pelas safras de soja e milho), e da indústria, com crescimento de 5,5% – destaque para a fabricação de veículos, de implementos e produtos químicos. Desde o primeiro semestre de 2013, o PIB do Estado não crescia tanto na primeira metade do ano.

    “Temos repetido que o agro é pilar de sustentação do Rio Grande do Sul, e isso se confirma mais uma vez com os dados divulgados”, opina o secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho.

    O PIB do segundo trimestre de 2019 foi apresentado na tarde desta segunda-feira (14/10) pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag). O excelente resultado, segundo os pesquisadores que elaboraram o indicador, deve ser comemorado com cautela.

    “O crescimento do primeiro semestre de 2019 se deu sobre uma base deprimida, devido à estiagem e à greve dos caminhoneiros que ocorreram na primeira metade de 2018”, pondera Roberto Rocha, pesquisador em economia da Seplag.

    Rocha destaca o desempenho do setor automotivo no Estado. A produção de automóveis, implementos e carrocerias contribuiu decisivamente para o crescimento de 6,4% da indústria de transformação no período.

    A dinamização da agropecuária e de segmentos da indústria do RS fez com que, no semestre, os serviços crescessem mais do que na média nacional: 1,8% em comparação com 1,2% do país. O crescimento dos três setores foi maior no Estado do que no Brasil, evidenciando, mais uma vez, o desempenho superior da economia gaúcha em 2019, aponta a pesquisa.

    O resultado positivo do segundo trimestre deste ano é o quarto numa sequência que teve início no terceiro trimestre de 2018, logo após a greve dos caminhoneiros. Desde então, a economia gaúcha cresce em todas as comparações.

    Em relação ao trimestre imediatamente anterior (2° trim./2019 sobre o 1° trim./2019), o crescimento do PIB foi de 1,4%. Neste comparativo, a economia nacional evoluiu tão somente 0,4%. Mais uma vez, a agropecuária (6%) teve o melhor desempenho proporcional na comparação aos três primeiros meses do ano, enquanto a indústria ficou 1,1% positivo, mesmo assim ainda acima do desempenho do país. O setor de serviços cresceu 0,3% no RS no segundo trimestre em comparação ao trimestre que o antecedeu, reproduzindo a mesma expansão acanhada verificada em todo o Brasil.

    Quando comparado ao mesmo trimestre do ano passado (2° trim./2019 sobre 2° trim./2018), o crescimento da economia gaúcha chegou a 4,7%. O país, considerando o mesmo período de um ano para o outro, teve variação positiva de 1%. Em virtude do crescimento verificado em atividades de grande peso na arrecadação tributária, como a indústria de transformação e o comércio, o volume dos impostos sobre produtos no RS subiu 5,7%, enquanto, no Brasil, essa taxa foi de 1,7%. Com isso, o Valor Adicionado Bruto (VAB) do Estado cresceu 4,6%, bem acima da variação do Brasil, que foi de 0,9%.

    Neste quadro comparativo, a economia gaúcha apresentou crescimento nos três setores, com destaque para a agropecuária e a indústria. Porém, também nesse aspecto, os pesquisadores do DEE salientam que esta expansão se deu a partir de uma base baixa em 2018, consequência da estiagem que afetou a produção agrícola e da greve dos caminhoneiros, que impactou negativamente a produção industrial. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, as duas atividades com pior desempenho foram a indústria extrativa, com queda 5,5%, e a construção, com variação positiva de 0,1%.

    Acumulado do ano

    A taxa acumulada em quatro trimestres do PIB gaúcho ficou em 3,9%, o que demonstra um processo de recuperação da economia gaúcha. A expansão no período de um ano (até junho de 2019) foi resultado do crescimento da agropecuária (6,2%), da indústria (5,8%) e dos serviços (1,6%). Comparando com a trajetória da economia brasileira pós-crise, nota-se que o RS apresenta uma recuperação mais acelerada, notadamente quando comparada com a estagnação do desempenho nacional neste ano, diz o estudo.

    Para a chefe da Divisão de Indicadores Estruturais do DEE, Vanessa Sulzbach, “apesar de estarmos com crescimento significativo há quatro trimestres seguidos, a tendência é de que as taxas se arrefeçam a partir do terceiro trimestre de 2019, em parte porque a influência da agropecuária se concentra na primeira parte do ano, e também porque os indicadores mais recentes da indústria já sinalizam uma certa desaceleração em alguns segmentos”. Além disso, acrescenta, as perspectivas para a economia brasileira, importante mercado dos produtos gaúchos, dão conta de um crescimento inferior a 1%.

  • Alerta com chuvas intensas e instabilidades

    Ainda segundo a empresa meteorológica, no Sul do Brasil, as chuvas devem seguir intensas pelo menos até o final da semana. Também é esperada uma queda de temperatura nos estados da região. Nos últimos dias, houve registro de altas temperaturas.

    “O tempo fica muito instável, com chuva frequente e risco de chuva forte nos três estados pelo menos até a próxima sexta-feira, 18 de outubro”, prevê a Climatempo.

    Diante das instabilidades nesta terça-feira, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu alerta de chuvas intensas para os três estados da região Sul, apesar de o Paraná ser o que terá pior condição de chuva, inclusive com áreas de replantio.

    “Chuva entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, ventos intensos (40-60 Km/h). Baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas”, destaca o instituto meteorológico brasileiro.

    Aviso para as áreas: Planalto Norte Catarinense, Campanha, Metropolitana De Curitiba, Oeste Catarinense, Vale Do Itajai, Grande Florianópolis, Planalto Sul Catarinense, Litoral Sul Catarinense, Encosta Do Sudeste, Serra Do Sudeste, Depressão Central, Encosta Inferior Do Nordeste, Encosta Superior Do Nordeste, Campos De Cima Da Serra, Planalto Médio, Missões, Alto Uruguai, Central Paranaense, Litoral Paranaense, Sudoeste Paranaense, Sul Paranaense, Litoral Gaúcho, Meio-Oeste Catarinense, Litoral Norte Catarinense

    O mapa de precipitação acumulada do Inmet das últimas 24 horas mostra que altos volumes foram registrados em áreas do Rio Grande do Sul e pontos de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. O estado do Paraná apresenta baixos volumes.

    Em Goioerê (PR) quem já semeou pode ter que replantar. Apenas 40% da área já foi plantada no município que espera por chuvas nos próximos dias para diminuir os prejuízos. A expectativa já é de menos produtividade na soja e dificuldades para a safrinha de milho 2020.

    Palotina (PR) deve ter que replantar mais de 20% da área de soja devido à falta de chuvas. “Neste final de semana as medições de temperatura de solo chegaram em até 47ºC e a umidade relativa do ar não passou dos 20%”, afirma o vice presidente do Sindicato Rural da cidade, Edmílson Zabot.

    A Climatempo destaca que “no Centro-Sul e Oeste do Mato Grosso do Sul e Sudoeste do Mato Grosso, incluindo Campo Grande, a previsão é de pancadas de chuva ao longo de todo o dia, com moderada a forte intensidade, concentradas em pequenas áreas, e períodos de sol”.

    Também tem previsão de chuva para a fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. “A previsão para as demais áreas do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso e para o sul de Goiás, incluindo Cuiabá, é de sol durante o dia e pancadas de chuva a partir da tarde”, informa a empresa meteorológica.

    Já nesta quarta-feira, a chuva diminui sobre o Centro-Oeste. “Uma massa de ar seco vai ganhar força sobre a Região nesta quarta-feira, 14 de outubro, com um dia ensolarado em Goiás, no Distrito Federal, nordeste do Mato Grosso do Sul e oeste do Mato Grosso”, prevê a Climatempo.

    Enquanto isso, seguem até o final de semana, as chuvas no Sul. O mapa de precipitação acumulada dos próximos 7 dias mostra que altos acumulados são esperados na região, confirmando as previsões desta segunda-feira, mas o Paraná será o estado que terá pior condição. Também chove bem sobre áreas da região Norte.

    Previsão estendida de chuvas para o Brasil

    O mapa de previsão estendida do centro de previsão da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), no período de 15 até 23 de outubro, mostra chuvas moderadas a volumosas sobre vários pontos do país. Áreas do Centro-Oeste e Nordeste terão baixos volumes.

    Já no período de 23 até 31 de outubro, o mapa de tendência de precipitação aponta que as chuvas reduzem em alguma  áreas, mas voltam para áreas do Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. A região Sul seguirá com altos acumulados de chuva no período.