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outubro 2019

  • Plantio de soja avança no Brasil e tira atraso ante média histórica

    O plantio de soja no Brasil avançou para 22,8% da área estimada no país na safra 2019/20, tirando um atraso inicial ante a média histórica para o período, informou nesta sexta-feira a consultoria Arc Mercosul em nota.

    Em uma semana, o plantio aumentou 13,3 pontos percentuais, ficando levemente acima da média de 22,7% para esta época do ano, segundo dados da Arc Mercosul.

    No entanto, os trabalhos ainda estão atrasados frente ao mesmo período do 2018, quando o maior exportador global de soja havia plantado 35,9% da área projetada, beneficiado por mais chuvas do que neste ano.

  • Primeiras lavouras implantadas estão apresentando boa emergência

    O período de plantio de soja no Estado ocorre entre 11 de setembro e 31 de dezembro, de acordo com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a cultura no Rio Grande do Sul, ano-safra 2019-2020, definido pela Portaria nº 76, de 11/07/2019. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (17/10), o plantio da soja está iniciando lentamente, com algumas áreas plantadas nas regionais de Ijuí, Santa Rosa e Soledade.

    Nas regiões da Emater/RS-Ascar de Ijuí e de Soledade, as primeiras lavouras implantadas estão apresentando boa emergência e os produtores concentram-se na dessecação de áreas. Há incidência de lagartas de solo (Elasmopalpus lignosellus) e lagarta-rosca (Agrotis ipsilon), sendo necessário adicionar inseticida no momento da dessecação das áreas. Já na região de Santa Rosa, a semeadura da cultura deverá ser intensificada a partir da segunda quinzena de outubro, culminando com maior percentual de área a ser plantada na primeira semana de novembro.

    A estimativa da Emater/RS-Ascar para a safra de soja 2019-2020 indica uma área de 5.956.504 hectares, um aumento de 1,93% em relação à safra anterior e uma produção estimada de 19.746.793 toneladas. Isso resulta em uma produtividade de 3.315 quilos por hectare.

    No milho, a semana fecha com 68% da área plantada, com avanço de 10% em relação à semana anterior. A estimativa da Emater/RS-Ascar para a safra de milho 2019-2020 indica uma área de 771.578 hectares, aumento de 1% em relação à safra anterior, e produção estimada de 5.948.712 toneladas. Isso resulta em produtividade de 7.710 quilos por hectare. Segundo o zoneamento agroclimático para o milho, definido pela Portaria nº 59, de 01/07/2019, o período de plantio ocorre entre o início de agosto e o final de janeiro.

    CULTURAS DE INVERNO
    Trigo – No Rio Grande do Sul, 4% das lavouras encontram-se em fase de floração, 47% estão na fase de enchimento do grão, 42% estão em maturação e 7% das lavouras foram colhidas, em especial nas regiões de Santa Rosa, Ijuí e Frederico Westphalen. As produtividades variam entre 3.100 e 3.300 quilos por hectare, com PH acima de 78. Nesta safra, a área estimada pela Emater/RS-Ascar para o cultivo do trigo é de 739,4 mil hectares, o que corresponde a 37% da área brasileira de plantio com o grão.

    Canola – A produção de canola nos 32,7 mil hectares plantados no RS tem mantido a expectativa de rendimento médio de 1.258 quilos por hectare. No período, a cultura se encontra com 39% em enchimento de grãos, 24% em fase de maturação e 37% das lavouras já foram colhidas.

    Cevada – A área cultivada com cevada no RS, de acordo com a estimativa da Conab, responde por 36,6% da área da cultura no país. Na área de 42,4 mil hectares implantada no Estado, a Emater/RS-Ascar identificou rendimento de 2.073 quilos por hectare. Atualmente, o cultivo se encontra em floração (8%), enchimento do grão (47%) e em maturação (37%). As lavouras colhidas já atingiram 8% da área com a cultura.

    Aveia branca – A área estimada pela Emater/RS-Ascar com plantio de aveia branca para grão no RS é de 299,9 mil hectares, correspondendo a 78,8% da área estimada pela Conab para o Brasil. No Estado, 7% das lavouras se encontram em floração, 30% em enchimento do grão, 40% em maturação e 23% das lavouras já foram colhidas. A produtividade esperada é de 2.006 quilos por hectare.

    Aveia preta – Na região Central, a aveia preta apresenta expressiva área plantada, 17.620 hectares. Dentre os municípios que se destacam nesse cultivo estão Vila Nova do Sul, com 4 mil hectares, seguido de Jari, 3.500 hectares, e Capão do Cipó, com 3.200 hectares.

    OLERÍCOLAS
    Cebola – Na Serra, todas as variedades estão em desenvolvimento vegetativo, recebendo tratos culturais. Alguns produtores iniciaram a colheita de variedades superprecoces. Já na região Sul, a cultura segue em fase de bulbificação, apresentando bom estado sanitário. Produtores realizam tratamentos fitossanitários para prevenção das doenças, principalmente o míldio. O início da colheita na região está previsto para o final de outubro.

    Aipim/mandioca – Nas regiões da Fronteira Noroeste e Missões, o plantio da maior parte das lavouras de mandioca foi finalizado. Nas propriedades onde ainda são observados remanescentes de material propagativo, a implantação das lavouras deverá ocorrer mais tarde, quando a temperatura do solo é maior. Nas primeiras lavouras implantadas, é efetuada a capina para controle das invasoras e são observadas a formação de bom estande e as boas condições de sanidade das plantas. Produtores seguem realizando a colheita das lavouras de mandioca da safra passada.

    FRUTÍCOLAS
    Banana – O Litoral Norte do RS responde com 98% da área cultivada com bananas. A fruta está em colheita, com produtividade aproximada de dez toneladas por hectare; a qualidade é boa.

    Citros – Na região do Vale do Rio Pardo, os citros estão em final de floração e pegamento dos frutos. Em alguns pomares, é intenso o ataque de pulgões nas brotações novas; dependendo do nível de incidência, o manejo é necessário. Seguem a colheita de bergamota Montenegrina, Murcott e de laranja Valência e os tratamentos fitossanitários para antracnose e estrelinha.

    Pêssego – No Alto Uruguai, variedades mais precoces como PS e Chimarrita começam a ser colhidas, apresentando boa qualidade. Na região Serrana, variedades de ciclo superprecoce vêm sendo colhidas, com frutos apresentando bom calibre e coloração. As variedades de ciclo precoce estão em estágio de maturação fisiológica e com boa sanidade. Já as variedades de ciclo médio encontram-se em crescimento dos frutos, brotação abundante, sendo iniciado o raleio; as variedades tardias, em fase de flor limpa e frutos em crescimento. Os pomares em geral apresentam boa sanidade. É realizada a aplicação de fungicidas.

    Na região Sul, 99% da cultura do pêssego está em frutificação, ocorrendo de forma desuniforme. Seguem intensas as atividades de raleio em pomares e cultivares em que este manejo é necessário. Produtores também realizam tratamentos fitossanitários de frutificação e aplicam a adubação. Iniciou a colheita das cultivares mais precoces, para consumo in natura, como Precocinho, Conserva 1104 e Libra. O preço de comercialização está entre R$ 3,00 e R$ 4,00/kg no mercado local, variando em razão da qualidade, do tamanho e da coloração da fruta.

    PASTAGENS E CRIAÇÕES
    As condições climáticas continuam favoráveis ao desenvolvimento mais intenso dos campos nativos. Assim, eles vão melhorando as condições alimentares e nutricionais dos rebanhos. No caminho oposto, as pastagens cultivadas de inverno, que chegam ao período final de seu ciclo produtivo, vão diminuindo a massa verde, tornando-se fibrosas e perdendo qualidade.

    Também favorecidas pelo clima, as pastagens cultivadas perenes de verão, como as braquiárias, panicuns e tíftons, começam a crescer de forma mais intensa. Por sua vez, as pastagens cultivadas anuais de verão, como milheto, sorgo forrageiro e capim sudão, estão em fase de preparo de solo ou de implantação, apresentando um bom desenvolvimento inicial. Os produtores que fazem a integração lavoura-pecuária continuam desocupando áreas destinadas ao cultivo de soja.

    APICULTURA – Com boas floradas disponíveis, há grande atividade nas colmeias, gerando expectativa de uma ótima colheita de mel. Visando aumentar a produção, os apicultores executam práticas como revisões e roçadas de apiários; limpeza e/ou reforma de caixilhos, melgueiras e ninhos; instalação de caixas-isca para captura de enxames.

    Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar

  • Previsão de chuva e umidade para os próximos dias no RS

    Nos próximos sete dias permanecerá muita umidade e chuva sobre o Rio Grande do Sul, conforme o Boletim Meteorológico Semanal da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural.

    No sábado (19), o tempo seco e com temperaturas amenas predominará em todo Estado. No decorrer do domingo (20), a aproximação de uma frente fria vai provocar chuva em todas as regiões, com possibilidade de temporais isolados, fortes rajadas de vento e eventual queda de granizo.

    Na segunda-feira (21), a propagação da frente fria manterá a nebulosidade e a chuva em todo Estado, ainda com risco de temporais. A partir da terça-feira (22), o ingresso de ar seco garantirá o tempo firme, com declínio das temperaturas em todo Estado.

    Os valores de precipitação previstos oscilarão entre 35 e 50 mm na Fronteira Oeste e Missões. No restante do Estado os totais esperados deverão variar entre 60 e 80 mm. Na Zona Sul e parte da Campanha, os volumes deverão ser superiores a 90 mm em várias localidades.

  • Reflexões sobre medidas de produtividade e alguns resultados para a agropecuária brasileira

    O sucesso da agropecuária brasileira está calcado na produtividade de suas diversas cadeias, que cresceu, nas últimas décadas, a taxas elevadas, superando em mais de duas vezes a média mundial. Como consequência, o Brasil se tornou uma das três potências agrícolas e o terceiro maior exportador de alimento.

    A produtividade pode ser definida com a variação do produto depois de descontados os efeitos do maior ou menor uso de fatores de produção/insumos. Diferentemente das produtividades parciais do trabalho e capital, a PTF (Produtividade do Total dos Fatores) é uma medida de produtividade abrangente e que permite que se avalie ganhos de eficiência na economia ou em setores específicos dela decorrentes do uso conjunto dos recursos no processo produtivo.

    Assim, a PTF indica a eficiência obtida com a totalidade dos recursos ou fatores de produção combinados para gerar bens e serviços, e se refere ao crescimento do produto relacionado às melhorias no processo de produção. Isso, por sua vez, pode se dar, entre outros fatores, por introdução de novas tecnologias, uso de recursos de qualidade superior (como terra, no caso da agropecuária), combinação mais eficiente dos fatores e melhor gestão do negócio.

    Gasques, em diversos estudos realizados nas últimas décadas, tem apontado que a PTF é o principal fator responsável pelo crescimento do produto agropecuário. Considerando-se os anos de 1975 a 2018, foi estimada pelo autor uma taxa média de crescimento da PTF para a agropecuária brasileira em 3,36% a.a. (índice médio do produto de 3,81% a.a e índice de fatores de 0,44% a.a). Para fim de comparação, dados sobre a PTF da agricultura norte-americana indicam que, entre 2007 e 2015, a média da taxa de crescimento anual foi de 0,53% a.a., sendo a taxa histórica de 1,58% a.a.

    Ao analisar a taxa média de crescimento da PTF da agropecuária mundial no período 1991 a 2009, Fuglie conclui que ela é menor que 2% a.a. O mesmo autor cita que, de 2001 a 2009, a região Nordeste da América do Sul (produção predominantemente brasileira) apresentou a maior taxa crescimento da PTF do mundo, seguida pela região nordeste da Asia (principalmente China).

    No caso da agropecuária, na literatura pertinente foram considerados que alguns fatos podem sugerir um aumento da capacitação da mão de obra, o que poderia levar ao aumento da produtividade do trabalho: i) houve incremento no nível educacional dos trabalhadores rurais entre 1996 e 2009, que passaram de uma média de 2,6 anos de estudo para 4 anos; ii) os Censos Agropecuários de 2006 e 2017 registraram pequenos ganhos na qualificação dos empregados rurais; iii) setores específicos da agropecuária estão fazendo esforço para cumprir a legislação vigente sobre a necessidade de treinamento de trabalhadores, principalmente aqueles que valorizam as certificações.

    No entanto, há ainda um grande caminho a percorrer quando se trata de produtividade do trabalho, e acredita-se que os ganhos na qualificação formal e informal dos trabalhadores sejam ainda pequenos. Assim, consideramos que os números apresentados na literatura sobre produtividade parcial do trabalho na agropecuária, que superam a os valores da PTF para período correspondente, certamente estão incluindo a parcela que trata do maior uso de máquinas e equipamentos, e até mesmo de sementes geneticamente modificadas, como é o caso da soja, por exemplo, que exige um menor número de empregados dedicados à lavoura do grão.  Gasques estimou, para o período 1975 a 2018, taxa média de crescimento do capital utilizado na agropecuária de 0,80% a.a., enquanto no caso da mão de obra ela foi negativa (-0,39% a.a) e no da terra de pequena magnitude, apesar de positiva (0,03% a.a.).

    Em relação ao aumento da produtividade da terra, ele ocorre pelo uso de parcelas com maior potencial de produção (solos com qualidades edáficas satisfatórias considerando as atividades agrícolas potenciais). Também os rearranjos locacionais das atividades agrícolas, compatibilizando as exigências das culturas agrícolas com a condições edáficas dos solos disponíveis, podem gerar mais produto por quantidade do fator utilizados.

    No caso da agropecuária, o uso de inovações tecnológicas buscando redução de custos médios de produção é decorrente da necessidade de os agentes desse segmento da economia manterem suas posições no mercado concorrencial em que estão inseridos. Inovações tecnológicas certamente têm um papel importante a desempenhar nesse processo. De outro lado, também as economias de escala e de escopo obtidas com propriedades de maior tamanho auxiliam no processo de manutenção da competitividade.

    Ao levar-se em conta os dados apresentados neste texto sobre as taxas de crescimento do uso de fatores, pode-se inferir que o capital empregado na agropecuária foi o principal determinante do aumento da produtividade brasileira. Isso ocorre especificamente pelo aumento da eficiência do fator capital (tecnologia cristalizada).

  • Plantio da soja chega a 167,6 mil hectares na safra 19/20

    Os agricultores de Mato Grosso do Sul plantaram 167,6 mil hectares da safra de soja 2019/2020, segundo dados do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga/MS). Essa semeadura representa atraso de 19,5% em relação a safra 218/2019, resultado influenciado pela estiagem que atingiu todo o Estado no mês de setembro e nos primeiros dias de outubro.

    O percentual de plantio chegou a 5,3% no dia 11 de outubro, enquanto na mesma data do ano passado, alcançava 24,8%. O presidente da Associação de Produtores de Soja e Milho de MS (Aprosoja/MS), André Dobashi, destaca que apesar do atraso o Estado continua na melhor época para o plantio e ainda não há expectativas de que o atraso prejudique o andamento da safra.

    Conforme o boletim técnico publicado nesta terça-feira (15), a região Sul está com o plantio mais avançado, em média 6%, do total previsto, enquanto a região Centro está com 4,2% e a região Norte com 4% de média.

    A previsão para a safra 2019/2020 é de aumento de área plantada em aproximadamente 6,18%, chegando a 3,163 milhões de hectares. Além disso há expectativa de crescimento de 12,57% em relação ao volume de produção de grãos (de 8,800 milhões de toneladas na safra 2018/2019 para 9,906 milhões de toneladas na safra 2019/2020). A produtividade para a próxima safra está estimada em 52,19 sc/ha.

  • Identificada proteína que desencadeia defesa ao estresse

    Uma proteína recém-descoberta transforma a defesa celular das plantas em excesso de luz e outros fatores de estresse causados pelas mudanças climáticas, de acordo com um novo estudo publicado no eLife. As plantas desempenham um papel crucial no apoio à vida na Terra, usando a energia da luz solar para converter dióxido de carbono e água em açúcares e oxigênio.

    Pequenos compartimentos nas células vegetais, chamados cloroplastos, abrigam a maquinaria molecular da fotossíntese. Este maquinário é constituído por proteínas que devem ser montadas e mantidas. Condições severas, como luz excessiva, podem empurrar esse mecanismo para o excesso e danificar as proteínas. Quando isso acontece, uma resposta protetora é chamada de resposta proteica desdobrada em cloroplasto (cpUPR).

    “Até agora, não se sabia como as células avaliam o equilíbrio de proteínas saudáveis e danificadas no cloroplasto e desencadeiam essa resposta protetora”, diz a coautora sênior Silvia Ramundo, pesquisadora de pós-doutorado no Walter Lab da Universidade da Califórnia, em São Francisco. (UCSF), EUA.

    Para saber mais, a equipe da UCSF projetou geneticamente uma alga chamada Chlamydomonas reinhardtii para produzir células fluorescentes em resposta a proteínas de cloroplasto danificadas. Eles então procuraram por mutantes nas células que não fluorescem mais, o que significa que eles não foram capazes de ativar o cpUPR.

    Essas experiências levaram a equipe a identificar um gene chamado mutante afetado na sinalização retrógrada (MARS1), essencial para ativar o cpUPR. “É importante ressaltar que descobrimos que as células mutantes no MARS1 são mais sensíveis à luz excessiva, são incapazes de ligar o cpUPR e morrem como resultado”, explica a principal autora Karina Perlaza, uma estudante de pós-graduação no laboratório de Walter. A restauração do MARS1, ou a ativação artificial do cpUPR, protegeu as células das algas dos efeitos nocivos do excesso de luz nas proteínas dos cloroplastos.

  • Micotoxina: Desafio brasileiro

    De acordo com a Pesquisa Mundial de Micotoxinas (MTX Survey), a América do Sul apresenta um risco para micotoxinas “acima dos limites de segurança” em matérias-primas como milho, trigo, soja, seus subprodutos relacionados e rações animais. Nessa entrevista (Comunidade Engormix), o professor Carlos Mallmann, do Laboratório de Análises de Micotoxinas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), revela o tamanho do desafio enfrentado no Brasil.

    Qual é a extensão e a importância do controle da micotoxina no Brasil?

    O tamanho do desafio é ‘São Pedro’. Nós estamos em um país tropical e subtropical, onde as condições climáticas são extremamente favoráveis ao crescimento fúngico. Então nós não temos como controlar isso em determinadas situações. Evidentemente que o agronegócio necessita do fungicida para minimizar a presença, não só pela parte da micotoxina, mas pela parte da questão produtiva, que tem um efeito colateral de minimizar também a pressão contaminante dos fungos que podem ser toxigênico, ou micotoxigênicos.

    Se não conseguirmos controlar isso, dependendo do ano que a gente tem, nós vamos ter a possibilidade de deixar esse fungo crescer com a velocidade e com a possibilidade de produção de toxinas. Esse vai ser um desafio constante que o País terá, não conseguiremos nos livrar das micotoxinas nunca, por serem contaminantes naturais. As estratégias são para minimizar essa pressão contaminante, mas solução momentânea não existe e vai levar muitos anos para que isso possa talvez ocorrer.

    Então a melhor prática é realmente a prevenção? É detectando isso, por exemplo, no grão armazenado?

    O que está sendo feito para ajudar o produtor é a seleção na genética para que seja possível encontrar um equilíbrio entre produtividade e produção de rações. São duas coisas diferentes: produtividade são aquelas toneladas que o produtor consegue tirar da sua área e a produção é no que aquilo vai se transformar.

    O milho em si passa a ter valor no momento em que ele é transformado em proteína, o animal tem que receber uma ração com a nutrição adequada e com a segurança, portanto é uma equação que tem que atender os dois lados, de um lado a quantidade e de outro a qualidade, sem que seja necessária a inclusão de aditivos.

    O grande cuidado que se deve ter é com o mercado externo, com a imagem e com o que o Brasil representa?

    Aí entra um segundo fator. Nós produzimos, conseguimos controlar isso, vamos secar esse material e vamos armazenar. A armazenagem não melhora em nada a qualidade do material, ela apenas pode conservar aquilo que a gente conseguiu ensilar, então esse é um outro ponto em que nós podemos falhar, já que nossa estrutura de armazenagem não é suficientemente capaz de abrigar e conservar essa produtividade de várias supersafras.

    Esse ano o Brasil vai exportar cerca de 30 milhões de toneladas de milho e isso tem que sair com uma segurança e, por barreira sanitária, o comprador pode recusar o recebimento de qualquer produto que está previsto dentro da legislação específica daquele país e isso gera um custo de avaliar a presença disso, assegurando o mercado com o provimento de material previamente segurado.

    Por: AGROLINK –Leonardo Gottems

  • Aprosoja recomenda cautela com Dicamba

    A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) divulgou comunicado oficial recomendando que os produtores tenham cautela com o uso da nova tecnologia Xtend, que introduza resistência ao herbicida Dicamba. A preocupação é que se repitam no Brasil alguns problemas do produto registrados nos Estados Unidos, principalmente a deriva. Confira a nota na íntegra:

    Comunicado aos produtores de soja sobre o uso de Xtend e Dicamba

    Brasília, 27/09/2019 – Produtores de todo o país estão sendo convidados pela Bayer a participar de testes com a nova tecnologia Xtend para sementes de soja a partir desta safra. Essa tecnologia é tolerante ao Dicamba, um herbicida para plantas de folhas largas muito utilizado nos Estados Unidos para o controle de ervas daninhas. Porém, pesquisas de campo indicam que o Dicamba tem apresentado problemas relacionados à deriva nas lavouras norte-americanas.

    Tendo em vista que a soja é a cultura mais sensível ao herbicida, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e suas associadas estaduais orientam os sojicultores a buscarem com a empresa informações sobre os impactos do uso deste produto em suas lavouras.

    A empresa está prometendo inserir a biotecnologia em materiais mais produtivos do que os atuais. Apesar de representar um atrativo ao produtor, ele não fica obrigado a usar o herbicida. Isso porque, segundo pesquisadores brasileiros, há outros produtos para controle de ervas daninhas no Brasil. Nos Estados Unidos, onde a tecnologia já foi lançada, as ervas daninhas são diferentes das existentes no Brasil. Lá o Dicamba se constitui em ferramenta essencial.

    O Dicamba é um produto com regras de uso muito mais complexas para aplicação do que qualquer outro defensivo agrícola, o que, consequentemente, apresenta mais riscos ao ser aplicado. Um dos problemas é o alto potencial de volatilização.

    O herbicida volatiliza e pode causar deriva se for aplicado em dias com temperaturas acima dos 29 graus celsius, umidade do ar abaixo dos 40%, ventos acima de 16 km/h e em dias com inversão térmica. Se houver deriva na aplicação, os efeitos sobre a soja não tolerante são danosos.

    Nos Estados Unidos mais de 2,7 mil reclamações foram abertas nos órgãos de controle por sojicultores que não usavam a biotecnologia e que tiveram lavouras atingidas pelo herbicida aplicado em fazendas vizinhas.

    O risco de injúria é real e os prejuízos serão inevitáveis se atingirem plantas em fase reprodutiva. A larga janela de plantio no Brasil propicia que isto ocorra, o que não acontece em território norte-americano, onde o plantio é feito em 15 dias. Mesmo lá, muitos produtores passaram a adotar a tecnologia para se protegerem da deriva.

    A Aprosoja Brasil e suas associadas estaduais querem evitar que os problemas verificados nos Estados Unidos se repitam no Brasil. Portanto, é importante que os produtores, ao participarem de eventos-testes, questionem a empresa e seus técnicos sobre as formas seguras de aplicação desse produto e os impactos se o herbicida for aplicado nas condições climáticas encontradas no Brasil.

    Essas informações já foram levadas ao conhecimento do Ministério da Agricultura e da Embrapa. Tudo isso está sendo feito para proteger nossas lavouras, produtores e aplicadores e para garantir a rentabilidade dos produtores e a sustentabilidade da sojicultura nacional.

  • PIB gaúcho é o maior dos últimos seis anos com forte influência da agropecuária

    O bom desempenho da agropecuária fortaleceu a economia gaúcha no primeiro semestre de 2019, quando o Estado alcançou 3,8% de crescimento, enquanto o Brasil cresceu 0,7% no mesmo período. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul nos seis primeiros meses do ano foi fortemente influenciado pelos desempenhos da agropecuária, que cresceu 7,2% (impulsionada pelas safras de soja e milho), e da indústria, com crescimento de 5,5% – destaque para a fabricação de veículos, de implementos e produtos químicos. Desde o primeiro semestre de 2013, o PIB do Estado não crescia tanto na primeira metade do ano.

    “Temos repetido que o agro é pilar de sustentação do Rio Grande do Sul, e isso se confirma mais uma vez com os dados divulgados”, opina o secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho.

    O PIB do segundo trimestre de 2019 foi apresentado na tarde desta segunda-feira (14/10) pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag). O excelente resultado, segundo os pesquisadores que elaboraram o indicador, deve ser comemorado com cautela.

    “O crescimento do primeiro semestre de 2019 se deu sobre uma base deprimida, devido à estiagem e à greve dos caminhoneiros que ocorreram na primeira metade de 2018”, pondera Roberto Rocha, pesquisador em economia da Seplag.

    Rocha destaca o desempenho do setor automotivo no Estado. A produção de automóveis, implementos e carrocerias contribuiu decisivamente para o crescimento de 6,4% da indústria de transformação no período.

    A dinamização da agropecuária e de segmentos da indústria do RS fez com que, no semestre, os serviços crescessem mais do que na média nacional: 1,8% em comparação com 1,2% do país. O crescimento dos três setores foi maior no Estado do que no Brasil, evidenciando, mais uma vez, o desempenho superior da economia gaúcha em 2019, aponta a pesquisa.

    O resultado positivo do segundo trimestre deste ano é o quarto numa sequência que teve início no terceiro trimestre de 2018, logo após a greve dos caminhoneiros. Desde então, a economia gaúcha cresce em todas as comparações.

    Em relação ao trimestre imediatamente anterior (2° trim./2019 sobre o 1° trim./2019), o crescimento do PIB foi de 1,4%. Neste comparativo, a economia nacional evoluiu tão somente 0,4%. Mais uma vez, a agropecuária (6%) teve o melhor desempenho proporcional na comparação aos três primeiros meses do ano, enquanto a indústria ficou 1,1% positivo, mesmo assim ainda acima do desempenho do país. O setor de serviços cresceu 0,3% no RS no segundo trimestre em comparação ao trimestre que o antecedeu, reproduzindo a mesma expansão acanhada verificada em todo o Brasil.

    Quando comparado ao mesmo trimestre do ano passado (2° trim./2019 sobre 2° trim./2018), o crescimento da economia gaúcha chegou a 4,7%. O país, considerando o mesmo período de um ano para o outro, teve variação positiva de 1%. Em virtude do crescimento verificado em atividades de grande peso na arrecadação tributária, como a indústria de transformação e o comércio, o volume dos impostos sobre produtos no RS subiu 5,7%, enquanto, no Brasil, essa taxa foi de 1,7%. Com isso, o Valor Adicionado Bruto (VAB) do Estado cresceu 4,6%, bem acima da variação do Brasil, que foi de 0,9%.

    Neste quadro comparativo, a economia gaúcha apresentou crescimento nos três setores, com destaque para a agropecuária e a indústria. Porém, também nesse aspecto, os pesquisadores do DEE salientam que esta expansão se deu a partir de uma base baixa em 2018, consequência da estiagem que afetou a produção agrícola e da greve dos caminhoneiros, que impactou negativamente a produção industrial. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, as duas atividades com pior desempenho foram a indústria extrativa, com queda 5,5%, e a construção, com variação positiva de 0,1%.

    Acumulado do ano

    A taxa acumulada em quatro trimestres do PIB gaúcho ficou em 3,9%, o que demonstra um processo de recuperação da economia gaúcha. A expansão no período de um ano (até junho de 2019) foi resultado do crescimento da agropecuária (6,2%), da indústria (5,8%) e dos serviços (1,6%). Comparando com a trajetória da economia brasileira pós-crise, nota-se que o RS apresenta uma recuperação mais acelerada, notadamente quando comparada com a estagnação do desempenho nacional neste ano, diz o estudo.

    Para a chefe da Divisão de Indicadores Estruturais do DEE, Vanessa Sulzbach, “apesar de estarmos com crescimento significativo há quatro trimestres seguidos, a tendência é de que as taxas se arrefeçam a partir do terceiro trimestre de 2019, em parte porque a influência da agropecuária se concentra na primeira parte do ano, e também porque os indicadores mais recentes da indústria já sinalizam uma certa desaceleração em alguns segmentos”. Além disso, acrescenta, as perspectivas para a economia brasileira, importante mercado dos produtos gaúchos, dão conta de um crescimento inferior a 1%.

  • Alerta com chuvas intensas e instabilidades

    Ainda segundo a empresa meteorológica, no Sul do Brasil, as chuvas devem seguir intensas pelo menos até o final da semana. Também é esperada uma queda de temperatura nos estados da região. Nos últimos dias, houve registro de altas temperaturas.

    “O tempo fica muito instável, com chuva frequente e risco de chuva forte nos três estados pelo menos até a próxima sexta-feira, 18 de outubro”, prevê a Climatempo.

    Diante das instabilidades nesta terça-feira, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu alerta de chuvas intensas para os três estados da região Sul, apesar de o Paraná ser o que terá pior condição de chuva, inclusive com áreas de replantio.

    “Chuva entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, ventos intensos (40-60 Km/h). Baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas”, destaca o instituto meteorológico brasileiro.

    Aviso para as áreas: Planalto Norte Catarinense, Campanha, Metropolitana De Curitiba, Oeste Catarinense, Vale Do Itajai, Grande Florianópolis, Planalto Sul Catarinense, Litoral Sul Catarinense, Encosta Do Sudeste, Serra Do Sudeste, Depressão Central, Encosta Inferior Do Nordeste, Encosta Superior Do Nordeste, Campos De Cima Da Serra, Planalto Médio, Missões, Alto Uruguai, Central Paranaense, Litoral Paranaense, Sudoeste Paranaense, Sul Paranaense, Litoral Gaúcho, Meio-Oeste Catarinense, Litoral Norte Catarinense

    O mapa de precipitação acumulada do Inmet das últimas 24 horas mostra que altos volumes foram registrados em áreas do Rio Grande do Sul e pontos de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. O estado do Paraná apresenta baixos volumes.

    Em Goioerê (PR) quem já semeou pode ter que replantar. Apenas 40% da área já foi plantada no município que espera por chuvas nos próximos dias para diminuir os prejuízos. A expectativa já é de menos produtividade na soja e dificuldades para a safrinha de milho 2020.

    Palotina (PR) deve ter que replantar mais de 20% da área de soja devido à falta de chuvas. “Neste final de semana as medições de temperatura de solo chegaram em até 47ºC e a umidade relativa do ar não passou dos 20%”, afirma o vice presidente do Sindicato Rural da cidade, Edmílson Zabot.

    A Climatempo destaca que “no Centro-Sul e Oeste do Mato Grosso do Sul e Sudoeste do Mato Grosso, incluindo Campo Grande, a previsão é de pancadas de chuva ao longo de todo o dia, com moderada a forte intensidade, concentradas em pequenas áreas, e períodos de sol”.

    Também tem previsão de chuva para a fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. “A previsão para as demais áreas do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso e para o sul de Goiás, incluindo Cuiabá, é de sol durante o dia e pancadas de chuva a partir da tarde”, informa a empresa meteorológica.

    Já nesta quarta-feira, a chuva diminui sobre o Centro-Oeste. “Uma massa de ar seco vai ganhar força sobre a Região nesta quarta-feira, 14 de outubro, com um dia ensolarado em Goiás, no Distrito Federal, nordeste do Mato Grosso do Sul e oeste do Mato Grosso”, prevê a Climatempo.

    Enquanto isso, seguem até o final de semana, as chuvas no Sul. O mapa de precipitação acumulada dos próximos 7 dias mostra que altos acumulados são esperados na região, confirmando as previsões desta segunda-feira, mas o Paraná será o estado que terá pior condição. Também chove bem sobre áreas da região Norte.

    Previsão estendida de chuvas para o Brasil

    O mapa de previsão estendida do centro de previsão da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), no período de 15 até 23 de outubro, mostra chuvas moderadas a volumosas sobre vários pontos do país. Áreas do Centro-Oeste e Nordeste terão baixos volumes.

    Já no período de 23 até 31 de outubro, o mapa de tendência de precipitação aponta que as chuvas reduzem em alguma  áreas, mas voltam para áreas do Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. A região Sul seguirá com altos acumulados de chuva no período.