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6 de novembro de 2019

  • O que determina a qualidade da carne bovina?

    Atualmente a Brasil é um dos mais importantes produtores e o maior exportador de carne no mundo, comercializando com mais de 80 países. É também um dos maiores consumidores de carne bovina (40kg/habitante/ano), sendo em torno de 80% desse consumo produzido no país. Mas que carne é essa que estamos consumindo?

    Extremamente amplo, o termo “qualidade de carne” tem uma dimensão que ultrapassa a ideia de “maciez e suculência”. Pode-se pensar em qualidade ambiental, sanitária, organoléptica e nutricional, chegando até o conceito de qualidade social do produto obtido a partir da transformação do músculo bovino. Ou seja, a atenção a legislação sanitária, ambiental e trabalhista, em busca da sustentabilidade da cadeia produtiva.

    Porém, dentre todas essas “qualidades”, a maciez se destaca, quando o foco é o elo mais importante da cadeia produtiva, o consumidor. A carne bovina, como qualquer outro alimento, precisa, num primeiro momento, atender às expectativas referentes a qualidade sensorial.  Mas o que, afinal, determina maciez da carne bovina?

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    Muitos fatores interferem na maciez da carne. São relevantes a idade do animal ao abate, a alimentação, a raça e o sexo, além dos manejos pré e pós abate, como transporte, resfriamento e maturação da carcaça, etc..

    Idade ao abate

    A idade ao abate está diretamente relacionada ao sistema de alimentação que o animal está submetido. A melhora no nível nutricional reflete na redução da idade ao abate e também pode determinar maior deposição de gordura, tanto de cobertura como marmoreio. Isso ocorre devido a modificação na composição do ganho de peso dos animais, em função da maior disponibilidade de energia e proteína na dieta.

    Raças e cruzamentos

    Nas mesmas condições de manejo, raças taurinas apresentam maior maciez na carne quando comparados à raças zebuínas, devido a maior precocidade para terminação (deposição de gordura mais rápida) e ainda maior ação da enzima calpaína (responsável pela degradação das fibras musculares) dos genótipos europeus. Via de regra, raças europeias britânicas, como Angus e Hereford, são mais precoces que as continentais, possibilitando abate em idade mais jovem com melhor grau de acabamento e marmorização da carcaça.

    A deposição de gordura de cobertura (grau de acabamento) relaciona-se com capacidade de evitar o resfriamento rápido da carcaça, tendo essa característica efeito na maciez final da carne. Carcaças com pouca gordura de cobertura estão mais sujeitas a produzirem carne dura, uma vez que os músculos ficam mais expostos ao resfriamento, podendo sofrer o encurtamento pelo frio, causando o endurecimento da carne.

    Embora a gordura de marmoreio tenha alta relação com a suculência dos cortes cárneos, muitos estudos apontam que apenas entre 5 a 10% da variação na maciez da carne pode ser devido à deposição de gordura de marmoreio.

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    Sexo

    A variação na maciez da carne de acordo com o sexo do animal (fêmea, macho inteiro ou castrado), está ligada a velocidade e a composição do ganho de peso do animal, que se reflete na proporção músculo/gordura. Fêmeas atingem um acabamento de carcaça ideal mais cedo que machos castrados, que por sua vez são mais precoces que os inteiros.

    Considerações finais

    É crescente a necessidade de produzir carne que atenda os mercados mais exigentes, e isso tem sido preocupação para produtores e indústrias frigoríficas. A redução da idade de abate tem sido uma das principais estratégias para a produção de carnes mais macias. Porém, somente reduzir a idade de abate não garante a maciez da carne.

    Mais do que controlar a idade cronológica, é importante a escolha da raça/cruzamento e o sistema de alimentação adequado, o qual refletirá em altos ganhos médios diários, traduzindo-se no escore de condição corporal ideal para o momento do abate. Sempre considerando que cada produtor deve analisar a viabilidade técnica e econômica do seu sistema de produção.

    Daniele Furian Araldi*

    *Zootecnista, Mestre em Produção Animal, Docente dos Cursos de Medicina Veterinária e Agronomia/Área de Produção Animal da Fazenda Escola da Universidade de Cruz Alta.

     

     

  • Governo libera mais recursos para seguro rural em 2019

    O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou nesta quarta-feira (30) a Resolução nº 69 do Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural (CGSR), que trata do aumento do orçamento destinado para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e a distribuição dos recursos.

    A medida foi possível em função do descontingenciamento de R$ 50 milhões em recursos da pasta, o que permitirá apoiar a contratação de aproximadamente 12 mil novas apólices. Do total desbloqueado, cerca de R$ 30 milhões serão destinados para os grãos (soja, milho 1ª safra, feijão, arroz), R$ 10 milhões para as frutas, R$ 300 mil para a pecuária e o restante para as demais culturas.

    Em março deste ano, houve o contingenciamento de R$ 70 milhões de recursos do Ministério, o que impactou o orçamento de R$ 440 milhões para R$ 370 milhões em 2019 para o custeio das despesas com o PSR.

    Para o diretor do Departamento de Gestão de Riscos da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, Pedro Loyola, o governo tem demonstrado que o seguro rural é um dos mais importantes instrumentos da política agrícola, que contribui com a estabilidade econômico-financeira dos produtores em situações de adversidades climáticas.

    “Com o fomento do PSR, já temos 14 companhias seguradoras credenciadas no programa ofertando produtos aderentes à realidade do campo. Entre 2018 e 2019, os produtores receberam mais de R$ 3,2 bilhões em indenizações dessas empresas”.

    Segundo ele, existe ainda a possibilidade de liberação de mais R$ 20 milhões no PSR para subvencionar o prêmio do seguro rural, o que contemplaria todo o orçamento aprovado para 2019 (R$ 440 milhões).  “Para o próximo ano, está previsto o recurso de R$ 1 bilhão para o PSR, que depende ainda de aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2020, em tramitação no Congresso Nacional”, complementa.

  • Conab divulga resultado da pesquisa sobre perdas no transporte e armazenagem

    O Brasil perde no transporte de grãos das rodovias até os portos de embarque para exportação, especialmente de arroz, trigo e milho, percentuais de 0,13%, 0,17% e 0,10%, respectivamente, segundo pesquisa realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

    Os índices, que incluem também a perda em armazenagem, serão divulgados nesta terça-feira (5), durante o I Seminário sobre Eficiência e Redução de Perdas no Armazenamento e Transporte de Grãos no Brasil, em Curitiba/PR.

    As perdas desses grãos, segundo o estudo, são causadas basicamente por três fatores que se correlacionam, sendo eles “as más condições das rodovias, a precariedade da frota de caminhões e a imprudência de motoristas”, conclui.

    O estudo apurou também que o arroz, cuja maior produção nacional tem origem nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins, tem uma variação de 1,5 a 4% de perdas na armazenagem em silos. Os pesquisadores destacaram, no entanto, a boa conservação sanitária dos grãos tanto nos segmentos de armazenagem quanto na industrialização e comercialização.

    Já para o trigo, a apuração chegou a um índice médio mensal obtido de quebra técnica nos grãos, calculado por meio de amostragens, de 0,43% para silos de alvenaria e de 0,11% para os metálicos.

    Os estudos serão divulgados durante o seminário e a apresentação dos artigos técnicos referentes a cada uma das pesquisas estará disponível no portal da Conab após o término do evento.

  • Chuva preocupa triticultor e sustenta valores no RS

    Fortes chuvas no Rio Grande do Sul têm deixado agentes atentos às condições das lavouras, que podem registrar perdas. Segundo colaboradores do Cepea, por enquanto, produtores aguardam para avaliar possíveis estragos, mas esse cenário já tem sustentado os preços do cereal no estado sul-rio-grandense e limitado as quedas nos valores do trigo no Paraná.

    Já quando comparadas as médias estaduais mensais de setembro e outubro, os preços recuaram nos estados do Rio Grande do Sul (12,3%), Paraná (3,4%), São Paulo (1,7%) e Santa Catarina (0,6%).