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ALERTA: Falta de chuva afeta o milho e ameaça a soja

Com precipitações muito abaixo da média esperada para dezembro em diferentes partes do Estado, a safra de milho começa a ficar comprometida no Rio Grande do Sul. E as perspectivas para os próximos dias não são as melhores para o campo. A falta de chuva deve seguir, pelo menos, até 31 de dezembro e, se o problema persistir, poderá afetar também a soja.

De acordo com o Inmet, uma das cidades com menor incidência de chuva é Ibirubá, no Noroeste do Estado, onde choveu 86% a menos do que o esperado para dezembro. Na cidade não chove há três semanas, e a situação das lavouras é crítica, diz o secretário da Agricultura da cidade, Olindo de CampoS.

Os índices do Inmet apontam para precipitações muito abaixo da média também nas regiões da Campanha e Central, e em cidades da Fronteira Oeste, como Alegrete, de acordo com a meteorologista Letícia dos Santos. Em tradicionais cidades produtoras, como Passo Fundo, eram esperados, para dezembro, 173,2 milímetros de chuva, mas o Inmet registrou apenas 46 milímetros até o momento.

“Um dos poucos lugares onde a ocorrência foi acima da média é São Borja, e, ainda assim, apenas 15%. E a chuva prevista para o dia 31, véspera da virada do ano, não é muito significativa nem deve ser suficiente para suprir o déficit do mês”, alerta Letícia.

Ainda segundo a meteorologista, entre janeiro e março, a situação deverá se regularizar, com chuva dentro da normalidade ou até um pouco acima da média. Até lá, porém, produtores estão em alerta. O vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Elmar Konrad, diz que a atual escassez de água afetou o cultivo do milho em uma das fases mais críticas.

“No período da formação da espiga, o milho precisa de uma média de oito milímetros de água por dia. Em muitos lugares, o máximo ficou entre dois e três milímetros. Na soja, o problema, no momento, é o calor, que agrava a ferrugem asiática. E, se persistir a falta de chuva, teremos prejuízo no desenvolvimento das lavouras”, confirma Konrad.

No Norte do Estado, produtores como Roberto Bergamini já calculam os prejuízos em boa parte da lavoura. O produtor do município de Quatro Irmãos, próximo de Erechim, calcula perda de 40% nos 380 hectares semeados com milho e que não contam com irrigação. Com isso, a produtividade deverá cair a ponto de Bergamini já estimar que o rendimento nesta área não deverá nem pagar os custos de produção.

“Dos 500 hectares totais plantados com milho, a produtividade só será boa em 120 hectares que contam com pivô. Pelo menos desde 2011 não tinha uma perda assim”, relata Bergamini.

Os danos no Norte do Estado, porém, são relativos, de acordo com Alexandre Doneda, coordenador técnico de difusão da Cotrijal. Ele considera que ainda é cedo para estimar as perdas. Isso porque, em parte das lavouras, o crescimento ainda pode ser revertido caso venha a chover nos próximos dias. “Mas há perda de potencial de produtividade em diferentes regiões que atendemos”, explica Doneda.

No caso da soja, em regiões onde houve o plantio superprecoce, como Passo Fundo, Cruz Alta e Não-Me-Toque, nas quais a planta já está florescendo, há alguma quebra, de acordo com o presidente da Aprosoja-RS, Luiz Fernando Fucks. “Mas, dependendo do que ocorrer daqui para frente, pode comprometer a projeção de uma colheita de 119 milhões de toneladas. A irregularidade de chuvas começa a assustar. O mês de janeiro com pouca umidade no solo é perigoso”, alerta Fucks.

Informativo da Emater aponta perdas na região do Vale do Rio Pardo

Em Informativo Conjuntural divulgado pela Emater, a entidade mostra que a maior parte das lavouras semeadas com milho no Estado (40%) estão na fase de enchimento de grãos. Nas regiões de Santa Rosa e Frederico Westphalen, respectivamente, 3% e 2% das áreas já foram colhidas. A implantação da cultura do milho no Rio Grande do Sul chegou a 94% da área de 777.442 hectares da intenção de plantio no Estado.

Atualmente, 30% das lavouras estão na fase de desenvolvimento vegetativo, 19% em floração, 40% em enchimento de grãos e 11% em maturação. No geral, a entidade avalia que as lavouras de milho apresentam bom desenvolvimento, mas em áreas nas quais as chuvas têm sido irregulares e com baixos volumes, já se contabilizam perdas de produtividade, principalmente em lavouras nas quais a fase atual é de enchimento de grãos.

As perdas mais expressivas ocorrem nos municípios de Rio Pardo, Pantano Grande e Encruzilhada do Sul, onde não ocorreram chuvas ao longo das últimas semanas. A Emater também chama a atenção para a região de Caxias do Sul, com acentuado déficit hídrico afetando o rendimento das lavouras em fase de floração.

Na região de Frederico Westphalen, a cultura segue com bom aspecto, apesar de algumas áreas apresentarem sintomas de estresse hídrico. Na Regional de Ijuí, 98% da área prevista para a safra está semeada, e a cultura tem apresentado variação no potencial produtivo em virtude da variabilidade do volume de chuvas que ocorreram na região. As áreas cultivadas com irrigação e aquelas em que houve chuvas com excelente volume de precipitação têm colaborado para minimizar os impactos da redução da produtividade na região.