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6 de janeiro de 2020

  • Apesar de expansão, mais de 70% das propriedades rurais no Brasil não têm acesso à internet

    O acesso à internet no campo é um dos principais desafios do agronegócio brasileiro. De acordo com o último Censo Agropecuário, de 2017, mais de 70% das propriedades rurais não possuem conexão.

    Segundo o Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE), que faz o Censo:
    o Brasil tem 5,07 milhões de estabelecimentos rurais;
    71,8% não têm acesso à internet (3,64 milhões de propriedades)
    O IBGE considera estabelecimentos rurais como locais onde ocorre produção agropecuária como atividade de renda. Terras utilizadas em mineração, sítios, chácaras e áreas militares não são consideradas.

    Apesar do crescimento de 1.900% entre um Censo Agropecuário e outro (2006 e 2017), o acesso à internet deixa a desejar em um setor que movimentou mais de R$ 1,43 trilhão em 2018, o equivalente a mais de 20% do PIB brasileiro.

    Das 10 principais cidades produtoras do país, apenas Sapezal e Nova Mutum, municípios de Mato Grosso, têm mais propriedades com internet do que fazendas sem conexão.

    O Censo do IBGE mostra também que o município com mais estabelecimentos rurais sem acesso à internet é Cametá, no Pará. Mais de 11 mil propriedades declararam não ter conexão.

    Em São Félix do Xingu, cidade paraense que possui o maior rebanho bovino do país, são mais de 5.300 propriedades sem internet, o que equivale a 83% do total de estabelecimentos do município.

    A importância da internet na agropecuária
    Além de aumentar o acesso à informação e assistência técnica, a internet ajuda os produtores rurais a melhorar o uso de tecnologias nas fazendas.

    “A agricultura 4.0 é conectividade. É conseguir máquina com outra máquina, monitorar a propriedade. Você precisa dessas informações online, para conseguir tomar as decisões em tempo real”, explica a chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Massruhá.

    “As tecnologias podem ser oportunidade para melhorar modelo de negócios, reduzir custos e melhorar a produção. O desafio da conectividade existe em toda a cadeia”, completa.

    Segundo Silvia, os grandes produtores conseguem investir em conectividade, contratando internet via satélite e instalando antenas nas propriedades para dar acesso à internet em todos os pontos da fazenda.

    Só que esse tipo de agricultor é minoria, e os pequenos e médios têm mais dificuldades em conseguir internet por meios convencionais e não possuem recursos para contratar uma conexão via satélite.

    Desafio da internet rápida
    “O desafio da internet é chegar ao meio rural. O 4G já funcionaria para a “fazenda do futuro”, funcionando bem, já resolveria o problema de conectividade”, diz Silvia, que chefia a Embrapa Informática Agropecuária, que é focada na criação de softwares para atividade rural.

    O 4G é uma conexão de internet móvel, utilizada diretamente por celulares, tablets e equipamentos, que normalmente é mais rápida que a internet fixa.

    A pesquisa TIC Domicílios, uma das principais do país sobre o assunto, diz que 77% dos usuários de internet na internet se conectam exclusivamente pelo telefone e 20% usam celular e computador.

    De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 4.757 dos 5.570 municípios brasileiros possuem sinal 4G (85%). Esse número, porém, leva apenas em conta a sede das cidades, que são bem distantes das propriedades rurais.

    A Anatel afirma que existem 15.469 áreas habitadas do país identificadas como localidades que não possuem conexão 4G. Até 2023 esse número deve cair para 13.996, de acordo com Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) da agência.

    Levando em conta apenas as áreas rurais, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) acredita que 800 das 7.645 áreas rurais habitadas do Brasil tenham 4G. Até 2023, o governo estima que mais 622 localidades terão acesso à tecnologia, chegando a 1.422.

    “É um contingente expressivo de população. E é uma demanda recorrente da atividade. Por exemplo, implantaram a Nota Fiscal Eletrônica, e tem produtor que não tem internet para fazer. O desafio é cobrir a zona rural”, afirma o gerente de universalização da Anatel, Eduardo Jacomassi.

    A agência afirma que recebe, em média por ano, 500 solicitações para expansão do acesso à internet.

    Como o governo pensa em expandir o acesso?
    Jacomassi disse que soluções estão sendo pensadas dentro do governo federal para que, no leilão do 5G, previsto para 2020, as operadoras sejam obrigadas a expandir a conectividade no campo.

    Outro plano é remanejar recursos públicos para ampliar o acesso. A Anatel espera que seja aprovado no Congresso Nacional um projeto de lei que permita a utilização de um fundo financiado pelas operadoras para garantir a universalização da telefonia fixa.

    Esse fundo, criado nos anos 2000, prevê, por exemplo, investimentos na instalação de orelhões pelo país, mas não estima investimentos no acesso à internet móvel. Segundo cálculos da agência, a mudança na legislação poderia garantir R$ 1 bilhão por ano em recursos para a ampliação da internet no país.

    Se o 4G, que é uma internet de alta velocidade que ajudaria na transmissão dos dados produzidos no campo, a banda larga com velocidade menor, está disponível em todo o território brasileiro, segundo MCTIC.

    “O lançamento do edital do 4G, em 2012, criou a obrigação (das operadoras) de atender a área rural com banda larga. É um atendimento tímido, de 1 mbps de velocidade, que o produtor tem direito”, diz Eduardo Jacomassi.

    Com relação à conexão com fibra óptica, uma internet banda larga com mais velocidade, o ministério afirma que 70% do país já possui acesso à tecnologia.

    Startups do agro: as Agtechs
    O agronegócio sabe a importância da conectividade e busca levar mais tecnologia para os produtores.

    Segundo um levantamento feito pelo fundo de investimentos SP Ventures parceria com a Embrapa, o país tem mais de 1.100 startups voltadas para a agropecuária, as Agtechs. Esse número é o triplo do que havia em 2017.

    O estudo mostra que essas empresas podem ser divididas da seguinte forma.

    Antes da fazenda: produção de fertilizantes sustentáveis, defensivos de origem biológica, empresas que fazem análise de crédito e que oferecem financiamento são alguns exemplos;
    Dentro da fazenda: aplicativos que fazem a gestão empresarial da fazenda, tecnologia que fazem o monitoramento agronômico da lavoura, genética de animais e genômica (novas variedades de plantas) fazem parte deste grupo;

    Depois da fazenda: rastreabilidade de toda a cadeia (como produção de gado e soja), logística (transporte e armazenamento) e lojas virtuais para a negociação dos produtos.
    Sabendo da deficiência do acesso à internet no campo, muitas startups oferecem, junto com seu produto principal, alternativas de conexão.

    No caso da gestão de dados da propriedade, existem tecnologias que conectam remotamente uma máquina com a outra, como um fone de ouvido Bluetooth consegue se conectar a um celular sem internet, por exemplo.

    Essa alternativa serve para fazendas que possuem internet na sede, mas que não consegue se espalhar pelos hectares de produção.

    Os equipamentos trocam informações durante o dia e, ao chegar em uma área com conexão, transmitem os dados para um servidor que gere essas informações, explica o analista associado da SP Ventures Murilo Vallota.

    Apesar de uma solução para essa brecha, Vallota acredita que, no momento em que as startups não tiverem que se preocupar com conexão, elas poderão oferecer produtos e aplicativos mais inovadores, já que as empresas se voltarão apenas no desenvolvimento de soluções para o campo.

    “A partir do momento que conectividade chegar de vez e as startups não vão precisar se preocupar com isso, novas soluções podem surgir nas Agtechs. Se acabar essa dor, eles vão poder focar em outras dores da fazenda”, afirma o analista da SP Ventures.

    Fonte: G1

  • Milho: preços devem se sustentar em 2020

    A safra 2019/20 deve começar com disponibilidade restrita de milho, num cenário de consumo doméstico crescente. A nova safra de verão deve ficar em linha com a registrada em 2019, o que não deve alterar de forma expressiva a disponibilidade interna no primeiro semestre. Assim, segundo pesquisadores do Cepea, há fatores de sustentação de preços no curto prazo, o que tende a estimular o semeio da cultura na segunda safra e, consequentemente, a elevar a oferta no segundo semestre. O forte movimento de alta nos preços domésticos no último trimestre de 2019 estimulou produtores a aumentarem a área semeada com milho primeira safra. Informações da Equipe de Custos do Cepea apontam que houve melhora nas relações de troca entre produtos e insumos nas principais regiões acompanhadas.

    Fonte: Cepea

  • Soja: Mercado mantém cautela e leves altas em começo de semana cheio de novas notícias

    O mercado da soja inverteu o sinal e passou a trabalhar com ligeiras altas na Bolsa de Chicago no início da tarde desta segunda-feira (6). Os futuros da oleaginosa, por volta de 13h (horário de Brasília), subiam entre 1,50 e 3,25 pontos, levando o janeiro a US$ 9,33 e o maio/20, importante referência para a safra brasileira, a US$ 9,57 por bushel.

    Os traders retomam os negócios nesta semana com extrema cautela depois do susto da última sexta-feira (3), quando o mercado recuou mais de 1% diante da aversão ao risco que tomou conta dos negócios após o ataque dos EUA que matou o comandante iraniano Soleimani, no Iraque.

    “Com temores de escalada na tensão militar entre EUA e Irã, há garantia de lucros e ajuste de posições”, diz o consultor de mercado das AgroCulte e da Cerealpar, Steve Cachia.

    Ainda no âmbito geopolítico, as relações entre China e Estados Unidos permanecem no foco. A última informação é de que uma delegação chinesa se prepara para ir aos EUA no dia 13 e realizar a a assinatura da primeira fase do acordo em 15 de janeiro. Até lá, permanecem a cautela, algumas especulações e expectativas.

    A semana é também de novos boletins do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o que mantém o mercado ainda mais na defensiva, à espera dos novos números.

    O clima na América do Sul também permanece em foco, já que há algumas regiões que preocupam pela falta de chuvas. As previsões indicam chuvas para todas as regiões do país no início desta semana. Áreas do chamado MATOPIBA deverão receber volumes consideráveis, porém, as precipitações deverão ser mais expressivas a partir desta 4ª feira (8). Atenção ainda ao extremo sul do Brasil, onde as chuvas ainda se mostram escassas.

    Fonte: Notícias Agrícolas

  • RS pode ter perdas generalizadas com estiagem

    Se em outubro a chuva era intensa no Rio Grande do Sul, a ponto de atrasar o plantio da soja e do arroz, neste final de 2019 e começo de 2020 produtores de diversas regiões sofrem com a estiagem. E o cenário não é positivo. No último boletim divulgado em dezembro o Centro Americano de Meteorologia e Oceanografia (NOAA) manteve a previsão de neutralidade climática, sem El Niño ou La Niña, ou seja, a temperatura do Pacífico deve ficar dentro da média. Sem o El Niño a tendência para o estado gaúcho é de menos precipitações e mais calor. As temperaturas devem ficar, constantemente, próximas dos 40 graus e longos períodos sem chuva.

    A combinação climática não é nada favorável à algumas culturas. No milho estão previstas perdas de pelo menos 30%. Cerca de um milhão de toneladas de milho já foram perdidas no Rio Grande do Sul devido à estiagem severa, o equivale a 15% da produção do Estado. Na Região Central o município de Venâncio Aires deve decretar estado de emergência nesta sexta-feira (03). Grande parte do milho foi perdido e em diversas localidades, os produtores rurais estão enfrentando a falta de água para consumo das famílias e até dos animais.

    De acordo com a Emater-RS em Erechim, no Norte, são estimadas perdas de 10%. Em Pelotas, no Sul, a semeadura do grão foi paralisada pela estiagem, deixando para apostar na safrinha. No Vale do Taquari as áreas em fase de enchimento de grãos registram folhas queimadas e menos espigas, afetando a produção de grãos e silagem. Em Santa Maria, no Centro, as perdas são consideradas irreparáveis. Persistindo a estiagem, as perdas deverão aumentar significativamente.

    A soja também está sendo afetada. O calor excessivo está causando estresse hídrico nas lavouras, afetando a semeadura e a emergência das plantas. O plantio está 99% concluído.

    As lavouras de tabaco devem contabilizar as perdas no início da comercialização mas entidades do setor projetam de 16 a 20% de quebra. A seca queimou as folhas e lavouras inteiras. Com isso há perda de valor comercial e peso. A Região Centro-Sul é a mais afetada. Em muitas propriedades os agricultores optaram por arar a terra com o tabaco em cima e plantar milho. Na manhã de hoje o município de Camaquã decretou emergência.

    Em dezembro o acumulado de chuva foi de apenas 10 mm. Os prejuízos estão na soja, que teve uma quebra de 60% na produtividade, no tabaco 40%, milho 40%, feijão com perda de aproximadamente 80%, além de prejuízos na bacia leiteira e na área de pecuária. O prejuízo financeiro aos produtores ultrapassa os R$ 70 milhões na cidade. Ainda na região outros municípios também estão fazendo levantamento necessário para decretar emergência.