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10 de janeiro de 2020

  • Como a agricultura pode fazer parte da solução climática?

    De acordo com a Universidade da Califórnia (UC), nos Estados Unidos, existem algumas formas de a agricultura deixar de ser o vilão do imaginário de algumas pessoas para passar a ser a forma mais importante de preservar o meio ambiente e mitigar as mudanças climáticas. Nesse cenário, Benjamin Houlton, diretor do Instituto John Muir de Meio Ambiente, afirmou que o cultivo de carbono é a chave para ajudar a resolver as mudanças climáticas.

    “A agricultura pode ser apenas a indústria mais importante do planeta para criar emissões negativas de carbono sob a política econômica atual. Agricultores e pecuaristas podem capturar carbono e armazená-lo no solo. Eles podem criar emissões negativas, o que significa que a quantidade de gases de efeito estufa que são lançados no ar pelo setor é menor do que a quantidade que eles estão retirando do ar”, completa.

    Segundo a UC, a agricultura de carbono também faz produtos utilizáveis que beneficiam a economia, a comunidade, o ecossistema e as pessoas. Por exemplo, enterrar rochas pulverizadas em terras agrícolas aumenta o rendimento das culturas enquanto armazena carbono na terra por longos períodos de tempo.

    “Muitas dessas práticas são indígenas, portanto, mesmo as rochas pulverizadas são usadas pelos agricultores desde o século XVII para restaurar o solo porque fornecem nutrientes”, disse Houlton.

    Ele disse que planeja desenvolver ainda mais o projeto da fazenda de carbono por meio do One Climate e aproveitar os pontos fortes da pesquisa interdisciplinar da UC Davis e a proximidade dos principais líderes de política climática de Sacramento em parceria com a indústria.

  • Levantamento apresenta perdas preliminares com a estiagem

    As perdas na cultura da soja com os impactos da estiagem no Rio Grande do Sul, até este momento, é estimada em 13%, enquanto no milho o valor é de 33%. É o que apresenta os números pesquisados pela Rede Técnica Cooperativa (RTC), no dia 7 de janeiro, após levantamento junto aos departamentos técnicos das cooperativas agropecuárias gaúchas. Os dados foram divulgados pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS).

    No milho, a redução pode ser de cerca de 1,879 milhões de toneladas, enquanto na soja este valor chega a aproximadamente 2,490 milhões de toneladas. Com isso, caso a situação se confirme, o volume de produção de soja, até o momento, pode ter queda de 19,154 milhões de toneladas para 16,664 milhões de toneladas enquanto no milho a redução pode ser de 5,696 milhões de toneladas para 3,816 milhões de toneladas. Os números consideram a primeira previsão de safra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Outra estimativa, segundo a FecoAgro/RS, é que também terá impacto significativo na redução de produção de leite.

    A FecoAgro/RS destaca, em especial neste primeiro levantamento, a presença de um desvio padrão considerável dadas as diferenças de precipitações, épocas de semeadura e ciclos das cultivares nas diferentes regiões, que geram impactos diferenciados nas áreas atingidas.

  • RS: mais um município decreta emergência

    Subiu o número de municípios que decretaram situação de emergência em função da estiagem no Rio Grande do Sul. Nesta manhã foi a vez de Dom Feliciano, na Região Centro-Sul. As cidades que já decretaram são Chuvisca, Camaquã, Amaral Ferrador, Cristal e Cerro Grande do Sul (Sul); Pantano Grande, Sinimbu, Santa Cruz do Sul, Vale do Sol, Vera Cruz e Venâncio Aires (Vale do Rio Pardo), Boqueirão do Leão (Vale do Taquari), Maquiné (Litoral Norte) e Mariana Pimentel (Centro-Sul).

    Na tarde de hoje a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS) divulgou os dados preliminares das perdas no Estado. No milho, a redução pode ser de cerca de 1,879 milhões de toneladas, enquanto na soja este valor chega a aproximadamente 2,490 milhões de toneladas. A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) estima que as perdas no tabaco cheguem a 30%. A estiagem  também trará impactos na produção gaúcha de leite. Na avaliação da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) a seca afeta especialmente a safra de milho e os produtores que dependem da cultura para a silagem estão colhendo as folhagens sem o grão ou com péssima qualidade.

    Na Região do Vale do Rio Pardo o prejuízo que ultrapassa os R$ 280 milhões e  outras cidades devem emitir o decreto nos próximos dias, como Candelária, Rio Pardo e Gramado Xavier. Em Camaquã o prejuízo aos produtores ultrapassa os R$ 70 milhões. Em Dom Feliciano há perdas expressivas na produção agrícola de tabaco (35%), milho (30%), batata doce (20%), melancia (35%), soja (35%), feijão (70%), uva (45%), além de queda na produção agropecuária de bovinos de corte (25%), bovinos de leite (25%), ovinos (30%), mel (50%) e peixes (10%).Os danos sociais, materiais, ambientais e prejuízos econômicos estimados em R$ 57 milhões.

    Também há relatos de desabastecimento de água para consumo humano e animal em muitos municípios. Com o decreto de emergência será possível a renegociação de dívidas do PRONAF e o PROAGRO, por exemplo.

    A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) estabeleceu um grupo para acompanhar os efeitos da estiagem no Rio Grande do Sul. Em reunião com diretores dos departamentos de Políticas Agrícolas, Agricultura Familiar e de Defesa Agropecuária, além de diretores da Emater/RS, o secretário em exercício, Luiz Fernando Rodrigues Júnior, solicitou que a Emater fizesse, ao longo dessa semana, um acompanhamento mais aprofundado da situação da safra do milho e da soja.

    De acordo com a Defesa Civil desde 1979 (quando teve início a série histórica) aproximadamente a cada dois anos há um evento de estiagem relevante, sendo o mais danoso o que ocorreu no ano de 2004, com 694 ocorrências registradas pela Defesa Civil do Estado (diversos municípios com mais de um registro de estiagem naquele ano). A última estiagem relevante ocorreu no ano de 2018, com 41 municípios afetados. O verão de 2019/20 não deve ter influência de “El Niño” nem de “La Niña”, caracterizando-se como um verão de “neutro”, porém espera-se chuvas abaixo da média, que é de cerca de 120 mm no mês de janeiro para o Estado do RS. Há previsão de chuva no Estado nesta quinta-feira.