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26 de maio de 2020

  • Como fazer uma silagem de alta qualidade

    A alimentação é o componente mais importante no custo de produção de um litro de leite e a qualidade do volumoso ofertado é de vital importância na viabilidade do processo produtivo. O engenheiro agrônomo, mestre em fitotecnia e gerente de Produto Silagem da KWS Sementes, Dimas Cardoso, tratou sobre o assunto em uma live. Ele explicou que a produção de uma silagem de alta energia ajuda a reduzir custos. “O que mais pesa no leite hoje é o concentrado. Com milho e soja em alta o concentrado já está representando cerca de 38% do custo total da produção.

    Quem não busca reduzir o nível de milho na dieta já está em 44% do custo e na atividade leiteira o ideal é não passar de 50% porque há gastos que não podem ser controlados como mão-de-obra, energia, genética. O que está na mão do produtor e que ele pode controlar é a silagem, para ter maior performance com menos”, diz.

    Com esse comentário o especialista citou outros motivos para fazer uma silagem de alta energia. Com a intensificação da atividade pecuária, automaticamente vem demandando mais produção de milho para silagem para tirar a máxima capacidade de leite por hectare. Por isso, além do custo, o produtor de leite deve observar:
    – Capacitação da equipe: qualquer erro na execução do processo pode gerar silagem ruim;
    – Segurança alimentar: uma vez que coloca os animais confinados é importante ofertar alimento de alta qualidade;
    – Saúde animal – bovinos que ruminam mais têm melhor condição reprodutiva. Na falta de fibras na dieta a performance dos animais fica comprometida;
    – Processo 100% mecanizado – desde plantio, colheita, fabricação e armazenagem;
    – Produzir na 1ª e 2ª safra – hoje é possível produzir silagem o ano todo.

    Veja no gráfico produzido pelo professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Marcos Pereira, sobre a composição da silagem.

    De 32 a 38% de matéria seca é a janela ideal de colheita para atingir uma boa silagem, que provoca boa fermentação e digestibilidade de amido no gado. A composição média é em suma energia e fibra: 40% amido e 40% fibra. A silagem é complementada com uma média de 8% proteína, 3% extrato etéreo e 4% minerais. “Da lavoura até o momento que se vai fornecer a silagem ao animal é normal ter uma perda de 15% a 20%. Isso tem que estar na conta do produtor na hora de fazer o planejamento”, aponta Cardoso.

    Culturas que podem melhorar a produção de silagem

    O pesquisador ressalta que a baixa matéria orgânica no solo gera compactação e pode exigir intervenção de máquinas como trator e escarificador, além de condição de umidade ideal. Isso pode resultar em baixa qualidade de milho e acamamento.

    Para resolver pode-se usar uma cultura de sucessão que produza palhada e raiz. Cardoso cita alguns bons exemplos:
    – Brachiaria: produz até 14 toneladas de palha e raiz e 5kg de nitrogênio por tonelada de palha além de agregar ao sistema e 50kg potássio hectare ano;
    – Sorgo granífero: além de ser tolerante à seca, rende cerca de 8 toneladas de palha e raiz;
    – Milheto: rende de 30 a 35 sacas de grãos por hectare, 4,5 toneladas de palha e 1,5 toneladas de raízes;
    – Trigo forrageiro: 2 toneladas de raízes e soca;
    – Aveia, azevém e cevada: são 4,4 toneladas de palha e 1,3 toneladas de raízes.

    Um experimento realizado em 2019 pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), no município mineiro de Cajuri, mostrou como a palhada de Brachiaria Ruziziensis refletiu na produção de silagem. As condições incluíram  29 dias de seca em janeiro e temperatura média 4 graus acima.  O resultado foi de 2,3% a mais de silagem e 4,5 mil kg de leite por hectare. “Nesse ensaio o número era pra ser até maior porque quando removida a cobertura, as raízes da brachiaria ficaram mas de qualquer forma mostra o efeito da cobertura em  segurar umidade, filtrar nutrientes e diminuir compactação do solo”, finaliza o especiliasta.

  • Agronegócio deve puxar retomada

    As consequências da crise econômica causada pelo novo coronavírus ainda são dimensionadas. Apesar das incógnitas, há aposta de que os setores essenciais é que devem liderar a recuperação, com destaque para o agronegócio, produção de alimentos, medicamentos, telecomunicação e e-commerce. É o que aponta estudo da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás (SIC).

    Esse destaque ocorre porque essas áreas sentiram menos a crise, ou nem entraram em dificuldade. O agronegócio, por exemplo, é responsável por grande parte da produção de riquezas no Estado – teve crescimento de 4,1% em 2019. “Acreditamos que vão crescer no Estado e são importantes para a economia”, reforça o subsecretário de Atração de Investimentos e Negócios da SIC, Adonídio Neto Vieira Júnior, ao citar a rápida recuperação que pode ocorrer em alguns segmentos.

    “Concordo que o agro deve impulsionar a retomada, porque vamos ter uma safra recorde de grãos e de todos os setores afetados foi o que não parou, até para manter o abastecimento da população”, pontua o diretor executivo do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Edson Novaes. Ele lembra que há áreas mais privilegiadas, como produção de soja, milho e carne, pela exportação, alta do dólar e retomada das compras da China.

    “Das exportações, o agronegócio representou 84% em Goiás em abril.” Porém, também há aqueles afetados pelo fechamento dos comércios e restaurantes no setor, como produtores de hortifruti, de leite e queijo e piscicultores. “Para esses demora, mas recuperam mais rápido do que outros setores da economia. Outra coisa importante é que a pandemia traz novo mecanismo de comercialização, que são as vendas on-line e é preciso ficar de olho no que o mercado demanda”, aconselha.

    Tecnologia

    O início do isolamento social, com a proibição de feiras, significou perda de até R$ 10 mil para o agricultor familiar de produtos orgânicos Cláudio de Castro, de 57 anos. Mas o pós-pandemia pode trazer aumento no faturamento, que já recupera ao acompanhar as mudanças do consumo. Isso porque, para conseguir vender, ele passou a ofertar o serviço de delivery e desenvolveu um site para vendas. Duas tendências reforçadas na pandemia, junto com a procura por alimentação mais saudável.

    Somente no grupo de WhatsApp criado para vender produtos da Ecovila Mãe Terra, ele diz que praticamente triplicou os contatos em um mês. Isso com o boca a boca, sem investir em divulgação. Teve dificuldades nos primeiros dois meses, mas não parou de trabalhar, reduziu produção e se adaptou para mirar outro horizonte. “Não tenho dúvida de que o delivery veio para ficar e, retornando as feiras, vamos ter necessidade de produzir mais do que antes.”

    De outro lado, quem já dispunha um ambiente on-line para ligar pequenos produtores aos clientes percebeu que a crise trouxe até crescimento. Esse é o caso do sócio-proprietário da Love Orgânicos, Geraldo Rodrigues da Silva Junior. A empresa lançou aplicativo de e-commerce recentemente e reúne produção de pelo menos 40 parceiros. “Aumentou nosso número de entregas, quase que dobrou nosso faturamento. Esse é um mercado que só cresce devido a alta divulgação. Hoje, não tem bobo mais. Todo mundo que quer ter alimentação saudável, tem acesso a informação, busca produto de qualidade, que não faça impacto na natureza e não traga risco para a saúde”, defende.

    A adaptação vivenciada no campo por produtores de orgânicos também deve ser necessária em outras cadeias para uma retomada no Estado. O governo estadual e o setor produtivo estudam ações para conseguir reestruturar a economia, o que inclui linhas de crédito, programas de incentivos fiscais, como ProGoiás, e oferta de cursos gratuitos.

    “A economia vai retomar o crescimento na forma de ‘V’ e não de ‘U’. Vai bater em um ponto lá embaixo e vai subir. Até lá, as empresas em dificuldade têm de, primeiro, buscar inovações”, reforça o subsecretário de Assuntos Metropolitanos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação (Sedi), Everton Correia.

    Segundo o subsecretário da SIC, Adonídio Neto Vieira Júnior, as atividades essenciais permitem um cenário mais positivo localmente em comparação ao que ocorre em outras regiões do País. Apesar disso, sabe-se que para outros setores as dificuldades são maiores e uma retomada é prevista somente a partir do próximo trimestre, nas melhores perspectivas.

    Indústrias estão atentas às mudanças no consumo

    A indústria ligada à alimentação, construção civil e mineração têm boas perspectivas para retomada no pós-pandemia. É o que indica o acompanhamento da conjuntura econômica feito pelo Estado de Goiás. Mas, assim como o comércio, a indústria sabe que esse momento também vai exigir adaptação nas estratégias devido às mudanças no consumo no mundo.

    As indústrias mais preparadas para o momento, como reforça o presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, são as que não pararam, ligadas às produções essenciais. “Isso faz com que tenhamos algumas que continuarão no embalo, como as que passaram a produzir produtos ligados ao combate ao coronavírus, que, como dengue e malária, veio para ficar.”

    Ele completa, no entanto, que há recomendação da entidade para mudança de hábitos que deve afetar todos os negócios. “As indústrias precisam tomar cuidado ou o produto delas fica fora. Na alimentação, por exemplo, o pessoal diz que precisa ser mais saudável, e é um processo que vinha acontecendo de reduzir sódio, açúcar”, cita.

    Mabel destaca o papel da venda on-line e do delivery, que ganhou mais força e amplia a área das tecnologias e a redução da necessidade de deslocamento, o que reflete diretamente na indústria automotiva.

    A mineração tem cenário favorável, especialmente por conta da alta do dólar, mas o presidente da Fieg defende que é preciso criar “uma nova onda” e ter leilão de áreas disponíveis e legislação mais simplificada para atração de empresas.

    “Acreditamos que Goiás tem condições de triplicar o tamanho dele na mineração, que não é o pequeno”, pontua, ao lembrar que a construção civil também vai junto.

    “A retomada passa pela construção civil, é a alavanca. A grande pergunta é quando isso vai acontecer”, diz o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Goiás (Sinduscon), Eduardo Bilemjian Filho. Lembrando que o setor público é um indutor, ele ressalta que as obras públicas já estavam mais lentas pela situação da economia antes da crise do coronavírus, enquanto o setor privado vinha de um otimismo que foi atropelado e, por isso, os lançamentos e novos projetos foram adiados.

    Mesmo com esse cenário, o subsecretário de Atração de Investimentos e Negócios da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás (SIC), Adonídio Neto Vieira Júnior, afirma que o Estado tem forte atratividade até para a vinda de novas empresas. Uma das justificativas é a força dos setores essenciais, que não pararam.

    Nesta segunda-feira (25), por exemplo, está prevista a assinatura de protocolos de intenções com cerca de 20 empresas, para R$ 1,1 bilhão de investimentos e promessa de geração de 11 mil empregos diretos e indiretos, conforme o subsecretário.

    Comércio deve ganhar força no fim do ano, prevê estudo da SIC

    Com mais de dois meses de portas fechadas, o comércio só deve retomar a sua força no fim do ano no Estado. Isso é o que prevê estudo de acompanhamento realizado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás (SIC). A partir do mês de agosto, é esperada o início dessa recuperação pós-pandemia, segundo o subsecretário de Atração de Investimentos e Negócios, Adonídio Neto Vieira. Isso se o comércio reabrir e a situação da pandemia tiver de fato um controle. O que vale para o setor de vestuário, móveis e eletrodomésticos. Porque os setores automotivo e de combustíveis devem demorar mais, pela forte queda na circulação de pessoas.

    Já turismo e viagens são os mais impactados e só devem vir a reagir no ano que vem a patamares semelhantes ao que se tinham antes da crise causada pela pandemia de coronavírus. Sobre a estimativa, o presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), Marcelo Baiochi, avalia que não tem uma área do comércio, com exceção dos essenciais – o que inclui supermercados – que possa se sobressair. “É uma retomada de pós-guerra, mesmo sendo contra um vírus, mas é uma guerra.

    As empresas terão dificuldade para se reposicionar e muitas não conseguirão voltar.” Marcelo defende que cada dia a mais fechado é um dia a menos de faturamento e um dia a mais de despesa. “Sem dúvida de que a grande maioria das micro e pequenas empresas, que são 90% dos negócios, vão precisar de apoio financeiro para voltar.” Situação ainda mais séria é a do turismo. “Tudo indica que será um dos últimos setores. E é toda uma cadeia que não sobrevive só do movimento local, mas de pessoas que vêm de várias cidades e que dependem da malha aérea e de outros serviços que envolvem uma volta gradual.”

    Segundo o presidente da Goiás Turismo, Fabrício Amaral, há intenção de regulamentar o aluguel por temporada, que é oferecido por plataformas como Airbnb, para tornar a competição no mercado mais equilibrada. Isso porque ele acredita que é preciso cobrar uma taxa mínima, pois há hotéis em dificuldades em Goiás. Ele lembra que ajudou a implementar lei semelhante em Caldas Novas, mas que não foi regulamentada. “Vamos retomar o assunto, porque no pós-crise é preciso ajudar a hotelaria”, defende.