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junho 2020

  • Vacina imuniza 100% em testes na China

    O Grupo Nacional Biotec da China (CNBG) informou que a sua vacina contra a Covid-19 começou a ser testada e imunizou 100% dos voluntários. Isso porque, de acordo com os responsáveis pela pesquisa, as doses usadas conseguiram induzir o surgimento de anticorpos em todos os 1,1 mil voluntários.

    “Com referência a produtos similares no passado, combinados com dados humanos existentes, sugere-se inicialmente que a nova vacina desenvolvida seja segura e eficaz”, afirmou o grupo, em nota oficial.

    Nesse cenário, o governo de São Paulo anunciou, na semana passada, uma parceria com o laboratório Sinovac Biotech para testar outra vacina chinesa, segundo informou o Pleno News. Já o governo federal falou sobre o acordo com a Universidade de Oxford, do Reino Unido, para a fabricação de vacinas contra o novo coronavírus.

    Para isso, o Ministério da Saúde anunciou a produção de 30,4 milhões de doses da vacina contra o coronavírus em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido. O investimento será de 127 milhões de dólares (R$ 696 milhões) e a tecnologia de produção da vacina será compartilhada com a Fiocruz.

    A fase clínica, em humanos, é dividida em três momentos. O primeiro é a avaliação preliminar com poucos voluntários adultos monitorados de perto, o segundo são os testes em centenas de participantes que indicam informações sobre doses e horários que serão usados na fase 3. Esta, então, chamada de “ensaio em larga escala” (com milhares de indivíduos) precisa fornecer uma avaliação definitiva da eficácia/segurança e prever eventos adversos e só então há um registro sanitário.

  • Argentina controla gafanhotos com pulverização aérea

    O Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa), da Argentina, trabalha em coordenação com equipes de pulverizadores aéreos para tentar controlar a praga de gafanhotos do deserto do Paraguai que se estabeleceu no nordeste do país, ameaçou o sul do Brasil e agora se dirige ao Uruguai. “Os gafanhotos se instalam à noite em grandes quantidades, em um pequeno volume de hectares, num raio de 5 a 25 ha”, explicou o aeroaplicador e membro da Federação Argentina de Câmaras Agro-Aéreas (Fearca) Guido Kindwerley.

    “Continuamos com as ações conjuntas, neste caso no estabelecimento El Chañar, 55 km a oeste de Curuzú Cuatiá, para controlar a nuvem de gafanhotos. Trabalho em equipe”, publicou o Senasa, em seu perfil oficial na rede social Twitter. “Amanhã de manhã, se tivermos as condições e com a colaboração de @SRCorrientes e @CRAprensa e no município de Curuzú Cuatiá, serão realizados tratamentos para continuar diminuindo a população de gafanhotos. A colaboração dos produtores é fundamental”, disse em outra publicação.

    Os insetos já percorreram as províncias de Formosa, Chaco e Santa Fe, agora chegaram a Corrientes e podem atravessar para Entre Ríos, embora no momento não tenha havido movimento da nuvem nesse último local. Kindwerley explicou que a organização está atuando “em coordenação com o Senasa, que são os que fazem todo o trabalho de monitoramento e detectam o local onde estão paralisados”.

    “Você tem que se organizar para fazer o tratamento o mais cedo possível, deixar o avião cheio de combustível à noite para sair antes que ele acalme, chegar em um momento em que não se mexam, porque quando se movem não há mais oportunidade”, disse ele.

  • PR tem nova estimativa para safra de trigo

    O Departamento de Economia Rural divulgou nova estimativa para produção de trigo no Paraná, que deve chegar a 3,67 milhões de toneladas.

    Caso a safra que está sendo plantada seja confirmada, o principal Estado produtor de trigo no país teria um aumento de 72% na produção ante a temporada passada, quando as lavouras sofreram com problemas climáticos.

    De acordo com informações divulgadas pela Reuters, a segunda safra de milho do Paraná foi estimada em 11,36 milhões de toneladas, praticamente estável ante maio, e um recuo de 14% na comparação com o ciclo anterior.

  • Situação da colheita do milho de segunda safra

    No Paraná, até o dia 22/6, a colheita do milho de segunda safra chegou a 4,0% da área semeada na temporada atual (2019/20), segundo informações do Departamento de Economia Rural (Deral). Os trabalhos têm evoluído em um ritmo mais lento no estado, por causa das chuvas e, consequentemente, maior umidade do solo, o que dificulta a entrada das máquinas. Para uma comparação, neste mesmo período da safra passada (2018/19), 34,0% da área semeada com milho foi colhida no Paraná.

    Em Mato Grosso, com o tempo mais seco, 16,3% da área semeada em 2019/20 foi colhida até o dia 19 de junho, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A colheita está atrasada em relação à igual período do ciclo passado, quando 24,7% do milho de segunda safra fora colhido no estado, mas os trabalhos estão à frente da média das últimas cinco temporadas, que é de 14,8% do milho colhido até então.

  • Sensoriamento remoto expande agricultura indiana

    A Índia fez avanços notáveis em relação à utilização do sensoriamento remoto para a agricultura na identificação e mapeamento de culturas, cálculo de área, estimativa de rendimento, horticultura, avaliação de risco e proteção de culturas, entre outros, com uma forte ênfase na expansão nacional, informou o portal local Precision Ag.

    O sensoriamento remoto permite a vigilância e análise de atividades agrícolas e fornece informações relevantes sobre vários parâmetros agronômicos. As imagens detectadas remotamente obtidas pelos satélites ajudam a avaliar as condições da planta e do campo sem contato físico e permitem um fluxo oportuno de dados de campo, disse o portal.

    A previsão da produção agrícola por dados de satélite detectados remotamente foi iniciada pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO) no início dos anos 80, levando ao desenvolvimento de sistemas operacionais baseados em satélite para monitorar a produção agrícola, a horticultura e o seguro agrícola, auxiliados por várias organizações governamentais e institutos nacionais.

    “O Ministério da Agricultura e o Bem-Estar dos Agricultores (MoA e FW) emprega de maneira eficiente o sensoriamento remoto por satélite para obter informações sobre estatísticas das culturas necessárias para o planejamento de insumos agrícolas e a tomada de decisões. Os dados de sensoriamento remoto oferecem muitas vantagens sobre as abordagens tradicionais, principalmente por sistemas oportunos de tomada de decisão, análise espacial e cobertura, incluindo benefícios econômicos”, indica o texto.

    Os dados espaciais são utilizados em muitos aspectos vitais da produção agrícola, como estimativa de área cultivada, estimativa de rendimento e produção da cultura, condição da colheita, obtenção de dados de características do solo, estudos do sistema de cultivo, seguro experimental da colheita, etc.

  • Brasil tem só 2 produtos contra gafanhotos

    De acordo com especialistas consultados pelo Agrolink, apesar de demandar monitoramento, é improvável a chegada ao Brasil da nuvem de gafanhotos que se encontra atualmente na Argentina. Se por um lado é importante monitorar a movimentação da nuvem de gafanhotos, por outro preocupa a pouca quantidade de produtos registrados para controle deste inseto no Brasil.

    De acordo com o engenheiro agrônomo Joelson Mader, consultor da Blue Pine Assessoria e Representação de Produtos Agropecuários, há somente dois ingredientes ativos registrados no País contra a espécie Schistocerca cancellata: “Há um piretroide, Deltametrina, que oferece ação de choque, e um produto para o controle de fases jovens, o Diflubenzuron”, aponta o consultor. Saiba mais no AgrolinkFito.

    AVIAÇÃO AGRÍCOLA A POSTOS

    O Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola) se colocou à disposição dos órgãos públicos com sua frota de 426 aeronaves agrícolas para o combate da infestação. A entidade encaminhou ofício aos governos gaúcho e federal para alertar contra o avanço da praga dos gafanhotos sobre o Rio Grande do Sul e demais estados brasileiros.

    De acordo com o Sindag, uma operação desta natureza exige um esforço de governo, com a devida autorização dos órgãos oficiais. “Neste sentido, encaminhamos um ofício do próprio Sindag, endossado pelo nosso gabinete, ao Ministério da Agricultura. A própria ministra Tereza Cristina respondeu o nosso apelo aceitando o apoio do Sindag”, destacou o deputado federal Jerônimo Goergen.

    O parlamentar disse ainda que uma operação dessa natureza exige uma resposta muito rápida do poder público para surtir os efeitos esperados. “Os produtores rurais do Rio Grande do Sul já enfrentam uma seca muito forte. Mais uma adversidade dessa natureza seria extremamente terrível para a nossa produção agrícola”, finalizou.

  • Condições das chuvas mudaram em maio

    Enfim, a chave virou! O mês de maio de 2020 teve chuvas superiores à média climatológica, trazendo alívio a estiagem no Rio Grande do Sul. Vários municípios da metade Oeste somaram entre 200 e 250mm de chuva. Dessa forma, a anomalia da precipitação foi positiva na maior parte do Estado. Ainda assim, alguns municípios da Planície Costeira Interna e Externa e das regiões Norte e Nordeste registraram acumulados abaixo da média climatológica. De qualquer forma, as chuvas de maio foram providenciais para recuperar parte dos mananciais.

    As temperaturas mínimas ficaram com anomalias negativas, entre -1,0 e -2,0 °C, em relação à média climatológica. Já as máximas ficaram praticamente dentro do normal.

    Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño-Oscilação Sul) e perspectivas

    A condição de Neutralidade continua no Oceano Pacífico Central, no entanto, as águas daquela região iniciaram processo de resfriamento neste último mês. Com isso, consegue-se observar uma pequena área com anomalias negativas na região do Niño3.4. É por isso que se fala que o inverno será com condições Neutras, com viés negativo. O trimestre março, abril e maio de 2020 ficou com anomalia de +0,3 °C, na região do Niño. As águas do Oceano Atlântico Sul estão com anomalias negativas (mas, nada extremo) que, associadas com o pequeno resfriamento que ocorre no Pacífico, podem ter seus efeitos somados e acarretar gradual redução nas chuvas no RS, ou causar maior variabilidade nas mesmas, ou seja, períodos secos intercalados com períodos chuvosos.

    Ao monitorar a temperatura das águas subsuperficiais (até 300 metros abaixo do nível do mar, na região do Pacífico), nota-se que há uma grande porção de águas bastante frias, ou seja, anomalias negativas que chegam entre -4,0 e -6,0 °C, e que irão aflorar em superfície, mantendo o resfriamento por mais algum tempo. É por isso que alguns modelos têm sugerido a configuração de um episódio La Niña. No entanto, este resfriamento em profundidade está posicionado entre o Centro e o Leste do oceano, não abrangendo toda a extensão do Pacífico. A Oeste, as águas estão neutras, com leve aquecimento e é por isso que outra gama de modelos aponta para a continuidade da fase Neutra do ENOS (El Niño-Oscilação Sul).

    O IRI (International Research Institute for Climate and Society) (Universidade de Columbia-EUA), em relatório divulgado no dia 11 de junho, prevê em 60% a probabilidade de que a fase Neutra continue no trimestre junho, julho e agosto de 2020. Entre os meses de agosto, setembro e outubro de 2020 e janeiro, fevereiro e março de 2021, o consenso dos modelos prevê chances de La Niña e Neutralidade praticamente iguais, variando ao redor de 45% para cada uma das fases. Por isso, é necessário ter muita cautela, pois estiagens curtas poderão ocorrer, porém é difícil dizer se serão parecidas com as da safra 2019/2020.

    Previsão para a precipitação no trimestre julho, agosto e setembro de 2020

    Falando sobre o mês de julho, a previsão passada, apontava para chuvas superiores à média climatológica, o que deverá ocorrer em boa parte das regiões gaúchas. Lembrando que o inverno iniciou no dia 20 de junho, às 18h44min. Para o trimestre julho, agosto e setembro é esperado que as chuvas continuem ocorrendo e fiquem na média ou acima da média.

    Julho: as simulações anteriores apontavam para chuvas acima da média e passaram a oscilar um pouco. Agora, nas últimas atualizações, o modelo CFSv2 tem mostrado que as chuvas deverão ficar acima da média climatológica, principalmente na Metade Sul do RS, com valores de até +50 mm.

    Agosto: a previsão apresentava bastante variação nas simulações anteriores. Agora, elas têm mostrado um agosto com chuvas um pouco acima da média na Metade Sul do Estado, com valores de até +30 mm.

    Setembro: as previsões anteriores mostravam setembro mais seco, depois mudou para chuvoso. Nas últimas previsões, as simulações continuam mostrando que as chuvas serão um pouco acima da média climatológica, sendo de até +30 mm.

    Estas oscilações nas previsões de precipitação para o mês inteiro são normais, visto que se está e se continuará em período de Neutralidade climática, o que significa irregularidade na precipitação. Ou seja, haverá momentos com chuva mais frequentes e fortes e outros sem ocorrência de chuvas. Haverá, também, variação na temperatura. Aliás, junho tem tido dias com temperaturas bem altas, superiores à média climatológica do mês. Esse padrão deverá ocorrer também nos meses de julho e agosto, ou seja, dias bastante frios, intercalados com períodos de temperaturas mais altas, que se aproximam dos 28°C.

    Aos produtores, sobretudo os de arroz: sabe-se que nos meses de julho e agosto, não raramente, ocorrem os veranicos, ou seja, aqueles períodos mais longos de tempo seco e temperaturas mais altas do que a média. Pensando em preparo de solo para a semeadura do arroz da safra 2020/2021, o produtor deve estar atento a estes períodos, que podem ser curtos, de 7 a 15 dias. Então, quando possível, deve-se priorizar e manter as áreas bem drenadas, assim, qualquer janela de tempo mais seco possibilitará o preparo da terra.

    Ressalta-se que a maioria dos produtores iniciam o processo de semeadura do arroz em setembro e/ou outubro, meses preferenciais para a semeadura do arroz, e estes meses geralmente possuem maior frequência e volume de chuvas, principalmente outubro. Então, estejam preparados!

    Jossana Cera é meteorologista, doutora em Engenharia Agrícola pela UFSM e consultora do Irga.

  • ARGENTINA COLOCA FRONTEIRA GAÚCHA EM ALERTA POR NUVEM DE GAFANHOTOS

    O Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agro-Alimentar (SENASA), do governo da Argentina, confirmou que uma nuvem enorme de gafanhotos vinda do Paraguai avança por províncias da Argentina. A nuvem é monitorada desde o dia 28 de maio.

    A praga avançou da província argentina de Formosa, onde existem muitos produtores de mandioca, milho e cana de açúcar e do Chaco, até chegar finalmente à província de Santa Fé. Agora ruma para Entre Rios e Córdoba.

    Há alerta na província de Corrientes, que faz fronteira com o Oeste do Rio Grande do Sul, e o território provincial, incluindo a fronteira gaúcha, foi colocada em estado de atenção pela SENASA.

    O coordenador do programa nacional de gafanhotos do órgão, Héctor Medina, afirmou que a nuvem se moveu quase 100 quilômetros em um dia devido às altas temperaturas e ao vento.

    O especialista enfatizou que é um gafanhoto sul-americano. Para ter uma idéia dos danos que podem causar, explicou que uma manga das características que foram monitoradas em um quilômetro quadrado tem até 40 milhões de insetos.

    “Uma manga de um quilômetro quadrado pode comer o mesmo que 35.000 pessoas ou cerca de 2.000 vacas por dia, afetando principalmente pastagens e pastagens”, explicou Medina.

    A extensão da nuvem detectada pode chegar a 10 quilômetros. Medina explicou: “Essa invasão pela qual estamos passando neste momento não é uma novidade, pois, nos anos anteriores, tivemos uma situação semelhante; era previsível que, em 2020, esse cenário se repetisse, estamos tentando acompanhar a situação”.

    Além disso, a SENASA ressaltou que estão avaliando o comportamento da praga e as medidas a serem tomadas em conjunto com as autoridades provinciais. Tempo frio e chuvoso é aguardo pelas autoridades para frear o avanço dos gafanhotos.

     

  • Soja em Chicago tem novo pregão de estabilidade e preços de lado nesta 3ª feira

    Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago seguem sem direção e operam, mais uma vez, com apenas pequenas variações no pregão desta terça-feira (23). Perto de 7h40 (horário de Brasília), os preços caíam entre 1,75 e 3,25 pontos. O julho tinha US$ 8,74 e o novembro, US$ 8,76 por bushel.

    “A terça-feira deve ser fraca de notícias fundamentais para a soja na Bolsa de Chicago, apesar da deterioração nas condições das lavouras americanas”, explica Steve Cachia, consultor de mercado da Cerealpar.

    O novo boletim do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) semanal de acompanhamento de safras foi reportado na tarde desta segunda-feira (22), trazendo uma redução no índice de lavouras de soja em boas ou excelentes condições de 72% para 70%. O mercado apostava em uma manutenção do número. São ainda 25% dos campos em condições regulares e 5% em situação ruim ou muito ruim.

    O boletim mostrou ainda que o plantio está concluído em 96% da área, contra 93% da semana anterior, e 5% das lavouras norte-americanas de soja já estão em fase de floração, em linha com a média das últimas cinco safras para este período do ano, contra 1% de 2019.

    No paralelo, os traders também seguem acompanhando o quadro político externo, as informações sobre uma possível segunda onda do coronavírus e todo o andamento do mercado financeiro em torno destas notícias.

    Fonte: Notícias Agrícolas

  • Farsul considera Plano Safra adequado ao atual período

    Ampliação do seguro rural e redução da taxa de juros são os pontos destacados pela Farsul no Plano Safra 2020/2021 anunciado nesta semana pelo Governo Federal. Para a Federação, ainda que os números não sejam aqueles reivindicados na proposta encaminhada pela CNA ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), eles são os possíveis dentro do atual cenário econômica brasileiro e mundial resultante da pandemia do Covid-19.

    O aumento de 30% no seguro rural é comemorado por ser considerado a principal política agrícola pela Farsul, em consonância com a CNA. Como explica o economista-chefe da Federação, Antônio da Luz, “Nós privilegiamos o seguro rural porque acreditamos que crédito não gera seguro, mas seguro gera crédito. Um produtor bem asseguradora consegue alavancar crédito. E não apenas nos bancos, mas também em outras operações de crédito que serão cada vez mais comuns”, explica.

    O economista usa a situação vivida neste primeiro semestre para ilustrar. “Estamos vivendo um ano com uma estiagem terrível e a diferença entre os produtores que tinham seguro e aqueles que não tinham é enorme. A diferença entre grau de endividamento e comprometimento de fluxo de caixa futuros entre segurados ou não é diferente. Não há dúvida de que temos muito a evoluir nos produtos de seguro, que há muito caminho pela frente para termos um produto que realmente atenda”, comenta.

    Como comparação, Luz usa os EUA que gastam em torno de US$ 12 bi ao ano com subsídio ao seguro. “Isso dá mais que R$ 60 bi. Para se ter uma ideia, esse é o valor total gasto pela agricultura brasileira em quatro anos. Incluindo todos os custos do Ministério e estatais”, afirma. Ele lembra que há três anos o valor destinado ao seguro era de R$ 200 mi. No plano atual era R$ 1 bi e para o próximo são R$ 1,3 bi. “Um aumento de 30%. Sob esse ponto de vista, o Plano Safra acertou muito na principal política. Ele tirou dinheiro de banco e botou no seguro. E quanto melhor segurado um produtor estiver, mais baixo serão os juros para ele. Isso já está acontecendo e acontecerá cada vez mais”, avalia.

    Sobre a taxa de juros de 6% para os produtores que não se enquadram no Pronaf ou nas categorias de pequenos e médios, o entendimento é que a pandemia acabou por transformar o cenário econômico, não viabilizando o pleito da CNA que era de 3%. “Lá em março, na Expodireto, fizemos um workshop para discutir justamente as diretrizes que iriamos propor ao Governo Federal e saímos com o consenso de que os juros que trariam justiça à situação de mercado seria 3%. Só que de lá pra cá nós tivemos a maior pandemia dos últimos 103 anos que bagunçou completamente a economia brasileira. Tínhamos a expectativa de crescer 3% este ano agora é de queda do PIB entre 5% e 7%”, pondera Luz.

    Ele ressalta que nesse quadro, juros mais baixos poderiam significar não liberação e recursos aos produtores. “Atualmente os governos aumentam liquidez, baixam as taxas de juros e os bancos empossam liquidez. E é o que acontece no Brasil. O Banco Central reduz a taxa Selic, compulsório, e os bancos, simplesmente, por aversão ao risco, não emprestam dinheiro”, descreve. E o mesmo aconteceria com taxas mais baixas no Plano Safra, “com os juros muito baixos os bancos não irão querer emprestar. Vai ficar lindo o anúncio, todos irão à êxtase e baterão palmas. Só que depois, na hora de pegar o dinheiro, não vai ter porque os bancos não vão emprestar”, aponta.

    Mesmo assim, o economista destaca que houve uma redução de 25% nas taxas de juros, caindo de 8% do atual plano para 6% no próximo. “Poderiam ser menores? Poderiam, só que isso antes da pandemia, agora, com essa situação, eu prefiro mil vezes juros acima do que gostaríamos, mas que o produtor acesse do que um juro baixo que o produtor não consiga”, analisa. Luz reforça a importância do trabalho da ministra Tereza Cristina na construção do plano. “Acompanhamos tudo que aconteceu, todas as negociações. Sabemos do grande esforço que a ministra e sua equipe fizeram ao longo de todo o processo. Se chegou no melhor do que foi possível numa situação de extrema volatilidade e aversão ao risco que é o que estamos vivendo em meio a essa pandemia”, conclui.