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Sul toma medidas contra estiagem

A estiagem tem causado sérios problemas para a agricultura e abastecimento de água nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os catarinenses das regiões Oeste, Extremo-Oeste e Meio-Oeste são os mais atingidos. Segundo a Epagri/Ciram o déficit hídrico no ano alcança 801,9mm, 711mm e 895,9mm, respectivamente. A estiagem vem desde junho de 2019 e é a maior desde 2005.

As previsões não são animadoras e indicam chuvas abaixo da média até janeiro. Os prejuízos na agricultura já são sentidos. De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) mais de 110 aviários de uma agroindústria estão parados no Oeste e o restante está contratando caminhões-pipa para puxar água. A safra de milho já tem perdas de zero a 100% e a soja plantada está aguardando umidade para germinar. Além disso há perdas em pastagens que impactam gado leiteiro e no tabaco. Fumicultores do Extremo Oeste já acumulam perdas de -14,16%, no Oeste as perdas são de 7,94% e no Meio Oeste chegam a 6,05%.

No Rio Grande do Sul também cresce o numero de municípios em emergência. Segundo a Emater-RS os produtores já esperam prejuízos na cultura do milho, de soja e de feijão. O milho, tanto grão como silagem, registra perdas irreversíveis e já consolidadas, em especial na faixa entre as regiões Noroeste para a Nordeste do Estado, onde a cultura foi primeiro implantada. No caso da soja, que segue em implantação no RS, é grande a ansiedade e a tensão por parte dos produtores em função da falta de chuvas.

Medidas de socorro

Santa Catarina já havia anunciado R$ 15 milhões para o apoio a agricultores no combate a estiagem. Nesta segunda-feira (16) o estado anunciou R$ 3 milhões para compra de reservatórios e investindo no transporte de água. Os recursos são da Alesc. A governadora Daniela Reinehr (sem partido) pleiteia recursos federais para auxiliar o setor.

No Rio Grande do Sul representantes de várias entidades estiveram reunidas para discutir alternativas para combater a estiagem. A ideia é solicitar medidas para mitigar o problema. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ernani Polo (PP) informou que conversou com o governador Eduardo Leite (PSDB) e o secretário da Agricultura, Covatti Filho, na semana passada, para que o governo estadual estude a possibilidade de desonerar equipamentos utilizados na irrigação de lavouras. Outra recomendação é reduzir tributos sobre os combustíveis nas localidades onde se faz uso desses produtos por causa da ausência de energia elétrica. O objetivo é reduzir custos e viabilizar a ampliação da irrigação neste momento de crise no campo.

Outra medida que será solicitada à instituições financeiras é a liberação para produtores utilizarem o que resta de massa verde do milho para a alimentação do gado, mesmo sendo de baixa qualidade, uma vez que, a falta de chuva prejudica o crescimento das pastagens para a pecuária de corte e de leite. Também deve ser solicitado ao governo do Estado que forneça sementes de forrageiras e de milho para os produtores afetados pela falta de chuvas, por meio do Programa Troca-Troca.

Também estarão na pauta da Assembleia Legislativa e das entidades do agro a desburocratização para facilitar a armazenagem de água e o incentivo ao avanço da energia elétrica no campo, por meio das pequenas centrais hidrelétricas nas propriedades rurais.

Fonte: Agrolink