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4 de fevereiro de 2021

  • Greve de caminhoneiros na Argentina, ameaça trigo

    A greve de caminhoneiros não esmoreceu na Argentina e já começa a afetar as exportações de trigo do país vizinho – o maior fornecedor brasileiro. De acordo com os exportadores do cereal de inverno argentinos, a entrada de caminhões na região sul caiu 95% e os “mercados internacionais temem a inadimplência”.

    “O setor agroexportador, embora alheio a este conflito, lamenta o impacto dos atrasos nas entregas dos grãos, dos problemas de cumprimento dos programas de exportação e da baixa classificação dos portos mundiais, bem como do abastecimento do mercado intern”, alerta a CIARA (Câmara da Indústria Azeiteira da República Argentina), que representa 40% das exportações argentinas.

    De acordo com os dirigentes do setor, a “Argentina vai pagar, em um momento difícil para sua economia, com divisas não pagas, multas, trabalho não realizado e com perda de participação no mercado internacional”, acrescentam.

    A Bolsa de Cereais da Bahía Blanca mostra que o número de caminhões foi reduzido em aproximadamente 95%, de 7.346 para 388 veículos, o que representou 208.740 toneladas a menos: “As atuais medidas de força [paralisação] dificultam o abastecimento fluido de grãos, oleaginosas e derivados para o carregamento e fechamento dos navios, atrasando a sua saída, com os consequentes custos que isto implica. Até à data, no Porto de Bahía Blanca, oito navios estão ancorados, enquanto outro está atracado no cais, à espera de concluir o carregamento para poder zarpar”.

    Por outro lado, o governo argentino permanece inerte e sem poder de reação frente às exigências dos transportadores. Na manhã da terça-feira (02.02), cerca de 100 caminhões chegaram ao centro de Necochea, em Buenos Aires, para expressar seu desconforto. A mobilização foi realizada em frente ao prédio municipal e contou com um grande número de caminhoneiros.

     

  • Atraso recorde na colheita

    Na visão dos analistas de mercado da AgResource Brasil, o atraso recorde na colheita do Brasil deve impactar diretamente no mercado da soja. “O persistente padrão de chuvas acima do normal nas principais regiões produtoras de soja do Brasil começa a trazer preocupações sobre o real impacto na produtividade final da atual temporada 20/21 de soja”, aponta a Consultoria.

    Além disso, explicam os especialistas, há receio sobre como esse padrão pode influenciar os preços do grão diante um programa de escoamento recorde para o período. “Apesar de bem-vindas, as chuvas começaram a impactar negativamente, sobretudo para um híbrido com maturidade de ciclo longo, aumentando a incidência de ferrugem asiática, mofo branco e, em algumas regiões, o abortamento de vagens”, alertam os analistas de mercado da AgResource Brasil.

    “Ainda é cedo para afirmar qual será o real impacto na produtividade final visto que a soja está em fase de formação de vagens e enchimento de grãos em muitas regiões. Mas, certamente, podemos inferir qual o impacto desse padrão climático no mercado dos grãos. Atraso na colheita da soja!”, conclui a Consultoria.

    LOGÍSTICA

    Ainda de acordo com a AgResource Brasil, após a fracassada greve dos caminhoneiros há uma expectativa de aumento do preço dos fretes. “Estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (EsalqLog/USP) revelou que, com o atraso na colheita da soja, os preços do frete rodoviário devem registrar pico em março, momento em que a demanda já estaria diminuindo. Alguns trechos poderão ter o valor elevado em até 20%! Porém, no geral, a expectativa é que a maioria das rotas mantenha preços similares aos de 2019”, apontam os analistas da Consultoria.

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