Eduarda Pereira

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  • Veja a importância do manejo preventivo em grãos armazenados

    O Brasil vem atingindo níveis de supersafra nos últimos anos: o milho safrinha, que antes registrava uma produção menor, hoje, representa o maior volume de grãos do cultivo produzidos pela agricultura brasileira. A cada ciclo o produtor tem atingido novos recordes e, em 2020, a segunda safra de milho da região Centro-Sul, que se direciona para o final da colheita, em agosto, deve atingir um novo patamar – estimado para 73,5 milhões de toneladas, crescimento de 0,5% sobre a produção de 2018/19, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    É importante que o agricultor tenha cuidado com os grãos pós-colheita: o manejo preventivo durante a armazenagem é essencial para garantir que a cultura mantenha a qualidade e não se desvalorize até o escoamento para os mercados externos e internos. “Os cuidados com os grãos pós-colheita devem ser tão rigorosos quanto os tratamentos durante a safra, uma vez que algumas pragas permanecem no milho da lavoura até a estocagem. Ter um grão saudável e com valor de mercado depende da aplicação correta de insumos em todos os estágios. Assim, o produtor deve realizar o manejo integrado de pragas”, comenta Fernando Bernardini, biólogo e gerente de Desenvolvimento de Produtos da unidade de Environmental Science da Bayer Brasil e América Latina.

    De acordo com as informações divulgadas pela empresa, fatores como contaminação por fungos, presença de fragmentos de insetos e estocagem inadequada, podem colaborar para a infestação dos grãos, causando prejuízos graves – de até cerca de 10% a 15% de perda da safra armazenada. Entre preocupações do produtor, nesta etapa, o caruncho é um dos principais.

    “Estes insetos são capazes de se movimentar por pequenos espaços entre os grãos, inclusive nas áreas mais profundas dos silos e infectar os insumos. Entre os danos causados por esta praga estão: perdas no peso do grão, aumento da umidade, disseminação de microtoxinas por meio de fungos e dificuldades para exportação e comercialização dos produtos”, completa Fernando.

    “Caso o armazenamento dure por mais de um mês, os grãos e sementes podem ser tratados preventivamente para obter proteção contra o ataque das pragas, com inseticidas no momento de armazenar nos silos. A Bayer possui produtos para o controle de insetos no pós-colheita, que podem ser utilizados para manter a saúde e qualidade da safra. Além disso, nós possuímos um Programa de Proteção, uma parceria com controladoras profissionais selecionadas para oferecer o melhor serviço para o produtor”, finaliza Fernando.

     

    Fonte: Agrolink

  • Nuvem de gafanhotos se desloca 33 km e avança 2 km em direção ao RS

    A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) do RS e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) seguem monitorando a nuvem de gafanhotos, que está atualmente em território argentino, a 110 km do Rio Grande do Sul.

    Na segunda-feira (20/7), os insetos estavam a 112 km de Barra do Quaraí. Entre a segunda e ontem (21/7), eles se deslocaram 33 km, segundo o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do RS, Ricardo Felicetti. “Mas aproximou somente 2 km do RS”, explica.

    De acordo com Felicetti, não há como determinar se a nuvem está indo em direção ao Uruguai. “Se mantém em Entre Ríos [província da Argentina]”.

    O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) informou na segunda que a nuvem se deslocou da província de Corrientes para Entre Rios e está a 100 quilômetros da fronteira com o Uruguai.

    Autoridades brasileiras consideram que a principal forma de combater o problema é por meio do despejo de agrotóxico em direção aos insetos. Especialistas, porém, avaliam que o método é extremamente prejudicial.

    Probabilidade de chegada ao RS
    De acordo com nota divulgada pelo Mapa, seguem mantidas as previsões de que os insetos continuarão se movimentando rumo ao sul, sem previsão de ocorrência de um conjunto de alterações climáticas (temperatura x umidade x direção/velocidade dos ventos) que favoreça a entrada no Brasil.

    Segundo o Ministério, a última previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de que os ventos na região se mantenham na direção Norte-Sul nos próximos dias, indicando uma provável direção da nuvem ao Uruguai.

    “Nós estamos monitorando a região da fronteira com a Argentina e em contato direto com o Ministério e com o governo argentino para verificar o tamanho e a velocidade de deslocamento da nuvem. Temos 11 fiscais envolvidos nesta tarefa”, afirma Felicetti.

    O secretário da Agricultura do RS, Covatti Filho, destaca que o Plano Operacional da Secretaria da Agricultura está na fase de vigilância e monitoramento. Mas caso haja a entrada da nuvem no Rio Grande do Sul, as equipes devem executar as medidas de controle fitossanitário.

    “Caso a nuvem chegue ao Estado, a estimativa é de grandes prejuízos para os produtores e as ações de contenção devem ser tomadas rapidamente para minimizar os impactos”, afirma Covatti.

    Os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina estão em estado de emergência fitossanitária desde 25 de junho por determinação do Mapa. A medida é preventiva e deve durar um ano.

    Grupo da UFPel faz simulação
    O Grupo de Dispersão de Poluentes & Engenharia Nuclear (GDISPEN) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) vem analisando a trajetória da nuvem de gafanhotos pela Argentina, e realizou simulações de percursos possíveis para os insetos.

    Utilizando dados como a velocidade de ventos prevista para a região, o grupo estimou o percurso dos insetos caso ele se movam em 40 km por dia, 80 km por dia e 150 km por dia.
    Previsão para 40 km por dia: se esta previsão se confirmar, hoje (22/7), estima-se que a nuvem poderá atingir a província de Entre Ríos na Argentina, fronteira com o Uruguai, próximo a Concórdia na Rota 14, em torno de 140 km da cidade de Barra do Quaraí no RS.
    Previsão para 80 km por dia: estima-se que a nuvem poderá atingir a região próxima a cidade de El Eucaliptus no Uruguai, em Passo de Los Carros na Rota 26, aproximadamente 200 km da cidade de Barra do Quaraí no RS e aproximadamente 240 km da cidade de Rivera (Uruguai), divisa com o RS.
    Previsão para 150 km por dia: estima-se que a nuvem poderá atingir a região próxima a cidade de Villa del Carmem no Uruguai, província de Durazno. A região fica a aproximadamente 270 km das cidades gaúchas de Aceguá e Jaguarão.

    Fonte: G1 RS

  • Bayer lança programa de captura de carbono nos EUA e Brasil

    A alemã Bayer lançou ontem (21/7) um programa piloto nos Estados Unidos e no Brasil que pagará a produtores pela captura de carbono em áreas agrícolas, tornando-se a mais recente empresa do setor a tentar capitalizar iniciativas ambientais.

    A companhia busca inscrever cerca de 1.200 agricultores na primeira temporada da Iniciativa Carbono Bayer, mas tem o objetivo de ampliar a proposta nos próximos anos e, por fim, também expandi-la para outros países, segundo executivos.

    Do total, cerca de 500 produtores rurais brasileiros foram selecionados pela Bayer para participar do projeto. Eles estão localizados em 14 Estados (RS, SC, PR, SP, MG, MS, GO, MT, RO, TO, PA, BA, PI e MA), com cultivos principalmente de soja e milho.

    A iniciativa deve começar na safra 2020/21 do Brasil, em cerca de 60 mil hectares. O investimento estimado é de, aproximadamente, 5 milhões de euros no país, ao longo de três anos, disse a empresa em comunicado.

    O programa é o mais novo de uma série de iniciativas recentes de empresas agrícolas voltadas para o meio ambiente, em meio a críticas às companhias pelo uso de produtos químicos nocivos e pelo trabalho insuficiente no combate ao desmatamento no Brasil.

    No país, a Bayer contará com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como parceira técnica para construir um mercado de carbono viável para os agricultores.

    “Trata-se de um mercado com muito potencial, mas ainda intangível para os agricultores brasileiros. Esta iniciativa visa gerar uma base para um modelo que funcione para os produtores”, disse em comunicado o presidente da divisão agrícola da Bayer para a América Latina, Rodrigo Santos.

    Nos EUA, a companhia de commodities Cargill já havia iniciado neste ano um projeto voltado para emissões de gases de efeito estufa e escoamento de fertilizantes no Estado de Iowa, enquanto a cooperativa agrícola Land O’Lakes anunciou na semana passada uma parceria com a Microsoft para atingir metas de sustentabilidade e tecnologia no sistema alimentício.

    Os anúncios ocorreram após o Departamento do Tesouro norte-americano esclarecer questões sobre um benefício fiscal elaborado para estimular o investimento em projetos de captura e sequestro de carbono.

    O programa da Bayer requer que os agricultores utilizem a plataforma de agricultura digital Climate FieldView, na qual produtores incluem dados sobre suas práticas agrícolas ecológicas. Essas informações poderão ser confirmadas por meio de imagens de satélites.

    A Bayer vai recompensar os agricultores pelo sequestro de carbono com pagamentos em dinheiro ou em créditos para a compra de produtos na plataforma Bayer PLUS.

    “Se os agricultores estão sequestrando carbono para o benefício da sociedade e do planeta, eles devem ser recompensados por isso”, disse à Reuters o diretor da divisão de ciência agrícola da Bayer, Brett Begemann.

    Ele preferiu não revelar o custo total do programa, e afirmou que o valor do carbono a ser sequestrado será precificado pelo mercado.

    “No fim das contas, nós temos de manter uma linha clara de visão de que isso deve contribuir para os resultados da Bayer e também beneficiar nossos acionistas”, disse Begemann.

    Fonte: Reuters

  • Qualidade das lavouras de milho fica estável na semana, diz USDA

    A qualidade das lavouras de milho nos Estados Unidos ficou estável na semana passada, disse o Departamento de Agricultura do país (USDA) ontem (20/7), em seu relatório semanal de acompanhamento de safra. Segundo o USDA, 69% da safra tinha condição boa ou excelente até o último domingo (19), sem variação ante a semana anterior. O USDA disse também que 59% da safra tinha formado espiga, ante 54% na média dos cinco anos anteriores. Além disso, 9% da safra tinha formado grãos, em comparação a 7% na média de cinco anos.

    O USDA informou que 69% da safra de soja apresentava condição boa ou excelente até o último domingo, uma melhora de 1 ponto porcentual ante a semana anterior. Segundo o relatório, 64% da safra tinha florescido, em comparação a 57% na média de cinco anos. Além disso, 25% da safra estava formando vagens, ante 21% na média.

    Segundo o USDA, a colheita de trigo de inverno estava 74% concluída, em comparação a 75% na média de cinco anos.

    Quanto ao trigo de primavera, o USDA disse que 68% da safra tinha condição boa ou excelente, estável ante a semana anterior. Além disso, 91% da safra tinha perfilhado, ante 94% na média de cinco anos.

    O USDA informou que 47% da safra de algodão apresentava condição boa ou excelente, melhora de 3 pontos porcentuais ante a semana anterior. O governo dos EUA disse que 73% da safra tinha florescido, ante 75% na média de cinco anos. Segundo o relatório, 25% da safra tinha formado maçãs, em comparação a 32% na média.

    Fonte: Dow Jones Newswires/Broadcast Agro

  • Comércio pela internet é a nova febre no campo

    O comércio online de produtos para o campo disparou com a pandemia de covid-19. Sem poder conferir as novidades nas feiras agropecuárias, que foram canceladas, produtores migraram para a internet. Shoppings virtuais de marcas e revendas de produtos agropecuários, os marketplaces do setor projetam para 2020 quase o dobro da receita de 2019. A Agrofy, usada por fabricantes de máquinas, insumos e outros itens, deve movimentar mais de R$ 50 bilhões, ante R$ 28 bilhões no ano passado, segundo Rafael Sant’Anna, gerente de Negócios. “Só no primeiro semestre foram R$ 20,5 bilhões, contra R$ 4 bilhões há um ano.” A Orbia, marketplace cujos controladores são Bayer e Bravium, também prevê um salto nos negócios. O número de revendas de insumos e cerealistas com lojas no espaço deve passar dos atuais 100 para até 170 no fim do ano. Ivan Moreno, CEO da Orbia, espera que 2% a 5% da receita dos futuros parceiros, estimada em R$ 10 bilhões, seja gerada pela plataforma nos próximos 12 meses.

    Antes e depois
    As plataformas exclusivas para o agronegócio não são as únicas a registrar saltos nos negócios com o setor. A OLX, marketplace que atende diversos segmentos, verificou disparada das vendas em relação ao período pré-covid. Na última semana de junho, a procura por itens do agronegócio foi 79% superior à média das duas primeiras semanas de março. Os itens mais procurados foram animais e tratores.

    Sem medo
    Moreno, da Orbia, conta que o distanciamento imposto pela pandemia intensificou tanto o interesse das empresas em vender online como dos produtores. “Sabemos que comprar insumos pela web não é tão usual para o produtor, mas a pandemia tem mudado isso.” Atenta ao movimento, a Orbia inaugurou este mês outro marketplace, de vendas de commodities por produtores, inicialmente exclusivo para soja. Até dezembro serão inclusos milho e café.

    Em que pé?
    Produtores, bancos e outros agentes estão “apreensivos” com a falta de notícias sobre a regulamentação das novas regras para o registro da Cédula de Produto Rural (CPR) determinado pela Lei do Agro. A partir de 1.º de janeiro, o registro do título usado por produtores para adquirir empréstimos deverá ser feito por entidades registradoras, como a B3, em plataforma única, e não mais em cartórios. Igor Rego, sócio em Mercado de Capitais do Cescon Barrieu, diz que o assunto está nas mãos do Conselho Monetário Nacional.

    Plano B
    Rego explica que o CMN precisa convocar audiência pública para debater os meios de viabilizar o sistema, o que ainda não foi feito. “Se não houver regulamentação até lá, acredito que ou o Executivo editará uma Medida Provisória adiando a implementação ou os produtores irão para as entidades registradoras”, afirma. “Mas continuaremos sem uma base de dados que auxilie no combate a irregularidades.”

    Para além
    A consultoria de gestão Bateleur prevê que o investimento em adubos e biotecnologia deve crescer na safra de soja 2020/21, assim como a área plantada. O estímulo vem de preços atrativos e venda antecipada em ritmo acelerado. “Para o produtor, quanto mais potencial de produzir além do que já está vendido, melhor”, diz Ernani Carvalho, sócio da Bateleur.

    Menos mal
    Sobre possíveis reestruturações no agronegócio após a covid-19, a Bateleur, que também assessora fusões e aquisições, afirma que no agro a procura é menor que em outros segmentos. “Em alguns setores, fusão ou venda é questão de sobrevivência, mas no agro a pressão para isso é menor”, diz Carvalho, sobre os efeitos da pandemia em empresas de todos os segmentos.

    Logo ali
    Os planos da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) de contar com um escritório na Ásia saem do papel ainda este mês. A abertura da sede em Cingapura, que seria em março, foi adiada pela restrição à entrada de estrangeiros. Agora, Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, obteve liberação e embarcará nas próximas semanas para comandar os trabalhos por lá.

    Pertinho
    A ideia é cravar a bandeira brasileira em outros países da Ásia, como Vietnã, Bangladesh, Indonésia e Coreia do Sul, diz Júlio Cézar Busato, vice-presidente da Abrapa. Henrique Snitcovski, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), lembra que os Estados Unidos há anos fazem marketing de sua pluma nesses países e chegou a vez do Brasil. “Queremos tornar o algodão brasileiro cada vez mais a primeira opção nos principais mercados exportadores”, diz Snitcovski.

    Aquecida
    O isolamento social no mundo, por causa da covid-19, abriu novos mercados para a M. Dias Branco. É o caso de El Salvador, para onde seguiram três carregamentos de massas – um deles de 2,4 mil toneladas. “Alguns países apresentaram dificuldades de atender à alta do consumo e recorreram ao mercado externo”, diz Gustavo Theodozio, vice-presidente de Investimentos e Controladoria da companhia.

    Fonte: O Estado de S.Paulo/Coluna Broadcast Agro

  • Nuvem de gafanhotos se reaproxima do Brasil e bombardeio de agrotóxico gera apreensão

    Uma nuvem de gafanhotos voltou a se aproximar do Brasil e do Uruguai nos últimos dias e tem causado preocupação. Autoridades brasileiras consideram que a principal forma de combater o problema é por meio do despejo de agrotóxico em direção aos insetos. Especialistas, porém, avaliam que o método é extremamente prejudicial.

    De acordo com o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa, na sigla em espanhol), uma agência do governo argentino, a nuvem de gafanhotos atualmente está na província de Entre Ríos, na Argentina, nas proximidades com o Rio Grande do Sul e o Uruguai.

    A alta temperatura do último fim de semana na região Sul do Brasil, segundo especialistas, favoreceu o deslocamento dos insetos. A estimativa é de que os gafanhotos, da espécie Schistocerca cancellata, estejam a cerca de 120 quilômetros do município gaúcho de Barra do Quaraí — uma das menores distâncias desde os primeiros alertas sobre o tema.

    Os gafanhotos chegaram à Argentina a partir do Paraguai, em meados de maio. Hoje, há nuvens dos insetos nos dois países, atacando lavouras nas regiões.

    Uma nuvem de gafanhotos pode destruir plantações. Eles se alimentam de qualquer material vegetal e podem comer o equivalente a algo entre 30% a 70% de seu peso, em algumas situações essa taxa pode subir para 100%.

    No fim de junho, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento alertou sobre a nuvem de gafanhotos que avançava em direção ao Uruguai e ao Sul do Brasil.

    Um mês depois, a pasta não descarta a possível chegada da nuvem de insetos ao Brasil. No entanto, diz que é mais provável que ela siga para o Uruguai.

    “No momento, não há nada que faça entender que a nuvem vá entrar no Brasil. Estamos acompanhando essa questão diariamente. A nuvem segue a mesma direção que tinha antes e, provavelmente, vai chegar ao Uruguai”, afirma a coordenadora-geral de proteção de plantas da Secretaria de Administração Agropecuária, Graciane Castro.

    No fim do mês passado, o Ministério da Agricultura declarou estado de emergência fitossanitária no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Estados que podem ser atingidos pelos insetos. Essa medida, que tem duração de um ano, permite a contratação de pessoal por tempo determinado e autoriza a importação temporariamente de defensivos agrícolas para combater os gafanhotos.

    Segundo o governo do Rio Grande do Sul, o plano de combate aos insetos pode contar até, caso necessário, com cerca de 400 aviões para aplicar o agrotóxico contra a nuvem.

    Para especialistas, o uso de agrotóxico é extremamente inadequado para enfrentar os gafanhotos. Eles afirmam que a medida pode causar sérios danos às pessoas e ao meio ambiente.

    A nuvem de gafanhotos
    O Senasa afirma que, apesar de ser rural, a nuvem pode se tornar urbana e chegar a vilas e cidades. Porém, os gafanhotos não afetam a saúde humana ou dos animais, pois se alimentam somente de material vegetal e não são vetores de nenhum tipo de doença.

    Na área rural, os insetos podem afetar intensamente a atividade agrícola, e, indiretamente, a pecuária, porque se alimentam de recursos usados nesta atividade. Eles também causam danos à vegetação nativa.

    Estudos apontam que pode haver 40 milhões de gafanhotos em cerca de 1 km². Segundo o governo argentino, a praga migratória pode viajar até 150 quilômetros em um único dia. O controle da nuvem é considerado complexo justamente em razão da grande capacidade de voo desses insetos.

    O governo argentino usou aviões com agrotóxicos para combater a nuvem, que chegou ao país por volta de 21 de maio. Apesar de a medida ter reduzido a quantidade de insetos, foi insuficiente para destruir completamente a nuvem de gafanhotos, que afetou duramente plantações em províncias argentinas como Santa Fé, Formosa e Chaco.

    Uma das dificuldades enfrentadas pelo governo argentino é que os insetos costumam ficar em locais de difícil acesso, o que prejudica o monitoramento diário.

    Dias atrás, a nuvem se deslocou da província de Corrientes para Entre Ríos, no sul da Argentina. A alta temperatura na região, segundo autoridades locais, facilitou a locomoção dos insetos.

    Chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, Ricardo Felicetti afirma que as autoridades do Estado estão atentas para uma possível chegada da nuvem à região nos próximos dias.

    “Até quarta-feira, as condições de alta temperatura (em Barra do Quaraí) podem influenciar a movimentação da nuvem. Mas não podemos afirmar que a nuvem vai ingressar no país. Ela pode tomar distintas direções. Porém, admitimos que pode acontecer esse ingresso”, diz Felicetti à BBC News Brasil.

    O principal temor dos produtores da região é que a nuvem de gafanhotos prejudique ainda mais as plantações, após um período de verão frustrado pela seca.

    Felicetti afirma que foi criada uma rede de vigilância sobre o tema no Estado, com auxílio em diversos municípios. “Se houver um surto de gafanhotos na região, vamos atuar rapidamente”, declara.

    “A nuvem tem muita mobilidade, então temos que agir rápido. Temos parcerias com diferentes entidades rurais para aplicação aérea e terrestre de defensivo para combatermos os gafanhotos”, acrescenta Felicetti.

    Segundo ele, há 70 aviões disponibilizados pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) para aplicar agrotóxico. Felicetti afirma ainda que o Estado do Rio Grande do Sul tem uma frota de 400 aviões que podem ser usados, caso necessário, para aplicar agrotóxico contra a nuvem de insetos. “Isso vai depender da necessidade. Todas as aeronaves do Estado foram disponibilizadas”, revela.

    Ele afirma que o agrotóxico utilizado para conter a possível chegada da nuvem de gafanhotos terá baixo impacto e será utilizado com cautela. Segundo ele, o produto será aplicado por via aérea e terrestre, apenas em áreas onde não haja residências, rios ou animais, para evitar riscos para a população local e para não contaminar áreas preservadas.

    “Esses produtos já eram usados contra a praga, mas no verão. Como estamos diante de uma situação que não é habitual, também liberaram os defensivos no atual período”, diz.

    “O uso dos defensivos é a única forma de controlar essa nuvem, tendo em vista o grande número de insetos. O estoque (de agrotóxico) que temos disponível no Estado é suficiente para essa emergência. O grande desafio é a logística envolvida para levar esses produtos para onde ocorrem os focos dessa nuvem”, acrescenta.

    Coordenadora-geral de proteção de plantas da Secretaria de Administração Agropecuária, Graciane Castro diz que não há motivos para temer um possível uso do agrotóxico contra os gafanhotos. “O produto será aplicado com segurança. É um uso excepcional de defensivos, autorizados para combater essa nuvem”, afirma.

    Os agrotóxicos que serão utilizados para um possível combate aos gafanhotos não foram especificados pelo Ministério da Agricultura até o momento. As informações, segundo a pasta, devem ser detalhadas apenas se a nuvem de insetos chegar ao país.

    “Estamos preparados para uma possível chegada dos insetos. Mas não consideramos que haja, neste momento, uma indicação de que a nuvem está vindo para o país”, declara Castro.

    Os riscos do agrotóxico
    O uso de agrotóxico para conter a nuvem de gafanhotos causa incômodo e preocupação em especialistas que estudam sobre os impactos ambientais causados pelo produto.

    “Entendo medidas desesperadas. Mas com isso vão envenenar muito mais do que os gafanhotos”, afirma o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, um dos coordenadores do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos.

    “Penso que o Estado deva buscar uma solução para induzir os gafanhotos a pousarem. No solo, causarão enorme estrago, mas poderão ser destruídos de diversas maneiras (sem o uso de agrotóxico)”, afirma.

    Especialista em entomologia, área da biologia que estuda os insetos, Mohamed Habib, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), rechaça as afirmações sobre um possível “agrotóxico seguro” para combater os gafanhotos. Ele afirma que não há um produto que não cause prejuízos ao meio ambiente e à população local.

    “Isso pode envenenar o lençol freático, rios e córregos e todo o ambiente natural. Isso também pode afetar os animais que se alimentam do pasto e o próprio ser humano, principalmente as pessoas que vivem no entorno desses lugares”, diz Habib.

    “E quem vai pagar essa tonelada de agrotóxicos? Óbvio que vão querer jogar nas costas do governo, do cidadão. Isso deveria ser responsabilidade de grandes agricultores, que destruíram vegetação e causaram isso”, critica.

    Ele relata que justamente o uso do agrotóxico em produções rurais é um dos motivos da origem da nuvem de gafanhotos. “Esses produtos matam diversos animais que se alimentam de insetos. Em razão disso, os ovos de gafanhotos, que costumavam servir de alimentos, eclodem e originam muitos novos insetos”, diz.

    A fêmea costuma depositar, em um buraco no solo, de 150 a 220 ovos de gafanhotos por ano. Com a ausência de predadores, os ovos que muitas vezes se tornavam alimentos, originam novos insetos. Assim, sucessivamente surge uma superpopulação de gafanhotos, que formam nuvens.

    Uma espécie de gafanhoto é considerada praga quando passa a disputar espaços e recursos com o homem, causar prejuízos financeiros e ameaçar a segurança alimentar de populações humanas, além de atender outros critérios (tamanho, duração do surto etc.).

    Além da questão do uso de agrotóxico, fatores climáticos como níveis de temperatura, umidade do ar, chuvas e ventos favoráveis à sua reprodução podem estar por trás da nuvem. Há também influência da prática de monocultura — muito comum no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai —, que pode eliminar predadores naturais como aves e sapos.

    “Se entendermos a causa da desgraça, podemos pensar na população e melhorar. Se continuarem destruindo a diversidade natural de plantas e animais, a população de gafanhotos não vai ser reduzida naturalmente. O voo migratório desses insetos vai continuar e outras nuvens poderão chegar ao Brasil”, diz Habib.

    Sobre a nuvem que pode chegar ao Rio Grande do Sul nos próximos dias, Habib defende que as autoridades pensem em um método que possa repelir os insetos antes que eles pousem. “Pode ser um barulho, uma cortina de fumaça ou até um tiro falso, que é um barulho assustador. Jogar veneno não adianta. Há várias medidas inteligentes que podem ser pensadas. Usar agrotóxico nessa questão é criar ainda mais problemas”, declara.

    “Uma outra alternativa é a catação manual desses insetos, com redes entomológicas. Isso pode até transformá-los em excelente ração para outros animais”, acrescenta o especialista.

    Habib defende, para o futuro, que os erros sejam corrigidos e que haja diversidade biológica em cada propriedade. “É preciso corrigir os erros sobre o agrotóxico para não repeti-los. Quando se recupera a diversidade, há um controle natural e não haverá mais surtos”, declara.

    Fonte: BBC News Brasil em São Paulo

  • Nova tecnologia vai agilizar processo de análise de solo ambiental

    Um equipamento capaz de fazer análises de solo de maneira rápida, econômica e sustentável é a novidade para o setor agrícola da startup Agrorobótica Fotônica, em parceria com a EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial). A tecnologia adotada é a mesma do robô Curiosity, utilizada pela agência espacial norte-americana NASA, em missão exploratória de solo no planeta Marte.

    A EMBRAPII tem uma linha de financiamento especial para startups com o objetivo de aumentar a competitividade delas no mercado promovendo a interação com outras empresas e beneficiando o setor industrial. Neste caso, o projeto, denominado LIBS (Laser Induced Breakdown Spectroscopy), foi desenvolvido em duas etapas. A primeira, em parceria com a Embrapa Instrumentação e, a segunda, com pesquisadores da USP, da Unidade EMBRAPII – Instituto de Física de São Carlos (Universidade de São Paulo).

    O equipamento vai medir a quantidade de nitrogênio, micronutrientes e contaminantes em amostras de solos, plantas e fertilizantes. A tecnologia atua por meio de um laser de alta energia que focalizado sobre a superfície da amostra, gera um microplasma que fragmenta as moléculas possibilitando a análise detalhada dos elementos.

    A inovação é pioneira para utilização agroambiental em larga escala para fins comerciais. A estimativa é que ela analise mais de 500 amostras por dia e ainda traz conceitos de sustentabilidade, pois não gera resíduos químicos. Para se ter uma ideia, um laudo completo de análise de amostra pode ser obtido em torno de 15 minutos, enquanto no método tradicional leva cerca de 15 dias.

    Desta forma, o agricultor poderá elevar sua rentabilidade, pois 60% do aumento da produtividade corresponde a correta nutrição das plantas e 22% do custo-de-produção dos agricultores corresponde à corretivos e fertilizantes.

    Segundo Aida Bebeachibuli, da startup Agrorobótica, spinoff da Embrapa Instrumentação, a inovação é de extrema importância para o agronegócio, uma vez que atualmente não há outro técnica similar que faça essa medida de forma direta. Com os dados mapeados, agrônomos e produtores rurais poderão tomar decisões mais efetivas no cultivo. “Uma das vantagens é a velocidade de processamento de amostras e o baixo custo de análise, quando comparado com os métodos de referência em que são necessários em torno de 13 procedimentos químicos diferentes, gerando muitos resíduos.”

    Para o coordenador do projeto, Fábio de Angelis, a população mundial vai alcançar 10 bilhões de pessoas em 2050, necessitando um aumento de produtividade de 70% das principais culturas agrícolas. Isto só será possível com a digitalização dos mapas nutricionais de solos e plantas, uma vez que a correta nutrição das plantas responde por quase 60% da produtividade total das culturas agrícolas.”

    Apoio para startups
    A EMBRAPII é uma organização social que tem contrato de gestão com o Ministério da Educação (MEC), de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e Saúde. Em seis anos de operação, já apoiou quase 1000 projetos em parceria com empresas nacionais de diferentes portes e segmentos, totalizando R﹩ 1,5 bilhão em investimentos.

    Em seu modelo de negócio, os valores dos projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) são divididos entre a instituição, as Unidades EMBRAPII (centros de pesquisa credenciados) e a empresa demandante. Os recursos aportados são não reembolsáveis. No caso de projetos com startups, há linhas especiais de financiamento que diminuem a contrapartida das empresas e aumentam as facilidades para inovar. A instituição conta ainda com acordo com o Sebrae que amplia a abrangência dos recursos aportados para micro e pequenas empresas. O objetivo é que os empreendedores também possam desenvolver e compartilhar suas propostas tecnológicas ganhando competitividade no setor produtivo.

    Fonte: Notícias Agricolas

  • Trigo: Preços da nova safra estão se definindo

    Os preços de safra nova estão se definindo nos primeiros negócios, de acordo com a T&F Consultoria Agroeconômica. Dentre os fatores de alta, se destacam o mercado internacional com a redução de área em vários países produtores e as condições das culturas de primavera e o Brasil com a falta de matéria prima da safra velha e a manutenção da demanda por farinhas.

     

    Entre os fatores de baixa, a consultoria destaca as ações acima do esperado no mercado internacional, que tem estoques abundantes previstos para 2020/2021 e a entrada da safra nova do Brasil, com a queda no preço das farinhas. “Os preços do trigo no mercado internacional são sustentados pela redução do potencial produtivo dos principais países produtores e exportadores”, comenta a consultoria.

    “Na França, sua produção deve cair 21% e 43% em suas exportações devido à produção da Austrália. Trigo de inverno nos EUA está cada vez mais escassos e o USDA reduzir a condição de culturas de primavera abaixo esperado pelo mercado. Na Rússia, as principais consultorias continuam a cortar seus previsões de produção. Argentina e Mar Negro também apresentam problemas. De qualquer forma, tudo a favor das cotações”, completa.

    Além disso, o dólar deprimido e o aumento de US$ 6/t na licitação do Egito em meio à colheita do hemisfério norte vieram fechar este contexto favorável. “No Brasil, no que resta da safra velha, temos a falta de estoques disponíveis, devido à antecipação do uso, provocada pelo excesso de demanda nos meses de março a julho. Muitos moinhos já estão praticamente sem matéria prima, recorrendo à compra de farinhas de outros moinhos para atenderem aos seus clientes”, indica.

     

    Fonte: Agrolink

  • Veja o que pode mexer com os preços da soja

    A pandemia de Covid-19 permanece com pano de fundo para os mercados mundiais, de acordo com a consultoria Safras. No mercado de soja, os players acompanham também questões fundamentais envolvendo a oferta e a demanda, com destaque para o clima para o desenvolvimento da nova safra dos Estados Unidos e os movimentos da demanda chinesa.

    O analista Luiz Fernando Roque detalhes os fatos que podem mexer com o mercado da oleaginosa na semana:

    O lado financeiro começa a perder um pouco do peso negativo da pandemia, com sinais de que “o pior já passou”. Apesar disso, ainda há incertezas com a retomada da economia mundial, e também com relação a uma possível segunda onda da doença ao redor do mundo;

    De qualquer maneira, os mercados parecem trabalhar em um ambiente um pouco mais tranquilo, o que também inclui Chicago;

    Os players olham com atenção para o clima sobre o cinturão produtor norte-americano. O mercado climático começa a ganhar cada vez mais força, e é tradicionalmente marcado por grande volatilidade;

    A piora nas condições das lavouras norte-americanas na segunda semana de julho trouxe algum fôlego para os contratos futuros em Chicago. Apesar disso, o rompimento da linha de US$ 9 não é tarefa simples, e se o clima e as condições voltarem a melhorar, podemos ter novos ajustes negativos, mesmo que pontuais;

    No lado da demanda, a China continua aumentando gradativamente suas compras de soja norte-americana. É fundamental que essas compras continuem aumentando, e a tendência é que a partir de agosto/setembro os volumes envolvidos sejam mais relevantes;

    A demanda pela soja norte-americana é fator decisivo para o mercado nos próximos meses. Sem a ajuda desse fator, não deveremos ver Chicago firmando-se acima da linha de US$ 9;

    O momento é positivo no lado das tensões, com ausência de notícias negativas. Tudo indica que a China ainda tentará honrar o acordo assinado em janeiro, mas o mercado deve ficar atento ao que acontece nos mares asiáticos, onde a questão geopolítica entre EUA e China começa a chamar a atenção.

    Fonte: Canal Rural

  • Milho abre a semana com leve alta na B3

    O avanço na colheita da segunda safra brasileira e as quedas nos preços internacionais e na região dos portos frearam o ritmo de alta nos valores do milho em muitas praças acompanhadas pelo Cepea. Vale lembrar que, até então, a valorização nos portos vinha sustentando os preços domésticos. No geral, compradores consultados pelo Cepea estiveram mais ativos nas aquisições apenas no início da semana, no intuito de esperar uma maior entrada de lotes da segunda safra. Muitos também estão recebendo o milho negociado antecipadamente. Do lado vendedor, os recuos externos e do dólar reduziram o interesse em negociar lotes para exportação. No geral, esses agentes priorizam o cumprimento de contratos, atentos à paridade de exportação. Diante disso, as negociações têm sido pontuais. Na região de Campinas (SP), consumidores seguem relatando dificuldade logísticas e/ou atraso em algumas entregas.

    Fonte: Cepea