Eduarda Pereira

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  • Quem desmata a Amazônia são “bandidos da floresta, não o produtor”, diz Tereza Cristina

    Em entrevista exclusiva à Revista GLOBO RURAL, a deputada federal Tereza Cristina, que assume em janeiro o Ministério da Agricultura, disse que não se pode associar a imagem do produtor brasileiro ao desmatamento e à destruição da Amazônia. “O produtor rural não faz isto. Quem faz isso são pessoas que estão na ilegalidade. São bandidos que estão lá para roubar a floresta, para não pagar imposto. Essa não é uma característica do produtor brasileiro”, disse a futura ministra.

    Segundo ela, o que o Brasil ocupa para a agricultura e a pecuária é pouco se comparado à área preservada. “Só que tudo isso tem custo. Hoje o produtor brasileiro tem que preservar e não recebe nada por isto”, disse Tereza Cristina.

    Dados divulgados ontem (26/11) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, com base em imagens de satélites, mostram um aumento de 13,7% da área desmatada na região, entre agosto de 2017 e julho de 2018 em comparação com o período anterior. Foram destruídos 7,9 mil quilômetros quadrados, a maior área registrada desde 2008.

    Fonte: Globo Rural

  • Colheita do trigo atinge 97% da área no Rio Grande do Sul

    Produtores gaúchos estão finalizando a colheita da safra de trigo 2018. Segundo informou a Emater, os dias ensolarados favorecem os trabalhos de campo e a retirada do cereal atinge 97% da área.

    De acordo com a empresa, nos Campos de Cima da Serra, última região onde o trigo é semeado no Estado, as lavouras se encontram na fase de enchimento de grãos e maturação. No geral, a produtividade varia bastante, com média abaixo do estimado, de 2,2 toneladas por hectare a 3,3 t/ha e peso hectolitro em torno de 75.

    Leia a notícia na íntegra no site do Globo Rural.

    Fonte: Globo Rural

  • Entregas de adubos cresceram 3,9% no país no acumulado de 2018

    De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), as entregas de fertilizantes totalizaram 4,06 milhões de toneladas no Brasil em outubro deste ano.

    O volume foi 4,4% menor que o entregue no mês anterior, mas aumentou 1,6% em relação ao mesmo mês de 2017.

    Com exceção de janeiro e maio (greve de caminhoneiros), em todos os outros meses o volume entregue foi maior, na comparação com o ano passado.

    No acumulado de janeiro a outubro foram entregues 29,92 milhões de toneladas de fertilizantes no país, 3,9% mais que no mesmo período de 2017.

    A expectativa da Scot Consultoria é de que as entregas totalizem entre 35,5 milhões e 36 milhões de toneladas em 2018, o que seria um recorde.

    O recorde até então foi em 2017, quando as entregas de adubos somaram 34,44 milhões de toneladas.

    Com relação aos preços, a menor movimentação neste período, do lado das vendas, e estoques de passagem nas indústrias são fatores de baixa para as cotações.

    Fonte: Scot Consultoria

  • Soja recua na Bolsa de Chicago nesta 2ª feira e foco sobre guerra comercial permanece

    Os preços da soja caem nesta segunda-feira (26) na Bolsa de Chicago. Começando a semana em que voltam a se encontrar Donald Trump e Xi Jinping na Argentina, durante a reunião do G20, o mercado parece manter seus ajustes antes do encontro e a guerra comercial entre China e Estados Unidos continua como foco de atenção central dos traders.

    A sessão desta segunda é, portanto, a segunda consecutiva de baixas, com as cotações recuando entre 6 e 6,25 pontos nos principais vencimentos, com o janeiro/19 valendo US$ 8,74 e o maio/19 sendo cotado a US$ 9,02 por bushel.

    Segundo acreditam analistas internacionais, a disputa comercial entre China e Estados Unidos deve continuar e a colheita acontecendo antecipadamente no Brasil nesta temporada – com alguns estados podendo começar a colher já na segunda metade de dezembro – poderá continuar atraindo as compras chinesas, que já são intensas por aqui.

    Ao mesmo tempo que esse movimento se intensifica, a colheita norte-americana vai se concluindo e os estoques de soja nos EUA, aumentando.

    O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz, no final do dia de hoje, a atualização da evolução dos trabalhos de campo – que em determinados pontos do Corn Belt ainda sofre com o clima severo e a neve já provocando alguns problemas – bem como a atualização dos embarques norte-americanos de grãos.

    Os números poderão, mas somente pontualmente, mexer com a direção dos preços, na CBOT, com as atenções se voltando, na sequência, à disputa comercial China x EUA.

    Fonte: Notícias Agrícolas

  • Soja: safra do Brasil tem potencial para recorde de 129 mi t, diz Agroconsult

    A produção de soja do Brasil na temporada 2018/19 tem potencial para atingir um recorde de 129 milhões de toneladas, após a safra ter tido o seu melhor início da história no atual ciclo, com um clima favorável, previu a Agroconsult.

    Tal potencial produtivo poderia se confirmar se as condições climáticas continuarem boas, e dependendo dos investimentos feitos pelos produtores nas lavouras, afirmou o sócio-diretor da consultoria André Pessôa.

    Considerando uma linha de tendência histórica, a produção de soja do Brasil, maior exportador global da oleaginosa, poderia atingir na safra atual os mesmos 120 milhões de toneladas da temporada anterior (2017/18).

    Contudo, com a expectativa de aumento de 3 por cento na área plantada na comparação com o ciclo anterior, para 36,2 milhões de hectares, a safra poderia atingir 123 milhões de toneladas, na hipótese de as produtividades médias de 2017/18 se repetirem.

    As exportações no ano calendário 2018 foram estimadas em 82,1 milhões de toneladas, um recorde histórico em meio à disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, que tem favorecido o Brasil.

    No ano passado, os embarques brasileiros somaram 68,5 milhões de toneladas.

    Para 2019, quando será escoada a produção deste ano, a expectativa de exportação é menor, de 73,2 milhões de toneladas, uma vez que o Brasil iniciará o ciclo com estoques baixíssimos, comentou Pessôa, durante apresentação feita em evento da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

    Para o analista, é improvável que os embarques brasileiros no próximo ano superem os de 2018.

    “Não vai haver praticamente grãos restantes”, disse ele, referindo-se aos baixos estoques, após exportações volumosas em 2018, com os chineses evitando a soja norte-americana.

    Ele observou que alguns operadores estão cautelosos, evitando tomar posições para novas vendas antecipadas de soja, devido às incertezas geradas pela guerra comercial EUA-China.

    Se os dois países chegarem a um acordo, a importação chinesa poderia voltar-se para os EUA.

    De todo modo, ele disse acreditar que o cenário é favorável para 2019/20, comentando que o plantio no Brasil poderia crescer 3 por cento.

    MILHO
    A Agroconsult também projeta uma grande safra de milho no Brasil na safra 2018/19, com 95,3 milhões de toneladas, contra 80,8 milhões de toneladas na safra anterior, quando o clima não favoreceu as produtividades.

    As exportações brasileiras de milho devem subir para 31 milhões de toneladas no próximo ano, contra 22 milhões de toneladas projetadas para 2018, retomando um patamar visto em 2017.

    O Brasil tem sido o segundo maior exportador de milho em anos de boas safras.

    Apesar da grande safra, o país já produziu maiores volumes do que os esperados para a temporada atual —98,7 milhões de toneladas de milho na safra 2016/17, segundo a Agroconsult.

    Fonte: Reuters

  • Tecnologia no campo

    A falta de conectividade no meio rural é o principal desafio para o desenvolvimento da agricultura de precisão no Brasil, disse o diretor do Grupo de Soluções Inteligentes (GSI) da John Deere para a América Latina, Nick Block, que participou do Summit Agronegócio Brasil 2018.

    Segundo Block, grande parte dos benefícios criados pela tecnologia é perdida pela falta de conectividade nas lavouras. “Sem conectividade ficamos limitados mesmo com os avanços tecnológicos.”

    Dados apresentados por Guilherme Raucci, diretor de Sustentabilidade da Agrosmart, também presente ao evento, mostram que apenas 14% das lavouras brasileiras estão conectadas. No caso dos Estados Unidos, Block estima que cerca de 80% das fazendas tenham acesso à internet.

    “O problema da conectividade é enorme e gera, sim, dificuldades. Desde a rastreabilidade de máquinas até barreiras à inovação”, ressalta Marcio Albuquerque, presidente da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão. “Uma startup que quer fazer algo baseado em celular tem de levar em conta, desde o início, que aquele aparelho pode não ter acesso à internet.”

    No caso da John Deere, Block ressalta que a empresa precisou desenvolver soluções específicas para a realidade brasileira, como o armazenamento de dados pelas máquinas.

    Embora os custos adicionais para o desenvolvimento dessas tecnologias sejam classificados como “moderados”, o executivo destaca que a falta de conectividade reduz a capacidade de resposta em tempo real do produtor a qualquer problema observado no trabalho em campo, levando a uma agricultura de precisão “incompleta” quando comparada à de outros países.

    Processo lento. O mesmo problema é apontado pela Taranis Brasil, que desenvolve soluções de inteligência artificial para a identificação de pragas e doenças em lavouras. Segundo Georgia Palermo, gerente-geral da empresa, a transmissão de dados por mídias físicas pode levar de algumas horas a até dias em casos de fazendas mais isoladas, retardando a adoção de decisões estratégicas.

    “Se identificamos uma doença cuja orientação é a aplicação de algum defensivo, em dois dias pode haver uma mudança climática que prejudique ainda mais a situação do agricultor”, explica. Além disso, o custo de transmissão de dados por mídia física também é um fator que encarece a adoção da tecnologia.

    Para Albuquerque, a solução para a falta de conectividade no País passa por três pilares: político, tecnológico e econômico. “Vemos articulações de vontade política e tecnológica começando a surgir, mas, do ponto de vista econômico, o problema não está equacionado”, diz o presidente da CBAP. Segundo ele, o menor volume de dados esperados para o meio rural torna a expansão da rede para o interior do País menos atrativa.

    A saída encontrada pelas empresas tem sido trabalhar com os dados internos produzidos pela fazenda. “Conseguimos integrar informações de outras fontes, como máquinas, imagens feitas por drones ou por satélites, sem esquecer dos dados que os produtores podem fornecer”, aponta Raucci, da Agrosmart.

    A empresa desenvolveu uma rede de comunicação própria por rádio que transmite os dados da lavoura até um ponto final conectado, mas ainda esbarra na falta de uma base de dados consolidada. “O Brasil sofre com um apagão de dados, principalmente temporal. Ainda não temos um histórico de dados para trabalhar com as ferramentas que temos hoje”, ressaltou Raucci.

    Outro problema é o desestímulo à adoção de novas tecnologias por parte dos produtores rurais. “O produtor não vai adotar uma tecnologia só porque é nova, ele quer a solução no bolso”, lembra Daniel Trento, gerente de Inovação da Embrapa. Para ele, a conectividade é um problema de infraestrutura que se soma a outros gargalos do País, como portos e estradas.

    Produtor ainda resiste à agricultura de precisão no País
    A agricultura de precisão ainda esbarra na baixa adoção por parte do produtor brasileiro, segundo apontou o presidente da CBAP, Marcio Albuquerque. Ele estima que cerca de 20% da agricultura adote sistemas de precisão, índice considerado expressivo, mas abaixo do ideal.

    Entre os desafios, destaca a falta de conhecimento dos produtores e de incentivos de mercado. “Precisamos levar treinamento para mão de obra qualificada e criar acesso a linhas de crédito. Por que o produtor que adota todas as tecnologias possíveis tem o mesmo seguro rural do que o que não adota?”

    Pecuária. Daniel Trento, gerente de Inovação da Embrapa, tem a mesma opinião. Para ele, a Embrapa tem buscado aproximar desenvolvedores de tecnologias e a pecuária para encontrar soluções para a atividade. “O produtor quer a solução que atenda à sua necessidade.

    Converso muito com startups, mas não adianta levar solução com a mesma mentalidade da cidade.” No caso da pecuária de corte, Trento ressalta que já existe movimentação de frigoríficos em busca de soluções para rastreabilidade e sanidade animal. Segundo ele, “a capacidade de responder a questões sanitárias será um dos eixos para soluções pecuárias no futuro”.

    O presidente da Climatempo, Carlos Magno, alertou para a falta de estações meteorológicas no País – 500 aqui ante 25 mil nos EUA. “Temos um bom material nas universidades, mas sem investimento na conectividade com as estações das fazendas”, disse.

    Fonte: O Estado de S.Paulo

  • “A Agricultura Digital é uma tendência”, diz Sérgio Barbosa, da EsalqTec

    O aumento da população, no Brasil e no mundo, gera a necessidade de expandir consideravelmente a produção de alimentos no País nas próximas décadas. O desafio nesse processo é produzir mais em menor espaço e com bom uso dos recursos naturais.

    É nesse contexto que deve crescer a importância da agricultura digital e das ciências biológicas, conforme explica Sergio Markus Barbosa, gerente-executivo da EsalqTec. “A agricultura digital hoje é uma tendência”, afirma. “Ela é uma união entre a agricultura de precisão, Internet das Coisas e os sites de conectividade”.

    Esse contexto motivou três profissionais de Piracicaba a lançar uma campanha – o AgTech Valley, ou Vale do Piracicaba. O maior objetivo da iniciativa é fortalecer a identificação da sociedade local com o ecossistema tecnológico da cidade e, assim, estimular o desenvolvimento da região.

    Os outros idealizadores da iniciativa são o empresário José Augusto Tomé, do coworking CanaTec, e o professor Mateus Mondin, presidente do Conselho Deliberativo da ESALQTec.

    A EsalqTec completou 10 anos de existência neste mês. Atualmente, 67 empresas – entre associadas e residentes – têm parcerias com a incubadora da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”.

    Ao redor da EsalqTec, há um ecossistema de startups de agronegócios em franco desenvolvimento, o que coloca Piracicaba como protagonista desse movimento.

    Fonte: portal Startagro

  • Tecnologia a serviço do agronegócio

    O clima já não é mais um dos principais influenciadores da produção agrícola. Segundo pesquisa da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, de sete fatores, o clima fica com apenas 27% da responsabilidade pela qualidade da safra. Em compensação, dois terços dos resultados de produtividade das lavouras dependem de condições que podem ser controladas pelo produtor rural. E é justamente nesse espaço que entra em cena a tecnologia no campo. Por meio dela, é possível melhorar a precisão, aumentar a produtividade e reduzir os custos.

    Outro dado que devemos considerar é o aumento da população. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), até 2050 chegaremos a 9,6 bilhões de pessoas no mundo, e para conseguirmos atender a essa demanda por alimentos, estima-se que a indústria agrícola precisará produzir uma quantidade de comida 70% maior. Aqui, novamente, a tecnologia aparece com caráter fundamental para ajudar o país a explorar todo seu potencial.

    Neste sentido, uma verdadeira revolução digital tem invadido as propriedades rurais. São as agtechs ou as agrotechs, startups especializadas em desenvolver soluções voltadas para o agronegócio. Com alta tecnologia investida, elas permitem a geração de dados que podem ser utilizados pelo agricultor de forma estratégica na gestão de sua propriedade, aumentando o rendimento e a sustentabilidade. Com as startups juntam-se investidores, incubadoras, aceleradoras, instituições de pesquisa e desenvolvimento e universidades que formam um verdadeiro ecossistema de inovação em prol do agronegócio gaúcho e brasileiro.

    No Rio Grande do Sul, algumas destas empresas já estão contribuindo para este novo cenário. Dispositivos conectados, uso de inteligência artificial e big data são algumas das tecnologias aplicadas para resolver problemas reais desta cadeia que vai do campo à mesa. E não apenas as grandes propriedades têm condições de usufruir destes dispositivos. O pequeno e o médio agricultor também podem, e devem, adotar as novas tecnologias.

    Somos um dos principais produtores mundiais de alimentos e o agronegócio continua tendo peso significativo em nosso Produto Interno Bruto. Com a contribuição das startups e outras tecnologias, reunimos as condições para seguirmos em posição privilegiada na nova agricultura digital.

    Por Derly Fialho, diretor-superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Rio Grande do Sul (Sebrae/RS)

  • Soja: Com safra adiantada, país pode ter maior custo com ferrugem

    O Brasil tem visto focos do fungo da ferrugem asiática da soja em maior número e mais cedo neste ano, na esteira do plantio da oleaginosa mais rápido da história, o que indica a possibilidade de maiores custos para produtores controlarem a doença na safra 2018/19. Além disso, diante de uma maior presença da doença, o setor pode ficar mais sujeito a perdas pela ferrugem, caso erre nas aplicações, disse a pesquisadora Claudine Seixas, da unidade especializada em soja da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em Londrina (PR).

    A ferrugem da soja é a doença que mais exige investimentos dos agricultores. Ao todo, o custo com o fungo gira em torno de 2 bilhões de dólares por ano, sendo a maior parte em gastos com aplicações de fungicidas e uma fatia menor de perdas de produtividade.

    “Este talvez seja um ano em que o gasto seja maior. Com a doença chegando mais cedo, corre-se o risco de ter um pouco mais de perda, mas são só hipóteses”, declarou Claudine à Reuters, por telefone.

    Até o momento, o chamado consórcio antiferrugem, uma parceria público-privada que envolve pesquisadores, já registrou 17 focos da ferrugem em áreas de cultivo comerciais, enquanto no mesmo período do ano passado havia somente uma ocorrência.

    A maior pressão da ferrugem no Brasil, maior exportador mundial, acontece em uma safra em que os Estados do Sul estão sendo atingidos por mais chuvas, em meio indicações de desenvolvimento do fenômeno climático El Niño, que traz mais umidade para tais regiões.

    O fungo avança com mais facilidade em anos mais chuvosos e quentes. No ano passado, ao contrário, a semeadura foi mais lenta especialmente no Paraná, segundo Estado produtor brasileiro, por conta de uma seca em setembro.

    Este ano, ao contrário, choveu bem mais cedo e depois as chuvas foram muito acima da média também em outubro. Foi tanta umidade que houve até uma reversão no ritmo de plantio, que passou a ficar mais lento.

    “Tivemos bastantes chuvas, o que favorece o fungo. Iniciamos a safra chuvosa, e quem conseguiu semear no intervalo das chuvas, conseguiu semear bem cedo… Se pensar em época do ano, em termos de data, foi a ferrugem que tivemos mais cedo. Nunca tivemos ocorrência (do fungo) em área comercial tão cedo no Paraná”, destacou Claudine.

    Ela explicou que, com o plantio de soja precoce este ano, de maneira geral a ferrugem apareceu em fases mais adiantadas das lavouras, quando ela costuma mesmo surgir.

    E alerta para possível maior pressão do fungo, com a “desuniformidade” na semeadura. Enquanto alguns produtores começaram muito cedo, em setembro, outros ainda estão plantando.

    “Isso acaba não sendo muito favorável, ela (ferrugem) já está produzindo inóculo do fungo para as regiões que semeiam mais tarde”, comentou a pesquisadora.

    Esse cenário de mais focos também dependerá das condições climáticas ao longo da safra. “Depende muito do clima, se houver um veranico (tempo mais seco), se não favorece a soja, desfavorece a ferrugem também.”

    Para a segunda quinzena de novembro, as condições climáticas devem seguir favoráveis para o disseminação do fungo na maior parte do país, cujas principais áreas agrícolas devem receber chuvas acima da média.

    No Paraná, que concentra os casos de ferrugem, com 13 focos, as precipitações ficarão praticamente dentro da média em parte do Estado e acima do histórico em outros, até o final do mês, de acordo com dados do Agriculture Weather Dashboard, do Refinitiv Eikon.

    A pesquisadora disse ainda que os produtores deverão ficar atentos ao aparecimento da doença, para realizar as aplicações logo que surgir.

    “Uma safra como esta, em que ela apareceu mais cedo, pode ter pego o agricultor desprevenido. A primeira aplicação é de fato muito importante, e não é fácil acertar o momento.”

    Dessa forma, ela comentou que é importante que o produtor não queira “calenderizar” as aplicações, quando faz o trabalho apenas com base na fase da lavoura ou do período do ano.

    “O fungo é muito agressivo, o ciclo da doença é muito rápido, o ideal é pegar bem no comecinho…”

    Com o plantio já caminhando para a parte final dos trabalhos no Brasil, o mercado em geral aposta em uma safra recorde superior a 120 milhões de toneladas, um volume levemente acima do esperado pelo governo.

    O plantio da soja 2018/19 no Brasil chegou a 82 por cento da área total até quinta-feira, avanço de 11 pontos percentuais ante a semana passada, mantendo o ritmo como o mais rápido já registrado, disse a AgRural na sexta-feira (16/11).

    A safra está à frente dos 73 por cento no ano passado e dos 67 por cento na média de cinco anos, segundo a consultoria.

    Fonte: Reuters