Rosaura Bastos Bellinaso

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  • O solo é vida, que precisa ser preservada

    O solo é um patrimônio, cujo valor depende da sua capacidade de oferecer um ambiente mais ou menos propício para o desenvolvimento das plantas.  Visto a olho nu, o solo parece um corpo inerte e sem vida.

    Nada, no entanto, é mais vivo do que um solo fértil. Os seres vivos que o habitam, embora em sua maioria invisíveis a olho nu, estão presentes aos milhões em cada centímetro cúbico de matéria. São invisíveis porque são minúsculos, daí serem denominados de micro-organismos.

    No entanto, para que esses micro-organismos sobrevivam no solo e desempenhem seu importante papel de dar-lhe vida, eles precisam da presença de água para sobreviver, de material orgânico para se alimentar e de ar para respirar. Para que isto aconteça, o solo precisa da presença de muita matéria orgânica, a qual confere maior capacidade de retenção de água das chuvas, dificulta a sua compactação e o deixa mais poroso.

    Solo poroso disponibiliza muito ar para a respiração dos micro-organismos e facilita o aprofundamento do sistema radicular das plantas. Se bem há microrganismos indesejáveis habitando o solo (fungos e bactérias, entre outros), a quantidade de micro-organismos benéficos é muito maior; incluindo fungos e bactérias benéficos.

    O manejo adequado destaca-se entre as estratégias que conferem maior qualidade ao solo. Bem manejado, o solo não apresenta compactação, encharcamento ou erosão e plantas conseguem, em períodos de baixa precipitação pluviométrica, suportar deficiências hídricas sem perdas ou com perdas reduzidas.

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    Os solos menos férteis do planeta são encontrados nas regiões tropicais, onde as elevadas temperaturas aceleram a decomposição da matéria orgânica, desfavorecendo o seu acúmulo e a vida dos micro-organismos.

    A formação de abundante palhada, com a rotação adequada de culturas, incrementa o índice de matéria orgânica no solo, o que promove a vida microbiana e a capacidade produtiva desses solos. Solos degradados, baixa produtividade e pobreza, caminham juntos.

    Um passo gigante no manejo e conservação do solo no Brasil foi dado na década de 1970, com a adoção do Sistema de Plantio Direto na palha (SPD). Inicialmente, esse sistema caminhou muito lentamente, só deslanchando na década de

    1990, ou seja, 20 após seu estabelecimento. O novo sistema, desde de que bem conduzido, incrementa o índice de matéria orgânica do solo e evita a erosão da camada superficial, a mais rica em nutrientes.

    A lenta adoção do SPD durante os primeiros 20 anos deveu-se à desinformação sobre a nova técnica de cultivo, a falta de maquinários apropriados para o manejo da palhada e o desconhecimento sobre como manejar os herbicidas sob as novas condições de cultivo.

    Também, havia dúvidas dos produtores quanto às vantagens produtivas de utilizar a nova técnica, visto que a produtividade pode cair durante os primeiros anos de implantação do sistema (3 a 5 anos), para depois aumentar contínua e consistentemente.

    O monocultivo ou a repetição continuada de um sistema de sucessão, como soja-trigo ou soja-milho safrinha, degrada química, física e biologicamente o solo, com a consequente perda de produtividade no correr dos anos, além de incrementar a presença de pragas, doenças e plantas daninhas.

    Quanto mais fértil um solo, mais rico em vida, cuja intensidade se traduz em mais produtividade.

    Por: Amélio Dall’Agnol – Pesquisador Embrapa Soja

  • Plantio Direto: um avanço tecnológico incomparável

    Quem já era agricultor nos anos 70, dificilmente se esquecerá das visões chocantes das enxurradas que arrastavam ladeira abaixo a camada mais fértil da sua lavoura, abrindo voçorocas pelo caminho e assoreando rios, lagoas e reservatórios de hidrelétricas. Era prática corrente nessa época o agricultor iniciar as operações de preparo do solo para o plantio das culturas da temporada (soja e milho, principalmente) no final do inverno e início da primavera.

    O campo era lavrado e gradeado – uma ou duas vezes – deixando a camada superficial do solo pulverizada. Vinham as chuvas intensas de primavera e estimadas 20 toneladas/ha de solo superficial eram arrastadas para a parte mais baixa da lavoura. Perdia-se a camada mais fértil do solo. Uma lástima.

    No início da década de 1970, no entanto, alguns agricultores pioneiros do Paraná (Rolândia, Castro e Ponta Grossa) deram início ao estabelecimento de uma prática nova de fazer agricultura, a qual dispensava o uso do arado e da grade previamente ao plantio, cujas sementes era depositadas diretamente sobre a palhada da cultura anterior. Iniciava-se a prática do Sistema de Plantio Direto (SPD) no Brasil.

    A partir dessa iniciativa, transcorreram cerca de 20 anos (início da década de 1990) até que o sistema se estabelecesse em definitivo como uma das ferramentas tecnológicas mais impactantes para o desenvolvimento agrícola brasileiro. O começo foi difícil, dada a falta de máquinas apropriadas para o cultivo direto e pelo alto custo dos herbicidas – glifosato, principalmente, muito utilizado na dessecação pre-plantio da lavoura. No início da década de 1990, no entanto, a vigência da patente do glifosato venceu e o preço caiu significativamente, estimulando o avanço na adoção do SPD.

    O SPD tem enormes vantagens sobre o convencional. Além de reduzir significativamente a erosão da camada superficial do solo – a mais rica em nutrientes – ele possibilita antecipar o cultivo das lavouras da primavera/verão, principalmente a 2ª safra do milho e do algodão, mas, também, da 1ª safra da soja e do milho nas regiões onde se cultivam cereais de inverno.

    Outra vantagem do sistema, não menos importante, é o efeito da palhada deixada sobre o solo no controle de plantas daninhas, na redução do impacto das gotas de chuva sobre os agregados do solo e na redução da perda de umidade do solo coberto pela palhada, permitindo que estiagens moderadas sejam melhor suportadas pelas culturas.

    Mais de 100 milhões de hectares (Mha) são cultivados no SPD no mundo. EUA, Brasil, Argentina, Canadá, Austrália e Paraguai, pela ordem, são os países que mais o utilizam. No Brasil, o SPD é utilizado em mais de 32 Mha ou cerca de 50% da área cultivada do país. No estado do Paraná, seu uso alcança 90% da área cultivada.

    Em países com invernos muito frios, o SPD é limitado pela necessidade de revolver-se o solo para aquece-lo e, assim, possibilitar a germinação das sementes na primavera.

    Mas nem tudo são flores com o uso do SPD. É importante esclarecer que o sistema precisa vir acompanhado das boas práticas associadas ao sistema: não revolvimento do solo, rotação de culturas e formação de abundante palhada de cobertura. Muitos produtores afrouxaram as rédeas e estão mexendo no solo com o objetivo de descompactá-lo, calcareá-lo ou eliminar invasoras resistentes e, pior, estão reduzindo ou eliminando os terraços para facilitar a operação das máquinas, cada vez maiores. E pior, estão operando as máquinas no sentido da declividade do terreno, com o objetivo de facilitar as operações de tratos culturais: distribuição dos agrotóxicos, principalmente. Resultado: a erosão está voltando e o patrimônio e lucro do agricultor está escoando pelas voçorocas.

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    A rotação de culturas é uma exigência para um manejo correto do SPD. O cultivo do milho depois da soja, no mesmo ano agrícola ou em anos consecutivos, não é rotação, é sucessão. Mas, se bem essa prática não corresponda à rotação desejada, o cultivo da braquiária em consórcio com o milho safrinha ameniza a prática indesejada, de vez que ela incrementa a formação de abundante palhada que promove uma maior cobertura do solo, que retarda os efeitos de uma eventual escassez de chuvas.

    Segundo estudos da Embrapa, o consórcio milho/braquiária reduz em 50% o tempo necessário para que o solo acumule 1% de matéria orgânica, em comparação com o milho safrinha sem braquiária. Dado o sistema radicular abundante da braquiária, ela ajuda na descompactação do solo e na infiltração da água das chuvas, além de incrementar o volume de palhada protetora sobre o solo.

    Antes da implementação do SPD, a construção de terraços nas lavouras era a principal estratégia do agricultor para o controle da erosão do solo. O SPD não veio para substituir os terraços, mas para integrar-se a eles no processo de manejo e conservação do solo.

    Considerando ser desaconselhado o revolvimento do solo após estabelecido o SPD, a correção do solo com calcário deve ser realizada antes de estabelecer o Sistema. Após vários anos de cultivo pode haver necessidade de repetir a calagem, para o que se recomenda aplicá-lo a lanço, sobre a superfície do solo.

    O avanço do milho safrinha, hoje a safra principal (28 milhões de toneladas na safra e 69 milhões de toneladas na safrinha, em 2019), é consequência do estabelecimento do SPD.

    Por: Amélio Dall’Agnol

  • Nitrogênio complementar e irrigação como ferramenta para aumento de produtividade na cultura da soja

    O experimento foi realizado em Guarapuava-PR, com o objetivo de avaliar os efeitos da aplicação de nitrogênio complementar na produtividade e nos componentes de rendimento da cultura da soja na ausência ou presença de estresse hídrico.

    O trabalho foi conduzido no delineamento experimental de blocos casualizados com quatro repetições em esquema fatorial 2 x 2, sendo dois sistemas de condução da lavoura (com e sem irrigação) e dois manejos de N complementar (com e sem adubação nitrogenada complementar).

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    As variáveis analisadas foram: produtividade, massa de mil grãos, número de ramos produtivos por planta, número de vagens por planta e número de grãos por planta.

    Autor: Fabiano Pacentchuk, Itacir Eloi Sandini, Margarete Kimie Falbo, Mikael Neumann, Felipe Pozzan

    Veja na integra clicando aqui.

  • Anvisa aprova herbicida com novo ingrediente ativo

    A Corteva Agriscience confirmou a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o produto técnico Rinskor no Brasil. De acordo com informações do Portal chinês Agropages, trata-se de um novo ingrediente ativo, com um modo de ação totalmente diferente dos atuais disponíveis no mercado, e que será a base do novo herbicida Loyant.

    De acordo com a Corteva, o Rinskor será uma “ferramenta importante para o controle das principais plantas daninhas resistentes no arroz e de difícil controle”. O herbicida terá sua recomendação para aplicação em pós-emergência, apresentando um controle altamente eficaz sobre espécies de capim-arroz, cyperaceas, aquáticas e folhas largas em geral.

    “Esse conjunto de benefícios está aliado a um perfil toxicológico favorável com relação ao impacto para a saúde humana e meio ambiente, sendo classificado como faixa azul pela agência regulatória brasileira. Além disso, o produto recebeu reconhecimentos internacionais, como o Green Chemistry Challenge e o Agro Awards 2018, sendo eleito por esta última o melhor herbicida do mundo”, observa a Corteva.

     

    A novidade foi apresentada aos associados plantadores de arroz da Coopersulca (Cooperativa Regional Agropecuária Sul Catarinense). Segundo os técnicos da Corteva, o produto é resultado de uma ampla pesquisa realizada o Centro Americano de Pesquisa Internacional de Ervas Daninhas Resistentes a Herbicidas. O herbicida Loyant, de acordo com eles, possui amplo espectro de controle de gramíneas, folhas largas, ciperáceas e ervas daninhas aquáticas no arroz.

    “Sabemos que resistência das ervas daninhas é o maior desafio para os produtores de arroz. Esses desafios associados ao controle resistente de ervas daninhas criaram uma demanda por tecnologia inovadora e Loyant chega para acabar com a resistência crescente nos campos de arroz”, afirma o Luiz Fernando Bendo, do Marketing da Coopersulca.

    De acordo com Bendo, a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é cada vez um desafio maior para os produtores de arroz: “A resistência das ervas daninhas e outras gramíneas a ALS está se tornando um problema real. O herbicida Loyant, com o princípio ativo Rinskor, controla biótipos resistentes a ALS, glifosato, ACCase, PPO e triazina, bem como outras ervas daninhas resistentes ao Grupo 4 no arroz.  O ativo Rinskor, presente no Loyant, é uma alternativa de herbicidas do Grupo 4, isso significa que ele é capaz de controlar qualquer espécie de praga, por mais resistente que ela seja”.

    Ele completa dizendo que o capim-arroz é uma das ervas daninhas mais problemáticas dessa cultura. Pesquisas recentes da University of Arkansas Extension, a infestação de capim-arroz pode resultar em uma redução de 30% no rendimento na colheita de arroz.

    A Corteva destaca que o produto formulado ainda passa por aprovação dos órgãos reguladores, estando em fase final de registro no Mapa (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento) do Brasil. A previsão é de que o novo herbicida deve estar disponível aos produtores nos próximos anos.

  • Alternativas de irrigação para alface podem mitigar clima

    Um estudo realizado pelo Instituto de Investigações Agropecuárias do Chile (INIA) sobre a resposta à irrigação de alface descobriu que algumas alternativas podem mitigar as mudanças climáticas. A pesquisa concentrou-se na região metropolitana, sendo que 79% da área cultivada desse vegetal está localizada em todo o país.

    A alface é o vegetal mais popular do mundo e o Chile não é a exceção a essa tendência. Suas qualidades nutricionais e a opção de consumi-lo ao longo do ano fazem dele a hortaliça mais consumido e de maior relevância econômica. Entretanto, o déficit hídrico e a mudança de temperatura, como consequência das mudanças climáticas, poderiam limitar seu cultivo e, portanto, afetar a resposta a uma demanda que busca alimentos saudáveis, seguros e de qualidade.

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    Isto foi explicado pelo especialista em irrigação do INIA La Platina, Dr. Alejandro Antunez, que junto com o pesquisador Carlos Blanco, especialista em vegetais no mesmo centro, por dois anos estudou os fatores que afetam o rendimento e qualidade da alface ou escarola iceberg no Chile (Lactuca sativa L. var capitata), no clima semi-árido do vale do Maipo.

    “Tendo pequenas raízes este vegetal é vulnerável à falta de água. Portanto, a quantidade de água aplicada é altamente relacionada ao crescimento, produtividade e qualidade desta espécie. Por um lado, é sensível ao excesso, porque aumenta o desenvolvimento de doenças fúngicas e, por outro lado, é extremamente sensível ao déficit, a redução do número de deformidades e instabilidade de alface “, disse Antunez.

  • Plano Safra: veja o que mudou em relação ao ano passado

    O Ministério da Agricultura anunciou, na última terça-feira (18), os recursos para o Plano Safra 2019/2020. Foram anunciados R$ 225,59 bilhões, sendo R$ 10 bilhões vão para subvenção de juros. Desse total, R$ 222,74 bilhões são para crédito rural, sendo R$ 169,33 bilhões para custeio, comercialização e industrialização. Outros R$ 53,41 bilhões para investimento.

    Uma das novidades é o aumento de verbas para o seguro rural, que praticamente dobrou, alcançando R$ 1 bilhão. A decepção ficou por conta do Moderfrota, principal linha de investimento. O volume será de R$ 9,6 bilhões, valor bem menor do que esperava a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

    As taxas de juros ficaram em 3 a 10,5 % ao ano. Agricultores que se enquadram no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)  terão taxas de juro entre 3% e 4,6% ao ano. Para pequenos (que estão fora do Pronaf) e médios, o índice é de 6% ao ano. Os demais terão juros de 8% ao ano.
    Muitas entidades se manifestaram a respeito:

    Nei César Manica – Presidente da Cotrijal/ Não-Me-Toque -RS

    “O anúncio ficou dentro da expectativa e seguiu a realidade da economia brasileira. O governo entendeu que o produtor necessita de um seguro rural robusto, com garantia de custeio da produção, com renda. O que para esse ano conseguimos um bom avanço”.

    Paulo Pires – presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS)

    Pires destacou que o seguro rural é uma política pública importante porque hoje o produtor tem um custo elevado de investimento. “Temos que ter um modelo de seguro como qualquer país desenvolvido em agricultura possui. A agricultura é uma indústria a céu aberto, por isso há riscos de ocorrer perdas e estas devem ser pagas através de um fundo ou de uma equalização por parte do governo federal”. Para Pires um aspecto negativo desse Plano Safra é o aumento na taxa de juros para o grande produtor de 7% para 8%, assim como para o programa de armazéns. No entanto, Pires enfatizou que o governo sempre sinalizou que tinha a intenção de manter o mesmo volume de recursos e que para isso seria necessário elevar os juros. “Mesmo assim, foram anunciados incentivos importantes como, por exemplo, o financiamento para a assistência técnica”.

    Henrique Dornelles – Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz)

    Destacou a linha de crédito para a construção de moradias para a agricultura familiar e, especialmente, o Fundo de Aval com uma linha para renegociações, anunciados durante o Plano Safra. “Eu vejo este Fundo como uma inovação muito forte que contempla as renegociações, inclusive como uma ferramenta inteligente e desafiadora, porque não sabemos como será a adesão e como se fará entre os produtores”. Sobre o setor arrozeiro, o dirigente avaliou que infelizmente não há novidades, com exceção do aumento do preço mínimo na ordem de 9%. “Houve este aumento, mas não traz qualquer alento aos sérios problemas que temos com a influência do Mercosul e elevado custo de produção.

    Acreditamos que o arroz seguirá em processo de reconversão, a área cultivada deverá seguir caindo de forma consistente”.

    José Mário Schreiner – presidente da Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA e da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg)

    “Isso é muito significativo porque se ampliarmos o seguro rural, estaremos atraindo mais investimentos privados, inclusive investimentos internacionais”, ressaltou. Ele ainda destaca que o Plano Safra vai ao encontro dos anseios apresentados pelos produtores em reuniões regionais realizadas pela CNA. No entanto, ponderou, “ainda é preciso vencer a burocracia do sistema financeiro para que os produtores tenham acesso ao crédito”.

    Antonio Galvan – presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) e vice-presidente da Aprosoja Brasil

    “Tendo em vista o momento que o país passa, foi o melhor Plano que o governo pode oferecer e temos que agradecer. Fica nosso alerta para que o produtor fique cauteloso, sabe dessas dificuldades e precisa procurar se alavancar e tentar reduzir custo da produção”.

    Júlio Cézar Busato – presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e Vice-Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa)

    “Uma das grandes inovações do Plano Safra foi o Patrimônio de Afetação. Antes, para conseguir um financiamento, o produtor tinha que comprometer todo o seu patrimônio como garantia, mesmo que o valor do bem fosse muito maior do que o recurso tomado. Dessa forma, o acesso ao crédito é ampliado. Este Plano Safra tem o grande mérito de tratar o agronegócio como um só, pela primeira vez, entendendo que pequenos, médios e grandes agricultores se somam e não são conflitantes”.

    Dos cerca de R$ 10 bilhões que serão destinados para a subvenção de juros no Plano Safra 2019/2020, R$ 4,975 milhões serão disponibilizados para subvenção do Programa de Agricultura Familiar (Pronaf). O anúncio dividiu entidades ligadas ao setor.

    O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetag/RS), Carlos Joel da Silva,  disse que“é considerado  razoável, já que atende necessidades dos produtores, desde que seja aplicado em sua totalidade. Porém, houve aumento dos juros, o que acaba elevando os custos, o que não é positivo para quem produz”. Joel considera importante a inclusão dos recursos para habitação rural (R$ 500 milhões) assim como o aumento de recursos para o seguro agrícola, que dobrou de valor em relação ano passado.

    O presidente completa dizendo que “a não inclusão do crédito fundiário, é considerada como fator negativo na divulgação. Também esperávamos o aumento da porcentagem da subvenção por parte do governo sobre o seguro agrícola, o que também não aconteceu. Agora esperamos que as resoluções do Banco Central saiam nos próximos dias, para que no dia 1° de julho, o plano possa ser executado em sua plenitude”.

    Para Antoninho Rovaris, secretário de Política Agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), o Plano Safra “não reconhece o protagonismo da agricultura familiar. Apesar de o valor ser insuficiente para a demanda apresentada pela Contag, que seria de R$ 3 bilhões, entendemos que será uma boa opção para alguns agricultores e agricultoras familiares de garantir uma moradia digna no meio rural brasileiro”. Algumas questões deixaram a entidade insatisfeita, como o aumento de juros nos financiamentos. “É um aumento pequeno, porém não havia necessidade de aumentar para a agricultura familiar, principalmente num cenário de recessão no país”.

    O Plano Safra 19/20 ainda tem outras novidades:
    MODERINFRA – 732 milhões

    -Irrigação – individual (de R$ 2 milhões R$ 3,3 milhões) e coletivo (de R$ 6,6 milhões para R$ 9,9 milhões)
    -PRONAF CUSTEIO – R$ 18,288 bilhões (juros de 3 a 4,6% ano)
    -PRONAF INVESTIMENTO – R$ 12,927 bilhões (juros de 3 a 4,6% ano)
    -MODERAGRO – financia erva-mate e cana-de-açúcar para cachaça
    -CASAS RURAIS – R$ 500 milhões
    -PESCA E AQUICULTURA – poderão financiar comercialização
    -Fundo de Aval Fraterno – renegociação de dívidas dos produtores. O BNDES já dispõe de R$ 5 bilhões.

  • Local interfere na resposta das plantas ao calor

    Um estudo realizado pelo Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha (CSIC) no Centro Nacional de Biotecnologia, indicou que a resposta das plantas ao calor depende muito do local onde elas cresceram.

    Os especialistas afirmam que plantas estão sujeitas a flutuações de temperatura diárias e sazonais que causam mudanças em seus padrões de expressão gênica.

    Em seu mais recente trabalho, publicado na revista celular The Plant , os investigadores identificaram na planta modelo  Arabidopsis thaliana  dois genes duplicados,  ICARUS1  e  ICARUS2  ( Ica1  e  ICA2 ), que estão envolvidos na regulação da resposta térmica de desenvolvimento plantas.

    Os resultados do estudo, realizado em colaboração com Monash University (Austrália), demonstram que a interação genética entre Ica1  e  ICA2  regula o ciclo de divisão das células, alterando assim o tamanho da célula e, consequentemente, o crescimento de plantas em áreas de alta temperatura.

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    “Em espécies de plantas com uma ampla distribuição geográfica, as variedades de diferentes regiões do mundo têm diferentes tipos de temperatura plasticidade, que são um reflexo de adaptações a diferentes ambientes naturais”, explica o pesquisador Carlos Alonso-Blanco.

    “Encontraram-se uma ligação entre as mutações naturais na sequência ICA2 e temperatura ambiente em variedades de  Arabidopsis  em diferentes localizações geográficas, o que indica que este gene pode estar envolvido na adaptação das plantas aos diferentes climas”, acrescenta.

    A duplicação genética é um mecanismo evolutivo que aumenta a diversidade das plantas. As análises genéticas e funcionais deste trabalho mostraram que ICA1 e ICA2, muito próximas no genoma, se comportam como um  locus  complexo. Em algumas variedades naturais, a função conjunta desses genes produz um defeito de crescimento que é condicionado pelo aumento da temperatura em que as plantas crescem.

  • Safra de verão encerrada

    Milho – Está encerrada a safra de milho no RS. Nas regiões do Alto Jacuí até a Fronteira Noroeste, houve redução da produtividade em relação às áreas cultivadas em agosto e setembro, devido à maior incidência de doenças foliares e radiculares. A produtividade média final foi superior a oito mil quilos por hectare, superando a expectativa inicial. Algumas lavouras irrigadas superaram 12 mil quilos por hectare.

    Na região Sul, os municípios realizam levantamento de demanda de semente de milho, objetivando a inscrição no Programa Estadual Troca-Troca de Sementes de Milho, da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural

    Soja – A cultura em entressafra movimenta os produtores no planejamento da próxima safra, definindo área, realizando análises de solo, aquisição de insumos, manutenção e recuperação de máquinas e de estradas internas das propriedades. Nas regiões da Fronteira Noroeste e Missões, produtores também começam a reservar sementes nas cooperativas locais. Já nas regiões da Campanha e Fronteira Oeste, as áreas colhidas e destinadas a pastagens estão recebendo os animais para pastoreio; as destinadas à produção de palhada apresentam boa cobertura para próxima safra.

  • Plantio do trigo se intensifica no RS

    O plantio do trigo avançou dez pontos percentuais no Rio Grande do Sul nesta semana. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quarta-feira (19/06), o avanço foi impulsionado pelos regionais de Ijuí e Santa Rosa, que atingiram 72% e 88% da estimativa inicial, respectivamente.

    Essas regiões representam 30% e 27% da área estadual prevista de 739.403 hectares para esta safra. Atualmente, 55% da área destinada para esta safra de trigo foi semeada, estando 97% em germinação e desenvolvimento vegetativo e 3% em floração.

    Na regional de Ijuí, que engloba os Coredes Noroeste Colonial, Celeiro e Alto Jacuí, as primeiras lavouras implantadas apresentaram boa emergência e desenvolvimento inicial satisfatório. As altas temperaturas dos últimos períodos contribuíram para um crescimento vertical mais acentuado.

    No Planalto, a cultura está em fase inicial de plantio e estima-se entre 2% e 4% da área plantada neste período. Os produtores aguardam o aumento da umidade do solo (chuvas) para intensificar a atividade. No Alto Uruguai, o plantio atingiu 10% da área prevista. Já na região de Caxias do Sul, as altas temperaturas e o tempo seco favoreceram o preparo do solo e o início da semeadura nos municípios de menor altitude. Nos municípios dos Campos de Cima da Serra, a semeadura deverá iniciar na próxima semana e se intensificar em julho.

    O plantio da canola foi finalizado nas regiões entre o Alto Jacuí e a Fronteira Noroeste devido às boas condições climáticas da semana. As lavouras apresentam bom desenvolvimento inicial, folhas largas e plantas com vigor. As primeiras lavouras implantadas nesta safra já estão em florescimento, considerado satisfatório; as demais, em germinação e desenvolvimento inicial.

    A cultura da cevada está totalmente implantada no Alto Uruguai, encontrando-se em estágio de germinação. Nessa região, a área semeada é de aproximados dez mil hectares. Nas regiões do Alto Jacuí, Celeiro e Noroeste Colonial, o ritmo da implantação da cultura foi desacelerado, a fim de escalonar o plantio e esperar melhor condição de umidade no solo. Produtores realizam controle de ervas nas áreas já emergidas.

    Nas regiões da Campanha e Fronteira Oeste, uma cerealista segue fomentando a implantação da cultura para fins de produção de malte, em convênio com a indústria. A proposta é de insumos financiados pelas cerealistas, com seguro da lavoura e preços fixados para o cereal.

    Segue a implantação da aveia branca no Estado, estando mais avançada no Alto Uruguai e na Fronteira Noroeste e Missões, onde já foi finalizada; na região Central, alcançou 90% da área prevista na semana. De maneira geral, a cultura apresenta bom desenvolvimento.

    Nas regiões do Alto Jacuí, Celeiro e Noroeste Colonial, as primeiras lavouras implantadas já estão em início de floração, com bom número de grãos por panículas; no entanto, a incidência de doenças foliares nessas lavouras demandou aplicação de fungicidas. As demais áreas apresentam bom aspecto fitossanitário.

     

    PASTAGENS E CRIAÇÕES

    As condições climáticas da semana, com diminuição do excesso de umidade e temperaturas mais altas, foram favoráveis para o campo nativo e para o desenvolvimento e aproveitamento das pastagens cultivadas de inverno. Melhoraram as condições de tráfego nas áreas próximas aos locais de alimentação dos animais e da sala de ordenha, reduzindo áreas com incidência de barro.

    Nas diversas regiões produtoras, o gado de corte ainda apresenta bom stand corporal e sanitário, em razão de o inverno ainda não ter um clima mais rigoroso, de forma contínua. Porém, a partir desta época, o histórico indica que os animais começam a se ressentir e perder peso, principalmente os rebanhos que utilizam somente as pastagens naturais, que perdem qualidade nutricional por estarem mais fibrosas. Estas mudanças requerem ações por parte dos produtores para garantir a nutrição dos rebanhos, como adequações da carga animal, utilização de sal mineral proteinado, rações e suplementações.

    Os rebanhos leiteiros vêm apresentando bom estado físico e sanitário e mantendo um bom nível de produção de leite, considerando a época do ano. No entanto, a maior necessidade de suplementação alimentar tem elevado os custos de produção. Na medida em que as pastagens de inverno começam a atingir um melhor desenvolvimento, a tendência é de diminuição destes custos. As forrageiras anuais de inverno implantadas apresentam-se com bom desenvolvimento geral, determinando, em várias regiões, aumento na oferta de forragem fresca aos animais. Também boa parte do milho destinado à confecção de silagem se encontra em fase final de corte. Continua no Estado a implantação das forrageiras e aplicação de adubação nitrogenada em cobertura.

  • Cotrijuc entra para o clube do Bilhão e é homenageada pela ACCIJUC

    A Associação Comercial Cultural e Industrial de Júlio de Castilhos – ACCIJUC, realizou dia 10 de maio, na sede da Cotrijuc – Cooperativa Agropecuária Júlio de Castilhos, uma homenagem as conquistas dos últimos anos, em especial a 2018 onde a cooperativa chegou a marca histórica com um faturamento de R$ 1,3 bilhão em suas diversas áreas de atuação, além do recebimento de mais de 11 milhões de sacas de soja.
     
    Na entrega da homenagem o presidente da ACCIJUC, Júlio Cesar Batistella, destacou a importância e honra em ter uma associada com estes números e frisou que para chegar nesse patamar é preciso de muita gestão, transparência e credibilidade. O presidente da Cotrijuc, Caio Cezar Fernandez Vianna, agradeceu a premiação e ressaltou o quanto é importante ser reconhecido por pessoas da própria cidade e que o sucesso só foi possível devido a dedicação de todos os colaboradores.
     
    Participaram do evento José Mario Rubin, Eduardo Linck Waihrich, Júlio Cesar Batistella, Caio Fernandez Vianna, Paulo de Tarso Rubin Pegoraro (conforme foto), Evandro Leão de Freitas e Camila Diniz Appel.
    Fonte e foto Camila Diniz Appel, executiva da Accijuc.