CARNE

  • Exportações de carne suína crescem 41% em janeiro

    As exportações de carne suína do Brasil (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 68,5 mil toneladas em janeiro, segundo levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é 41% superior ao registrado no primeiro mês de 2019, quando foram embarcadas 48,5 mil toneladas.

    A receita das vendas foi de US$ 164,1 milhões, resultado 78,9% maior que saldo registrado em janeiro de 2019, com US$ 91,7 milhões.

    A China se manteve como carro-chefe das exportações brasileiras.  Destino de 30,6 mil toneladas (45% do total), o país asiático cresceu suas importações em 252% na comparação com o mesmo período do ano passado, com 8,7 mil toneladas.

    “A demanda chinesa se manteve elevada ao longo do mês de janeiro.  É um fator importante no impulso das exportações brasileiras”, analisa Francisco Turra, presidente da ABPA.

    Outros mercados também mantiveram o ritmo das vendas. É o caso de Hong Kong, cuja importações aumentaram 93% no mesmo período comparativo. Vietnã também elevou as importações em 330%.

    “Apesar da notável influência chinesa, outros destinos da Ásia e da América do Sul ajudaram a manter a forte alta do resultado mensal, que é o maior saldo histórico já registrado durante o mês de janeiro e acena para um resultado positivo em 2020”, analisa Ricardo Santin, diretor-executivo da ABPA.

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  • Proximidade das festas reduz demanda por carne de frango

    Os preços da carne de frango recuaram nesta segunda semana de dezembro na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo colaboradores, apesar da elevada competitividade frente às principais concorrentes (bovina e suína), a preferência do consumidor brasileiro por proteínas tradicionais do período de festas de final de ano reduziu a liquidez no mercado avícola.

    De 5 a 12 de dezembro, o frango inteiro congelado comercializado em Toledo (PR) se desvalorizou 2,7%, chegando a R$ 5,09/kg nessa quinta-feira, 12. O produto resfriado, por sua vez, teve média de R$ 5,23/kg, queda de 1,5% no mesmo período. Já no atacado da Grande São Paulo, apesar de as cotações permanecerem praticamente estáveis, agentes relatam diminuição no volume de negócios.

    O preço do frango inteiro congelado subiu ligeiro 0,3% nos últimos sete dias, enquanto para o produto resfriado, o cenário foi de leve queda (-0.2%) – ambos fecharam a R$ 5,34/kg no dia 12.

  • Ano deve encerrar em alta para setor de proteína

    O ano fechará em alta para os produtores de aves e suínos no país. Depois de três trimestres de forte retomada, os últimos meses de 2019 devem manter o patamar elevado na produção e exportação. Isso é o que indica a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Em coletiva à imprensa, na manhã desta quinta-feira (12), o presidente Francisco Turra e o diretor-executivo da entidade, Ricardo Santin, detalharam os números e projetaram 2020.

    Turra definiu o ano como “extraordinário”. “Temos de comemorar. Depois de quatro anos difíceis, reagimos e estamos fechando 2019 em alta. Em dezembro de 2018, por exemplo, estávamos cheios de dúvidas. Havíamos registrado queda em produção, exportação e consumo. Hoje, observamos que tivemos um ano diferente, melhor, de estabilização”, definiu o presidente da ABPA.

    O impacto na expansão das vendas para o exterior esteve diretamente ligado à crise de peste suína africana que assola a Ásia. A crise sanitária no continente resultou na elevação das importações de carnes de frango e suínas brasileiras. “O fato novo para nós foi a entrada fortíssima da China, que ampliou em 28% a comercialização de carnes de frango e é responsável por 14% das nossas vendas. Em relação à carne suína, o aumento das exportações brasileiras para a China foi de 51%”, salientou Turra.

    Em relação a 2020, as perspectivas são ainda mais positivas. “Toda a proteína animal terá um mercado excepcional nos próximos anos. O Brasil é uma das reservas da produção de alimentos do mundo”, frisou. Mesmo com a tendência de incremento nas exportações de carnes de frango e suína, o consumo interno deve se manter aquecido. “O nosso mercado principal ainda é o brasileiro”, sublinhou.

    As previsões de Turra guiaram a manifestação do diretor-executivo e futuro presidente da entidade, Ricardo Santin. “Os sinais que recebemos da China mostram que a crise de segurança alimentar chinesa deve durar. Estamos prevendo um aumento na produção porque, de fato, serão abertos espaços para comercialização em toda a Ásia”, explicou.

    Para Santin, além de reforçar as relações comerciais com a Ásia, a ABPA deve expandir mercados. “Vamos buscar fortalecer os parceiros e abrir novos espaços para exportação”, comentou.

    A expectativa da entidade é fechar 2019 com aumento de 2,3% na produção de carne de frango, passando de 12,85 milhões de toneladas, em 2018, para 13,15 milhões de toneladas neste ano. Puxadas pela China, as exportações devem registrar aumento de 2,4% e alcançar 4,2 milhões de toneladas até o final do ano. O consumo interno, da mesma forma, vem crescendo: passará de 41,7 toneladas para 42,6 toneladas – variação de 2,2%.

    As projeções para a carne suína são otimistas.  A produção deve ter alta de 1% a 2,5%, podendo superar as 3,97 milhões de toneladas de 2018 e chegar a 4,1 milhões de toneladas até o final de 2019. Mas a notícia mais promissora vem das exportações: o ano deve encerrar com alta de 14,5% de carnes embarcadas. O principal destino é a China, responsável por 32,7% do volume comercializado. Por outro lado, o consumo per capita terá retração de 1% a 2%.

    A produção de ovos pode concluir o ano com 49 bilhões de unidades produzidas – o que representa uma elevação de 10% em relação às 44,48 bilhões de 2018. Parte significativa dessa produção está direcionada para o mercado nacional. Isso porque o consumo per capita deve crescer 9% até o final de 2019, evoluindo de 212 unidades para 230 unidades por habitante. Já as exportações tendem a reduzir até 32%.

    Exportações impulsionam economia

    Em receita, as exportações de carne de frango entre janeiro a novembro de 2019 tiveram uma variação positiva de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O saldo das exportações subiu de 5,99 bilhões de dólares em 2018, para 6,36 bilhões de dólares, em 2019. Somente a Ásia é responsável por 34,3% das exportações brasileiras. A China desponta como a maior compradora, com 14% da fatia, seguida pela Arábia Saudita, com 11%, e Japão, com 10%. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são, respectivamente, os maiores exportadores.

    Carne suína –  As exportações geraram 1,4 bilhões de dólares em receita, em 2019 entre janeiro a novembro de 2019, e registraram crescimento de 27,9%. Os valores superaram os 1,1 bilhões de dólares comercializados no ano passado. A China segue sendo o principal destino e representa 32,7% das vendas para o exterior, seguidos por Hong Kong, com 21,6%, e Chile, com 6,1%. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná despontam como os maiores exportadores brasileiros.

    Otimismo para 2020

    As estimativas para 2020 são ainda melhores. O próximo ano deve registrar crescimento na produção de carne de frangos entre 4% e 5%. Em volumes, os números podem atingir 13,7 milhões de toneladas. A comercialização para o exterior deve chegar um patamar de 4,5 toneladas – o que representaria um aumento de 3% a 6%. “Hoje, o Brasil tem condições de aumentar as exportações porque conta com alojamentos mais preparados a suportar o crescimento”, explicou Santin.

    O cenário se repete para a produção de carne suína. A produção deve ter elevação e chegar na casa das 4,2 milhões de toneladas. As exportações, de acordo com a ABPA, tendem a repetir o desempenho desse ano e variar na casa dos 15% a 20%.  A expectativa é vender de 850 mil a 900 mil toneladas para o mercado externo em 2020.

  • O que determina a qualidade da carne bovina?

    Atualmente a Brasil é um dos mais importantes produtores e o maior exportador de carne no mundo, comercializando com mais de 80 países. É também um dos maiores consumidores de carne bovina (40kg/habitante/ano), sendo em torno de 80% desse consumo produzido no país. Mas que carne é essa que estamos consumindo?

    Extremamente amplo, o termo “qualidade de carne” tem uma dimensão que ultrapassa a ideia de “maciez e suculência”. Pode-se pensar em qualidade ambiental, sanitária, organoléptica e nutricional, chegando até o conceito de qualidade social do produto obtido a partir da transformação do músculo bovino. Ou seja, a atenção a legislação sanitária, ambiental e trabalhista, em busca da sustentabilidade da cadeia produtiva.

    Porém, dentre todas essas “qualidades”, a maciez se destaca, quando o foco é o elo mais importante da cadeia produtiva, o consumidor. A carne bovina, como qualquer outro alimento, precisa, num primeiro momento, atender às expectativas referentes a qualidade sensorial.  Mas o que, afinal, determina maciez da carne bovina?

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    Muitos fatores interferem na maciez da carne. São relevantes a idade do animal ao abate, a alimentação, a raça e o sexo, além dos manejos pré e pós abate, como transporte, resfriamento e maturação da carcaça, etc..

    Idade ao abate

    A idade ao abate está diretamente relacionada ao sistema de alimentação que o animal está submetido. A melhora no nível nutricional reflete na redução da idade ao abate e também pode determinar maior deposição de gordura, tanto de cobertura como marmoreio. Isso ocorre devido a modificação na composição do ganho de peso dos animais, em função da maior disponibilidade de energia e proteína na dieta.

    Raças e cruzamentos

    Nas mesmas condições de manejo, raças taurinas apresentam maior maciez na carne quando comparados à raças zebuínas, devido a maior precocidade para terminação (deposição de gordura mais rápida) e ainda maior ação da enzima calpaína (responsável pela degradação das fibras musculares) dos genótipos europeus. Via de regra, raças europeias britânicas, como Angus e Hereford, são mais precoces que as continentais, possibilitando abate em idade mais jovem com melhor grau de acabamento e marmorização da carcaça.

    A deposição de gordura de cobertura (grau de acabamento) relaciona-se com capacidade de evitar o resfriamento rápido da carcaça, tendo essa característica efeito na maciez final da carne. Carcaças com pouca gordura de cobertura estão mais sujeitas a produzirem carne dura, uma vez que os músculos ficam mais expostos ao resfriamento, podendo sofrer o encurtamento pelo frio, causando o endurecimento da carne.

    Embora a gordura de marmoreio tenha alta relação com a suculência dos cortes cárneos, muitos estudos apontam que apenas entre 5 a 10% da variação na maciez da carne pode ser devido à deposição de gordura de marmoreio.

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    Sexo

    A variação na maciez da carne de acordo com o sexo do animal (fêmea, macho inteiro ou castrado), está ligada a velocidade e a composição do ganho de peso do animal, que se reflete na proporção músculo/gordura. Fêmeas atingem um acabamento de carcaça ideal mais cedo que machos castrados, que por sua vez são mais precoces que os inteiros.

    Considerações finais

    É crescente a necessidade de produzir carne que atenda os mercados mais exigentes, e isso tem sido preocupação para produtores e indústrias frigoríficas. A redução da idade de abate tem sido uma das principais estratégias para a produção de carnes mais macias. Porém, somente reduzir a idade de abate não garante a maciez da carne.

    Mais do que controlar a idade cronológica, é importante a escolha da raça/cruzamento e o sistema de alimentação adequado, o qual refletirá em altos ganhos médios diários, traduzindo-se no escore de condição corporal ideal para o momento do abate. Sempre considerando que cada produtor deve analisar a viabilidade técnica e econômica do seu sistema de produção.

    Daniele Furian Araldi*

    *Zootecnista, Mestre em Produção Animal, Docente dos Cursos de Medicina Veterinária e Agronomia/Área de Produção Animal da Fazenda Escola da Universidade de Cruz Alta.