CARNE

  • O que determina a qualidade da carne bovina?

    Atualmente a Brasil é um dos mais importantes produtores e o maior exportador de carne no mundo, comercializando com mais de 80 países. É também um dos maiores consumidores de carne bovina (40kg/habitante/ano), sendo em torno de 80% desse consumo produzido no país. Mas que carne é essa que estamos consumindo?

    Extremamente amplo, o termo “qualidade de carne” tem uma dimensão que ultrapassa a ideia de “maciez e suculência”. Pode-se pensar em qualidade ambiental, sanitária, organoléptica e nutricional, chegando até o conceito de qualidade social do produto obtido a partir da transformação do músculo bovino. Ou seja, a atenção a legislação sanitária, ambiental e trabalhista, em busca da sustentabilidade da cadeia produtiva.

    Porém, dentre todas essas “qualidades”, a maciez se destaca, quando o foco é o elo mais importante da cadeia produtiva, o consumidor. A carne bovina, como qualquer outro alimento, precisa, num primeiro momento, atender às expectativas referentes a qualidade sensorial.  Mas o que, afinal, determina maciez da carne bovina?

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    Muitos fatores interferem na maciez da carne. São relevantes a idade do animal ao abate, a alimentação, a raça e o sexo, além dos manejos pré e pós abate, como transporte, resfriamento e maturação da carcaça, etc..

    Idade ao abate

    A idade ao abate está diretamente relacionada ao sistema de alimentação que o animal está submetido. A melhora no nível nutricional reflete na redução da idade ao abate e também pode determinar maior deposição de gordura, tanto de cobertura como marmoreio. Isso ocorre devido a modificação na composição do ganho de peso dos animais, em função da maior disponibilidade de energia e proteína na dieta.

    Raças e cruzamentos

    Nas mesmas condições de manejo, raças taurinas apresentam maior maciez na carne quando comparados à raças zebuínas, devido a maior precocidade para terminação (deposição de gordura mais rápida) e ainda maior ação da enzima calpaína (responsável pela degradação das fibras musculares) dos genótipos europeus. Via de regra, raças europeias britânicas, como Angus e Hereford, são mais precoces que as continentais, possibilitando abate em idade mais jovem com melhor grau de acabamento e marmorização da carcaça.

    A deposição de gordura de cobertura (grau de acabamento) relaciona-se com capacidade de evitar o resfriamento rápido da carcaça, tendo essa característica efeito na maciez final da carne. Carcaças com pouca gordura de cobertura estão mais sujeitas a produzirem carne dura, uma vez que os músculos ficam mais expostos ao resfriamento, podendo sofrer o encurtamento pelo frio, causando o endurecimento da carne.

    Embora a gordura de marmoreio tenha alta relação com a suculência dos cortes cárneos, muitos estudos apontam que apenas entre 5 a 10% da variação na maciez da carne pode ser devido à deposição de gordura de marmoreio.

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    Sexo

    A variação na maciez da carne de acordo com o sexo do animal (fêmea, macho inteiro ou castrado), está ligada a velocidade e a composição do ganho de peso do animal, que se reflete na proporção músculo/gordura. Fêmeas atingem um acabamento de carcaça ideal mais cedo que machos castrados, que por sua vez são mais precoces que os inteiros.

    Considerações finais

    É crescente a necessidade de produzir carne que atenda os mercados mais exigentes, e isso tem sido preocupação para produtores e indústrias frigoríficas. A redução da idade de abate tem sido uma das principais estratégias para a produção de carnes mais macias. Porém, somente reduzir a idade de abate não garante a maciez da carne.

    Mais do que controlar a idade cronológica, é importante a escolha da raça/cruzamento e o sistema de alimentação adequado, o qual refletirá em altos ganhos médios diários, traduzindo-se no escore de condição corporal ideal para o momento do abate. Sempre considerando que cada produtor deve analisar a viabilidade técnica e econômica do seu sistema de produção.

    Daniele Furian Araldi*

    *Zootecnista, Mestre em Produção Animal, Docente dos Cursos de Medicina Veterinária e Agronomia/Área de Produção Animal da Fazenda Escola da Universidade de Cruz Alta.