solo

  • Saiba como é a evolução da fertilidade do solo

    A Fertiláqua tem realizado semanalmente transmissões online com representantes do seu corpo técnico e especialistas do agronegócio para debater principais pontos da agricultura e auxiliar os produtores com dicas e orientações que, até então, eram dadas no campo.

    Mais uma Live “DM em Campo” foi ao ar com a participação dos especialistas em solo Dorotéia Ferreira e Eduardo Cancellier. A mediação foi feita pelo coordenador de desenvolvimento de mercado da Fertiláqua, Caio Alves. O tema desta edição foi “Evolução da fertilidade do solo: Integração do sistema”.

    Dorotéia iniciou traçando uma linha do tempo desde o início das análises de solo, por volta de 1889. No cerrado brasileiro, os primeiros experimentos datam de 1900, quando testaram tratamentos com fontes de nutrientes e mediu-se o desenvolvimento da planta e a produção. Nas décadas de 60 e 70, foram iniciados os programas para avaliar as formas analíticas, e as análises de tecido vegetal e de foliar são dos anos 80.

    O Brasil por ser muito diversificado apresenta uma mescla de solos em seu território e por isso cresceu a necessidade de manejo de solo e de entender quais tecnologias podem ser inseridas nele. “O sul, com sua temperatura mais amena, retarda a decomposição acelerada de resíduos e, sendo pioneiro em Plantio Direto, soube construir a fertilidade. No cerrado, foi necessária a abertura de ambientes, e com isso fez-se adubação e calagem, uma vez que se sabia que a restrição era química, pois são solos bem profundos e drenados, porém naquele momento com equilíbrio biológico. E na região de nordeste, semiárida, a genética dos solos não ajudam muito, mas colocando água e trabalhando o manejo, a planta responde”, explica Dorotéia.

    Já os trabalhos em calagem e adubação datam do fim da década 70. Segundo Eduardo, a calagem deve ser a primeira ação a se utilizar, pois a partir do momento em que se realiza a correção da acidez do solo, se melhora a disponibilidade de diversos nutrientes.

    A análise de solo é um artifício criado para tentar imitar o que a planta faz. Nem a melhor análise de solo no mundo é tão boa quanto o que a planta nos ‘fala’, com relação a fertilidade do solo. “Todo conhecimento veio sendo construído e tabelado. Porém, o nível de manejo aprimorou-se tanto que se precisa renovar o trabalho. Ainda nos prendemos na análise tradicional do solo. A ciência já tem novos conceitos, métodos e formas de ver o solo, mas ainda por padronização, tem dificuldade de adotar novas ferramentas”, comenta o especialista.

    Uma das novas formas adotadas por agricultores atualmente é o sistema de integração, mas, de acordo com Dorotéia, é um trabalho ainda pontual e que necessita ir para grandes áreas: “Nele, quando há mudança de cultura, trabalha-se a adubação de manutenção, repõe o que a planta extraiu, e aproveita-se outras fontes de fornecer nutrientes para planta. Integra os componentes do sistema, física, química e biologia”.

    Para um solo de qualidade, um dos pontos a se observar é a disponibilidade de nutrientes. Os ácidos orgânicos, provenientes da decomposição de matéria orgânica e presente nos produtos a base de ácidos húmicos e fúlvicos, são complexantes naturais e ajudam na movimentação de alguns nutrientes, como cálcio, potássio e magnésio. Os nutrientes que possam estar com baixa disponibilidade no solo podem ser complexados por moléculas orgânicas e ter sua disponibilidade aumentada para absorção da planta. Mas, os especialistas destacam que não basta só ter o nutriente no solo, tem que se preocupar em como será disponibilizado para a planta.

    Além disso, outros fatores interferem para que a fertilidade seja voltada para a planta e garanta a produtividade: componentes que atuam no sistema como um todo, favorecendo disponibilidade de nutrientes, desenvolvimento radicular, ativação biológica e a proteção de plantas.

    “Lavouras de alta produtividade devem ter como base o perfil de solo bem corrigido em termos de acidez e de alta disponibilidade de cálcio em profundidade para não impedir o crescimento do sistema radicular, com equilíbrio na relação cálcio, magnésio e potássio”, afirma Eduardo.

  • Práticas de conservação do solo auxiliam família de Dois Lajeados a controlar erosão

    Produtora de soja e de milho e criadora de bovinos de leite, a família Treméa, de Dois Lajeados, se viu em um dilema há cerca de cinco anos: ter de lidar com a erosão do solo, ao mesmo tempo em que se empenhava em garantir a manutenção e a produtividade da lavoura. Pior, a adoção de medidas como o uso de cobertura verde (palhada), dada a aclividade do terreno, se mostrara insuficiente. “Havia grande formação de valetas e o maquinário já não estava dando conta”, recorda o agricultor Diego Treméa.

    Foi com o apoio da Emater/RS-Ascar e de uma série de políticas públicas que a situação começou a mudar. O primeiro passo foi a incluir a família no Programa de Gestão Sustentável da Agricultura Familiar (PGSAF), à época desenvolvido pelo Governo do Estado. “Isto fez com que participássemos de uma série de cursos, capacitações e dias de campo que nos auxiliaram a olhar com mais atenção para este tema e que também nos estimularam para a adoção de algumas práticas na propriedade”, salienta Treméa.

    “Uma das ações envolveu a construção de novas curvas de nível, com a intenção de reduzir a velocidade do escoamento da água na lavoura e favorecer a infiltração”, lembra Treméa. Mais recentemente, também com o apoio da Extensão Rural, foram construídos terraços de base larga em uma área experimental da lavoura. “O que a gente observa é que a cobertura com palhada e a descompactação do solo podem se mostrar insuficientes em alguns casos, sendo necessária a adoção dessas práticas complementares”, esclarece o extensionista da Emater/RS-Ascar, Fábio Balerini.

    Para Balerini, o comprimento de rampa e a declividade maior ilustram essa necessidade, no caso da propriedade da família Treméa. “Esses terraços são construídos de forma que permita o trânsito de máquinas em toda a sua extensão”, reforça o extensionista. “Nesse caso, a movimentação de solo é feita em uma faixa de 12 a 15 metros”, completa. A prática tem sido recomendada ainda para outros agricultores do município, especialmente em áreas em que isto seja viável, especialmente como parte das metas do Programa de Gestão.

    O apoio para essas atividades também contou com as orientações do extensionista da Emater/RS-Ascar, Marcos Schäfer, que recentemente esteve na propriedade da família Treméa para avaliar as ações de descompactação do solo e outros manejos, como a já citada utilização de plantas de cobertura. “A intenção foi apresentar metodologias para identificação do perfil do solo e os possíveis manejos a serem realizados”, destacou Schäfer.

    Todas as ações da Emater/RS-Ascar são realizadas por meio de parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), e o acesso a políticas públicas como o de Manejo Integrado de Pragas (MIP) e do Programa Estadual de Conservação do Solo e Água. “A intenção é estimular a utilização de práticas conservacionistas que garantam a manutenção de solos produtivos, com sustentabilidade e geração de renda”, afirma o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Marcelo Brandoli.

    Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar – Regional de Lajeado

  • Estratégia revela potencial para controlar patógenos do solo

    Uma equipe de cientistas, liderada por Tomislav Cernava,  analisou microrganismos no esclerócio de patógenos fúngicos dos gêneros Rhizoctonia e Sclerotinia, na tentativa de descobrir métodos eficazes de controle desses nematoides do solo. Nestes microrganismos, a equipe encontrou comunidades bacterianas específicas diferentes do solo circundante e das plantas hospedeiras afetadas pelos patógenos.

    Eles extraíram amostras dessas comunidades e, através de análises adicionais, descobriram que várias das bactérias podem produzir compostos voláteis (pequenos produtos químicos que são facilmente dispersos) com o potencial de reduzir a viabilidade dos patógenos. A equipe também descobriu que combinações específicas dessas bactérias podem neutralizar patógenos ainda mais efetivamente.

    Alguns desses patógenos têm a capacidade de formar corpos de sobrevivência chamados escleródios, que podem sobreviver por muitos anos no solo antes de causar infecções e doenças em novas gerações de plantas. Outros microrganismos frequentemente formam associações estáveis com esses escleródios, resultando em um complexo sistema repleto de patógenos fúngicos e bactérias não patogênicas.

    De acordo com eles, os patógenos transmitidos pelo solo são um grande problema em todo o mundo, pois podem infectar uma ampla variedade de plantas agrícolas, resultando em perdas severas de colheitas devastadoras para os agricultores. Também deve ser notado que este estudo “mostra como uma abordagem multifásica pode ser implementada que combina diferentes disciplinas (microbiologia, biologia molecular e química analítica) para encontrar novas soluções para a proteção de plantas”, segundo Tomislav Cernava.

  • O solo é vida, que precisa ser preservada

    O solo é um patrimônio, cujo valor depende da sua capacidade de oferecer um ambiente mais ou menos propício para o desenvolvimento das plantas.  Visto a olho nu, o solo parece um corpo inerte e sem vida.

    Nada, no entanto, é mais vivo do que um solo fértil. Os seres vivos que o habitam, embora em sua maioria invisíveis a olho nu, estão presentes aos milhões em cada centímetro cúbico de matéria. São invisíveis porque são minúsculos, daí serem denominados de micro-organismos.

    No entanto, para que esses micro-organismos sobrevivam no solo e desempenhem seu importante papel de dar-lhe vida, eles precisam da presença de água para sobreviver, de material orgânico para se alimentar e de ar para respirar. Para que isto aconteça, o solo precisa da presença de muita matéria orgânica, a qual confere maior capacidade de retenção de água das chuvas, dificulta a sua compactação e o deixa mais poroso.

    Solo poroso disponibiliza muito ar para a respiração dos micro-organismos e facilita o aprofundamento do sistema radicular das plantas. Se bem há microrganismos indesejáveis habitando o solo (fungos e bactérias, entre outros), a quantidade de micro-organismos benéficos é muito maior; incluindo fungos e bactérias benéficos.

    O manejo adequado destaca-se entre as estratégias que conferem maior qualidade ao solo. Bem manejado, o solo não apresenta compactação, encharcamento ou erosão e plantas conseguem, em períodos de baixa precipitação pluviométrica, suportar deficiências hídricas sem perdas ou com perdas reduzidas.

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    Os solos menos férteis do planeta são encontrados nas regiões tropicais, onde as elevadas temperaturas aceleram a decomposição da matéria orgânica, desfavorecendo o seu acúmulo e a vida dos micro-organismos.

    A formação de abundante palhada, com a rotação adequada de culturas, incrementa o índice de matéria orgânica no solo, o que promove a vida microbiana e a capacidade produtiva desses solos. Solos degradados, baixa produtividade e pobreza, caminham juntos.

    Um passo gigante no manejo e conservação do solo no Brasil foi dado na década de 1970, com a adoção do Sistema de Plantio Direto na palha (SPD). Inicialmente, esse sistema caminhou muito lentamente, só deslanchando na década de

    1990, ou seja, 20 após seu estabelecimento. O novo sistema, desde de que bem conduzido, incrementa o índice de matéria orgânica do solo e evita a erosão da camada superficial, a mais rica em nutrientes.

    A lenta adoção do SPD durante os primeiros 20 anos deveu-se à desinformação sobre a nova técnica de cultivo, a falta de maquinários apropriados para o manejo da palhada e o desconhecimento sobre como manejar os herbicidas sob as novas condições de cultivo.

    Também, havia dúvidas dos produtores quanto às vantagens produtivas de utilizar a nova técnica, visto que a produtividade pode cair durante os primeiros anos de implantação do sistema (3 a 5 anos), para depois aumentar contínua e consistentemente.

    O monocultivo ou a repetição continuada de um sistema de sucessão, como soja-trigo ou soja-milho safrinha, degrada química, física e biologicamente o solo, com a consequente perda de produtividade no correr dos anos, além de incrementar a presença de pragas, doenças e plantas daninhas.

    Quanto mais fértil um solo, mais rico em vida, cuja intensidade se traduz em mais produtividade.

    Por: Amélio Dall’Agnol – Pesquisador Embrapa Soja

  • Solo ainda é desconhecido, diz especialista

    A especialista Claire Guenat, uma pedologista e pesquisadora do Laboratório de Sistemas Ecológicos (ECOS) da Ecole Polytechnique Federale de Lausanne (EPFL), da Suíça, afirmou que o solo ainda é desconhecido para a maioria das pessoas. Para ela, como ele não está totalmente a vista, fica mais complicado de os leigos o analisarem.

    “Em primeiro lugar, porque o solo não é algo que realmente vemos, ao contrário da vegetação, por exemplo. Também tem conotações negativas em nossa sociedade. Por exemplo, quando somos jovens, aprendemos que a terra está suja, não devemos tocá-la ou comê-la. Mas é um ambiente cheio de vida, cheio de organismos que desempenham funções vitais e são cruciais para o nosso bem-estar”, comenta.

    Além disso, ela afirma também que as pessoas tendem a falar mais sobre a proteção da qualidade do ar e da água do que a qualidade do solo. “O solo é um dado adquirido: as pessoas não estão cientes de que é um recurso finito e valioso, numa altura em que a superfície do solo está a diminuir rapidamente, especialmente na Suíça, onde desaparecem aproximadamente 1 m2 de terra arável”, indica.

    “Todos os solos merecem atenção, mas o gerenciamento da terra nas cidades é agora uma questão crucial para as nossas sociedades cada vez mais urbanas. Os pisos urbanos são os pisos em parques, canteiros de flores e jardins, mas também os pisos sob edifícios e estradas. Estes solos têm um papel importante a desempenhar na regulação da água e do calor, à medida que o clima muda, resultando em chuvas, inundações e ondas de calor cada vez mais frequentes. Este é um grande problema de saúde pública”, conclui.

  • Estudo afirma que erosão reduz produtividade

    Um relatório da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistema (IPBES), da Organização das Nações Unidas (ONU), sugere que locais com terras férteis, em condições favoráveis ao plantio devem ficar cada vez mais escassos. A erosão causada pelo manejo inadequado foi responsável pela perda de 23% da superfície terrestre no planeta. Esse impacto gera perdas econômicas de até 10% no PIB global.

    O estudo defende que conservar o solo é, pelo menos, 10 vezes mais barato do que recuperar uma área. Mais de 33% do solo e 75% da água doce do planeta são usados para agricultura ou pecuária. Considerando o crescimento da demanda por alimentos e o aumento da produção de 300% desde a década de 70, a ONU aconselha um uso sustentável.

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    Uma boa alternativa de conservação do solo é o plantio direto onde não há aração ou gradagem e o solo fica coberto por palhada, o que aumenta a concentração de resíduos benéficos para a área. A modalidade também é um dos principais manejos para evitar a erosão, uma vez que, diminui o impacto direto da chuva e o escorrimentos superficial.

    A calagem também chega como aliada. A aplicação de calcário nas terras corrige a acidez, fertiliza o solo, além de aumentar o estoque de matéria orgânica. A técnica é aliada à sustentabilidade por promover a reutilização de terras, tornando desnecessário o desmatamento de novas áreas para atender a demanda crescente de alimentos.

    A terceira opção é o manejo integrado de pragas onde há mínima interferência no meio ambiente para a realização do controle. Predadores naturais agem sem auxílio de pesticidas permitindo a manutenção das características do solo sem perdas de produtividade.

    Fonte: Eliza Maliszewski

  • Compactação do solo é fator determinante na rentabilidade

    As práticas de manejo, aliadas às tecnologias, são indicativos para amenizar um problema que afeta os agricultores e impede maior rentabilidade nas lavouras. O tema foi discutido na terça-feira (6), durante o 3º Fórum Estadual de Conservação do Solo e da Água.

    Para o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski, a construção de um solo fértil e descompactado é uma saída para impedir as grandes quebras de safra em anos de chuva abaixo dos volumes normais. “A diversificação de culturas para controle da erosão e o terraceamento levam à construção de um solo poroso, com qualidade, para melhor desenvolvimento das plantas”, esclarece Lemainski.

    Conforme o coordenador Técnico de Difusão da Cotrijal, Alexandre Doneda, para melhorar a qualidade do solo, é necessária uma mudança no sistema de produção. “Precisamos aumentar a palhada e dentro deste contexto se insere o retorno da cultura do milho no sistema de produção e também o uso de plantas de cobertura do solo, que podem ser utilizadas tanto no período de inverno, mas principalmente nos períodos de entressafra, após as colheitas das culturas de verão, até a chegada das culturas de invernos. Esta é a principal mudança imediata que precisamos para garantir a qualidade do solo produtivo por longo tempo, para nossas futuras gerações”, aponta Doneda.

    De acordo com o pesquisador da CCGL e professor da Unicruz, Jackson Fiorin, a conservação do solo e da água no Rio Grande do Sul está baseada na qualificação do Sistema de Plantio Direto. “A utilização de espécies que objetivam deixar o solo sempre coberto, principalmente na entressafra das culturas e no inverno, é essencial. Existe uma série de outras práticas, em especial a rotação de culturas com a utilização do milho, como também práticas que visam amenizar o problema da compactação. Dentre elas, realizar as operações em nível, principalmente na semeadura”, frisa Fiorin.

    LANÇAMENTO DE LIVRO – Ao final do evento, ocorreu o lançamento da 3ª edição do livro Solos do Rio Grande do Sul, que traz um mapeamento dos tipos de solo no Estado.

    Fonte: Assessoria de Imprensa da Expodireto Cotrijal