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  • Fase 1 do acordo comercial entre China e Estados Unidos é assinada 

    A fase um do acordo comercial entre China e Estados Unidos foi oficializada e assinada nesta quarta-feira, 15 de janeiro de 2020. O anúncio, como vinha sendo esperado e especulado pelo mercado, foi morno e sem muitos detalhes. A cerimônia aconteceu na Casa Branca.

    O texto traz especificado compras da nação asiática na ordem de US$ 77,7 bilhões em manufaturados, US$ 32 bilhões em produtos agrícolas, US$ 52,4 bilhões em energia e US$ 37,9 bilhões em serviços nos próximos dois anos, ou seja, até dezembro de 2021.

    O texto detalha ainda que “as partes reconhecem que as compras serão feitas a preços baseados nas condições de mercado e considerações comerciais, particularmente no caso de produtos agrícolas, podem determinar o momento das compras dentro de um determinado ano”.

    Além disso, o acordo prevê ainda que sejam importados pela China ao menos US$ 12,5 bilhões para 2020 sobre o patamar de 2017. E esse montante sobe para US$ 19,5 bilhões para 2021, também tomando como base 2017, que foi o ano antecessor do ano de início da guerra comercial e as compras chinesas foram de US$ 19,6 bilhões.

    Em seu discurso, porém, o presidente Trump afirmou que as compras da China em produtos agrícolas norte-americanos poderia chegar a ateé US$ 50 bilhões, depois de sua equipe ter sugerido algo perto de US$ 20 bilhões.

    “Eu disse ‘vamos elevar a US$ 50 bilhões’. E disse ainda que amo nossos produtores. Deixe que eles me encontrem e digam que conseguiram isso (atender à toda esta demanda da China). Diga a eles que comprem um trator maior e mais um pedaço de terra. Não tenho dúvida de que são capazes de fazer isso”, afirmou Trump durante a cerimônia.

    Na cerimônia, o discurso de abertura foi do presidente americano Donald Trump, que detalhou as relações comerciais entre os dois países, e nomeou os principais nomes que participaram das negociações entre os dois países em todo esse período de conflito de quase dois anos.

    “É um acordo incrível para os EUA, um acordo muito bom para os dois países”, diz o presidente americano. “A China está nos ajudando muito e nós estamos ajudando muito a China também”. Segundo ele, trata-se do maior acordo comercial da história, algo “histórico”.

    E completou dizendo: “Nós nem tínhamos um acordo com a China, e eu não culpo a China. Culpo nossos presidentes anteriores. Estamos aqui promovendo uma mudança no comércio internacional. E para as próximas negociações continuamos focados na harmonia e prosperidade com a China. E isso vai nos guiar para uma paz mais forte no mundo”.

    Ainda segundo o presidente americano, ambas as delegações já deverão retomar as conversas e rodadas de negociação para a fase dois do acordo assim que a primeira for concluída e implementada efetivamente. Tanto a China, quanto os EUA não acreditam que uma terceira fase será necessária. “Isso que estamos fazendo aqui hoje é algo sem precedentes”, disse o presidente americano.

    O texto contempla, portanto, um compromisso da China em compras nos EUA de US$ 200 bilhões, em manufaturados, energia, produtos agrícolas e serviços – nos próximos dois anos. O acordo conta ainda com alguns padrões mais bem definidos para a relação das moedas americana e chinesa.

    Além disso, Trump ainda reforçou a manutenção das tarifas americanas sobre produtos chineses – ao menos até a conclusão da fase dois – como forma de contar com o comprometimento da nação asiática com o cumprimento dos termos do documento assinado nesta quarta-feira.

    Na sequência, o vice premiê Liu He deu início à sua fala com uma carta do presidente chinês Xi Jinping a Trump. Depois, afirmou que a China irá comprar produtos norte-americanos baseada nas condições de mercado. E fala ainda sobre o comprometimento do país em fazer valer cada termo do acordo firmado nesta quarta-feira.

    Acordo EUA-China inclui compra de oleaginosas, carnes, cereais e algodão norte-americanos

    Estadão Conteúdo

    Por Leticia Pakulski

    São Paulo, 15/01/2020 – O texto da fase 1 do acordo comercial entre Estados Unidos e China prevê aumento de compras chinesas de produtos agropecuários norte-americanos de US$ 12,5 bilhões em 2020 e US$ 19,5 bilhões em 2021, totalizando em dois anos US$ 32 bilhões. Conforme o anexo do documento divulgado pelo governo, as novas compras chinesas no país serão distribuídas entre oleaginosas, carnes, cereais, algodão, frutos do mar e outras commodities agrícolas dos EUA. O documento, entretanto, não traz metas de compras por volume ou receita para cada grupo de commodities.

    Em relação às carnes estão incluídas bovina e suína in natura e congelada. Quanto à carne de frango, o acordo indica que os EUA e a China deverão implementar protocolo de cooperação sobre notificação e procedimentos de controle para doenças de frangos 30 dias após a entrada em vigor do acordo.

    Já entre os cereais, aparecem como possíveis produtos a serem adquiridos trigo, milho, arroz e sorgo. O grupo de outras commodities inclui alfafa, citros, laticínios, suplementos alimentares, bebidas destiladas, grãos de destilaria secos, óleos essenciais, etanol, cenouras frescas, frutas e legumes, ginseng, alimentos para animais de estimação, alimentos processados, nozes e vinho, além de outros itens como aves vivas e óleo de soja.

    O acordo indica ainda que os dois países desejam tornar a agricultura “um forte pilar da relação bilateral”. O documento sinaliza que EUA e China pretendem intensificar a cooperação na agricultura para expandir o mercado de cada país para alimentos e produtos agrícolas e promover o crescimento do comércio desses itens entre as partes.

    Presidente chinês diz a Trump que dá as boas vindas à Fase 1 do acordo comercial

    LOGO REUTERS

    PEQUIM (Reuters) – O presidente chinês, Xi Jinping, disse em carta a seu par norte-americano, Donald Trump, que dá as bolsas vindas à Fase 1 do acordo comercial alcançado com os Estados Unidos e que deseja permanecer em contato próximo com o presidente dos EUA.

    Na carta –lida pelo vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, durante a assinatura do acordo em Washington nesta quarta-feira–, Xi também disse a Trump que o acordo mostra como os dois países podem resolver suas diferenças e encontrar soluções baseadas no diálogo.

    (Por Stella Qiu e Se Young Lee)

    Compras agrícolas mediante “condição de mercado” ampliam dúvidas sobre acordo EUA-China

    CHICAGO (Reuters) – A promessa da China de comprar produtos agrícolas dos Estados Unidos mediante “condições de mercado”, divulgada nesta quarta-feira durante a cerimônia de assinatura do acordo comercial de Fase 1 entre os países, ampliou as dúvidas de produtores e operadores de commodities, já aguçadas pela manutenção das tarifas sobre exportações norte-americanas.

    O pacto, que visa reduzir as tensões após quase dois anos de guerra comercial, inclui um compromisso da China de comprar ao menos 12,5 bilhões de dólares adicionais em bens agrícolas norte-americanos em 2020, além de pelo menos 19,5 bilhões de dólares adicionais em 2021. Ambos os valores têm como baliza os níveis de 2017, de 24 bilhões de dólares.

    Segundo pessoas familiarizadas com as negociações, a insistência do presidente dos EUA, Donald Trump, em um grande acordo para compras de produtos agrícolas foi um importante ponto de divergência nas conversas. A China desejava ter liberdade para comprar com base nas demandas.

    Nesta quarta-feira, falando ao lado de Trump, o vice-premiê chinês, Liu He, afirmou que as empresas chinesas vão comprar produtos norte-americanos “baseadas em condições de mercado”.

    A declaração pressionou as cotações da soja na bolsa de Chicago, que chegaram a recuar 1% ao longo da sessão.

    “A soja despencou depois disso”, afirmou Terry Reilly, analista sênior de commodities da Futures International. “‘Quando o mercado ditar’ significa que eles podem não retornar (ao mercado dos EUA) por 36 meses. Quem é que sabe? Isso significa ‘quando eles precisarem e o preço for o certo’.”

    Ted Seifried, estrategista-chefe da corretora Zaner Group em Chicago, disse que a falta de números específicos para as compras também foi decepcionante.

    Além disso, o acordo não reduziu as tarifas aplicas às principais exportações agrícolas dos EUA para a China, como soja, sorgo e carne suína –esta, sujeita a uma taxa de 68% mesmo com o aumento da demanda chinesa pela proteína, após a peste suína africana devastar a criação de porcos do país.

    “Estou otimista e muito agradecido, mas nós realmente precisamos que as tarifas sejam removidas para que nossos produtores obtenham o máximo benefício”, afirmou David Herring, presidente do Conselho Nacional de Produtores de Carne Suína dos EUA.

    Operadores chineses também expressaram dúvidas.

    “Meu sentimento é de que a China não está conseguindo nada com isso (o acordo)”, disse um operador agrícola com base no país asiático. “Só está gastando um pouco de dinheiro para ter um pouco de paz em troca.”

    Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
    Fonte: Notícias Agrícolas
  • Medidas de emergência e levantamento de perdas da estiagem

    O presidente da Emater/RS, Geraldo Sandri, informou as medidas de emergência que a Instituição está tomando para amenizar as consequências da estiagem no Rio Grande do Sul. O anúncio foi feito na tarde de quinta-feira (09/01), na Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), durante reunião de prefeitos, deputados federais e estaduais, o presidente da Famurs, Dudu Freire, o secretário em exercício da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Luiz Fernando Rodriguez Júnior, bem como demais representantes da Secretaria da Defesa Civil, Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Secretaria de Articulação e Apoio aos Municípios e entidades agrícolas do RS.

    Segundo Sandri, a Instituição organizou uma rede com 12 técnicos responsáveis, um em cada Regional, para receber as informações dos seus municípios diariamente e enviá-las para serem compiladas pela Gerência de Planejamento (GPL), no Escritório Central, em Porto Alegre. A Emater/RS-Ascar também está participando dos Grupos de Trabalho da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e Defesa Civil e realizando ações conjuntas com os municípios e entidades.

    “Queremos orientar e dar agilidade às ações para remediar a situação, como auxílio na elaboração dos laudos necessários para encaminhamento do seguro pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). Para isso, a Emater deverá realocar técnicos para municípios que tenham um volume maior de solicitantes”, afirma Sandri. Desde o primeiro dia de novembro do ano passado, com o começo da estiagem, até hoje (10/01), tem-se o registro de 976 solicitações de Proagro, sendo 410 apenas no milho e o restante para as perdas na fruticultura e olericultura.

    Diante das ações da Emater/RS-Ascar, a Instituição foi citada, mais de uma vez, em cada pronunciamento realizado no evento por diferentes autoridades e lideranças, “demonstrando assim a relevância e credibilidade de nosso trabalho”, conclui Sandri.

    Na ocasião também foi divulgada a estimativa preliminar de perdas na agropecuária em função do calor excessivo e falta de chuvas no Estado. O levantamento inicial aponta as maiores perdas no milho, sendo 30% nas regiões de Pelotas, Porto Alegre e Caxias do Sul; 32% na região de Ijuí; 26% na de Lajeado; 25% nas regiões de Soledade e Santa Maria e 20% na de Bagé. O milho silagem também apresenta perdas significativas, 65% na região de Caxias do Sul; 40% na de Soledade; 30% na de Porto Alegre e 27% na de Lajeado.

    Outra cultura de verão bastante afetada é a do feijão, com perdas de 30% nas regiões de Porto Alegre e Soledade e de 20% na região de Caxias do Sul. Já a soja apresentou menores perdas em relação aos outros grãos da safra de verão, 20% na região de Soledade; 16% na de Lajeado e 10% nas regiões de Porto alegre e Frederico Westphalen.

    O diretor técnico da Emater/RS, Alencar Rugeri, destacou a dificuldade de mensurar as perdas, “porque a estiagem é desuniforme e ainda está em curso, os dados mudam rapidamente. O caráter regionalizado e fases de cada cultura também influencia na consequência da estiagem e no porcentual de perdas?. disse.

  • Safra de soja do Brasil 2019/20 estimada em 123,5 mi t, diz adido do USDA

    O Brasil deverá colher um recorde de 123,5 milhões de toneladas de soja em 2019/20, e as primeiras colheitas devem estar prontas para exportação neste mês, disse o adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) em relatório.

    Com esse volume esperado, o adido reafirmou expectativas de que o Brasil se torne o maior produtor global de soja em 2019/20, superando os EUA, que tiveram uma quebra de safra de cerca de 20% nesta temporada.

    Contudo, mesmo com a diferença causada pela quebra, o adido apontou que a produção esperada para o Brasil em 2019/20 supera todas as melhores safras já colhidas pelos norte-americanos.

    O adido elevou levemente sua previsão de área plantada, para 36,8 milhões de hectares, com base em um “exuberante” mercado de soja, além de questões cambiais.

    Ele acredita ainda que os preços vão impulsionar os produtores a semear uma área um pouco maior.

    Para a temporada 2019/20 (de fevereiro de 2020 a janeiro de 2021), o representante do USDA estima exportações de 75 milhões de toneladas de soja brasileira, ante número revisado para cima de 73 milhões no ciclo 2018/19.

    Soja/Secex: exportação do complexo recua 4,5% em volume e 14,4% em receita

    São Paulo, 02/01 – As exportações brasileiras do complexo soja somaram 96,718 milhões de toneladas em 2019, com receita de US$ 34,78 bilhões. O resultado aponta queda de 4,5% em volume e 14,4% em receita na comparação com 2018, quando os embarques atingiram 101,242 milhões de toneladas e o faturamento, US$ 40,64 bilhões. Os dados foram divulgados nesta tarde pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.
    Em dezembro, os embarques do complexo somaram 5,136 milhões de toneladas, recuo de 8,3% ante os 5,600 milhões de toneladas de igual período de 2018 e de 19,6% na comparação com os 6,385 milhões de toneladas de novembro. Já em receita, as exportações totalizaram US$ 1,840 bilhão, 15% abaixo dos US$ 2,165 bilhões de dezembro de 2018 e 21,1% menor que a de novembro de 2019, de US$ 2,333 bilhões.
    A queda nos embarques no ano passado se deve a uma safra menor em 2018/19, à demanda chinesa mais fraca em virtude da peste suína africana e às compras da China nos Estados Unidos nos últimos meses do ano. Ainda assim, o dólar forte ante o real em vários momentos de 2019 estimulou vendas externas da oleaginosa brasileira.
    Só de soja em grão; as exportações chegaram a 78,653 milhões de toneladas no ano. Na comparação com 2018, quando o Brasil exportou 83,230 milhões de toneladas, o recuo foi de 5,5%. A receita com as vendas externas do grão atingiu US$ 28,11 bilhões, recuo de 15% ante o ano anterior (US$ 33,06 bilhões).
    Em dezembro, o País embarcou 3,439 milhões de toneladas de soja em grão, queda de 15,5% em relação aos 4,070 milhões de igual mês de 2018. Já na comparação com novembro, quando o volume exportado foi de 5,157 milhões de toneladas, o recuo chegou a 33,3%. A receita com os embarques da oleaginosa atingiu US$ 1,257 bilhão, recuo de 20% em relação a dezembro do ano anterior (US$ 1,572 bilhão) e de 33,6% ante novembro (US$ 1,894 bilhão).
    De farelo de soja, o volume exportado somou 17,016 milhões de toneladas em 2019, aumento de 2,1% ante 2018 (16,669 milhões de toneladas). A receita totalizou US$ 5,99 bilhões, recuo de 9,5% ante os US$ 6,62 bilhões em 2018.
    Em dezembro, as exportações do País totalizaram 1,667 milhão de toneladas, aumento de 11,9% ante dezembro de 2018 (1,490 milhão de toneladas) e de 37,4% em relação ao mês anterior (1,213 milhões de toneladas). O faturamento com as vendas externas foi de US$ 561,8 milhões, queda de 1% ante dezembro de 2018, quando o País havia obtido US$ 567,2 milhões com os embarques de farelo. Na comparação com novembro (US$ 429,8 milhões), o incremento foi de 30,7%.
    Já de óleo de soja o Brasil exportou 1,049 milhão de toneladas em 2019, recuo de 21,8% ante o ano anterior, quando o País havia embarcado 1,342 milhão de toneladas. Já a receita de exportação totalizou US$ 678,10 milhões, recuo de 29,1% ante 2018 (US$ 956,60 milhões).
    Em dezembro, as exportações totalizaram 29,1 mil toneladas, queda de 25,4% ante igual período de 2018 (39 mil toneladas). O volume, contudo, superou em 117,2% os embarques de novembro (13,4 mil toneladas). A receita referente às vendas externas somou US$ 20,7 milhões em dezembro, queda de 21,0% ante igual período do ano anterior, quando os recursos alcançaram US$ 26,2 milhões, mas alta de 127,5% ante novembro. Naquele mês a receita somou US$ 9,1 milhões.
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    Fonte: Reuters/Agencia Estado
  • Brasil inicia colheita da soja com ajuda do clima

    O Brasil abriu os trabalhos de colheita da safra de soja 2019/2020 com áreas precoces no estado do Mato Grosso – maior produtor do País. Já consolidado como o maior exportador global da oleaginosa, o Brasil ao que tudo indica terá o auxílio do clima nessa temporada, uma vez que a previsão do tempo para os próximos dias é de precipitações sobre a maior parte das regiões produtoras.

    A situação é diferente apenas no Rio Grande do Sul, que oscila a cada ano entre os três maiores estados produtores de soja do Brasil. De acordo com o meteorologista Celso Oliveira, da Somar, o extremo Sul brasileiro tem “déficit hídrico e pouca chuva prevista para as próximas semanas. Preocupa o decorrer da safra, pode ter um ou outro episódio de chuva forte, mas as chuvas não vão ser frequentes”.

    De acordo com os mapas climáticos analisados pela Consultoria ARC Mercosul, as últimas atualizações disponíveis trazem a permanência de um padrão chuvoso sobre 80% da área sojicultora brasileira nestes próximos 5 dias: “O destaque fica para o MATOPIBA, que vinha sofrendo com precipitações irregulares e pontuais, sem a generalização das chuvas desde o início desta safra”.

    “Entretanto, o padrão meteorológico formado para o começo do próximo ano traz índices pluviométrico entre 45-75mm acumulados até o dia 5 de janeiro. A equipe de meteorologia da ARC afirma que este início de 2020 deverá ser o período mais chuvoso para a atual safra de soja no Centro, Norte e Nordeste do Brasil. O Rio Grande do Sul e o Nordeste da Argentina ainda enfrentam um cenário árido, com temperaturas quentes e precipitações escassas. Clientes da ARC no sul do Rio Grande do Sul já nos alertam sobre estresse hídrico acentuado”, concluem os analistas.

  • SPD, a tecnologia que mais impactou o agro brasileiro

    Muitos desenvolvimentos tecnológicos incorporados aos processos produtivos agrícolas do Brasil contribuíram para que o país evoluísse da condição de importador de alimentos para a atual posição de 2º exportador global, produzindo seis vezes o montante que consome. Mas nenhuma tecnologia impactou tanto quanto a introdução do Sistema Plantio Direto (SPD) na rotina dos processos produtivos, a partir da década de 1990.

    O principal benefício proporcionado pelo SPD ao agronegócio brasileiro foi a redução drástica da erosão da camada superficial do solo; a mais fértil. É nesta camada onde se concentra a matéria orgânica e os nutrientes de uma lavoura. Perdê-la, é retirar do campo de produção a capacidade de produzir. Mas a erosão não prejudica apenas a produção, por privar os cultivos dos nutrientes removidos por ela.

    Também prejudica o ambiente por assorear rios e reservatórios de hidrelétricas, que têm sua vida útil reduzida, causando prejuízos financeiros à sociedade. Da mesma forma, o tratamento da água potável que abastece as cidades, proveniente de rios carregados de detritos originados da erosão, encarece o preço do líquido servido à população.

    Imagine o que seria da barragem de Itaipu e de outras hidrelétricas se o preparo do solo pré-plantio fosse, atualmente, igual ao realizado nos anos 70, quando a cor da água dos rios que abasteciam essas barragens tinha a cor da terra, dada a quantidade de detritos que arrastava! Algumas barragens, situadas no entorno de áreas intensamente cultivadas, estariam assoreadas ou prestes a sê-lo. O plantio direto evitou essa tragédia, além de incrementar a matéria orgânica no solo pela incorporação da palhada das colheitas, melhorando suas propriedades físicas, químicas e biológicas.

    A matéria orgânica agregada ao solo pelo SPD funciona como uma esponja na retenção da água das chuvas, reduzindo o efeito de estiagens – quando não muito prolongadas. Os restos culturais deixados na superfície do solo servem de guarda-sol contra a perda de umidade da lavoura e servem de guarda-chuva na redução do impacto das gotas de chuva sobre os agregados do solo.

    Essa palhada também contribui para a redução da compactação do solo causada pelo trânsito do maquinário agrícola. Por causa da contínua incorporação de matéria orgânica, os solos cultivados no SPD tornam-se mais porosos com os anos de cultivo, razão pela qual compactam menos e absorvem quase integralmente a água das chuvas. Por outro lado, cerca de 50% da água de chuvas intensas que caem sobre solos cultivados no sistema convencional é perdida, causando dupla perda: de solo e de água.

    Além dos efeitos benéficos sobre a conservação e as propriedades físicas e biológicas do solo, o SPD foi fundamental no estabelecimento do milho e do algodão safrinha, viabilizando duas colheitas no período primavera – verão, o que proporcionou aumentos na produção agrícola brasileira e valorizou significativamente as terras tropicais do país.

    Adote o SPD, uma ferramenta de produção agrícola sustentável, que preserva e melhora a capacidade produtiva da sua lavoura, incrementa a produtividade e, consequentemente, a lucratividade do seu empreendimento.

    Por: Amélio Dall’Agnol

  • ALERTA: Falta de chuva afeta o milho e ameaça a soja

    Com precipitações muito abaixo da média esperada para dezembro em diferentes partes do Estado, a safra de milho começa a ficar comprometida no Rio Grande do Sul. E as perspectivas para os próximos dias não são as melhores para o campo. A falta de chuva deve seguir, pelo menos, até 31 de dezembro e, se o problema persistir, poderá afetar também a soja.

    De acordo com o Inmet, uma das cidades com menor incidência de chuva é Ibirubá, no Noroeste do Estado, onde choveu 86% a menos do que o esperado para dezembro. Na cidade não chove há três semanas, e a situação das lavouras é crítica, diz o secretário da Agricultura da cidade, Olindo de CampoS.

    Os índices do Inmet apontam para precipitações muito abaixo da média também nas regiões da Campanha e Central, e em cidades da Fronteira Oeste, como Alegrete, de acordo com a meteorologista Letícia dos Santos. Em tradicionais cidades produtoras, como Passo Fundo, eram esperados, para dezembro, 173,2 milímetros de chuva, mas o Inmet registrou apenas 46 milímetros até o momento.

    “Um dos poucos lugares onde a ocorrência foi acima da média é São Borja, e, ainda assim, apenas 15%. E a chuva prevista para o dia 31, véspera da virada do ano, não é muito significativa nem deve ser suficiente para suprir o déficit do mês”, alerta Letícia.

    Ainda segundo a meteorologista, entre janeiro e março, a situação deverá se regularizar, com chuva dentro da normalidade ou até um pouco acima da média. Até lá, porém, produtores estão em alerta. O vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Elmar Konrad, diz que a atual escassez de água afetou o cultivo do milho em uma das fases mais críticas.

    “No período da formação da espiga, o milho precisa de uma média de oito milímetros de água por dia. Em muitos lugares, o máximo ficou entre dois e três milímetros. Na soja, o problema, no momento, é o calor, que agrava a ferrugem asiática. E, se persistir a falta de chuva, teremos prejuízo no desenvolvimento das lavouras”, confirma Konrad.

    No Norte do Estado, produtores como Roberto Bergamini já calculam os prejuízos em boa parte da lavoura. O produtor do município de Quatro Irmãos, próximo de Erechim, calcula perda de 40% nos 380 hectares semeados com milho e que não contam com irrigação. Com isso, a produtividade deverá cair a ponto de Bergamini já estimar que o rendimento nesta área não deverá nem pagar os custos de produção.

    “Dos 500 hectares totais plantados com milho, a produtividade só será boa em 120 hectares que contam com pivô. Pelo menos desde 2011 não tinha uma perda assim”, relata Bergamini.

    Os danos no Norte do Estado, porém, são relativos, de acordo com Alexandre Doneda, coordenador técnico de difusão da Cotrijal. Ele considera que ainda é cedo para estimar as perdas. Isso porque, em parte das lavouras, o crescimento ainda pode ser revertido caso venha a chover nos próximos dias. “Mas há perda de potencial de produtividade em diferentes regiões que atendemos”, explica Doneda.

    No caso da soja, em regiões onde houve o plantio superprecoce, como Passo Fundo, Cruz Alta e Não-Me-Toque, nas quais a planta já está florescendo, há alguma quebra, de acordo com o presidente da Aprosoja-RS, Luiz Fernando Fucks. “Mas, dependendo do que ocorrer daqui para frente, pode comprometer a projeção de uma colheita de 119 milhões de toneladas. A irregularidade de chuvas começa a assustar. O mês de janeiro com pouca umidade no solo é perigoso”, alerta Fucks.

    Informativo da Emater aponta perdas na região do Vale do Rio Pardo

    Em Informativo Conjuntural divulgado pela Emater, a entidade mostra que a maior parte das lavouras semeadas com milho no Estado (40%) estão na fase de enchimento de grãos. Nas regiões de Santa Rosa e Frederico Westphalen, respectivamente, 3% e 2% das áreas já foram colhidas. A implantação da cultura do milho no Rio Grande do Sul chegou a 94% da área de 777.442 hectares da intenção de plantio no Estado.

    Atualmente, 30% das lavouras estão na fase de desenvolvimento vegetativo, 19% em floração, 40% em enchimento de grãos e 11% em maturação. No geral, a entidade avalia que as lavouras de milho apresentam bom desenvolvimento, mas em áreas nas quais as chuvas têm sido irregulares e com baixos volumes, já se contabilizam perdas de produtividade, principalmente em lavouras nas quais a fase atual é de enchimento de grãos.

    As perdas mais expressivas ocorrem nos municípios de Rio Pardo, Pantano Grande e Encruzilhada do Sul, onde não ocorreram chuvas ao longo das últimas semanas. A Emater também chama a atenção para a região de Caxias do Sul, com acentuado déficit hídrico afetando o rendimento das lavouras em fase de floração.

    Na região de Frederico Westphalen, a cultura segue com bom aspecto, apesar de algumas áreas apresentarem sintomas de estresse hídrico. Na Regional de Ijuí, 98% da área prevista para a safra está semeada, e a cultura tem apresentado variação no potencial produtivo em virtude da variabilidade do volume de chuvas que ocorreram na região. As áreas cultivadas com irrigação e aquelas em que houve chuvas com excelente volume de precipitação têm colaborado para minimizar os impactos da redução da produtividade na região.

  • Refúgio e boas práticas: aliados na preservação do potencial produtivo da soja

    Se hoje o Brasil é líder na exportação de soja e o segundo maior produtor do grão, é porque existe uma história de muito trabalho, pesquisa e investimento por trás disso. Na última safra, foram produzidas mais de 114 milhões de toneladas da oleaginosa. O número é três vezes maior que o resultado obtido em 1998, antes da chegada de tecnologias inovadoras para a cultura.

    Com a chegada de INTACTA RR2 PRO®, em 2013, o impacto da biotecnologia na produção nacional pôde ser ainda mais facilmente percebido em números. A biotecnologia permitiu uma proteção eficaz contra as principais lagartas da soja, associada a tolerância ao glifosato (Roundup Ready), ajudando a alavancar o potencial produtivo das lavouras.

    Porém, para que essa proteção se mantenha eficaz, um conjunto de boas práticas é recomendado. O refúgio, plantio de 20% de sementes não Bt, é uma ferramenta essencial para a sustentabilidade da biotecnologia, possibilitando que pragas suscetíveis às proteínas Bt acasalem com indivíduos resistentes, repassando essa suscetibilidade às próximas gerações.

    O plantio de refúgio é o principal componente do Manejo Integrado de Pragas (MIP), um conjunto de boas práticas agronômicas que contribuem para que a biotecnologia expresse todo o seu potencial. Elas incluem a dessecação antecipada, o tratamento de sementes, e a identificação e o monitoramento de pragas, entre outras. Aliado a essas práticas, o refúgio contribui para proteger o potencial produtivo da lavoura de soja.

    A importância do refúgio torna-se ainda mais evidente quando lembramos que o processo de desenvolvimento de novas tecnologias é longo e demanda alto investimento. Frente a este cenário, a adoção desta prática é a melhor forma de preservar a sustentabilidade da biotecnologia e continuar vendo os índices de produtividade subirem ano após ano.

    Fontes:

    https://www.embrapa.br/soja/cultivos/soja1/dados-economicos

    https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/05/brasil-assume-lideranca-mundial-na-producao-de-soja-segundo-eua.shtml

  • RS suspende aplicação do agrotóxico 2,4-D até o fim do ano

    A aplicação do agroquímico 2,4-D será suspensa no Rio Grande do Sul até o dia 31 de dezembro, podendo ser revogada se os fiscais estaduais agropecuários encerrarem a greve antes do fim do mês. A decisão foi tomada nesta terça-feira (3) em reunião na Secretaria Estadual da Agricultura com grupo de trabalho formado por representantes de governo, Ministério Público (MP), produtores de grãos, indústrias químicas e fruticultores atingidos pela deriva do produto.

    No mesmo dia, foi divulgado o restante das análises laboratoriais feitas em 103 propriedades: das 143 amostras coletadas, 132 deram resultado positivo para presença do herbicida – 92% dos casos – em 41 municípios (veja lista abaixo).

  • Soja terá a menor expansão de 4 safras, diz Rabobank

    O Rabobank divulgou nesta segunda-feira (02) as perspectivas para o negócio brasileiro. Entre os destaques está a soja.  A  previsão é de que a área de soja semeada no Brasil atinja 36,5 milhões de hectares na safra 2019/20, aumento de 1,7% em relação à temporada anterior. Este é o menor percentual de expansão do que a média das últimas 4 safras (2,8%).

    Mesmo assim o estudo aponta que ainda há espaço para conversão de pastagens subutilizadas para áreas agrícolas no país. Com a perspectiva de expansão de área e retomada da produtividade o Rabobank estima que a produção brasileira de soja alcance 121 milhões de toneladas na safra 2019/20.

    ACESSO O COTRIFACIL, O MERCADO ONLINE DA COTRIJUC

    Um cenário que chama a atenção é a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Este ano foi marcado por oscilações nas cotações da oleaginosa no mercado internacional justamente pela tensão entre os dois países.

    Em meio a isso os prêmios de exportação no Brasil também se mostraram pressionados, o que resultou em um cenário mais desafiador de preços, principalmente no que se refere às cotações em dólar no Brasil. A relação comercial entre as duas potências econômicas segue no foco em 2020. Em caso de trégua a China compraria cerca de 8 milhões de toneladas de soja norte-americana por trimestre.

    A China, que atualmente atravessa um surto de Peste Suína Africana, também está no foco da soja brasileira. Caso o país consiga superar o problema sanitário poderia retomar as importações da oleaginosa, com projeção de 90 milhões de toneladas em 2020, 8,5% superior ao esperado em 2019.

    Por: AGROLINK –Eliza Maliszewski

  • Nematoides em Soja: Importância e manejo

    Autores: Caroline Wesp Guterres – Doutora em fitotecnia com ênfase em fitopatologia Pesquisadora da CCGL; Elaine Deuner – Bióloga e Engenheira Agrônoma Encarregada de Laboratório CCGL

    ESPÉCIES MAIS COMUNS E SINTOMATOLOGIA

    Nematoides são vermes fitoparasitas que afetam o fluxo de absorção e translocação de água e nutrientes na planta, podendo causar perdas na produtividade de soja que variam entre 15 e 20%. Em situações de ambiente favorável, uso de cultivares suscetíveis e altos níveis populacionais, as perdas podem ser ainda maiores. No Rio Grande do Sul os problemas com nematoides vêm crescendo em importância.

    Isto se deve ao sistema intensivo de cultivo de soja, sem rotação de culturas, mas principalmente, ao desconhecimento sobre a ocorrência do problema nas áreas. Por serem, de certa forma, desconhecidos dos produtores, os sintomas causados por nematoides geralmente são creditados a outras causas, como estresses hídricos, problemas nutricionais, compactação ou encharcamento de solo e, até mesmo, fungos de solo.

    As espécies mais importantes no Rio Grande do Sul são dos nematoides de galhas (Meloidogyne javanica e M. incognita), nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus) e nematoide de cisto (Heterodera glycines) (Quadros et al., 2003).  De acordo com levantamento realizado por Ghissi-Mazzetti et al., (2016) em amostras de 116 municípios do RS, Meloidogyne spp. e Pratylenchus spp. são os gêneros mais frequentes. Dentre os nematoides de galha, a espécie mais frequente no RS é javanica, encontrada em 82% das amostras avaliadas por Kirsch et al. (2016) nas regiões Norte, Noroeste e Sul do RS.

    Os sintomas mais comuns do ataque de nematoides ocorrem em reboleiras e se caracterizam pela redução no crescimento de raízes e parte aérea, amarelecimento de plantas e abortamento de vagens. Porém, os sintomas podem variar de acordo com a espécie ocorrente. Por exemplo, o engrossamento do sistema radicular e a presença de folhas carijós é característico dos nematoides de galhas, gênero Meloidogyne spp.; a presença de cistos superficialmente nas raízes, é característica do nematoide de cisto, gênero Heterodera e a presença de lesões escuras nas raízes, do nematoide das lesões radiculares, gênero Pratylenchus spp. (Figura 1) Dias et al. (2010).


     

    ESTRATÉGIAS DE MANEJO

    O controle de nematoides é complexo e envolve diversas práticas integradas a fim de reduzir os níveis populacionais. Sendo assim, é fundamental evitar a introdução do patógeno em áreas não infestadas, já que após a infestação, é praticamente impossível erradicar os nematoides da área. Devido ao desconhecimento, não há um cuidado específico, como no trânsito de máquinas e implementos agrícolas de áreas infestadas, para áreas não infestadas, contribuindo para a disseminação do patógeno. Quando o problema com nematoides já existe, o primeiro passo é identificar qual espécie está presente na lavoura e quais seus níveis populacionais para, a partir daí, direcionar as melhores práticas de manejo.

    As principais estratégias incluem a utilização de cultivares de soja resistentes ou com baixo fator de reprodução e a rotação bem planejada com espécies não hospedeiras (Quadro 1) (Matsuo et al., 2012, Dias et al, 2010).

    Outras ações importantes são a eliminação de plantas daninhas (que podem multiplicar nematoides); a manutenção de bons níveis de potássio; a melhoria do pH em todo o perfil do solo; o aumento nos teores de matéria orgânica;


    Quadro 1. Diferentes espécies de plantas e suas respectivas reações ás principais espécies de nematoides da soja encontradas no Rio Grande do Sul. Adaptado de Inomoto & Asmus (2014) e Santos (2019).A adoção de práticas que desfavoreçam a compactação de solos; a utilização de tratamento químico nas sementes ou no sulco de plantio (abamectina, cadusafós, fluensulfona, fluazinam + tiofanato-metílico, imidacloprido + tiodicarbe e tiodicarbe); o controle biológico (Bacillus spp., Pasteuria spp., Paecilomyces lilacinus e Trichoderma spp.) e a limpeza de máquinas e implementos agrícolas utilizados em áreas infestadas, que devem sempre ser manejadas por último (Quadros et al., 2003).

    CONSIDERAÇÕES FINAIS

    Para a correta identificação de qual espécie de nematoides predomina em uma área afetada, deve-se realizar amostragem de solo e raízes e enviar a laboratório capacitado na realização destas análises. A partir do início de 2020 o Laboratório de Fitopatologia da CCGL irá realizar análises nematológicas. Com esta informação, os produtores terão mais subsídios para determinar as melhores estratégias de manejo a serem utilizadas em suas áreas, reduzindo os prejuízos com nematoides e maximizando a produtividade da soja.

    Fonte: CCGL

    Texto originalmente publicado em:
    Boletim Técnico nº 76
    Autor: CCGL