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19 de janeiro de 2023

  • Estiagem preocupa cooperativas no Rio Grande do Sul

    No milho, segundo a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul, já são registradas perdas irreversíveis

    Pelo segundo ano consecutivo o Rio Grande do Sul é assolado por uma estiagem que preocupa os produtores.

    No milho, segundo a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), já são registradas perdas irreversíveis.

    A preocupação agora é com a cultura da soja se não houver chuvas nas próximas semanas.

    Segundo o presidente da entidade, Paulo Pires, em regiões como as Missões já se tem de 75% a 80% de perdas no milho, escapando só aquele milho plantado em julho que é de alto risco porque o produtor perde potencial produtivo e arrisca a perder com o frio e a geada.

    “No milho temos perdas expressivas. Sabemos que no milho tem uma questão variável, pois uma parte do Estado planta mais tarde e em alguma parte pode ter chovido. Infelizmente é algo muito ruim para a economia do Rio Grande do Sul que são duas estiagens, uma atrás da outra”, destaca.

    Já na soja, o dirigente ressalta que ainda é difícil falar em perdas, pois elas têm diferentes proporções.

    “Em alguns lugares até choveu um pouco, tem lugar que plantou mais tarde, então é difícil falar neste momento de perdas na soja. O que nos preocupa muito é que não temos uma perspectiva de normalização de chuvas”, observa.

    Pires salienta ainda sobre a questão dos produtos do milho e da soja irrigados, informando que acabou a água praticamente na maioria dos reservatórios e não se tem como repor essa água porque não existem chuvas.

    “As chuvas infelizmente são muito pequenas e a pior notícia é que não existem perspectivas de grandes chuvas até o final de janeiro”, ressalta.

    Para confortar, de acordo com o presidente da FecoAgro/RS, é que existem lugares no Rio Grande do Sul onde andou chovendo e se terá alguma recuperação de perdas.

    “Mas falando em geral, temos um momento difícil para a agropecuária do Rio Grande do Sul e consequentemente para sua economia. Teremos mais uma vez uma frustração de safra, resta saber o tamanho”, completa.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Clima adverso na Argentina: preços do trigo devem subir

    E isso deve encarecer o mercado do cereal no Brasil, avalia Carlos Cogo

    Com a safra 2022/23 encerrada, a produção de trigo na Argentina ficou 10 milhões de toneladas abaixo do ciclo anterior. Os dados da Bolsa de Grãos de Buenos Aires são consequência do clima adverso no país, que sofreu tanto com seca quanto com geadas.

    A situação adversa na Argentina faz com que a tendência seja a de que os preços do cereal subam e, assim, encareçam as importações brasileiras. É o que explicou o consultor Cargo Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócio, em entrevista ao Canal Rural. Cogo informou que o trigo brasileiro está, atualmente, mais barato que o da Argentina e o dos Estados Unidos, com os valores por saca de 60 quilos na casa dos R$ 100, R$ 143 e R$ 151, respectivamente. Porém, diante da quebra de safra da Argentina e do recorde de produção pelo Brasil, essa diferença deve diminuir.

    “No mercado interno, essa diferença tende a começar a encurtar a partir de fevereiro, março e abril”, pontuou Cogo. “Os moinhos vão ter que recorrer para o produto nacional em função dessa quebra de safra da Argentina, que reduziu extremamente o excedente argentino. A Argentina tinha quase 15 milhões [de trigo] para exportar no ano passado. Neste ano, tem quase 7 milhões”, prosseguiu o consultor.

    Chance de desabastecimento de trigo no Brasil?

    Questionado se há risco de o país enfrentar desabastecimento de trigo, Carlos Cogo destacou não acreditar nisso. Ele registrou que então maiores produtores do cereal antes da guerra, Ucrânia e Rússia estão voltando ao mercado internacional. Além disso, avisou que o Paraná conta com estoques do produto.

    O entrevistado, contudo, reforçou: os preços do trigo devem subir no Brasil no decorrer dos próximos meses. “Não há risco de desabastecimento, mas, com certeza, nós vamos ter a alta dos preços internos. Do trigo, primeiro. E depois, evidentemente, da farinha e dos derivados de trigo”, afirmou Cogo.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Anomalia da soja: pesquisa revela novas informações

    Estudos da Fundação MT identificaram dois fungos que podem ter relação direta com o quebramento de hastes e apodrecimento de vagens

    Com experimentos a campo instalados em Sorriso e Nova Mutum, municípios no norte e médio-norte de Mato Grosso, respectivamente, os pesquisadores da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT) já avançaram em alguns pontos acerca da temática ‘anomalia das vagens de soja e quebramento das hastes’.

    O problema vem ocorrendo há quatro safras, especialmente nas lavouras do eixo da BR-163, e é acompanhado por uma rede composta por instituições de pesquisa, empresas de melhoramento genético, consultorias e sementeiras desde a safra 2021/22. Produtores do Sul do país, especialmente Paraná, também relatam eventos semelhantes.

    Resultados recém obtidos pela instituição apontam frequência de 50% de ocorrência do complexo de fungos Diaphorte/Phomopsis e 61% do fungo do gênero Colletotrichum spp, agente causal da antracnose, tanto na haste como na vagem de soja.

    A estratégia de coleta das amostras buscou contemplar os mais contrastantes cenários: plantas sintomáticas para anomalia e quebramento em cada uma das cultivares, a sensível e a menos sensível (não necessariamente imune a cada problema), bem como plantas sadias nas mesmas cultivares.

    Isso gerou a base de comparação necessária que a pesquisa precisa para dar o próximo passo na direção da compreensão das causas dos dois problemas. Os resultados indicaram a presença de Diaphorte em situações nas quais não havia nenhum sintoma externo de quebramento e anomalia, nem a presença de estrias.

    Resultados de análises moleculares

    A pesquisadora da área de Fitopatologia e Biológicos da Fundação MT, Karla Kudlawiec, uma das responsáveis pelos experimentos, destaca que agora estão sendo aguardados os resultados das análises moleculares.

    “Também vamos continuar com as coletas e avaliação ao longo do tempo de materiais semeados em outras épocas e verificar a frequência de ocorrência desses principais patógenos. Além disso, seguimos averiguando se tanto o quebramento da haste como anomalia das vagens são causados por um mesmo agente ou se são coisas distintas”, define.

    A parte molecular vai ajudar a entender quais são as espécies envolvidas e quais fatores podem modular a ocorrência ou não do problema, já que as análises encontraram o fungo Diaphorte mesmo quando não havia sintoma.

    A pesquisadora complementa que, embora essa linha de pesquisa seja a mais estudada nesse momento, outras linhas que envolvem a interação com nutrição das plantas e respostas de hipersensibilidade da planta ainda seguem em avaliação.

    Cenário da safra

    Até este momento da safra 2022/23, tanto a incidência como a severidade dos sintomas de anomalia das vagens e quebramento das hastes estão menores com relação ao ciclo passado. No entanto, os pesquisadores alertam que nada impede que esse cenário mude, inclusive já há progressão do problema.

    “De modo geral, em nossa estação em Sorriso e nas lavouras comerciais que tivemos reportes dos produtores, os sintomas nesta safra surgiram no estádio R6, diferente do ano passado que foi em R5 e R5.4”, explica Felipe Araújo, pesquisador de Fitotecnia e também responsável pelos experimentos.

    As diferenças, de acordo com os especialistas, podem estar relacionadas às condições climáticas do ciclo atual, com estádios fenológicos durando mais tempo e assim os sintomas sendo observados mais tarde. Outra possibilidade apontada para a menor severidade de sintomas pode ser, por parte do produtor, pela utilização de materiais genéticos menos sensíveis ao problema.

    Além disso, pela construção de programas de fungicidas mais robustos, que levam em conta desde a seleção de produtos como também a adição de mais produtos em cada timing, e a ampliação do tempo de cobertura da cultura pelo programa.

    Ação dos fungicidas contra a anomalia

    Há novidades positivas destacadas pelos pesquisadores em relação ao manejo da anomalia. Nos ensaios conduzidos pela Fundação MT, são avaliados fungicidas para mitigação do problema e os resultados variam de 4% a 24% de incidência com o uso de fungicidas e sem aplicações, respectivamente.

    “Várias misturas que envolvem distintos grupos químicos estão apresentando resultados positivos, assim como fungicidas multissítios também estão somando positivamente”, relata Karla.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/