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  • Safra de 2019 deve ser 1,1% maior do que a temporada passada

    A oferta de trigo para a indústria moageira nacional deverá ser favorável no segundo semestre de 2019 e início do próximo ano, considerando que a produção argentina, principal abastecedor dos moinhos brasileiros, tende à normalidade e a liberação da importação com taxa zero de 750 mil toneladas.

    “Outra boa notícia é que a produção brasileira em 2019 deverá alcançar 5,488 milhões de toneladas, com crescimento de 1,1% sobre a temporada passada, quando foram colhidas 5,428 milhões de toneladas”, salienta o embaixador Rubens Barbosa, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

    “Esses números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam melhoria da produtividade da cultura nacional, considerando que a área plantada este ano, de 1,993 milhão de hectares é 2,4% menor em relação à do ano anterior, de 2,042 milhões de hectares”, frisa Barbosa.

    A produtividade projetada é de 2.753 quilos por hectare, 3,6% acima do ano anterior, quando foi de 2.657 quilos por hectare. O Paraná deverá ter safra de 2,747 milhões de toneladas, com queda de 3,1% sobre o ano anterior. No Rio Grande do Sul, a produção deverá subir 3,4%, chegando a 1,936 milhão de toneladas.

    “Com a diversificação dos fornecedores, incluindo Argentina, os produtores brasileiros e os de outros países, nossa indústria moageira conta com quantidade e variedades adequadas de trigo para atender o mercado nacional em volume e tipos de farinha”, conclui o embaixador.

  • Consumo mundial de trigo deve aumentar em 19/20

    A oferta e o consumo mundiais de trigo na safra 2019/20 devem ser maiores do que os da temporada anterior, o que pode elevar a relação estoque/consumo para o terceiro maior patamar da história (37,89%) e pressionar as cotações no médio prazo.

    De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a oferta mundial do cereal pode somar 771,46 milhões de toneladas, volume 1,2% inferior ao estimado no relatório anterior, mas 5,5% superior à produção de 2018/19, reflexo do aumento na disponibilidade na União Europeia, Austrália, Rússia e Ucrânia.

    O consumo, por sua vez, está estimado em 760,15 milhões de toneladas, 3,2% maior do que em 2018/19, mas queda de 0,4% frente ao reportado em junho. No caso dos Estados Unidos, a oferta deve aumentar e os preços podem cair, contribuindo para a maior relação estoque/consumo mundial.

    No Brasil, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2019/20, a oferta deve ser de 5,49 milhões de toneladas, 1,1% maior do que a da temporada anterior e 0,27% acima do previsto em junho. Esse volume somado às importações de 7,2 milhões de toneladas e ao estoque inicial de 831,8 mil toneladas podem resultar em disponibilidade interna de 13,52 milhões de toneladas.

  • Soja: um negócio da China, mas para o Brasil

    Responsável pelo ingresso de mais de US$ 41 bilhões (2018) ou cerca de 15% de tudo o que o Brasil exportou no ano, a soja ponteia soberana no horizonte do agronegócio nacional. Ela reina no lugar que já foi da cana-de-açúcar (Brasil Colônia) e do café (Brasil Império/República), e tudo indica que não cederá esse espaço tão cedo – se é que algum dia o cederá – de vez que o Brasil é a principal promessa de oferta futura do grão para o mercado mundial, dadas as suas imensas reservas de terras aptas e disponíveis para o seu cultivo.

    Em 2019, a soja está comemorando 137 anos desde sua introdução no país. Ela ingressou e foi testada pela primeira vez no Estado da Bahia, numa latitude próxima a 12ºS, onde fracassou como potencial lavoura comercial na época, dadas as condições de baixa latitude da região.

    Nessa época, as variedades de soja disponíveis no mercado mundial, só se adaptavam em latitudes próximas ou superiores a 30°, prevalecentes nos principais países produtores de soja da época: China e Estados Unidos (EUA), principalmente.

    Dadas as condições desfavoráveis para o seu desenvolvimento na Bahia, a soja permaneceu esquecida no Brasil por mais de meio século.

    Foi somente a partir da década de 1940, quando testada para as condições subtropicais do extremo sul brasileiro (latitudes de 25°S a 32°S), que a soja despontou com reais possibilidades de expandir-se pelo Brasil, dadas as semelhanças edafoclimáticas entre o sul do Brasil e sul dos EUA, origem dos materiais genéticos testados.

    LEIA TAMBÉM: Local interfere na resposta das plantas ao calor

    O primeiro registro de produção comercial de soja no Brasil data de 1941: área de 702 ha, produção de 457 toneladas (t) e rendimento inferior a 700 kg/ha. Nesse mesmo ano, foi instalada em Santa Rosa, Rio Grande do Sul, a primeira esmagadora de soja do país. Ali, também, teve início o cultivo comercial da oleaginosa em território brasileiro, alcançando as 25 mil t em 1949, 100 mil t em meados dos anos 50 e 1,0 milhão de toneladas (Mt) em 1969, a partir de quando a produção explodiu, alcançando cerca de 15 Mt em 1979 e promovendo o Brasil de produtor periférico até 1970, para a segunda posição no ranking dos grandes produtores mundiais de soja e alcançando a liderança em 2018/19. Sua participação no bolo global cresceu de 1% em 1960, para cerca de 33,5% em 2018, quando o País desfrutou a colheita recorde de 119 Mt.

    Depois de ocupar praticamente todas as áreas disponíveis para o seu cultivo na Região Sul, a soja avançou com extremo apetite sobre a despovoada e desvalorizada Região de Cerrado do meio-oeste brasileiro, transformando essa região desprestigiada no principal celeiro do país.

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    Em 1970, a produção da oleaginosa na região tropical brasileira era insignificante: 1,37% da produção nacional. Avançou para 15,33% em 1979, para 44,4% no final dos anos 80 e atualmente lidera a produção do país com o porcentual de 77,2%, sinalizando que poderá ocupar mais espaços a cada nova safra, se a demanda do mercado assim o desejar.

    A década de 1970 foi a década da virada do agronegócio brasileiro e a soja foi o motor dessa transformação. Foi o início de uma viagem sem volta rumo à região central do país, elevando a produção da região quase 100 vezes (722 mil toneladas em 1978 ante 77,2 Mt em 2017), conforme já anteriormente sinalizado. No mesmo período, a produção da região tradicional (RS, SC, PR e SP) também cresceu, passando de 7,3 Mt em 1970, para 42 Mt em 2018.

    As principais causas do rápido avanço da soja na região subtropical foram seus altos preços de mercado em meados dos anos 70, além da boa adaptação das variedades introduzidas dos EUA. Também foi importante o perfeito casamento da leguminosa com o trigo, permitindo a colheita de duas safras no mesmo ano, utilizando a mesma infra-estrutura de armazéns, de máquinas e de mão-de-obra.

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    Para a região central do país, o grande motivador para o deslanche da produção da soja foi o baixo preço da terra de Cerrado e o desenvolvimento da soja adaptada às condições de baixa latitude do Centro Oeste e a um conjunto de outras tecnologias, principalmente as vinculadas ao manejo do solo e da sua fertilidade, as quais viabilizaram o Bioma como importante centro de produção de grãos, fibras e carnes.

    Também, foram eventos importantes para o desenvolvimento do Cerrado, a boa distribuição das chuvas no verão; a topografia favorável à mecanização e a melhoria da infra-estrutura de rodovias e comunicações, no marco da construção de Brasília, a nova Capital do Brasil. Finalmente, contou positivamente para o avanço da soja na região tropical, o bom nível econômico e tecnológico dos produtores que migraram do sul, levando a experiência no manejo da cultura e a garra do gaúcho, além de algum capital para investimentos.

    Na sua curta trajetória pelo Brasil, a soja enfrentou problemas que foram rapidamente solucionados pela pesquisa nacional. Nos anos 60, embora a pesquisa fosse pouca e concentrada – como a própria soja – no sul do país, os problemas também eram poucos. Os mais importantes foram a falta de boas variedades e o controle das plantas daninhas, do percevejo verde e da lagarta da soja.

    As doenças não constituíam um problema tão sério quanto o é atualmente e, portanto, eram quase negligenciadas. Pústula bacteriana e Fogo selvagem constituíram as doenças mais importantes, sendo facilmente controladas pela incorporação de genes de resistência disponíveis na coleção de germoplasma da Embrapa.

    Confira: Cotrijuc entra para o clube do Bilhão e é homenageada pela ACCIJUC

    Na década de 1970, a pesquisa com soja foi fortalecida com o estabelecimento da Embrapa Soja (Londrina, PR) e por outras unidades de pesquisa, com destaque para a Emgopa (Goiás) e a Embrapa Cerrados, no Distrito Federal. Variedades adaptadas para as condições do Brasil-Central foram desenvolvidas, assim como variedades resistentes à Mancha-olho-de-rã, uma doença desconhecida e com potencial de dano maior do que as doenças conhecidas até então.

    O preço excepcional da soja em meados dos anos 70, além de estimular o produtor ao uso de mais e melhores tecnologias, sua rentabilidade também favoreceu excessos no uso de pesticidas, problema parcialmente contornado com a implementação do programa Manejo Integrado de Pragas (MIP), o que reduziu de cinco para duas a média anual de pulverizações com inseticidas. Infelizmente, o programa perdeu força e os agricultores estão voltando ao passado.

    A década de 1980 foi muito produtiva no desenvolvimento e oferta de variedades e outras tecnologias ligadas ao manejo dos solos e da nutrição das plantas para a região do Cerrado. No final dessa década, surgiu o Cancro-da-haste, a mais devastadora doença da soja registrada até essa data.

    Felizmente, a existência de abundantes fontes de resistência no banco de germoplasma da Embrapa permitiu que o mal fosse prontamente sanado, via incorporação de resistência em novas variedades comerciais.

    Na década de 1990, a soja continuou a expandir-se no bioma Cerrado e com ela foram aparecendo problemas novos, como o nematoide de cisto (anos 90) e a Ferrugem Asiática (2001), presentemente a mais importante doença da soja no mundo. Para o nematóide de cisto, a pesquisa já disponibilizou variedades tolerantes ao problema, mas não vislumbra solução fácil para o problema da Ferrugem, visto não haver sido encontrada, ainda, uma boa fonte de resistência genética à doença. A solução, em curto prazo, é o tratamento com fungicidas.

    Atualmente, a pesquisa está concentrando esforços no desenvolvimento de cultivares transgênicas, incorporando novos genes, não apenas aqueles que conferem resistência a herbicidas (soja RR) e a insetos-praga (soja Bt), mas, também, variedades com melhores características nutricionais, com tolerância ao déficit hídrico, com características terapêuticas assim como, ciclo e porte mais adequados aos sistemas de produção de cada local.

    O futuro da soja brasileira é promissor. Não há brasileiro que não esteja excitado com o bom momento que viveu e vive o mercado da soja no Brasil e as boas perspectivas desse agronegócio para o futuro do país. Realizando um exercício de prospecção sobre o que poderá acontecer com a soja brasileira, tomando como base a realidade atual, parece pertinente afirmar que:

    •    a demanda mundial pela soja continuará crescendo no ritmo das três ultimas décadas, de vez que a população humana, no curto e médio prazos, continuará crescendo, e precisando de mais alimentos;
    •    o poder aquisitivo da população continuará aumentando, destacadamente no Continente Asiático, onde se concentra o maior contingente de humanos;
    •    os usos industriais do grão de soja (biodiesel, tintas, vernizes, lubrificantes, detergentes, adesivos, entre outros), apoiarão o aumento da demanda pelo uso não alimentício do grão da oleaginosa;
    •    o consumo interno de soja crescerá, estimulado pelo eficiente crescimento da indústria de carnes, cuja produção é altamente dependente do farelo proteico da soja;
    •    o protecionismo e os subsídios disponibilizados à soja pelos países ricos tenderão a diminuir por pressão dos países que integram a Organização Mundial do Comércio, aumentando, conseqüentemente, os preços internacionais e estimulando a produção e as exportações brasileiras;
    •    a produção de soja dos principais concorrentes do Brasil (EUA, Argentina, China, Índia e Paraguai), que juntos com o Brasil produzem mais de 90% da soja mundial, tendem a estabilizar-se ou crescer pouco, pois suas fronteiras agrícolas, diferentemente do Brasil, estão quase ou totalmente esgotadas;
    •    a cadeia produtiva da soja brasileira, excessivamente onerada por uma cascata de impostos, deverá ser desonerada para incrementar a sua competitividade no mercado externo, de vez que o país convive com a necessidade de exportar mais, para almejar uma posição mais justa no mercado global;
    •    a produção de soja no Brasil, tenderá a concentrar-se cada vez mais em grandes propriedades da região central, onde o uso intensivo de tecnologia é uma prática rotineira e, como resultado, a produtividade é maior. Por falta de competitividade, a produção de soja das pequenas e médias propriedades da Região Sul tenderá a ser substituída por atividades agrícolas mais rentáveis (mais intensivas no uso de mão-de-obra), como produção de leite, criação de suínos e de aves, cultivo de frutas e de hortaliças, ecoturismo, entre outras; e
    •    o Brasil deverá ser o grande provedor do esperado aumento da demanda mundial de soja por possuir, apenas no ecossistema do Cerrado, mais de 50 milhões de hectares de terras ainda selvagens ou com pastagens degradadas e aptas para a sua imediata incorporação ao processo produtivo de soja e outros grãos. O mercado ditará a velocidade com que isso poderá acontecer.

    A soja foi um grande negócio para a China, hoje é um grande negócio do Brasil.

    Por: Amélio Dall’Agnol – Pesquisador Embrapa Soja

  • Tempo: Nova frente fria sobe pelo Sul do País

    A instabilidade de uma frente fria avança sobre novas áreas da Região Sul nesta segunda-feira. Ainda chove na Região e a temperatura entra em declínio nos três estados.

    Uma nova massa de ar frio de origem polar avança sobre o Sul do Brasil e, nesta segunda-feira, 15 de julho, vai atuar com força sobre o Sul do Brasil, chegando ao Sudeste. A temperatura tem acentuado declínio em todos os Estados e a sensação de frio é grande o dia todo.

    Na terça-feira, 16, volta a gear de forma quase generalizada no Rio Grande do Sul e no interior de Santa Catarina.

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    Já no Sudeste, as cidades que fazem divisa com Paraná e a região de Presidente Prudente vão ter sol, mas a previsão indica o retorno da chuva entre a tarde e a noite da segunda-feira(15).

    Fonte: Notícias Agrícolas

  • Soja inicia semana em Chicago com leves baixas e ligeira realização de lucros nesta 2ª

    Os preços da soja trabalham com leves baixas na manhã desta segunda-feira (15) na Bolsa de Chicago. As cotações da oleaginosa, por volta de 7h55 (horário de Brasília), perdiam de 2 a 2,50 pontos nos principais contratos, com o agosto valendo US$ 9,16 e o novembro, US$ 9,29 por bushel.

    O mercado realiza lucros depois das boas altas da última semana, principalmente as registradas na sexta-feira (12), que passaram dos 14 pontos. No paralelo, permanece como mais importante foco dos traders neste momento a questão climática nos EUA para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas.

    Nesta segunda, o mercado espera que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traga uma nova redução no índice de lavouras de soja em boas ou excelentes condições no país, para algo entre 51% e 52%, contra 53% da semana anterior e frente à media para o período de 71,4%. O relatório com esses dados chega às 17h (Brasília), pós fechamento da CBOT.

    Ainda na atenção dos players está também a guerra comercial e a falta de avanço nas conversas entre China e Estados Unidos. Embora as negociações tenham sido retomadas, poucas mudanças foram observadas e a pressão do conflito sobre as cotações continua.

  • Show de Prêmios Cotrijuc 70 anos

    REGULAMENTO/PLANO DE OPERAÇÃO DA PROMOÇÃO SHOW DE PRÊMIOS COTRIJUC 70 ANOS

    CERTIFICADO DE AUTORIZAÇÃO SECAP Nº 04.003530/2019

    CLIQUE NO LINK AO LADO PARA LER O REGULAMENTO: Regulamento_0201902752

    PRÊMIOS:

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  • 50 anos da Organização das Cooperativas Brasileiras

    No dia 04 de julho foi celebrado o Dia Internacional do Cooperativismo e os 50 anos da Organização das Cooperativas Brasileiras. No Rio Grande do Sul o setor é um dos que mais cresce.

    O balanço divulgado no relatório Expressão do Cooperativismo Gaúcho 2019 aponta o faturamento recorde de R$ 48,2 bilhões, com incremento de 12,13% em relação ao período anterior. Nos últimos 4 anos o faturamento cresceu 54,63% e já conta com 2,9 milhões de associados.

    Números expressivos no agro

    São 437 cooperativas de 13 ramos de atividades econômicas que geram 63,8 mil empregos diretos. Desses, 90,7% concentram-se nos ramos Agropecuário, Saúde e Crédito.

    As cooperativas agropecuárias formam hoje o segmento economicamente mais forte do cooperativismo gaúcho. Atualmente, 62 cooperativas do Rio Grande do Sul possuem planta agroindustrial, onde processam a matéria-prima e agregam valor em mais de 131 produtos diferentes.

    O presidente do Sistema Ocergs- Sescoop/RS, Vergilio Perius, fez uma análise desse bom desempenho em uma entrevista ao Portal Agrolink:

    Portal Agrolink: a que fatores podemos atribuir o bom desempenho do agro no cooperativismo?
    Vergilio Perius:
     o agronegócio foi campeão de resultados. Houve um incremento no faturamento de venda de soja que estava estocada em 2017 e isso deu uma sobra de 45,6% de crescimento em relação aos outros anos e com um total de R$ 31,7 bilhões de faturamento. Esses são indicadores muitos fortes. O agronegócio responde por um grande número de associados. São mais de 350 mil em 128 cooperativas e emprega diretamente 36,6 mil trabalhadores, o que representa mais da metade do total de trabalhadores em cooperativas do Rio Grande do Sul (são 66 mil no total). O setor se consolidou com o carro chefe do cooperativismo.

    Portal Agrolink: quais os setores mais representativos?
    Vergilio Perius: 
    o setor que tem mais força é o de grãos (soja, milho, trigo e arroz), seguido do leite, vinhos e carnes. Se nos basearmos só em dados da Fecoagro, por exemplo, que trabalha mais o segmento de grãos a gente observa que o incremento de resultados chegou a ser superior ao conjunto. Foi 25% de crescimento só em grãos. Somando todas as outras o crescimento registrado é de 19% no faturamento.

    Portal Agrolink: dá pra se dizer que a soja foi o carro-chefe?
    Vergilio Perius:
     na economia agropecuária o mais importante ainda é a soja. Foram bons preços, dólar alto e com boas políticas cambiais, no ano passado, com produtores e cooperativas vendendo na hora certa, o que colaborou para o bom desempenho.

    Portal Agrolink: é possível afirmar que o cooperativismo gaúcho hoje é consolidado e está otimista?
    Vergilio Perius:
     só para citar um dado extremamente importante: os ativos das cooperativas gaúchas são R$ 74 bilhões. Os negócios R$ 48 bilhões, ou seja, nos sobram R$ 22 bilhões como garantia adicional para que os bancos  e o governo olhe o cooperativismo gaúcho com bons olhos e com segurança jurídica, econômica e ver que dá para investir em cooperativas.

    Portal Agrolink: que importância tem o cooperativismo para a atividade no Estado?
    Vergilio Perius: 
    eu não posso nem imaginar a agricultura do Rio Grande do Sul sem as cooperativas. Anos atrás a FEE fez um estudo que mostrava que se fossem retiradas as cooperativas do Estado hoje teríamos apenas 40% do total de crescimento que era estimado. Tudo o que se produz ou cria aqui, em termos de agricultura e pecuária, sai de algum associado cooperativado. Essa é a nossa força.

    Por: AGROLINK –Eliza Maliszewski

  • Safra recorde de grãos deve chegar a 240,7 milhões de toneladas

    Os números do 10º Levantamento da Safra de Grãos 2018/2019, divulgados nesta quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), indicam que a produção no Brasil deve chegar a 240,7 milhões de toneladas, mais um recorde da série histórica.

    O crescimento deverá ser de 5,7% ou 13 milhões de toneladas acima da safra 2017/18. A área plantada está prevista em 62,9 milhões de hectares, o que representa um aumento de 1,9% em relação à safra anterior.

    Um dos maiores destaques do período, frente à safra passada, é o milho segunda safra, com previsão de produção recorde de 72,4 milhões de t, crescimento de 34,2%. Já o milho primeira safra deve ficar em 26,2 milhões de t, ou seja, queda de 2,5%. Outro destaque é o algodão, com aumento de produção na faixa de 32,9%.

    Isso equivale ao volume de 6,7 milhões de algodão em caroço ou 2,7 milhões de algodão em pluma. No caso da soja há uma redução de 3,6% na produção, atingindo 115 milhões de t. As regiões Centro-Oeste e Sul representam mais de 78% dessa produção.

    O arroz tem produção estimada em 10,4 milhões de t, 13,6% menor que a obtida em 2017/18, devido às reduções ocorridas nos principais estados produtores. Já o feijão primeira safra também apresentou uma redução (22,5%), ficando em 996,9 mil t.

    O clima favorável contribuiu para uma produção de 1,3 milhão de t do feijão segunda safra, 7,1% acima da anterior. E a terceira safra, com plantio finalizado em meados de julho, deve ter produção de 721,5 mil t, 17,5% superior ao volume já produzido em 2017/18.

    Os produtos com maiores aumentos de área plantada foram o milho segunda safra (819,2 mil ha), soja (717,4 mil ha) e algodão (425,5 mil ha). A soja apresentou um crescimento de 2% na área de plantio, chegando a 35,9 milhões de ha.

    Culturas de inverno – Com uma área estimada em 1,99 milhão de ha, 2,4% menor que a área plantada em 2018, a produção de trigo deve ser de 5,5 milhões de toneladas. As demais culturas de inverno (aveia, canola, centeio, cevada e triticale) apresentam um leve aumento na área cultivada, passando de 546,5 mil ha para 552,2 mil ha. As condições climáticas vêm favorecendo as lavouras.

  • Pesquisa desenvolve farinha de pinhão

    Para aproveitar o valor nutricional do pinhão como alimento funcional e sem glúten, a Embrapa Florestas (PR) desenvolveu dois tipos de farinha que podem ser utilizadas em diversas preparações alimentares como bolos, massas e pães. Feitos com pinhão cozido e pinhão cozido e seco, os novos produtos apresentam alto valor nutricional e são isentos de glúten, o que os torna uma excelente alternativa para dietas de pessoas que sofrem de doença celíaca.

    A pesquisadora da Embrapa Cristiane Helm ressalta que o mercado para celíacos ou pessoas com dieta restrita ao glúten é crescente e aposta no diferencial da farinha de pinhão nesse nicho. “É um produto que proporciona uma boa aeração da massa, deixando pães, massas e bolos com sabor mais agradável, além de proporcionar um alto valor nutricional aos consumidores”, informa.

    As duas farinhas possuem formas diferentes de preparo, processamento e indicação culinária, mas ambas podem ser utilizadas como ingrediente em receitas ou simplesmente misturadas na alimentação.

    A farinha de pinhão cozido e seco tem uma vida-de-prateleira maior, já que a água livre é removida por secagem e atende à legislação para farinhas, que determina o limite máximo para o teor de umidade em 12%.

    Além dos celíacos

    Além de não conter glúten, o pinhão tem altos teores de proteínas de elevado valor biológico, pois contém todos os aminoácidos essenciais – que não são sintetizados pelo organismo humano – fibras alimentares e amido. Por isso, seu potencial como alimento funcional tem atraído o interesse de pesquisadores e consumidores.

    O pinhão é um produto com baixo teor lipídico e seu sabor não altera produtos doces ou salgados, o que pode estimular a produção de barras de cereais tanto doces quanto salgadas. Análises sensoriais com produtos extrusados (chips), desenvolvidos pela Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), já estão sendo realizadas, com a possibilidade de compor alimentos menos calóricos e mais saudáveis.

    “Nossas pesquisas apontam que o pinhão tem uma concentração de 3% de amido resistente, o que pode auxiliar na redução da glicemia”, atesta Cristiane Helm. “Por ser rico em fibras, seu consumo pode ajudar a prevenir doenças intestinais, além de ter baixo índice glicêmico e compostos antioxidantes”, completa.

    A caracterização nutricional da semente mostra ainda a presença de ácidos graxos linoleico (ômega 6) e oleico (ômega 9), que contribuem para a redução do colesterol do sangue, ajudando na prevenção de doenças cardiovasculares. “No caso do amido resistente”, explica Helm, “sua concentração de 3% no pinhão indica que pode ajudar na redução da glicemia”.

    Em busca de parceiros para produção

    A pesquisadora Cristiane Helm conta que a farinha já comprovou seus excelentes resultados nos testes realizados. O produto encontra-se, agora, apto para produção em escala. “Acreditamos que pode ser de interesse de agroindústrias produzir e comercializar os dois tipos de farinha. Por isso, estamos em busca de parcerias para que, em breve, elas estejam disponíveis ao mercado consumidor”, anuncia.

  • O efeito de geada em cereais de inverno e em milho

    A geada é um dos elementos climáticos de risco que afeta o desenvolvimento de plantas. O mecanismo de ação de geadas se expressa com temperaturas abaixo do ponto de congelamento.

    A severidade de danos depende do estádio de desenvolvimento e do teor de umidade na planta, das características da cultivar, do tempo de duração da geada, da cobertura de solo, da exposição da lavoura, de correntes de ar e de outras variáveis. A severidade da geada varia a curtas distâncias na lavoura e é difícil de ser determinada.

    Teores de umidade e de sais na planta

    O solo atua como reservatório de calor, estabilizando a temperatura. Os solos úmidos e compactos são melhores condutores de calor e transferem para a superfície o calor armazenado durante o dia. Por outro lado, solos secos e descompactados (aerados) são isolantes térmicos e transferem com dificuldade para a superfície o calor armazenado, favorecendo a formação de geada.

    A concentração de sais nas plantas é importante fator para diminuir a severidade da geada. Solos com elevados teores de nu-trientes e plantas bem nutridas tendem a so-frer menos de geada por causa de teores de sais mais elevados no conteúdo celular, reduzindo seu ponto de congelamento. Plantas com estresse hídrico apresentam menor teor de água e maior relação sais/água reduzindo seu ponto de congelamento. Em café usa-se potássio para nutrir melhor as plantas e concentrar sais na seiva, em períodos de geada, para diminuir os danos.

    Cobertura de solo e exposição da lavoura

    A exposição da lavoura para o oeste (sol poente) mantém a temperatura mais elevada na tarde anterior à geada, aquecendo o solo e reduzindo o risco de congelamento. Por outro lado, na manhã seguinte não haverá exposição direta de sol e o descongelamento será lento e gradativo. A exposição da lavoura para o leste tende a apresentar danos mais severos de geadas. A exposição leste resulta na ausência de aquecimento do solo no entardecer e incidência de sol já nas primeiras horas da manhã, com descongelamento rápido e danos mais severos nas plantas.

    Os solos cobertos com palhas refletem os raios solares do dia anterior e resultam em danos mais severos. O solo nu absorve mais calor durante o dia anterior à geada. O gado bovino, nas noites frias se reúne em áreas de solo nu, pela temperatura amena.

    Milho

    O dano visual de geadas nas plantas de milho, no primeiro dia, é de coloração verde-escuro. Nos dias seguintes as partes danificadas tornam-se marronzeados e claras em função do extravasamento do conteúdo das células provocado pelo rompimento da parede celular causado pelos cristais de gelo. Sintomas mais severos aparecem nas extremidades superiores e nas folhas jovens, com maior teor de água, menor de sais e mais distante da planta (menor reserva de calor).

    Alguns dados indicam que a planta jovem de milho tolera até 50 % de secamento de folhas por geada. Até a fase de seis folhas, o ponto de crescimento do milho está dentro do solo. A morte de plantas poderá ocorrer se o frio for prolongado e a temperatura de congelamento atingir o ponto de crescimento dentro do solo. Em milho o dano aparece na extremidade das folhas jovens (Figura 3).

    Trigo e cevada

    O trigo na fase vegetativa tolera frios e geadas.
    A cevada é mais sensível ao dano de geadas nas fases de crescimento vegetativo e, principalmente, na fase reprodutiva.

    Os danos ocorrem a partir da fase de formação de espiga dentro da bainha da folha.

    A fase mais crítica é a de antese (fecundação) ou floração, quando a planta libera as anteras. Os sintomas aparecem na morte da espiga ou na formação do grão.

    Na fase de espigamento é difícil constatar os danos e estimar as perdas. As espigas e os grãos encontram-se em diferentes fases de desenvolvimento, dificultando a avaliação a campo.

    A gluma (espigueta) do trigo e da cevada mantém a forma e a cor da espiga por alguns dias, mas o grão pode não se desenvolver mais.

    Para estimar o dano de geadas sugere-se determinar o tamanho dos grãos na espiga de trigo em vários pontos da lavoura. Uma semana depois examinar as espigas dos mesmos locais e comprovar o crescimento ou a morte dos grãos. As espigas mortas pela geada, quando amassadas na mão apresentam textura esponjosa e o desenvolvimento de grãos paralisado.

    Fonte: Dirceu Gassen