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27 de julho de 2023

  • Soja impulsiona crescimento de 50% do mercado de defensivos

    Levantamento da consultoria Kynetec mostra a oleaginosa na posição de principal cultivo da indústria do setor, seguida do milho e da cana-de-açúcar

    Com aumento de 6% na área plantada de soja na safra 2022/23, que ultrapassou 44 milhões de hectares, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os defensivos agrícolas para a cultura movimentaram US$ 11,4 bilhões, alta de 50% ante o ciclo anterior (US$ 7,657 bilhões).

    Os dados são do levantamento FarmTrak, da consultoria Kynetec. A oleaginosa, diz a empresa, segue na posição de principal cultivo da indústria do setor, seguida do milho e da cana-de-açúcar.

    De acordo com o gerente de contas da Kynetec, Lucas Lima Alves, os herbicidas foram os produtos mais demandados:

    • Corresponderam a 35% das vendas ou US$ 4,1 bilhões, elevação de 70%, em dólar, ante a safra 2021-22 (US$ 2,391 bilhões).

    mercado de defensivos para a soja

    “Historicamente, a categoria dos fungicidas vinha liderando o ranking de agroquímicos mais representativos na soja”, informa ele.

    Aumento dos herbicidas

    Os herbicidas tiveram o preço empurrado para cima em virtude do aumento do custo de insumos das moléculas-chave ao manejo da lavoura, inclusive glifosatos, responsáveis por quase 60% das transações do segmento, de acordo com Alves.

    “O FarmTrak constatou que o produtor tem aumentado a utilização de herbicidas específicos, como graminicidas, pré-emergentes. A adoção de produtos para folhas estreitas avançou de 46%, em 2018/19, para 77% em 2022/23”, exemplifica.

    O executivo salienta, também, que a utilização de herbicidas específicos pelo produtor avançou em toda a fronteira agrícola, tendo em vista ervas de difícil controle, como capim-amargoso, milho-tiguera, capim-pé-de-galinha e outras.

    evolução de uso graminicidas

    “Os pré-emergentes residuais também subiram em adoção, para 45%, frente a 34% de 2020/21. Tais produtos auxiliam no controle do banco de sementes, evitando a rebrota de plantas daninhas”, comenta Alves.

    Fungicidas e inseticidas para a soja

    Conforme o FarmTrak Soja 2022/23, os fungicidas ficaram na segunda posição entre os agroquímicos mais aplicados na oleaginosa. Assim, a comercialização totalizou:

    • US$ 3,7 bilhões, 33% do total, contra US$ 2,613 bilhões da safra passada, um crescimento de 43%.

    Terceira categoria do levantamento, a dos inseticidas também tracionou o desempenho do setor:

    • Atingiu 21% do montante ou US$ 2,4 bilhões, frente a US$ 1,721 bilhão do ciclo anterior, salto de 40%.

    Complementam o levantamento da Kynetec – resultante de entrevistas pessoais junto a 3,7 mil sojicultores -, os produtos para tratamento de sementes, nematicidas e outros que, somados, movimentaram cerca de US$ 1,2 bilhão.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Medidas integrativas complementares no controle da cigarrinha em produção de milho

    Eliminação do milho tiguera, tratamento de sementes, aplicações de defensivos químicos e biológicos, uso de híbridos de milhos tolerantes ao complexo de enfezamento ajudam a combater a praga, segundo especialista em milho

    A proliferação da cigarrinha (Dalbulus maidis), inseto vetor e disseminador do complexo de enfezamento do milho, pode reduzir a produção de grãos em até 70%, segundo a Embrapa, trazendo prejuízos diversos aos produtores rurais. Atentos ao problema, especialistas e entidades do setor buscam a conscientização dos agricultores para que adotem medidas preventivas de forma integrada, visando controlar a praga. Uma das ações essenciais é a eliminação de plantas de milho voluntário (Tiguera ou guaxo), visando combater o enfezamento.

    Os indicadores de que algo não vai bem com o cultivo são visíveis: plantas mortas, dobrando com o vento e grãos chochos ou malformados, devido ao complexo de enfezamento. O milho tiguera são todos os grãos de milho que acabam ocorrendo, principalmente, nas áreas agrícolas, após a safra do milho e que são perdidos durante o processo de colheita, bem como partes de sabugos com grãos de milho que nascem de forma natural, aleatória, nas áreas agrícolas.

    “Ele acaba servindo de ponte verde entre uma safra e outra, abrigando tanto o inseto quanto os agentes causais das doenças: o enfezamento vermelho, enfezamento amarelo (pálido) e o vírus do raiado fino (vírus da risca). Por isso, ele precisa ser eliminado”, adverte o especialista em cultura do milho da Bayer, Paulo Garollo. “Ao se alimentar de uma planta contaminada com uma das doenças, a cigarrinha pode se infectar e transmitir os três agentes juntos”, completa.

    O maior problema, segundo ele, é que esta praga é resistente. Estudos da Embrapa mostram que em plantas como milheto, a cigarrinha sobrevive por até cinco semanas sem se alimentar, tempo o bastante para aguardar o milho tiguera aparecer e fazer a ponte verde para a próxima safra. “Por isso é importante controlar o milho assim que ele surgir, usando herbicidas graminicidas”, recomenda Garollo.

    Conforme o especialista, é possível prevenir o aparecimento da praga adotando medidas integradas, que precisam começar muito antes da erradicação do milho tiguera. “O produtor deve usar o tratamento de sementes, aplicações de defensivos químicos e biológicos de forma estratégica, uso de híbridos de milhos mais tolerantes ao complexo de enfezamento, ajuste da época de plantio (evitando plantios tardios) e não realizar plantios consecutivos de milho”, cita Garollo.

    Outro ponto importante mencionado pelo especialista é que durante a colheita, o produtor precisa ficar atento à regulagem adequada das máquinas, evitando que caiam muitos grãos no campo, ou mesmo a quebra de espigas, contendo grãos que irão germinar. “Essa germinação pode acontecer até 15 dias depois, por isso é necessário monitorar as áreas após a colheita”, recomenda. E em regiões que passam extensos períodos de estiagem durante o inverno, o milho pode esperar a chuva para crescer, caso de áreas como o Centro-Oeste e Sudeste, em Minas Gerais.

    Tempo determina controle químico da praga
    Herbicidas graminicidas podem ser usados para o controle químico da praga, porém é preciso observar o estádio fenológico do milho tiguera, pois sua ação é efetiva quando aplicada nos primeiros estádios vegetativos da planta (de duas a três folhas). “Quanto mais tarde e mais avançado o crescimento das plantas guaxas, mais difícil será o controle, pois os gastos tendem a aumentar também, tornando o prejuízo maior”, afirma Garollo.

    De acordo com o especialista, tanto graminicidas do grupo químico Ariloxi-Fenoxi Propionatos (FOPs) quanto Oxima Ciclohexanodionas (DIMs) apresentam ótima eficiência no controle da tiguera do milho até o estádio vegetativo de 4 folhas. “Mas se o produtor deixar para controlar o milho tiguera em estádios fenológicos maiores, terá de usar os graminicidas com dosagens maiores, de acordo com o estádio específico no momento da aplicação; provável preferência para os FOPs, que são mais efetivos em nível de campo nas plantas de milho, em relação aos DIMs, por exemplo”, adverte”, adverte.

    Apesar de complexo, o produtor conta com aliados na hora de combater a praga. “Para acompanhar o que está ocorrendo, ele deve procurar a orientação de um engenheiro agrônomo e seguir as regras de aplicação do que for receitado, observando as condições climáticas adequadas, escolha da ponta certa de aplicação, cobertura de gotas, pressão, volume de calda, entre outros detalhes. Assim, adotar medidas em conjunto é essencial para interromper esse ciclo”.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/