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Recuperação de pastagens: a chave da pecuária brasileira para liderar a agenda climática

Sustentabilidade no campo pode colocar o Brasil como protagonista na COP 30. Recuperar pastos degradados é mais que uma necessidade: é uma oportunidade. 

 

pecuária brasileira está diante de uma oportunidade histórica: liderar a agenda climática global com base na recuperação de pastagens degradadas. Quer saber como a pecuária brasileira pode se tornar protagonista na agenda climática? Assista à entrevista abaixo e entenda o potencial da recuperação de pastagens.

Essa prática não só melhora a produtividade do solo, como contribui diretamente para a redução das emissões de carbono e o aumento da sustentabilidade no agronegócio.

O alerta vem em um momento estratégico. Com a COP 30 marcada para 2025, em Belém (PA), é hora de o agro nacional mostrar sua força e compromisso ambiental. Quem reforçou essa visão foi Gustavo Spadotti, chefe geral da Embrapa Territorial, em entrevista ao programa Giro do Boi nesta quarta-feira, 16 de julho.

Segundo ele, o Brasil tem dados concretos e tecnologia para provar que é possível produzir mais, com menos impacto ambiental, valorizando o que já foi desmatado e combatendo o avanço em áreas sensíveis.

Mapeamento nacional revela 44 milhões de hectares com potencial de recuperação

Embrapa Territorial mapeou 44 milhões de hectares de pastagens com algum grau de degradação. Esse levantamento, feito com imagens de satélite e dados oficiais, permite identificar onde é possível intervir para reformar, recuperar ou até transformar essas áreas.

As opções são variadas:

  • Reforma de pastos para torná-los mais produtivos e vigorosos;
  • Conversão para agricultura, aproveitando áreas já abertas para gerar mais alimento;
  • Implantação de florestas comerciais ou nativas, com fins ambientais ou produtivos;
  • Recuperação de ecossistemas, trazendo biodiversidade de volta ao campo.

Esse mapeamento serve como base para que políticas públicas e programas de financiamento sejam mais eficientes, atingindo quem realmente precisa e deseja investir em sustentabilidade.

Pastagens bem manejadas capturam carbono e geram produtividade

solo das pastagens tem papel estratégico na captura de carbono. Quando bem manejadas, essas áreas funcionam como um verdadeiro “sumidouro de carbono”, ajudando o Brasil a alcançar metas ambientais com produtividade.

Por outro lado, quando degradadas, elas emitem carbono para a atmosfera, comprometendo tanto a sustentabilidade quanto a rentabilidade das fazendas. A recuperação dessas áreas, segundo Spadotti, é uma medida urgente e eficaz para:

  • Aumentar os estoques de carbono no solo;
  • Evitar novas emissões;
  • Melhorar o desempenho zootécnico dos animais;
  • Garantir mais segurança alimentar, ao produzir mais sem precisar abrir novas áreas.

Brasil já preserva 66% de seu território e produz em 30%

O Brasil tem números que muitos países gostariam de exibir: 66% do território está preservado, enquanto a produção agropecuária ocupa apenas 30% da área nacional. Mesmo assim, somos líderes mundiais na exportação de alimentos.

Esses dados fazem parte do chamado “gráfico de atribuição, ocupação e uso das terras”, apontado por Spadotti como o “green card do agro brasileiro” — ou seja, a prova de que é possível produzir e preservar ao mesmo tempo.

Na visão do especialista, é fundamental comunicar essa realidade de forma clara na COP 30 e em fóruns internacionais, mostrando que o Código Florestal brasileiro e o papel dos produtores rurais na preservação fazem do Brasil uma referência única no mundo.

Produzir com responsabilidade é o futuro — e já é realidade no Brasil

recuperação de pastagens degradadas é uma das principais ferramentas para consolidar o Brasil como líder climático no agro. Além disso, representa uma estratégia rentável, que melhora a fertilidade do solo, reduz custos com insumos e garante mais segurança para os rebanhos.

Combater o desmatamento ilegal é importante, mas é preciso reconhecer o que já vem sendo feito de forma correta. O produtor rural brasileiro é parte da solução e deve ocupar com orgulho esse protagonismo na construção de um modelo agroambiental exportável.

 

Fonte: https://www.canalrural.com.br/