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jul 26 2024 Fundo de fomento à inovação para agricultura responsável apresenta resultados de impacto
Em três anos de atuação, projetos alcançaram mais de 1,5 mil produtores, representando mais de 2 mil propriedades rurais
Implementados de 2021 a 2023, o fundo de fomento à inovação para uma agricultura responsável apresentou os resultados de impacto de 44 projetos com soluções e inovações para o setor agrícola, executados por 54 parceiros do Land Innovation Fund (LIF).Em três anos de atuação, o Land Innovation Fund entregou soluções que alcançaram mais de 1,5 mil produtores representando mais de 2 mil propriedades rurais, distribuídas em 2,5 milhões de hectares em três biomas prioritários – Cerrado, Gran Chaco e Amazônia – na América do Sul.
De acordo com o LIF, com investimentos de US$13,4 milhões, as soluções apoiam agricultores em suas jornadas rumo à produção livre de desmatamento, equipando-os com ferramentas e recursos para conservar as florestas e a vegetação nativa, atendendo aos protocolos internacionais de sustentabilidade.
Como resultado direto dos projetos, já foram evitadas a conversão de 41 mil hectares de vegetação nativa em ecossistemas ameaçados na região.
Os números integram o Relatório de Impacto 2021-2023, divulgado nesta quarta (24).
Nesse período, a entidade apoiou o desenvolvimento de 70 inovações em múltiplas vias – políticas públicas & finanças, conservação, produção e engajamento – 26 delas já entregues, contribuindo para a construção de uma robusta paisagem de inovação pela sustentabilidade agrícola.
Entre as soluções financiadas, 11 são voltadas para o desenho de políticas públicas, protocolos e regulamentações para uma agricultura sustentável.
“Entendemos a inovação como ideias, tecnologias, processos, abordagens, ferramentas e políticas públicas que, quando adotadas por múltiplos atores, ganham escala e impacto em níveis local, subnacional, nacional e global”, afirma Ashley Valle, diretora do Land Innovation Fund.
“Pensamos a inovação em diálogo com as agendas ambiental e climática dada vez mais urgentes. Por isso, todas as nossas ações, iniciativas e projetos dialogam com os compromissos crescentes de neutralidade de carbono, desmatamento zero e conservação da biodiversidade”, completa.
Projetos no cerrado
Três projetos do portfólio dedicaram-se ao fomento do ecossistema de inovação, com a construção de ferramentas, mecanismos ou soluções tecnológicas: o Programa Soja Sustentável do Cerrado, com PwC AgTech Innovation e apoio estratégico da Cargill, CPQD, Embrapa e Embrapii; o laboratório de soluções inovadoras (AibaLAB), com Senai Cimatec e apoio da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba); e o programa Scouting de greentechs brasileiras, com a Climate Ventures.
Com as iniciativas, foram mapeadas 51 startups com soluções verdes que atendem toda a propriedade rural – da área cultivada à floresta em pé. E foi construído um mecanismo diferenciado de fomento para o setor: o Startup Finance Facility (SFF) aporta recursos financeiros não-reembolsáveis e de curto prazo para destravar soluções em diferentes estágios de inovação, acelerando negócios de impacto para uma agricultura sustentável.
Ao total, 22 startups do portfólio do Programa Soja Sustentável do Cerrado receberam cerca de USD 925 mil em recursos SFF para a implementação de 18 projetos.
O efeito multiplicador das soluções de inovação que compõem o portfólio é mensurável pelo retorno financeiro alcançado pelas iniciativas financiadas até agora. Já foram mobilizados US$ 37,3 milhões em recursos por diferentes instituições parceiras desde o início do funcionamento do Fundo.
Soluções para agricultura
De acordo com o LIF, com um olhar de paisagem e foco na fazenda, os projetos selecionados para compor o portfólio do Fundo propõem soluções em agricultura regenerativa, biodiversidade, engajamento, pesquisa e desenvolvimento, carbono ou novas tecnologias – alguns deles agregando múltiplas áreas temáticas – com propostas que alinham os desafios do dia a dia do produtor rural às demandas mais urgentes das agendas climática e ambiental internacional.
Das mais de duas mil propriedades rurais distribuídas em 2,5 milhões de hectares que compõem o portfólio do Fundo, 80% delas – cerca de 2,2 milhões de hectares – foram monitoradas por plataformas e/ou sistemas inovadores de sensoriamento remoto e coleta de dados desenvolvidos por projetos parceiros.
Dez projetos do portfólio dedicam-se à mensuração, report ou verificação (MRV) de balanço de carbono a partir da aplicação de novas tecnologias ou metodologias em desenvolvimento por 16 instituições e startups parceiras.
As iniciativas alcançam uma área de 323 mil hectares em 112 propriedades rurais, e cobrem um amplo leque de atividades – de análise de biomassa em diferentes cenários de solo a um projeto de REDD jurisdicional estadual – com ações agregadas de incentivo às boas práticas agrícolas e acompanhamento da biodiversidade, contribuindo para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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jul 26 2024 Soja: perspectiva de oferta global ampla prepondera e Chicago tem perdas
Os contratos da soja em grão com entrega em setembro fecharam com baixa de 11,50 centavos de dólar, ou 1,07%, a US$ 10,60 1/4 por bushel
Os contratos da soja em grão registram preços mais baixos nas negociações da sessão eletrônica na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). A perspectiva de ampla oferta global supera os temores de clima quente e seco nos Estados Unidos. O dia é de aversão ao risco, com forte queda do petróleo e baixas generalizadas nas bolsas de valores da Ásia e da Europa.
Os contratos com vencimento em novembro operam cotados a US$ 10,62 por bushel, baixa de 1,00 centavo de dólar por bushel ou 0,18% em relação ao fechamento anterior.
Ontem, após atingir na terça o melhor patamar em duas semanas, um movimento de vendas por parte dos produtores determinou a correção.
As incertezas sobre o ritmo de crescimento da economia chinesa foi outro fator que adicionou pressão as cotações. A China é o principal comprador mundial de commodities, o que determinou uma queda generalizada, contaminando também a soja.
Os contratos da soja em grão com entrega em setembro fecharam com baixa de 11,50 centavos de dólar, ou 1,07%, a US$ 10,60 1/4 por bushel. A posição novembro teve cotação de US$ 10,64 por bushel, com perda de 11,50 centavos ou 1,06%.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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jul 26 2024 Leite: alimentação das vacas preocupa após enchentes no RS
Quase três meses após a histórica enchente que atingiu o Rio Grande do Sul, os efeitos começam a aparecer com mais força na zona rural
Quase três meses após a histórica enchente que atingiu o Rio Grande do Sul, os efeitos começam a aparecer com mais força na zona rural. Um dos setores mais afetados é o de produção de leite. Com perdas nas lavouras e da silagem que estava armazenada, produtores lutam para manter os animais.
Os mais de mil milímetros de chuva em maio ainda impactam a região. Pontes caídas e estradas bloqueadas dificultam o escoamento da produção de leite. Nessa propriedade em Travesseiro, no Vale do Taquari, as vacas fazem contraste com o Rio Forqueta, que ficou bem mais largo e levou parte da terra junto. Foram dezenove dias sem luz e dez descartando o leite. Oito vacas morreram. Cenas que não saem da cabeça dos produtores.
Carlos Prediger, produtor de leite, relatou: “Isso veio muito rápido, muita madeira junto. Acabou com as terras, lodo, não sobrou pasto, não sobrou nada. Foram três dias, um pior que o outro. O terceiro dia acabou com tudo”.
Jean Prediger, também produtor de leite, afirmou: “Todas sofreram. Muitas doenças, perda de pasto e diminuição no leite. Tudo ajudou nessa ocasião”.
Agora, um dos principais desafios está na alimentação para as vacas. Em uma lavoura de Travesseiro, estavam plantadas 22 sacas de milho silagem, já prontas para o corte, que foram completamente levadas pela força da enchente. Para tentar se manter na atividade, produtores precisam comprar esse alimento até de outros estados e muitos estão optando por se desfazer dos animais para diluir os custos de produção.
A produção de leite caiu de 1600 litros por dia para uma média de 1200 litros. O que chega de doação de alimento dura pouco para as 70 vacas, e o quilo de silagem está saindo por R$ 0,40, mais o frete, uma média de 5,5 mil reais a tonelada. Além disso, a força da água levou todas as árvores que serviam de sombra para os animais. Em um solo que perdeu todos os nutrientes, a única saída é investir tudo de novo.
Carlos Prediger explicou: “Tem muitas áreas que nós não vamos conseguir plantar. Puro lodo e tudo o que a gente semeia morre e nem chega a nascer. Não vinga. Essa areia parece que é tóxica para as plantas. Não adianta plantar”.
A situação é parecida em uma propriedade em Relvado, também no Vale do Taquari. São 32 vacas em lactação e 80 mil quilos de silagem perdidos. Alecír de Souza Leite e sua esposa Solange ficaram 30 dias isolados e perderam 10 mil litros de leite.
Alecír de Souza Leite compartilhou: “Tenho 61 anos e nunca passei por isso aqui. Foi triste. Primeira semana para nós foi muito difícil. Não sabia onde a gente estava, o destino que nós ‘tava’. Tu não sabia se iria ordenhar as vacas 2 horas da tarde, 3 horas ou às 5 horas? Para nós foi muito chocante isso aí”.
Aqui, a produção caiu de 27 litros por vaca para 18 litros. Mesmo com a reação no preço pago ao produtor, que está na casa de R$ 2,70, isso ainda não é suficiente para manter os animais, comprar alimento e recuperar o potencial de produção, também afetado por doenças.
Solange de Souza Leite comentou: “Eles tinham que ir na chuva para levar alimento para as vacas, comida bastante estragada e as vacas não comiam direito. Aí diminuiu bastante o leite. A gente conversava né? Vamos fazer o que? Tem que enfrentar. As vacas estavam aí. Tu tinha que ir atrás então vamos enfrentar”.
Os produtores lembram que o estado recebeu muitas doações durante as enchentes, mas é preciso que elas não parem até vir a solução completa.
Alecír de Souza Leite ressaltou: “Pretendo começar a cortar um azevém para tentar normalizar, mas espero que as fábricas de ração também voltem a funcionar melhor porque semana passada fiquei dez dias sem ração, que estão dizendo que não tem estrada e aí fica difícil”.
Carlos Prediger concluiu: “Vamos tentar achar uma saída, tentar comprar trato, vender uns animais e tentar dar a volta. Tem que construir porque não sobrou sombra na beira do rio. Estamos tentando e vamos ver”.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/