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17 de setembro de 2024

  • Soja, milho e algodão: veja as condições das lavouras norte-americanas

    Levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos vê leve piora na situação das três culturas

    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou dados sobre as condições das lavouras norte-americanas de soja, milho e algodão com avaliações recolhidas até o último domingo (15).

    A começar pela soja, 64% estavam entre boas e excelentes condições, 25% em situação regular e 11% em entre ruins e muito ruins. Na semana anterior, os índices eram de 65%, 25% e 10%, respectivamente.

    Sobre as lavouras de algodão, o órgão aponta que 39% estavam entre boas e excelentes condições, 35% em situação regular e 26% entre ruins e muito ruins. Uma semana antes, a situação era a seguinte, respectivamente: 40%, 32% e 28%.

    O USDA também divulgou dados sobre as plantações de milho no país: 65% estavam entre boas e excelentes condições, 23% em situação regular e 12% entre ruins e muito ruins. Anteriormente, eram 64%, 24% e 12%, respectivamente.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Bovinos: estudo mostra como pelagem influencia adaptação às mudanças climáticas

    A pesquisa reforça a necessidade de integrar práticas sustentáveis, como o ILPF, para melhorar o conforto e a produtividade dos animais

    Cientistas brasileiros e estrangeiros pesquisaram a influência das características da pelagem de bovinos no bem-estar animal e na adaptação a temperaturas extremas, por meio de avaliações da termorregulação corporal em diferentes condições ambientais.

    Os resultados estão publicados no artigo Adaptive integumentary features of beef cattle raised on afforested or non-shaded tropical pastures na revista Nature Scientific Reports.

    O estudo aborda as respostas termorregulatórias e a estrutura dos pelos de touros das raças Nelore e Canchim criados em sistemas sombreados de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e em sistemas com menor disponibilidade de sombreamento natural (NS).

    O papel da ciência, diante das mudanças climáticas, é identificar e propor possíveis soluções e formas de reduzir os problemas causados pelo desequilíbrio no clima. O mundo vem sofrendo com eventos climáticos extremos nos últimos anos de maneira mais frequente (ondas de calor, períodos mais longos de secas ou chuvas mais intensas, entre outros), causando danos sem precedentes aos humanos e aos animais.

    No Brasil, a ocorrência da última enchente no estado do Rio Grande do Sul é um exemplo dos efeitos alarmantes das mudanças climáticas.

    De acordo com o coordenador do trabalho, o pesquisador Alexandre Rossetto Garcia, da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), as características do pelo influenciam a capacidade do animal em ganhar ou perder calor para o meio. Esses aspectos são relevantes do ponto de vista de adaptação aos desafios climáticos.

    Segundo Garcia, os bovinos mantidos em ambientes que promovem conforto térmico expressam melhor seu potencial genético, aprimorando assim o seu desempenho produtivo. Os dados indicam que a temperatura média do ar e a radiação incidente no ILPF foram menores, principalmente no verão, demonstrando o efeito favorável do componente arbóreo nas estações quentes.

    A copa das árvores atua como uma barreira física, reduzindo a carga de calor e proporcionando um ambiente mais ameno para os animais. Já a estrutura dos pelos, incluindo o número de fios por unidade de área, influencia a quantidade de calor transmitida da pelagem para o ambiente externo, bem como a radiação absorvida pelo animal.

    Os pelos servem de escudo para o animal contra choques mecânicos, além de ser uma proteção importante da pele. A pele e os pelos funcionam como uma barreira física para retenção de calor em casos de frio intenso, mas também auxiliam na perda de calor quando está muito quente.

    “Por isso, temos interesse em estudar a pele e seus anexos e, assim, entender como as raças criadas em regiões tropicais usam essas características morfológicas para se adaptar ao ambiente em que vivem. Em um país tropical, como o Brasil, com elevadas temperaturas, umidade relativa do ar alta em boa parte do ano, e significativa intensidade de radiação solar, os animais são postos à prova constantemente, principalmente quando criados a pasto”, observa Garcia.

    Características de adaptação definem critérios de seleção genética

    Esse cenário exige a adoção de estratégias para melhorar a eficiência dos sistemas de produção por meio de intervenções positivas nos seus componentes bióticos e abióticos.

    “Entender como os bovinos se adaptaram ao longo do tempo e identificar aqueles que têm características desejáveis e que possam ser transmitidas geneticamente é fundamental para trabalhar critérios de seleção, visando à construção de gerações futuras de animais mais resilientes”, complementa.

    O cientista explica que o estresse térmico é um dos principais fatores envolvidos na redução do desempenho e produtividade animal. Sob condições de desconforto pelo calor, os bovinos tentam dissipá-lo, ativando mecanismos tegumentares (da pele e estruturas anexas a ela), cardiorrespiratórios e endócrinos, essenciais para a adaptabilidade.

    Dessa maneira, algumas características morfológicas são cruciais para a adaptação térmica, afetando diretamente os mecanismos de troca de calor entre o animal e o ambiente.

    O primeiro aspecto importante é a coloração do pelo. Quanto mais escura, menor é a capacidade de reflexão da luz solar, ou seja, mais radiação é absorvida. A maior parte do rebanho brasileiro é criado a pasto, sujeito a todas as variações e intempéries climáticas. Mas não basta ter o pelo claro, a densidade também é relevante. Quanto maior a cobertura de pelos, mais protegida a pele.

    Também há que se observar o comprimento e a espessura dos fios. Pelos mais longos podem dificultar a perda de calor, o que é prejudicial no calor, mas positivo no inverno. Os fios ainda têm uma inclinação e esse ângulo tem influência na altura do pelame, que varia no inverno e no verão. Os pelos mais grossos asseguram maior proteção contra a radiação solar direta, protegendo a pele.

    Para chegar ao resultado, o experimento avaliou cerca de 40 mil amostras de pelos de 64 touros adultos, durante 12 meses, aproximadamente, com medições repetidas no inverno e no verão. Foram acompanhados 32 animais da raça Nelore (bos indicus) e 32 touros canchim (5/8 bos taurus × 3/8 bos indicus), distribuídos igualmente entre dois sistemas de pastejo rotativo intensivo.

    As raças e as diferentes influências no conforto térmico

    A pelagem do canchim, que é uma raça formada a partir de animais zebuínos e animais taurinos da raça charolês, tende a ser menos densa do que a do nelore, resultando em uma menor quantidade de pelos por unidade de área.

    Os fios do canchim são geralmente mais finos em comparação com os do nelore. Essa menor espessura permite uma adequada troca de calor com o ambiente, sendo benéfica em climas mais temperados. Sua cor creme em várias tonalidades, até o amarelo claro, ajuda a refletir a radiação solar, reduzindo a absorção de calor.

    O comprimento dos pelos da raça é intermediário, proporcionando uma cobertura suficiente para proteção contra insetos e fatores ambientais .

    Devido a menor densidade e menor espessura dos fios, a pelagem facilita a dissipação de calor, o que é vantajoso em ambientes onde a temperatura pode variar significativamente. Isso contribui para a capacidade dos animais de se adaptarem a diferentes condições climáticas.

    A raça nelore é conhecida por sua excelente adaptação a climas tropicais. A pelagem é densa, com grande número de pelos por unidade de área. Essa densidade oferece uma barreira física significativa contra a radiação solar.

    Os fios são grossos, o que proporciona maior proteção contra a radiação direta e reduz a penetração de calor na pele.

    A coloração geralmente varia do branco ao cinza claro. A cor clara ajuda a refletir a radiação solar, minimizando a absorção de calor e ajudando a manter a temperatura corporal.

    O pelo curto facilita a dissipação de calor e evita o acúmulo de umidade e sujeira, contribuindo para a manutenção da saúde da pele.

    As características na pelagem das duas raças são importantes para a termorregulação e desempenho. O canchim, que possui alta capacidade de dissipação de calor, pode se adaptar melhor a variações climáticas. Enquanto isso, o nelore, com uma pelagem que oferece proteção contra a radiação solar, é mais eficiente em manter a temperatura corporal estável em ambientes quentes.

    Impacto em bovinos e vinculação ao ODS 13

    Os resultados dessa pesquisa destacam a importância de considerar o conforto térmico e as características físicas da pelagem dos bovinos para otimizar o desempenho produtivo em diferentes sistemas de criação.

    O estudo reforça a necessidade de integrar práticas agropecuárias sustentáveis para garantir a saúde e o bem-estar dos bovinos. A adoção de sistemas integrados, como a ILPF, pode ser uma estratégia eficaz para melhorar o conforto e a produtividade dos bovinos, beneficiando tanto os produtores, com ganho em produtividade, quanto o meio ambiente.

    Os esforços dos pesquisadores para a mitigação e adaptação, envolvendo tecnologias, intervenções e melhores práticas de manejo que equilibrem prioridades ambientais, sociais,    econômicas, estão vinculados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS),  principalmente a meta 13, de ação contra a mudança global do clima. O trabalho determina novos caminhos para responder aos impactos da crise climática a que o planeta está submetido.

    Além de Alexandre Rossetto Garcia, participaram do trabalho os cientistas da Embrapa Manuel Jacintho, Waldomiro Barioni Junior e Gabriela Novais Azevedo (bolsista na época da pesquisa); da Universidade Federal do Pará (UFPA), Andréa Barreto; da Universidade Federal Fluminense (UFF), Felipe Brandão; e da Universidade de São Paulo (USP), Narian Romanello. As instituições de ensino estrangeiras foram representadas por Alfredo Manuel Pereira (Universidade de Évora, Portugal) e Leonardo Nanni Costa (Universidade de Bolonha, Itália).

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Inteligência artificial identifica aparecimento de doenças em sementes de milho e soja

    Diretor de Agronomia da Syngenta Seeds mostra como a tecnologia pode reduzir prejuízos causados por doenças e pragas

    Produtores de soja e milho no Brasil têm enfrentado um cenário desafiador com a queda nos preços das commodities e problemas climáticos cada vez mais frequentes. A união desses fatores traz prejuízos e acaba por tirar homens e mulheres do campo.

    Para minimizar o impacto no bolso de quem planta e colhe, empresas buscam combinar tecnologias de monitoramento via satélite e inteligência artificial, como a criação de sementes mais tolerantes a doenças, pragas e variações climáticas

    Neste sentido, o diretor de Agronomia da Syngenta Seeds, Fabrício Passini, considera que existem três pilares-chave.

    “O primeiro deles é um termo que usamos e se chama pangenômica, ou seja, os dados de informação genética de nossos produtos […]”. Neste mesmo ponto, temos a edição gênica. Todas as empresas estão olhando com calma para este ponto e vendo que é possível corrigir defeitos [das sementes], eliminando possíveis doenças”.

    De acordo com Passini, o segundo pilar que vem transformando o mercado são as técnicas de melhoramento preditivo.

    “A inteligência artificial nos ajudando a conseguir selecionar novos produtos, novos genes. São as simulações de funis de produto que buscamos, por exemplo, aparece um novo enfezamento ou uma nova edição, com a inteligência artificial conseguimos olhar para esses pipelines, para o nosso funil de desenvolvimento e saber o que é possível desenvolver para superar o novo problema”.

    Por fim, o diretor conta que o terceiro ponto é voltado aos posicionamentos assertivos ou à predição por meio de algoritmos.

    “Consigo ter um olhar com calma, predizer o nosso produto lá na frente com a interação do genótipo, ou seja, do produto com o ambiente que ele está, se está mudando ou não com as técnicas de manejo. Assim, conseguimos saber como as doenças podem afetar as culturas para, então, desenvolver novos produtos baseados nessas descobertas”.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/