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1 de outubro de 2024

  • Milho: método é capaz de detectar substância tóxica nos grãos

    Técnica possibilita identificar lotes contaminados e prevenir infecção cruzada durante o armazenamento

    Cientistas da Embrapa e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um método inovador para detectar a presença de uma substância tóxica, a fumonisina, em grãos de milho sem a necessidade de moagem e de reagentes químicos. Isso reduz custos e torna o processo ambientalmente mais saudável.

    A técnica utiliza imagens hiperespectrais de infravermelho próximo (NIR-HSI), integrando preceitos de química e agricultura de precisão, para identificar e quantificar essa micotoxina (substâncias químicas tóxicas produzidas por fungos), considerada um dos maiores entraves à produção de milho no Brasil porque contamina os grãos ainda no campo e não é destruída por processamento térmico.

    As fumonisinas são produzidas, principalmente, por fungos do gênero Fusarium e, por
    apresentarem ampla distribuição, grande ocorrência e alta toxicidade, são consideradas as piores entre as micotoxinas produzidas por esses microrganismos.

    Associado ao modelo matemático de análise multivariada de imagem, o NIR-HSI permite
    identificar e quantificar as fumonisinas diretamente nos grãos de milho, que são invisíveis a olho nu, de forma rápida e sem destruição das amostras.

    “A tecnologia NIR-HSI funciona com base no princípio da reflectância difusa, que depende das
    propriedades químicas e estruturais do material. É uma abordagem não destrutiva para obter
    espectros distribuídos espacialmente, o que permite visualizar e localizar pixel a pixel as
    alterações químicas em qualquer sistema complexo”, explica a pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo (MG) Maria Lúcia Simeone.

    Inovação na detecção de micotoxinas

     De acordo com a Embrapa, o método utilizado atualmente para quantificar fumonisinas é caro, complexo, demorado e requer a moagem da amostra e um alto nível de conhecimento técnico. Soma-se a essas desvantagens o fato de que os reagentes químicos utilizados para realizar a análise são tóxicos, o que resulta em prejuízos para a saúde do analista e o ambiente.

    Segundo Simeone, o novo método é muito mais rápido, não utiliza produtos químicos, não destrói a amostra e possui custo inferior. “Funciona por meio de um algoritmo construído a partir de informações espectrais e espaciais, obtidas em um equipamento de NIR-HSI, utilizando diferentes amostras de milho, uma vez que os dados dependem da interação entre a radiação eletromagnética e átomos ou moléculas da amostra analisada”, completa.

    A pesquisadora destaca ainda que os resultados obtidos com a técnica NIR-HSI foram
    surpreendentes, especialmente porque possibilitaram identificar lotes contaminados e prevenir
    infecção cruzada durante o armazenamento do milho. “Essa metodologia tem o potencial de
    transformar a forma como quantificamos e controlamos a fumonisina, garantindo a qualidade e a segurança dos alimentos”, acrescenta.

    A nova técnica traz diversos benefícios para toda a cadeia produtiva do milho:
    • Maior rapidez: a quantificação do teor de fumonisina é realizada de forma rápida, em apenas 30 segundos, permitindo que um número maior de amostras possa ser analisado em menor tempo com resposta mais ágil em caso de contaminação.
    • Redução de custos: a técnica é mais econômica que os métodos tradicionais, pois dispensa a moagem e o uso de reagentes químicos.
    • Não destrutiva: a análise não danifica a amostra, permitindo realizar a análise diretamente nos grãos e seu uso posterior.

    Futuro mais seguro para o consumo de milho

    A pesquisa, publicada na revista Brazilian Journal of Biology, representa um avanço significativo na área de segurança alimentar. “Ao permitir a detecção rápida e direta do teor de fumonisinas em grãos de milho, essa nova metodologia contribui para garantir a qualidade e a segurança dos alimentos, protegendo a saúde de consumidores e animais”, observa Renata Pereira da Conceição, pós-graduanda da UFMG.

    Para Valéria Aparecida Vieira Queiroz, pesquisadora da Embrapa, “com essa tecnologia, é possível desenvolver estratégias mais eficientes para o controle de fumonisinas no milho, reduzindo as perdas na produção, possibilitando a segregação de lotes de amostras e garantindo um alimento mais seguro para a população”.

    O pesquisador da Embrapa Algodão (PB) Everaldo Medeiros afirma que a técnica gera uma
    espécie de “imagem química do objeto”, combinando técnicas quimiométricas de tratamento de dados. Isso possibilita explorar aplicações inovadoras para a agricultura, a partir de conceitos de química verde e de agricultura de precisão, que colocam a Embrapa e parceiros na fronteira da inovação de aplicações com imagens NIR-HSI.

    “Nossa participação no trabalho foi estudar as melhores configurações de imagens nas medidas de fumonisinas diretamente nas sementes de milho. Os resultados permitiram detectar e quantificar as micotoxinas de forma automática com maior sensibilidade e rapidez do que as técnicas atualmente utilizadas”, conclui Medeiros.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Mercado da soja: tendências e projeções para a semana

    Confira a análise dos fatores que influenciam as cotações do grão e o cenário de exportações, e importações

    De acordo com a análise da plataforma Grão Direto, o clima adverso no Brasil teve um papel fundamental no suporte às cotações da soja nesta semana. As chuvas, esperadas em bons volumes, devem chegar apenas na segunda quinzena de outubro, o que pode afetar a produção e o fornecimento do grão.

    Outro fator que chamou a atenção do mercado foi a possibilidade de uma greve dos trabalhadores nos portos dos Estados Unidos. Se essa greve se confirmar, poderá impactar significativamente o transporte de mercadorias, adicionando incerteza ao setor.

    As oscilações nos preços do petróleo também influenciaram o mercado de óleo da soja, enquanto as incertezas em relação ao escoamento do farelo marcaram a semana. Esses fatores resultaram em um fechamento positivo para a soja em Chicago, com o contrato para novembro de 2024 encerrando a US$10,66 o bushel, um aumento de 5,23%. No mercado físico brasileiro, o dólar atuou como contrapeso, encerrando com uma baixa de 1,63%, a R$5,43. O contrato com vencimento em março de 2025 também teve alta, fechando a US$10,96 o bushel, representando uma valorização de 4,88%.

    Projeções para os próximos dias

    Para os próximos dias, as expectativas são de um aquecimento nas exportações norte-americanas. O Relatório de Vendas de Exportação revelou que, na semana encerrada em 19 de setembro, as vendas líquidas do grão totalizaram 1,60 milhões de toneladas, um aumento de cerca de 6% em relação à semana anterior, com a China sendo o principal destino, responsável por 869.700 toneladas.

    A demanda deve aumentar nos próximos meses, à medida que vários países buscam suprir suas necessidades até o final do ano. Contudo, o atraso no plantio pode acarretar um possível atraso nas entregas nos portos, impactando os prêmios.

    A temporada de furacões nos EUA continua em andamento, e o furacão Helene atingiu a Flórida na quinta-feira (26), sendo um dos mais fortes do ano. Esta região é crucial para a produção de petróleo e para o escoamento de commodities. Além disso, a situação dos trabalhadores nos portos ainda não foi resolvida, o que pode complicar o fluxo de mercadorias, considerando que esses portos movimentam mais da metade do comércio marítimo do país.

    No Brasil, o cenário de importações é significativo. O país deve registrar a maior importação de soja em mais de 20 anos, impulsionada pela escassez de produto no mercado interno, em função da alta demanda de exportação, mesmo com uma safra menor. Até agora, o Brasil importou cerca de 800 mil toneladas, um aumento de 700% em comparação ao mesmo período do ano passado.

    Na análise técnica, o contrato de novembro da soja em Chicago teve uma semana positiva, fechando próximo de US$10,65/bushel e superando a resistência importante de US$10,30/bushel. Caso a tendência de alta continue, os níveis de US$10,80, US$11,00 e US$11,30 poderão apresentar dificuldades para um rompimento.

    Se a pressão vendedora se intensificar, os alvos de baixa podem ser US$10,30, US$10,15 e US$9,95. A CFTC reportou uma redução na pressão vendedora, com as posições líquidas de especuladores caindo de -134,6K contratos para -93,4K, indicando uma realização de lucros. Isso sugere que a próxima semana pode ser marcada pela continuidade das valorizações em Chicago, o que poderá impulsionar os preços no Brasil.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Milho: vendedor se retrai e preços voltam a subir

    Muitos agricultores já finalizaram a colheita do milho segunda safra 2023/24 neste mês e conseguiram armazenar a produção

    O movimento de alta nos preços do milho voltou a ser verificado em praticamente todas as regiões acompanhadas pelo Cepea.

    Segundo pesquisadores, o impulso vem sobretudo da retração de vendedores, que estão priorizando os trabalhos de campo e atentos ao clima quente e seco em partes das praças produtoras de safra verão.

    Muitos agricultores já finalizaram a colheita do milho segunda safra 2023/24 neste mês e conseguiram armazenar a produção. Agora, esses agentes limitam a oferta no spot, à espera de novas valorizações.

    Demandantes, por sua vez, têm aumentado as intenções de compra, mas se esbarram nos maiores preços pedidos pelos vendedores ativos. De acordo com pesquisadores do Cepea, nesse cenário, o ritmo de negócios está lento no mercado spot nacional.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/