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out 02 2024 Produtores do RS seguem sem crédito após 5 meses de enchente histórica
Restrição no nome impossibilita crédito agrário para instalação da safra 2024/25
Quase cinco meses após a catástrofe de maio, produtores rurais do Rio Grande do Sul ainda buscam solução para as dívidas. Muitos já estão com restrição no nome em função dos débitos e não conseguem crédito para investir na nova safra. Esse cenário tende a impactar a instalação de lavouras da safra de verão no estado.
Muitas regiões gaúchas receberam quase 1000 milímetros de chuva em poucos dias, o que ainda deixa um rastro de estradas improvisadas, pontes onde só passam veículos leves, estruturas abandonadas e animais de produção vendidos para açougues por falta de dinheiro. Parece que nada mudou, mesmo após cerca de 150 dias da tragédia.
São muitos os desafios da agropecuária gaúcha, que já sofria impacto de três estiagens seguidas e recebeu o “golpe de misericórdia” com a enchente histórica.
Produtores endividados
O produtor Jeferson Scheibler, de Bagé, sudoeste do estado, relata que o pouco de semente que resta para plantar foi salva com sacrifício.
“Não tenho dinheiro para comprar adubo e defensivos, não tenho crédito, [estou com o] nome negativado. Como fazer? O que fazer? Eu planto mais ou menos 400, 450 hectares e não sei se vou conseguir plantar nem metade [dessa área]”.
Diante do desespero das dívidas, que se acumulam, produtores seguem organizados no movimento SOS Agro RS desde junho, cobrando medidas por meio de vários atos de protesto e “tratoraços”.
Durante a Expointer 2024, realizada entre o fim de agosto e o começo de setembro, o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, prometeu novas medidas.
“Na medida provisória para o custeio dos bancos, os números mostram que 93% dos produtores estarão contemplados nela e os outros 7% nas outras medidas que tomamos. O diálogo tem que estar sempre aberto, se tem um ponto específico que dá uma dificuldade, vamos trabalhar para mudar esse ponto difícil. A reconstrução [do agro gaúcho] vai chegar no detalhe, fora das Medidas, para que a gente possa avançar e não deixar nenhum produtor e produtora gaúchos para trás”.
Porém, o produtor rural e representante do SOS Agro RS, Paulo Ebbesen, relata que os recursos ainda não chegaram na ponta.
“Há muita propaganda do governo e pouca efetividade porque de nada adianta nós termos linhas de crédito e elas não terem recursos para serem operacionalizadas. A divulgação dessas linhas é muito interessante, a sociedade fica sabendo, mas o produtor vai na agência bancária e o funcionário diz ‘nós não recebemos dinheiro e precisamos dele para fazer a concessão do crédito’”.
Projeções para a safra 24/25
Mesmo com tantos desafios, as projeções da Emater-RS e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) dão conta de safra recorde de grãos em torno de 36 milhões de toneladas no estado.
O obstáculo, agora, é o de conseguir plantar a safra atual. Contudo, com a renegociação de dívidas ainda incerta, produtores estão sem crédito para investir no ciclo 24/25.
Para a soja, a estimativa dos órgãos é de aproximadamente 8 milhões de hectares de área e produção de cerca de 21 milhões de toneladas. No entanto, para concretizar esses números, muitos produtores não têm os insumos ou como cumprir com os arrendamentos.
“Nós já temos uma área menor de milho a ser plantada, por falta de recursos. As áreas de soja muitas não vão ser plantadas porque as pessoas não vão ter crédito para semear e outras vão abandonar a lavoura. Nas áreas plantadas, a produtividade vai cair naturalmente pela lixiviação da área e pela falta de tempo e recursos para recuperar”, diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS), Ireneu Orth.
O produtor rural de Estrela, no Vale do Taquari, Jorge Dienstmann, passou pelas enchentes de setembro e novembro de 2023 e também a de maio deste ano. Em sua propriedade, focada em leite e terminação de frangos, tudo foi perdido.
“Não tem mais estrutura física para manter leite e frago. O que se decidiu é que vamos trabalhar a lavoura de grãos mas temos um grande empecilho. Mesmo passando 150 dias depois da maior enchente, tem lugares que não tem como entrar, com acúmulo de terra e lodo e o trator não entra. Esperamos recursos federais que foram prometidos e não repassados, o mesmo com os recursos estaduais”.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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out 02 2024 Trigo em plena colheita: Brasil caminha para recorde na movimentação anual
Região Sul concentra 90% da produção nacional enfrenta um cenário de instabilidade nas comercializações
Com o trigo em plena colheita no Sul do país, a região que concentra 90% da produção nacional enfrenta um cenário de instabilidade nas comercializações. Apesar disso, o Brasil está próximo de atingir um recorde histórico na movimentação anual de trigo entre importação e exportação.
O país, que tradicionalmente não é autossuficiente na produção de trigo, tem um consumo interno que gira em torno de 12 a 13 milhões de toneladas. Historicamente, o Brasil depende da importação para atender cerca de metade dessa demanda. Nos últimos anos, houve uma redução na necessidade de importações, ao mesmo tempo em que as exportações de trigo cresceram significativamente.
De acordo com dados apresentados no Agroexport, o Brasil reduziu suas importações de trigo, passando de 6,22 milhões de toneladas em 2021 para 4,18 milhões em 2023. No mesmo período, as exportações do cereal também cresceram, marcando um avanço notável para o setor. No entanto, em 2024, a tendência de queda nas importações foi interrompida. De janeiro a setembro deste ano, o volume importado já ultrapassou os 5 milhões de toneladas, superando o total de 2023.
Além disso, as exportações seguem em um novo patamar, com 2,5 milhões de toneladas exportadas até setembro deste ano. O volume total movimentado de trigo pelo Brasil no comércio internacional chegou a 7,55 milhões de toneladas nos primeiros nove meses de 2024, indicando que o país pode bater recordes tanto em importação quanto em exportação.
Mesmo com esses avanços, o Brasil ainda enfrenta desafios para alcançar a autossuficiência na produção de trigo. O clima é um dos principais fatores que impactam a qualidade do cereal, especialmente nas regiões produtoras do sul, como Paraná e Rio Grande do Sul. Quando o trigo não atinge o nível de qualidade necessário para a panificação, ele é direcionado para exportação e acaba sendo utilizado como ração nos mercados internacionais.
O Brasil continua buscando se firmar como um grande produtor global de trigo, com a expectativa de alcançar a autossuficiência nos próximos cinco a dez anos.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/