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26 de novembro de 2024

  • Mercado de carbono pode ajudar na receita do pequeno produtor

    Cooperativas e sindicatos são alternativas para a inserção comercial de propriedades menores

    Sustentabilidade e rentabilidade ao alcance do micro e pequeno produtor rural. Entrar para o mercado de créditos de carbono já é uma realidade para os empreendedores, podendo trazer benefícios comerciais, além de ajudar a preservar o meio ambiente e se tornar fonte adicional de renda.

    Projeção realizada pela Câmara do Comércio Internacional (ICC) em parceria com a WayCarbon, consultoria em sustentabilidade, revelou que o nicho deve movimentar, até 2050, entre US$493 milhões a US$100 bilhões, no Brasil.

    Mas para pequenos produtores rurais acessarem esse mercado será necessário unir forças, visto que são exigidos ao menos 10.000 hectares para que uma propriedade rural possa comercializar créditos de carbono.

    Seja por sindicatos, cooperativas ou entidades afins, o montante se faz necessário para que a capacidade de absorção de carbono ganhe escala significativa.

    Finanças verdes

    A comercialização dos créditos de carbono faz parte do emergente mercado das finanças verdes que tem como foco reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEEs) e estimular o desenvolvimento sustentável em escala global.

    A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2024 (COP29), ocorrida em Baku, Azerbaijão, desempenhou papel importante no incentivo do mercado de carbono em todo o mundo.

    Cooperativas brasileiras que participaram do evento debateram a sustentabilidade agrícola e o engajamento nas finanças verdes.

    Pedro Lutz Ramos, superintendente do Banco Cooperativo Sicredi esteve presente na Conferência e declarou que as cooperativas de crédito têm um papel fundamental nessa transformação em prol da sustentabilidade.

    Entenda os mercados de carbono

    A negociação dos créditos de carbono se dá por meio dos mercados voluntário ou regulado. A principal diferença entre é a presença ou ausência de legislação específica.

    No Brasil, o mercado regulado foi aprovado pelo Projeto de Lei (PL) 182/2024 na Câmara dos Deputados, no último dia 19. Agora segue para sanção na Presidência da República.

    A proposta vai contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil, consolidando o mercado de carbono no país. Apesar de o setor agropecuário ter ficado de fora desta regulamentação, produtores rurais podem optar pelo mercado voluntário.

    O mercado voluntário não conta com um órgão regulador central e é balizado por compromissos climáticos em benefício da sustentabilidade. A medida permite que organizações compensem emissões sem imposições legais, como define o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente da ONU (Unep).

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • A falta de umidade do solo prejudica o plantio da soja; como lidar com o desafio?

    A umidade do solo é fundamental para o plantio da soja, garantindo boa germinação e desenvolvimento inicial, essenciais para uma produtividade saudável

    plantio da soja é dependente das condições climáticas e a umidade do solo desempenha um papel importante nesse processo. A umidade adequada proporciona o ambiente ideal para a germinação das sementes e o desenvolvimento das plantas nos primeiros estágios da cultura, fatores essenciais para uma boa produtividade. No caso da soja, a falta de umidade pode atrasar o plantio, reduzir a germinação e afetar o crescimento inicial, prejudicando a safra.

    Como a umidade do solo impacta o plantio da soja?

    A umidade do solo é um dos primeiros indicadores para determinar se o solo está pronto para a semeadura. Solo muito seco pode impedir que a semente se estabeleça corretamente, enquanto a umidade excessiva pode levar ao encharcamento, que também são prejudiciais ao desenvolvimento das plantas. A soja, como cultura tropical, necessita de um equilíbrio hídrico, especialmente nas fases iniciais, quando a radícula (raiz da semente) começa a se desenvolver. Durante essa fase, a umidade é importante para que a planta tenha um bom enraizamento e possa aproveitar os nutrientes presentes no solo.Em regiões como a de Bagé, no Rio Grande do Sul, onde o clima pode ser imprevisível, a falta de umidade tem gerado desafios. Mesmo com o plantio já em andamento, com uma área total de 1,124 milhão de hectares e 33% da área semeada, a escassez de umidade nas primeiras semanas da temporada prejudicou o avanço da semeadura. Quando o solo está muito seco, muitos produtores são forçados a interromper o plantio ou esperar por chuvas para garantir que a semente possa germinar adequadamente.

    O desafio da falta de umidade

    Na região de Bagé, o plantio de soja segue dentro da média histórica, mas a falta de umidade em algumas áreas afeta a semeadura. A situação foi descrita por Guilherme Passami, engenheiro agrônomo da Emater/RS, que explicou que o processo tem sido prejudicado superficialmente devido à escassez de chuvas entre outubro e novembro. Este período é considerado ideal para o plantio da soja, pois oferece o melhor fotoperíodo para o desenvolvimento da cultura, o que pode resultar em uma alta produtividade.

    As altas temperaturas e os ventos fortes, comuns nesse período, também contribuíram para a rápida evaporação da umidade do solo, criando um cenário desafiador para os produtores. No entanto, a situação começou a melhorar em meados de novembro, com a chegada das chuvas na região da Campanha e na Fronteira Oeste, trazendo alívio para os produtores.

    Apesar da escassez de chuva durante o mês de novembro, as precipitações registradas na semana de 18 de novembro, com volumes entre 30 e 40 milímetros, foram suficientes para reidratar o solo e permitir que o plantio fosse retomado. Com isso, a expectativa é de que a semeadura avance rapidamente nos próximos dias, o que poderá contribuir para alcançar a produtividade esperada de 2.673 quilos por hectare, um valor superior à média dos últimos cinco anos.

    Expectativas para a safra 24/25

    A safra de soja 2024/25 no Brasil já atingiu 85,6% da área prevista até o dia 22 de novembro, de acordo com dados do levantamento de Safras & Mercado. Isso indica que o plantio está adiantado em comparação ao ano anterior, quando 75,1% da área foi semeada no mesmo período. A média dos últimos cinco anos é de 79,3%. Embora o avanço do plantio tenha sido acelerado, as condições climáticas nas próximas semanas serão determinantes para ajustar a expectativa de produtividade.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Tecnologia da Embrapa para absorção de fósforo rende R$ 4 bilhões ao Brasil em cinco anos

    Bioinsumo está presente em mais de quatro milhões de hectares, beneficia quatro culturas e é exportado para oito países

    Uma tecnologia que auxilia as plantas a absorver fósforo já gerou benefícios estimados em R$ 4,2 bilhões ao Brasil desde 2019, data de seu lançamento, até a atual safra 2022/2023. Desenvolvido pela Embrapa em parceria com a empresa brasileira Bioma, o inoculante solubilizador de fosfato, conhecido pelo nome comercial BiomaPhos, expandiu a sua presença em lavouras de 228 mil hectares, na safra 2018/2019, para mais de quatro milhões de hectares no atual período agrícola.
    Segundo a Embrapa, nesse período o bioproduto impactou a soma de mais de 10 milhões de hectares que receberam o produto. O retorno financeiro estimado foi baseado no aumento da produtividade proporcionado pela aplicação do inoculante.

    “Além de ser uma solução tecnológica inovadora e sem precedentes no mercado, o solubilizador de fosfato é possivelmente o maior caso de sucesso de adoção de uma tecnologia da Embrapa nos últimos anos”, relata Christiane Paiva, pesquisadora da área de Microbiologia do Solo da Embrapa Milho e Sorgo (MG), responsável pela pesquisa que chegou aos produtos comerciais. A tecnologia começou nas lavouras de milho e atualmente beneficia também as culturas de soja, cana e feijão.

    O pesquisador Rubens Augusto de Miranda realizou um estudo que registrou a expansão do uso do bioinsumo ao longo do tempo. “A confirmação da eficiência do produto nos dois primeiros anos resultou no grande sucesso na safra 2020/2021, quando alcançou a marca de 2,45 milhões de hectares. Em 2021/2022, chegou a 2,77 milhões de hectares e, na safra seguinte, alcançou novo recorde com quase quatro milhões de hectares de área plantada. A expectativa é que em 2023/2024 a área de adoção de inoculantes solubilizadores de fosfato com tecnologia da Embrapa ultrapasse 5 milhões de hectares”, afirma o cientista. Os dados estão no Balanço Social da Embrapa de 2023 e a área de adoção foi estimada a partir da quantidade de doses comercializadas pela Bioma.

    Segundo a Embrapa, a quantia estimada de R$ 4,27 bilhões em benefícios ao produtor é consideravelmente superior aos custos de desenvolvimento da tecnologia: cerca de R$ 53,3 milhões até esse período.

    “Adicionalmente, o inoculante solubilizador de fosfato não apenas justificou financeiramente o investimento para a sociedade, como também trouxe mais visibilidade à Embrapa, proporcionando benefícios intangíveis para a Empresa”, rafirma Miranda.

    Expansão internacional

    Christiane Paiva conta que a solução extrapolou o mercado nacional e chegou no exterior. “Ela começou a ser avaliada nos Estados Unidos em 2022 quando obteve a liberação de uso em 14 estados americanos, incluindo os que compõe o chamado Cinturão do Milho, o Corn Belt”, conta Artur Soares, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa parceira Bioma.

    Segundo ele, em maio de 2024 o produto foi ainda registrado na Alemanha, Canadá, Argentina, Paraguai, Bolívia e Costa Rica. No Uruguai, está em fase em registro. “A tecnologia foi validada no campo nos Estados Unidos, Canadá e Alemanha com ganhos médios de produtividade de 17 sacas de milho por hectare nas áreas avaliadas e de 10 sacas de soja por hectare”, diz Soares.

    Como funciona a bisolubilização de fósforo?

    Apenas 0,1% do elemento fósforo (P) está prontamente disponível para absorção imediata pelas plantas. Estudos conduzidos pela Embrapa revelam que há um estoque bilionário de fósforo nos solos, que se encontra inerte e que não pode ser aproveitado pelas plantas. “Em alguns solos de plantio direto, cerca de 88% do fósforo encontra-se em forma orgânica, indisponível para ser absorvido pelas raízes, e precisa ser mineralizado para esse fim. As bactérias solubilizadoras de fosfatos conseguem disponibilizar o elemento para a planta, atuando de forma agronômica nesse grande estoque presente na natureza”, conta Christiane Paiva.

    O primeiro inoculante comercial brasileiro para a solubilização de fosfato foi produzido a partir de microrganismos tropicais, selecionados pela Embrapa. O inoculante líquido é recomendado para tratamento de sementes ou aplicação via jato dirigido no sulco de semeadura. De acordo com Paiva, os Bacillus presentes nos produtos comerciais se multiplicam mais facilmente e colonizam de forma mais eficiente a região da raiz da planta, a rizosfera, iniciando a produção de diferentes substâncias que atuam no processamento do fósforo, chamadas de solubilizadores, tornando esse nutriente mais disponível para a absorção e assimilação pelas plantas.

    Além disso, a pesquisadora afirma que os Bacillus atuam na mineralização do fósforo presente na matéria orgânica do solo por meio da liberação de enzimas fitases, dando maior aporte desse elemento para o cultivo. Segundo ela, nas avaliações realizadas em áreas de produção de milho, a aplicação do produto resultou em ganho médio de produtividade de 8,9% e aumento de 19% do elemento fósforo exportado para os grãos. Para a soja, a média de produtividade saltou de 67,2 sacas por hectare para 71,6 sacas, além do aumento de 14% do conteúdo de fósforo nos grãos. No caso da cana, os ganhos em toneladas por hectare ficam acima de 14%, além de incremento de 12% para toneladas de açúcar.

    Histórico da pesquisa e expansão de mercado

    O inoculante solubilizador de fosfato foi lançado em agosto de 2019 (veja aqui), após mais de 19 anos de pesquisas, por meio de uma parceria público-privada entre a Embrapa e a empresa Bioma. Inicialmente, foram conduzidas ações voltadas para o isolamento de cepas eficientes para solubilização de fosfato, coletando-se amostras de solo, planta e raiz em áreas agrícolas representativas das culturas de milho e soja. Posteriormente, realizou-se o processo de screening (rastreamento) em bancada para a seleção das cepas mais eficientes na solubilização de vários tipos de fosfatos e produção de substâncias promotoras de crescimento da planta, segundo relembra a pesquisadora Christiane Paiva.

    De acordo com ela, as cepas foram caracterizadas para testes em casa de vegetação e campo. “Foram selecionadas as cepas das bactérias Bacillus subtilis, que solubiliza fosfato de cálcio e ferro e apresenta alta produção de ácido glucônico e da enzima fitase – e Bacillus megaterium (isolada da rizosfera de milho, com capacidade de solubilizar fosfatos de cálcio e produzir fosfatase). Essas duas estirpes foram isoladas de áreas agrícolas no País, nas quais prevalece o cultivo de cereais e possuem propriedades de promoção de crescimento, estimulando o aumento da superfície radicular. Também registramos a produção de biofilme, que pode ajudar a proteger as plantas contra pragas e doenças, além de promover o crescimento das culturas por meio da disponibilidade de nutrientes”, diz Christiane.

    Após a comprovação dos bons resultados da pesquisa desenvolvida pela Embrapa, foi estabelecida, ainda em 2016, a parceria com o parceiro privado, que estabeleceu os índices de produção em larga escala e executou os testes de diferentes formulações, culminando com o lançamento do produto comercial em 2019, indicado inicialmente para milho. Em 2021, foi obtido o registro para as culturas da soja e da cana-de-açúcar no Ministério da Agricultura (Mapa). O produto foi registrado no fim de 2023 também para a cultura do feijoeiro, trazendo incrementos de produtividade de 14%, dados avaliados em diversas regiões do País, em campos experimentais da Embrapa Arroz e Feijão. “Novos registros de uso do produto estão sendo validados agronomicamente, como para a cultura do sorgo, arroz, tomate, batata, entre outros”, antecipa a pesquisadora.

    O mercado de bioinsumos

    De acordo com a quinta edição do Outlook GlobalFert 2024, um dos principais provedores de informações estratégicas do segmento, houve aumento de 11% no consumo de fertilizantes em 2023, reflexo do movimento de retomada da demanda de mercado, após um período de restrições, gargalos logísticos e aumento nos preços causados pela guerra entre Rússia e Ucrânia. “A demanda nacional por fertilizantes é extensa e acaba exigindo a importação em alta escala, tendo em vista que 85% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados”, cita a publicação.

    A meta brasileira de descarbonização da agricultura vem ao encontro de investimentos em alternativas para reverter essa situação, com o objetivo de aumentar a competitividade da agricultura nacional. “O Brasil se destaca como um dos principais consumidores de bioinsumos em nível mundial, com grandes chances de se posicionar como o maior consumidor desses produtos em escala global até o fim da presente década. Em se tratando de biofertilizantes, o Brasil liderou a primeira posição no ranking de adoção no primeiro semestre de 2023, com 36% de penetração, ficando à frente da União Europeia (25%) e China (22%)”, segundo informações da GlobalFert.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/