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10 de fevereiro de 2025

  • Ciência inova na produção sustentável de arroz, reduzindo impacto ambiental

    Pesquisa brasileira desenvolve manejo eficiente que reduz as emissões de metano em até 80% e otimiza recursos hídricos

     A produção de arroz enfrenta desafios ambientais significativos, especialmente devido às altas emissões de metano (CH4) associadas ao cultivo tradicional em áreas alagadas. No entanto, um estudo inovador liderado por pesquisadores da Esalq/USP, em parceria com a Embrapa e a University of Florida, pode transformar esse cenário.

    A pesquisa utilizou o modelo agrícola DSSAT – Sistema de Apoio à Decisão para Transferência de Agrotecnologia – para testar práticas de irrigação mais sustentáveis em condições subtropicais do Brasil.

    Em testes conduzidos ao longo de quatro safras no Rio Grande do Sul, os cientistas verificaram que a irrigação intermitente reduz as emissões de metano em até 80%, sem comprometer a produtividade. Além disso, a irrigação por aspersão se mostrou ainda mais eficiente, economizando água e garantindo altos rendimentos.

    Decision Support System for Agrotechnology Transfer

    O DSSAT é um conjunto de programas de computador para simulação do crescimento de culturas agrícolas. Ele tem sido usado em mais de 100 países por agrônomos para avaliar métodos agrícolas.

    Com ajustes inéditos no código do DSSAT, o estudo calibrou o modelo para simular emissões de metano em sistemas não alagados, fornecendo uma base científica sólida para práticas agrícolas sustentáveis.

    A pesquisa não só aponta caminhos para reduzir o impacto ambiental da produção de arroz no Brasil, mas também estabelece um novo padrão para a sustentabilidade do setor agrícola global.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Mosca-dos-chifres causa prejuízos de R$ 15 bi ao ano à pecuária; saiba como controlar o parasita

    Praga se alastra em ambientes com temperatura elevada e umidade do ar superior a 80%

    A mosca-dos-chifres é uma praga que causa prejuízos diretos à pecuária brasileira, com impactos financeiros da ordem de R$ 15 bilhões ao ano.

    De acordo com o médico-veterinário Felipe Pivoto, temperaturas acima de 25 °C e umidade relativa do ar superior a 80% são condições favoráveis ao aparecimento do parasita.

    Segundo ele, a maior frequência de chuva acelera significativamente o ciclo do parasita, possibilitando mais de 30 gerações da praga durante o período de um ano.

    “Isso acontece porque a umidade do ar evita a dessecação do ovo no ambiente, gerando maior eclosão das larvas e, consequentemente, o desenvolvimento da pupa da mosca”, destaca.

    Por outro lado, em ambientes que sofrem com a estiagem, como o Rio Grande do Sul nos últimos anos, a infestação ambiental do parasita é menor. Pivoto destaca que o agente causador da tristesa parasitária bovina é um exemplo de doença transmitida pela mosca-dos-chifres.

    “Esse parasita também prejudica muito a questão de bem-estar animal que, consequentemente, traz prejuízo na questão de consumo alimentar e, assim, no ganho de peso médio diário dos animais”, afirma o médico-veterinário.

    Medidas de controle à mosca-dos-chifres

    Pivoto destaca que o controle do parasita depende muito de cada região do país e, também, da realidade de cada fazenda. No entanto, os brincos mosquicidas são o que há de mais efetivo e com ação prolongada atualmente.

    “Existem no mercado vários brincos mosquicidas e, além deles, também temos produtos injetáveis à base de lactonas que vão agir principalmente a nível de bolo fecal, evitando o desenvolvimento desse parasita. Há também os produtos por via purol à base de piretroides e organos fosforados que também vão ser efetivos no controle da mosca”.

    Segundo ele, a diferença é a durabilidade de cada produto, sendo que a ação do brinco mosquicida é de longo período, com até 210 dias de eficácia.

    “Os produtos por via purol, principalmente à base de piretroides, têm intervalo muito curto de proteção, de quatro ou cinco dias, mas, muitas vezes, são ferramentas fundamentais para serem associadas ao uso de brinco mosquicida para se alcançar uma efetividade próxima de 100%”.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • País caminha para supersafra e desafio é armazenagem, diz presidente do BNDES

    Pesquisa identifica enzima com potencial para impulsionar indústria de bioquerosene e diesel verde

     Uma pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), encontrou formas de transformar o óleo de destilação do etanol de milho (DCO) em combustíveis renováveis, como bioquerosene para aviação e diesel verde.
    O estudo, publicado na Nature Communications, detalha a estrutura e o funcionamento de uma enzima natural capaz de gerar hidrocarbonetos similares aos obtidos nas refinarias de petróleo.

    A enzima identificada pelo Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) do CNPEM tem um diferencial importante para que o DCO (do inglês distillers corn oil) assuma um papel de destaque na indústria de combustíveis avançados como diesel verde e bioquerosene para aviação: é altamente eficiente e suporta altas temperaturas, o que permite sua aplicação direta nesse coproduto da produção de etanol de milho — atualmente subaproveitado.

    A enzima é capaz de atuar no processamento do DCO, uma matéria prima ácida com alto teor de ácidos graxos livres. Ela faz a descarboxilação do DCO, removendo oxigênio de ácidos graxos, transformando-os em moléculas muito semelhantes às obtidas no processo de refino do petróleo.

    Além de combustível, os compostos resultantes podem ser usados na produção de plásticos, cosméticos e outros produtos industriais.

    Produção de DCO nas indústrias de etanol

    No Brasil, em 2023, foram produzidas 145.700 toneladas de DCO nas indústrias de etanol de milho, que poderiam ser utilizadas para produção de combustível. Em âmbito global, a produção do DCO é estimada em 4,3 milhões de toneladas por ano.

    O CNPEM é pioneiro nos estudos sobre o aproveitamento da matéria-prima na produção sustentável de hidrocarbonetos usando enzimas. Para a aplicação industrial ainda há etapas a serem vencidas, mas a descoberta representa um passo importante para que a tecnologia seja licenciada.

    “O grande desafio era encontrar uma enzima que pudesse trabalhar diretamente com materiais brutos e variados, como subprodutos e/ou coprodutos industriais. Não só identificamos essa enzima, mas também elucidamos completamente seu modo de ação e entendemos que características a deixaram extremamente eficiente para atuar no DCO”, explica a pesquisadora Letícia Zanphorlin, do CNPEM, que liderou o estudo.

    Para chegar a essas informações, os pesquisadores transformaram a enzima em cristais para que sua estrutura atômica fosse revelada por cristalografia de proteínas realizada na linha de luz Manacá, do Sirius, acelerador de partículas de 4ª geração do CNPEM, um dos três em atividade no mundo e o maior equipamento científico do país.

    Além do impacto científico, a descoberta tem implicações reais no desenvolvimento sustentável. No Brasil, o etanol de milho é uma indústria crescente, especialmente no Centro-Oeste, onde o milho é plantado entre as safras de soja, sem necessidade de novas áreas agrícolas.

    Cadeia valor do milho

    O óleo gerado na produção de etanol de milho, que atualmente tem pouca aplicação comercial, agora pode ser convertido em combustível para transporte de longas distâncias, aumentando o retorno econômico da cadeia produtiva, e contribuindo para a circularidade do setor.

    “O CNPEM tem apostado em soluções que prezam pela sustentabilidade de uma maneira mais ampla, indo além da redução das emissões de gases de efeito estufa, e incluindo questões relacionadas ao uso responsável dos recursos naturais e manutenção do equilíbrio dos ecossistemas”, ressalta o diretor do LNBR, Eduardo Couto.

    “A tecnologia agrega valor à cadeia do milho e fortalece a sustentabilidade. Essa cadeia gera o etanol, o DDGS (do inglês, “Distiller’s Dried Grains with Solubles”) e o DCO. O DGGS já vira ração animal, e agora o óleo residual pode ganhar uma destinação importante que é o SAF (combustível sustentável para aviação)”, explica Letícia. Ela também destaca o potencial de outras matérias-primas, como babaçu e macaúba, que estão no radar para estudos futuros.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/