Daily Archives

20 de março de 2025

  • Copom eleva juros básicos da economia para 14,25% ao ano

    Preço dos alimentos e incertezas globais influenciaram decisão

    A alta do preço dos alimentos e da energia e as incertezas em torno da economia global fizeram o Banco Central (BC) aumentar mais uma vez os juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic, juros básicos da economia, em 1 ponto percentual, para 14,25% ao ano.

    Em comunicado, o Copom afirmou que as incertezas externas, principalmente pela política comercial do país, suscitam dúvidas sobre a postura do Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano). Em relação ao Brasil, o texto informa que a economia brasileira está aquecida, apesar de sinais de moderação no crescimento.

    Segundo o Copom, a inflação cheia e os núcleos (medida que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia) continuam em alta. O órgão alertou que existe o risco de que a inflação de serviços continue alta e informou que continuará a monitorar a política econômica do governo.

    “O comitê segue acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o regime fiscal e a sustentabilidade da dívida segue impactando, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes.”, destacou o comunicado.

    Em relação às próximas reuniões, o Copom informou que elevará a Selic “em menor magnitude” na reunião de maio e não deixou pistas para o que acontecerá depois disso.

    “Para além da próxima reunião [a partir de junho], o comitê reforça que a magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação”, ressaltou.
    
    

    Além de esperada pelo mercado financeiro, a elevação em 1 ponto havia sido anunciada pelo Banco Central na reunião de janeiro.

    Essa foi a quinta alta seguida da Selic. A taxa está no maior nível desde outubro de 2016, quando também estava em 14,25% ao ano. A alta consolida um ciclo de contração na política monetária.

    Após chegar a 10,5% ao ano de junho a agosto do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro do ano passado, com uma alta de 0,25 ponto, uma de 0,5 ponto e duas de 1 ponto percentual.

    Inflação

    A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, ficou em 1,48%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o fim do bônus de Itaipu sobre a conta de luz e o preço de alguns alimentos contribuíram para o índice.

    Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,87% em 12 meses, acima do teto da meta do ano passado. Pelo novo sistema de meta contínua em vigor a partir deste mês, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

    No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em março de 2025, a inflação desde abril de 2024 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em abril, o procedimento se repete, com apuração a partir de maio de 2024. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

    No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 4,5%, mas a estimativa pode ser revista, dependendo do comportamento do dólar e da inflação. O próximo relatório será divulgado no fim de março.

    As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 5,66%, mais de 1 ponto acima do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 5,6%.

    O comunicado do Copom trouxe as expectativas atualizadas do Banco Central sobre a inflação. A autoridade monetária prevê que o IPCA chegará a 5,1% em 2025 (acima do teto da meta) e 3,9% no acumulado em 12 meses no fim do terceiro trimestre em 2026. Isso porque o Banco Central trabalha com o que chama de “horizonte ampliado”, considerando o cenário para a inflação em até 18 meses.

    O Banco Central aumentou as estimativas de inflação. Na reunião anterior, de janeiro, o Copom previa IPCA de 5,2% em 2025 e de 4% em 12 meses no fim do terceiro trimestre de 2026.

    Crédito mais caro

    O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico.

    No último Relatório de Inflação, o Banco Central elevou para 2,1% a projeção de crescimento para a economia em 2025.

    O mercado projeta crescimento um pouco menor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 1,99% do PIB em 2025.

    A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

    Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Conforto e bem-estar animal: traduzindo vacas leiteiras

    O bem-estar das vacas leiteiras é um tema cada vez mais relevante dentro do setor agropecuário, refletindo diretamente na produtividade e lucratividade das propriedades. Durante o Podcast RTC, na Expodireto Cotrijal, especialistas e produtores abordaram a importância de entender o comportamento desses animais para garantir a sua saúde e otimizar a produção de leite.

    O debate, que contou com a participação do professor Marcelo Cecim, da Universidade Federal de Santa Maria, da médica Veterinária e Coordenadora do Programa de Brucelose e Tuberculose da CCGL, Vanesa Schneider e dos produtores Margarete Strobel e Diogo Vicenzi, destacou a necessidade de uma abordagem mais profunda sobre o comportamento das vacas e o impacto que isso tem nas suas condições físicas e psicológicas.

    De acordo com Cecim, o comportamento animal é um reflexo direto de seu bem-estar. “Às vezes percebemos que uma vaca não está bem, mas não damos a devida atenção aos sinais sutis que ela nos envia. A compreensão desses sinais pode fazer toda a diferença no manejo e no cuidado com os animais”, explicou. O professor enfatizou que a tecnologia, como a inteligência artificial aplicada ao monitoramento do comportamento das vacas, tem sido um avanço importante, mas não deve substituir o contato direto dos profissionais com os animais.

    O professor explicou que a vaca, para se manter saudável, necessita de um tempo adequado de descanso. Estima-se que ela deva passar entre 12 a 14 horas deitada, um período essencial para o seu bem-estar físico e psicológico. “Se as vacas passam mais tempo em pé ou demonstram desconforto, isso pode ser um indicativo de problemas, seja com o ambiente, a alimentação ou até mesmo com a saúde delas”, afirmou.

    Além disso, o debate ressaltou que fatores como a qualidade da cama, a temperatura ambiente e manejos excessivos podem influenciar diretamente na saúde das vacas. O estresse térmico, por exemplo, é um fator importante a ser considerado, já que as vacas sentem calor durante períodos específicos do dia, e a falta de condições adequadas para o descanso pode comprometer sua saúde e sua produção.

    Margarete Strobel comentou sobre a experiência de sua propriedade e a importância de respeitar o comportamento natural das vacas. “Para nós, cuidar das vacas é cuidar do nosso patrimônio. O comportamento delas reflete a saúde do rebanho, e investir no bem-estar animal é garantir que a produção de leite seja sustentável e de qualidade”, afirmou.

    O episódio também mencionou as “Cinco Liberdades”, princípios que são fundamentais para garantir o bem-estar animal: liberdade de fome e sede, de desconforto, de dor, lesões e doenças, de expressar comportamento natural e de medo e angústia. Essas liberdades devem ser consideradas em todas as etapas do manejo, desde o ambiente até os cuidados diários com os animais.

    Vanessa Schneider evidenciou que, para garantir a saúde e o bem-estar das vacas leiteiras, é necessário um olhar atento e um manejo responsável que leve em consideração o comportamento dos animais, respeitando suas necessidades fisiológicas e comportamentais. O investimento no bem-estar animal não só melhora a saúde dos rebanhos, mas também reflete diretamente na qualidade do leite produzido e na sustentabilidade da atividade.

    Para Cecim, a utilização de ferramentas como coleiras e pedômetros para monitorar o comportamento das vacas, diagnosticando possíveis problemas antes mesmo de se manifestarem fisicamente, é uma tendência crescente. A inteligência artificial tem se mostrado uma grande aliada nesse processo, porém, é fundamental que as propriedades estejam preparadas para integrá-la adequadamente.

    Diogo, ao abordar o uso da tecnologia na propriedade, ressaltou a importância de uma equipe dedicada e de estar no ponto certo de desenvolvimento para utilizar essas ferramentas de maneira eficaz. Embora sua fazenda ainda não esteja totalmente pronta para implementar essas inovações, ele reconhece o valor da tecnologia e acredita que, no futuro, ela será uma aliada valiosa.

    “Nosso objetivo é sempre melhorar o ambiente e as condições para as vacas. A tecnologia nos ajuda a entender melhor o que elas estão passando, antes que qualquer sintoma físico apareça. No entanto, é um processo que exige preparação e conhecimento”, comentou Diogo.

    A integração de novas tecnologias, como a inteligência artificial e ferramentas de monitoramento, certamente transformará a forma como as fazendas operam. Embora a equipe ainda esteja no processo de adaptação, a ideia de preparar uma nova geração de produtores, como a filha de Diogo, que está se envolvendo ativamente na fazenda, promete um futuro promissor.

    O professor Marcelo também destacou a importância do ambiente social das terneiras, enfatizando que, ao proporcionar condições adequadas para elas se desenvolverem, as propriedades podem garantir animais de melhor qualidade no futuro. “O comportamento dos animais é fundamental, e cada pequeno detalhe, como oferecer brinquedos ou permitir que se esfreguem, pode fazer uma enorme diferença no longo prazo”, destacou o professor.

    Ao encerrar a conversa, ficou claro que a produção de leite e o cuidado com o bem-estar animal não se limitam apenas a práticas técnicas, mas envolvem uma abordagem holística que inclui o ambiente, a alimentação e até mesmo a interação social. A combinação entre tradição e inovação é o que permitirá aos produtores seguir avançando em direção a um futuro mais sustentável e produtivo.

    Fonte: https://rtc.coop.br/