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abr 07 2025 Tarifas de Trump colocam mercado da soja em alerta; preços recuam no Brasil
Início de uma nova guerra comercial entre EUA e China derruba cotações da soja; Brasil pode se beneficiar a médio prazo
O mercado global de soja foi abalado nesta semana pelo acirramento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China. A crise começou após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar um pacote de tarifas abrangente, atingindo diferentes parceiros comerciais e sendo especialmente duro com os chineses.
Segundo informações fornecidas pela consultoria Safras & Mercado, em resposta, a China anunciou nesta sexta-feira (4) a imposição de uma tarifa adicional de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA, incluindo a soja.
A medida impacta diretamente o comércio global do grão e já trouxe consequências para os preços tanto no mercado brasileiro quanto na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nos Estados Unidos.
De acordo com Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, o Brasil pode se beneficiar dessa nova configuração comercial. “Se essas tarifas se mantiverem por mais tempo, o Brasil tende a ganhar espaço no mercado chinês, que hoje é o maior comprador mundial de soja”, afirma.
Rafael Silveira, também analista da Safras & Mercado, avalia que os embarques dos EUA devem sofrer forte queda no segundo semestre. “A China deverá intensificar suas compras no Brasil, principalmente com o avanço da colheita por aqui”, projeta.
Apesar dessa perspectiva positiva para os produtores brasileiros no médio prazo, o impacto imediato das medidas foi negativo. “A política externa de Trump é baixista para todo o complexo soja”, observa o analista Gabriel Viana. “Essas tarifas atingem quase todos os países, e isso pressiona os preços das commodities negociadas nas bolsas norte-americanas”, completa.
Ritmo da colheita de soja no Brasil
A colheita no Brasil já está praticamente encerrada, e a Argentina dá início à sua safra. Segundo os analistas, a demanda global deve, portanto, se deslocar para a América do Sul nos próximos meses.
Enquanto isso, os preços recuaram nos principais mercados do país. O contrato futuro de soja com vencimento em maio caiu 2,44% na semana, cotado a US$ 9,98 por bushel em Chicago, abaixo da marca simbólica de US$ 10.
No mercado físico brasileiro, a desvalorização também foi sentida. Confira os preços da saca de 60 quilos:
- Porto de Paranaguá (PR): de R$ 133,00 para R$ 131,00
- Passo Fundo (RS): de R$ 130,00 para R$ 128,00
- Cascavel (PR): de R$ 126,00 para R$ 124,00
- Rondonópolis (MT): de R$ 115,00 para R$ 112,00
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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abr 07 2025 USDA reduz estimativa da safra brasileira de milho para 126 milhões de toneladas
Também houve redução na projeção das exportações de milho da safra 2024/25 – cerca de 4 milhões de toneladas a menos que a prevista
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília estimou a produção de milho do Brasil em 126 milhões de toneladas para safra 2024/25, ante projeção anterior de 128 milhões de toneladas. O volume é 5,9% superior ao estimado para 2023/24, de 119 milhões de toneladas.
O USDA também reduziu estimativa das exportações brasileiras de milho em 44 milhões de toneladas em 2024/25 – cerca de 4 milhões de toneladas a menos que a prevista. Entretanto, o volume supera a estimativa da safra 2023/24, que era de 38,3 milhões de toneladas.
Já a projeção do consumo doméstico passou de 84,5 milhões para 87,5 milhões de toneladas. O volume estimado na safra anterior era de 84 milhões de toneladas.
Safra de milho 2025/26
O Departamento americano estima uma produção de 130 milhões de toneladas de milho, com uma área plantada de 22,5 milhões de hectares (aumento de 500 mil hectares ante 2023/24). As exportações devem somar 44 milhões de toneladas e o consumo doméstico, 89,5 milhões de toneladas.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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abr 07 2025 Método inovador amplia uso de fungo natural no controle biológico
Tecnologia desenvolvida pela Embrapa e Unesp aumenta eficiência e reduz custos na produção do ‘Trichoderma’, que tem diversas aplicações agrícolas
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Embrapa Meio Ambiente (SP) desenvolveram um novo método para a produção do fungo Trichoderma asperelloides, importante ferramenta no controle biológico de doenças em culturas agrícolas.A inovação utiliza farinha de arroz como substrato em um sistema de “biorreator em grânulo”, promovendo uma solução sustentável, eficiente e de baixo custo.O novo processo gera grânulos secos com conídios (esporos) do fungo, que funcionam como “sementes biológicas”. Armazenados sob refrigeração, esses grânulos mantêm sua viabilidade por mais de 24 meses, o que facilita o uso em larga escala. Ao serem incorporados ao solo, combatem com eficácia o Sclerotinia sclerotiorum, causador do mofo branco em culturas como soja, algodão, feijão e tomate.Segundo Lucas Guedes, pesquisador da Unesp responsável pela pesquisa, “o método não só amplia a produção de conídios, mas também aumenta a estabilidade do produto, tornando-o mais acessível e eficaz para o agricultor”.
Fontes de nitrogênio melhoram desempenho do fungo
A equipe avaliou cinco fatores no processo de fermentação do Trichoderma com o uso de farinha de arroz. A adição de 0,1% de nitrogênio ao substrato aumentou significativamente a produção de unidades formadoras de colônias (UFCs), medida usada para avaliar a viabilidade do fungo.
Além disso, fontes complexas de nitrogênio, como levedura hidrolisada e licor de milho, superaram fertilizantes tradicionais, como o sulfato de amônio. Também foram testadas embalagens com controle de umidade e oxigênio, que prolongam a vida útil do produto mesmo fora da refrigeração.
Sustentabilidade e economia com subprodutos agroindustriais
Gabriel Mascarin, da Embrapa, destacou o papel da farinha de arroz no projeto. “O uso de subprodutos agrícolas como o arroz quebrado não apenas reduz custos como promove sustentabilidade ao reaproveitar resíduos da agroindústria”.
Já Wagner Bettiol, também da Embrapa, explica que os grânulos funcionam como biorreatores naturais: “Liberam o fungo de forma gradual, sem gerar resíduos no ambiente”.
Alternativa aos fungicidas químicos
O uso de Trichoderma asperelloides é uma alternativa ao uso de fungicidas químicos, que podem gerar resistência dos patógenos e impactos ambientais. A nova formulação é eficaz contra diversos fitopatógenos do solo, como Fusarium, Rhizoctonia, Pythium e até nematoides, conforme o isolado utilizado.
Além disso, amplia as possibilidades de uso em diversas culturas e reduz os custos de produção frente às metodologias atuais baseadas em arroz convencional.
Potencial para o mercado nacional e internacional
A tecnologia desenvolvida tem potencial para impulsionar o uso de bioinsumos no Brasil e no exterior, reforçando a liderança brasileira em inovação agroambiental. A técnica atende às exigências da agricultura moderna por soluções sustentáveis, econômicas e de alto desempenho.
Mais informações sobre produtos com Trichoderma estão disponíveis na plataforma Agrofit, do Ministério da Agricultura (Mapa).
Principais usos do Trichoderma no controle biológico
1. Controle de mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum)
Previne e combate o patógeno que causa perdas severas em culturas como soja, feijão e algodão
2. Controle de outros fitopatógenos do solo
Eficaz contra doenças causadas por Fusarium, Rhizoctonia, Sclerotium e Pythium, comuns em diversas culturas agrícolas
3. Proteção de hortaliças e plantas ornamentais
Atua na prevenção de doenças que afetam o tomate, alface, ornamentasis e outras plantas de valor comercial
4. Controle de nematoides
Alguns isolados de Trichoderma são recomendados para reduzir populações de nematoides, organismos que afetam raízes e comprometem o desenvolvimento das plantas.
5. Substituição de fungicidas químicos
Reduz a dependência de produtos químicos, oferecendo uma solução sustentável e ambientalmente responsável.
6. Melhoria do solo agrícola
Promove um ambiente mais saudável no solo, aumentando a resistência natural das plantas a patógenos e melhorando a produtividade.
De acordo com a Embrapa, além de ser uma alternativa sustentável e econômica, o Trichoderma apresenta eficácia comprovada em diversas culturas e contribui para práticas agrícolas mais seguras e ambientalmente corretas.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/