Daily Archives

9 de maio de 2025

  • Recomendação de calagem no sistema plantio direto

    Na década de 1990, quando o sistema de plantio direto começou a ser amplamente adotado, instituições de pesquisa conduziram estudos para definir a recomendação de calagem em superfície. A conclusão foi que apenas 1/4 da dose de calcário utilizada no preparo convencional do solo deveria ser aplicada na superfície no plantio direto. Essa diretriz foi definida com base nas cultivares e híbridos da época, que eram mais tolerantes à acidez, e em um cenário econômico que impunha limitações severas aos investimentos em correção de solo.

    Contudo, a realidade produtiva mudou. Hoje, os tetos produtivos são significativamente mais elevados e as cultivares modernas apresentam maior sensibilidade à acidez do solo, exigindo ambientes mais equilibrados para expressar seu potencial genético.

    Diante desse novo cenário, a Rede Técnica Cooperativa (RTC/CCGL) vem reavaliando as recomendações de calagem em plantio direto. Estudos recentes indicam que a dose economicamente viável de calcário em superfície pode ser até três vezes maior do que aquela calibrada nos anos 90, proporcionando um retorno financeiro mais expressivo ao produtor.

    Os dados obtidos consideram os preços atuais do calcário e da soja, e mostram que aumentar a dose de calagem em superfície tem sido altamente compensador. Além disso, a pesquisa reforça a importância da qualidade do corretivo, dando ênfase ao uso de:

    • Calcários mais finamente moídos;

    • Óxidos e hidróxidos de cálcio e magnésio na forma de pó, que apresentam maior reatividade em comparação com os materiais tradicionais.

    Essas informações constam no Boletim Técnico nº 100 da RTC, disponível na plataforma SmartCoop, e trazem recomendações práticas e atualizadas para que o produtor possa tomar decisões mais assertivas no manejo da fertilidade do solo em sistemas conservacionistas.

    “Com base na realidade produtiva atual e nas exigências das cultivares modernas, está claro que as doses de calagem precisam ser revistas. Os estudos da RTC apontam caminhos concretos para elevar a eficiência e a rentabilidade no plantio direto”, afirma o pesquisador Dr. Jackson Fiorim.

    Fonte: https://rtc.coop.br/

  • Colheita de soja e milho estão praticamente encerradas no Estado

    O predomínio de tempo seco, aliado a longos períodos de insolação, contribuiu para o avanço significativo da colheita da soja, que atinge 95% no Estado, outros 5% seguem em maturação.  Já a área colhida de milho, alcançou 92%, e restam 5% em maturação e 3% em enchimento de grãos.

    De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (08/05), em parte dos municípios, especialmente no Planalto e Alto Uruguai, no Norte e no Nordeste do Estado, a colheita foi encerrada. E a formação intensa de orvalho, nas primeiras horas da manhã, atrasou o início das atividades de campo devido à elevada umidade retida nas hastes, ramos e vagens, o que aumenta o risco de perdas por grãos deteriorados ou danificados durante a operação.

    A produtividade segue altamente variável, refletindo maior ou menor déficit hídrico ao longo do ciclo. De forma geral, os rendimentos da soja oscilam entre 1 mil e 2,5 mil kg/ha, com médias inferiores àquelas inicialmente projetadas. As lavouras remanescentes (5%) encontram-se predominantemente em estádio de maturação fisiológica, com plantas prontas para colheita.

    A ausência prolongada de chuvas, até quatro semanas consecutivas sem precipitações em algumas regiões, tem acelerado a debulha natural dos grãos ainda em campo, intensificando as perdas. Na Região Oeste do Estado, um levantamento da Emater/RS-Ascar indicou perdas médias de 80 kg/ha de grãos encontrados no solo, antes mesmo da passagem das colhedoras, evidenciando prejuízos econômicos adicionais.

    As indenizações do Proagro e Proagro Mais estão sendo pagas com maior agilidade nesta safra, beneficiadas pela flexibilização documental, como a dispensa de apresentação de notas fiscais. Contudo, o acionamento de seguros públicos e privados permanece restrito a casos de perdas expressivas. A redução na cobertura do Proagro — de 25% a 50%, conforme a janela de plantio estabelecida no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (30% e 40% de risco) — tem dificultado o acesso à compensação para lavouras com produtividade de até 1,2 mil kg/ha, especialmente entre agricultores do Pronamp e do grupo “Demais Produtores”, que não dispõem de valor garantido de renda mínima.

    Os produtores que concluíram a colheita, aguardam a ocorrência de chuvas para a reposição da umidade do solo no intuito de viabilizar a semeadura das culturas de inverno, das plantas de cobertura ou de adubação verde. Paralelamente, realizam práticas de conservação e manejo do solo, como calagem, subsolagem localizada ou em área total, além da construção e manutenção de terraços, visando à melhoria das condições físico-químicas do solo, à infiltração de água e à contenção da erosão hídrica.

    Milho

    As atividades de colheita do milho seguem em ritmo menos intenso, aguardando a finalização do ciclo das lavouras estabelecidas a partir de dezembro. Os produtores que realizaram a operação foram favorecidos pelas condições meteorológicas predominantemente secas e de elevada radiação solar, que garantiram boa trafegabilidade das máquinas agrícolas.

    A ausência ou insuficiência de chuvas nas últimas quatro semanas tem prejudicado as lavouras em enchimento de grãos, fase altamente sensível ao déficit hídrico, podendo comprometer significativamente o potencial produtivo. No entanto, a menor demanda evaporativa, em função das temperaturas mais amenas, e a presença recorrente de orvalho noturno têm atenuado os efeitos do estresse hídrico, permitindo que as plantas mantenham aspecto visual satisfatório até o momento. No entanto, poderá haver perdas no potencial produtivo se as plantas continuarem sob estresse hídrico.

    Nas regiões em que houve precipitações pontuais e suficientes para restabelecer a umidade superficial do solo, os produtores iniciaram a implantação de culturas de cobertura (para proteção do solo, incremento da matéria orgânica e controle de plantas daninhas) em preparação para a semeadura do milho da próxima safra, prevista para a primeira quinzena de agosto. Porém, na maior parte do Estado, as condições de baixa umidade do solo ainda inviabilizam a semeadura dessas espécies.

    Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial