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jun 04 2025 Área de soja para a safra 25/26 cresce ‘na teoria’, mas desânimo toma conta do campo; saiba onde
Custo alto, clima incerto e pouca atratividade travam confiança do produtor para a próxima safra
A área projetada para a safra de soja do estado de Mato Grosso em 2025/26 está estimada em 13,01 milhões de hectares, representando um aumento de 1,67% em relação à safra anterior. A previsão faz parte de dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Segundo o instituto, as incertezas quanto aos investimentos para a próxima temporada continuam elevadas. A combinação de taxa de juros ainda alta, custos de produção pressionados e preços pouco atrativos da soja tem sido suficiente para frear o apetite dos produtores por expansão. O cenário econômico tem imposto cautela ao setor, o que dificulta as decisões estratégicas no campo.
Com esse ambiente adverso, muitos agricultores têm optado por manter ou até reduzir o nível de investimento nas lavouras, o que impacta diretamente as estimativas de produtividade. “Em relação ao rendimento da soja, neste primeiro momento, as projeções permanecem conservadoras, uma vez que diversos fatores que podem impactar a produtividade ainda são incertos, como as condições climáticas, a ocorrência de pragas e doenças, e o nível de investimento dos produtores”, alerta o Imea em seu boletim mais recente.
A instituição utilizou a média dos últimos três ciclos agrícolas para traçar o cenário atual. O resultado foi uma estimativa de 60,45 sacas por hectare, o que representa uma queda de 8,81% em relação à safra passada.
Quanto à produção total, a projeção é de 47,18 milhões de toneladas para a safra 2025/26, marcando uma retração de 7,29% em comparação ao ciclo anterior. Mesmo com uma área cultivada ligeiramente maior, a perspectiva é de uma safra menor em volume, reforçando a percepção de que o otimismo no setor está longe de um consenso.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/
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jun 04 2025 Fungos são capazes de eliminar mofo-branco das lavouras de soja, feijão e algodão
Pesquisa brasileira identifica fungos capazes de combater uma das principais doenças dos cultivos, conhecida, também, por sobreviver por longos períodos no solo.
Uma pesquisa conduzida por cientistas brasileiros revelou uma solução promissora contra uma das principais doenças que afetam diferentes tipos de cultivo, como soja, feijão e algodão: o mofo-branco. Fungos do gênero Trichoderma foram capazes de eliminar totalmente o patógeno Sclerotinia sclerotiorum em testes de laboratório, o que abre caminho para um controle biológico mais eficaz e sustentável nas lavouras.
A doença é um desafio constante, principalmente na soja, por sua capacidade de sobreviver no solo por longos períodos. Tradicionalmente, o combate envolve o uso intensivo de fungicidas químicos, com alto custo e impacto ambiental. A pesquisa, liderada por Laísy Bertanha (Unesp), com orientação de Wagner Bettiol (Embrapa), identificou duas espécies promissoras: Trichoderma yunnanense e Trichoderma dorotheae. A primeira atingiu 97,5% de eficácia na inibição dos escleródios, estruturas de resistência do fungo.
O controle biológico surge como alternativa ao modelo químico, especialmente quando combinado a boas práticas agrícolas. A rotação de culturas com gramíneas, o uso de sementes sadias e a adição de matéria orgânica ao solo ajudam a reduzir a presença do patógeno e fortalecer os microrganismos benéficos. Além disso, os fungos antagonistas interferem na produção de substâncias que tornam o mofo-branco mais agressivo, reduzindo o risco de infecções severas.
Na cultura da soja, os impactos do mofo-branco exigem manejo preventivo. A introdução de bioinsumos pode representar a redução de custos e resíduos, além de ganhos em produtividade a longo prazo. A pesquisa mostra que isolar os microrganismos no próprio ambiente onde serão aplicados aumenta sua eficiência no campo.
Fungos e bioinsumos
O Brasil ocupa hoje a liderança mundial no mercado de bioinsumos agrícolas, um setor que cresce, em média, 14% ao ano no mundo. Por aqui, o avanço é ainda mais acelerado: entre 2021 e 2022, o crescimento foi de 67%, segundo dados da Embrapa. Estima-se que o país responda por cerca de 20% do consumo global desses produtos. Essa posição de destaque se deve à combinação entre clima tropical, ampla área agrícola e crescente demanda por soluções sustentáveis. A trajetória brasileira mostra que é possível unir produtividade à inovação com baixo impacto ambiental.
Para manter essa liderança, o Brasil precisa ampliar os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e capacitação, especialmente para levar os bioinsumos também aos pequenos e médios produtores. Segundo o pesquisador Wagner Bettiol, é urgente desenvolver novos biofungicidas para o controle da ferrugem asiática da soja e da ferrugem do cafeeiro, além de bioherbicidas. Globalmente, grandes potências agrícolas como Estados Unidos, Europa e China também aceleram o uso de produtos biológicos. O movimento é impulsionado pela urgência climática e pela demanda por alimentos mais limpos. Além de reduzir resíduos químicos, os bioinsumos preservam a biodiversidade, diminuem as emissões de gases de efeito estufa e fortalecem economias locais com tecnologias adaptadas à agricultura familiar.
Fonte: https://www.canalrural.com.br/