Daily Archives

23 de junho de 2025

  • Inverno será típico no Rio Grande do Sul, com frentes frias

    Estação começa nesta sexta-feira (20/6), às 23h42

     

    Quando marcar 23h42 desta sexta-feira (20/6), começará oficialmente o inverno no Hemisfério Sul do planeta. Até as 15h19 do dia 22 de setembro, a estação promete ser típica no Rio Grande do Sul, com passagem regular de frentes frias, com massa de ar frio avançando e provocando queda nas temperaturas. É o que afirma o meteorologista da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Flávio Varone, coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS).

    Conforme Varone, a previsão para julho, agosto e setembro é que não ocorram fenômenos globais, como o El Niño e a La Niña.  “Então, a tendência é de um segundo semestre dentro da normalidade, um inverno típico do Rio Grande do Sul”, acredita. “A condição de frentes frias passando traz chuva regular durante dois, três dias, na maioria dos eventos. E o ingresso de ar frio traz a queda da temperatura, mas também provoca fenômenos bem típicos da estação, como geada, nevoeiros e, eventualmente, a ocorrência de queda de neve em alguns pontos do Estado”, alerta.

    E como fica a previsão mensal? “O modelo do Simagro, que é regional, está indicando que nós deveremos ter, durante o mês de julho, chuva próxima da normalidade em todo o Estado. Isso favorece um pouco mais as culturas de inverno, como trigo, canola, aveia e cevada”, destaca Varone.

    Para agosto, conforme o meteorologista, a tendência é de chuva um pouco acima da média em grande parte do Rio Grande do Sul. “Condição que vai favorecer os reservatórios, principalmente da Fronteira Oeste e da Campanha, que ficaram mais baixos devido à estiagem de verão. No inverno, eles devem recuperar seus níveis mais aceitáveis”, prevê Varone. “E, na faixa Norte, tem previsão de chuva um pouco abaixo da média, mas nada muito expressivo”, complementa.

    Para setembro, o Simagro indica que a chuva deve diminuir em todo o Rio Grande do Sul. “A gente espera volumes abaixo da normalidade”, pontua Varone.

    Temperaturas

    A temperatura média para julho e agosto deve ficar mais baixa que o normal, especialmente na Fronteira Oeste e nas Missões. “Em parte da Campanha deve fazer mais frio. No Litoral gaúcho, tanto em julho quanto em agosto, a previsão aqui do nosso modelo indica valores mais próximos da normal, mas também algumas áreas acima da normalidade. Então, vai ser um pouquinho mais quente no Litoral gaúcho nesses dois meses”, esclarece Varone.

    Para setembro, de acordo com o meteorologista, essa condição de valor inferior à média deve cobrir todo o Rio Grande Sul, principalmente metade Oeste e Campanha. “Deve trazer temperaturas com valores realmente um pouco abaixo da média, bem mais frios. Essa faixa mais leste (mais quente ao longo do ano), no decorrer do mês tende a ter valores ligeiramente abaixo da média, ou dentro da normalidade”, especifica Varone.

     

    Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/

  • Fertilizantes: o calcanhar de Aquiles do agro brasileiro

    Dependência externa de insumos, guerra no Oriente Médio e preços agrícolas deprimidos exigem respostas rápidas e criativas para preservar a rentabilidade

     

    A escalada do conflito entre Israel e Irã reacendeu um alerta preocupante para o agronegócio brasileiro: a possível disparada nos preços da ureia e de outros fertilizantes.

    Em um cenário de queda nas cotações internacionais das commodities agrícolas, a combinação entre custos crescentes e receitas em baixa pode corroer drasticamente a já apertada margem de lucro do produtor rural.

    O Brasil é extremamente vulnerável nesse campo. Segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome anualmente — sendo que, no caso específico da uréia, a produção nacional atende a menos de 20% da demanda.

    Cerca de 20% da ureia consumida pelo Brasil vem do Irã, país diretamente envolvido na atual tensão geopolítica, o que agrava ainda mais a possibilidade de ruptura no fornecimento.

    China e a Índia, por sua vez, são os maiores produtores e consumidores globais de ureia. Nesses países, o arroz é a principal cultura consumidora do insumo, seguido pelo trigo e outros grãos.

    Já no Brasil, a principal cultura que demanda ureia é o milho, seguida pela cana-de-açúcar e pela soja, três pilares da nossa produção agrícola. Isso reforça o impacto direto que qualquer oscilação no mercado internacional terá sobre o custo de produção das nossas lavouras.

    Estratégia equivocada do passado

    Esse grau de dependência não é fruto do acaso, mas de uma decisão estratégica equivocada adotada no passado. Com os preços internacionais dos fertilizantes — especialmente os nitrogenados — mais baixos que os nacionais, o Brasil optou por importar em vez de estimular a produção interna.

    Além disso, Israel é fornecedor de cloreto de potássio para o Brasil, nutriente essencial para a fertilização do solo e o bom desenvolvimento de culturas como soja, milho e algodão.

    A instabilidade no Oriente Médio, especialmente com riscos de fechamento de rotas marítimas ou sabotagem em infraestrutura logística, pode comprometer o fornecimento e pressionar ainda mais os preços desses insumos.

    Outro fator agravante é o aumento do preço do petróleo, que, além de elevar o custo dos próprios fertilizantes nitrogenados (como a ureia, que depende do gás natural), impacta diretamente o frete marítimo e terrestre, encarecendo o custo de importação e distribuição dos insumos.

    O que o produtor pode fazer?

    Diante desse cenário, quais estratégias os produtores podem adotar para ajudar a mitigar os riscos?

    • Antecipação e compras programadas: produtores que têm capacidade de armazenagem e acesso a crédito podem se beneficiar da antecipação na compra de fertilizantes, evitando a exposição à alta nos momentos de pico. Firmar contratos antecipados com fornecedores também é uma estratégia para garantir preços e disponibilidade.
    • Uso racional de insumos e agricultura de precisão: com margens estreitas, o uso eficiente dos recursos ganha ainda mais importância. Técnicas de agricultura de precisão, como mapeamento de solo e aplicação localizada de fertilizantes, ajudam a reduzir o desperdício e melhorar o retorno sobre o investimento.
    • Substituição e diversificação de fontes: em algumas regiões, é possível substituir parcialmente a ureia por outras fontes de nitrogênio, como sulfato de amônio ou adubação orgânica. Além disso, buscar fornecedores alternativos pode reduzir a dependência de mercados geopolíticos instáveis.
    • Integração com pecuária e uso de matéria orgânica: sistemas integrados de produção, como a integração lavoura-pecuária (ILP), favorecem o uso de resíduos orgânicos e pastagens bem manejadas, o que pode reduzir a dependência de fertilizantes minerais ao longo do tempo.
    • Renegociação de contratos e cooperativismo: a atuação conjunta por meio de cooperativas ou associações de produtores pode fortalecer o poder de barganha na compra de insumos, além de facilitar o acesso a crédito mais barato e suporte técnico. A renegociação de contratos com fornecedores e instituições financeiras também se torna essencial para ajustar prazos e garantir viabilidade financeira.
    • Travamento de preços no mercado futuro: em tempos de incerteza, travar preços de commodities agrícolas na bolsa é uma forma eficaz de proteger a receita esperada. Com os custos de produção sob ameaça, garantir um valor mínimo de venda no mercado futuro pode ser decisivo para preservar a rentabilidade, especialmente em culturas com grande liquidez, como soja, milho e café. Essa ferramenta de hedge ajuda a alinhar melhor os custos e a comercialização, mesmo em cenários de volatilidade.

    Conclusão

    A guerra no Oriente Médio expõe uma fragilidade estrutural do agronegócio brasileiro: a dependência externa de insumos estratégicos. Diante da combinação explosiva entre o possível aumento do custo da ureia, o encarecimento do frete e a queda das commodities, o produtor precisa agir de forma pragmática, adotando estratégias técnicas, financeiras e coletivas.

    Mais do que nunca, a gestão eficiente será decisiva para manter a rentabilidade no campo — e talvez seja também o momento de o país repensar sua política industrial para fertilizantes, recuperando a capacidade nacional de produção e garantindo segurança estratégica para o setor mais dinâmico da economia brasileira.

     

    Fonte:  https://www.canalrural.com.br/

  • Festas Juninas impulsionam o empreendedorismo rural

    Amendoim, mandioca, coco e leite movimentam o campo e o cardápio junino, mostrando a diversidade e a força da agricultura familiar no Brasil

     

    As festas juninas são um verdadeiro retrato da cultura popular brasileira e também do campo. Embora o milho seja um símbolo da temporada, ele não reina sozinho nos pratos típicos dessa época. Ingredientes como amendoim, mandioca, coco, leite, batata-doce e cana-de-açúcar também ganham espaço nas barracas e têm origem direta no trabalho de milhares de produtores rurais.

    “As festas juninas geram um aumento expressivo na demanda, especialmente por parte das indústrias que produzem doces típicos e amendoins salgados. Isso exige de nós uma produção contínua e com alto controle de qualidade para garantir o abastecimento no período mais crítico de consumo”, explica Sérgio Nakagi, vice-presidente da Coplana na cidade de Jaboticabal.

    De acordo com ele, o planejamento faz toda a diferença: “A produção é estrategicamente ajustada para atender à demanda crescente do período.” Por isso, a colheita, o beneficiamento e a logística começam com antecedência, o que assegura qualidade e volume tanto para os clientes industriais quanto para o consumidor final.

    Ainda que a mesa junina conte com milho, batata-doce, canjica, cocada e bolo de fubá, o amendoim mantém o protagonismo. “Os campeões de venda nessa época são, sem dúvida, a paçoca e o pé de moleque”, destaca Nakagi.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/