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2 de julho de 2025

  • Bebedouro no centro do pasto garante mais peso no gado e menor custo

    O veterinário Fernando Loureiro orienta sobre o melhor local para instalar o bebedouro e melhorar o desempenho do rebanho no piquete

    Saber onde instalar o bebedouro no pasto pode parecer um detalhe, mas é uma decisão que influencia diretamente a produtividade do rebanho.

    No programa Giro do Boi, o médico-veterinário Fernando Loureiro, especialista em sistemas de água para bovinos, explicou que o melhor posicionamento do bebedouro é no centro do piquete.

    Segundo Loureiro, quanto menor a distância até o ponto de água, menor o esforço dos animais para se hidratar, o que preserva energia e favorece o ganho de peso.

    “Se o bebedouro estiver a mais de 750 ou 800 metros, muitos animais deixam de ir até ele. Isso desuniformiza o pastejo e gera perda de desempenho”, alerta.

    Centralizar o bebedouro melhora o pastejo e o bem-estar do rebanho

    Quando o bebedouro é instalado no centro do piquete, o rebanho tende a se manter em um raio de 300 a 400 metros, o que ajuda a manter o pastejo uniforme.

    Esse comportamento evita áreas “rapadas” próximas da água e pastos mal aproveitados nas bordas.

    Além disso, quanto mais distante o ponto de água, mais o animal caminha ao longo do dia — o que representa gasto de energia que poderia ir para a produção de carne.

    O problema se agrava em sistemas intensivos, nos quais o gado pode beber água até 8 vezes por dia.

    Em sistemas intensivos, atenção redobrada com a aguada

    Em áreas de manejo extensivo, os bovinos costumam beber de 3 a 4 vezes ao dia. Já nos piquetes menores e mais intensivos, o consumo de água aumenta e, por isso, é ainda mais importante manter o bebedouro acessível e bem posicionado.

    O veterinário reforça que formato e simetria do piquete também influenciam. Pastos mais regulares facilitam a centralização da aguada, evitando que o gado pasteje excessivamente perto do bebedouro e negligencie outras áreas.

    Redução de custos e mais facilidade no manejo diário

    O posicionamento correto do bebedouro não só impacta o ganho de peso, como também pode reduzir os gastos com suplementação.

    Isso porque o gado aproveita melhor os nutrientes quando caminha menos e consome mais água de forma equilibrada.

    Além disso, centralizar o ponto de água facilita o manejo diário e a observação dos animais, contribuindo para um controle sanitário mais eficiente e uma rotina mais prática no campo.

    Água bem posicionada, lucro garantido

    Loureiro deixa o recado: improvisar no local do bebedouro é erro comum e caro.

    A água é o nutriente mais importante da dieta bovina, e garantir seu acesso de forma fácil e constante é uma estratégia simples que dá resultado.

    Pequenas decisões no manejo podem ter grande impacto no bolso do pecuarista.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Plano Safra: setor vê gargalos na execução e alerta para juros elevados

    Programa amplia recursos para custeio e Pronamp, mas queda em investimentos e juros elevados geram cautela

    O governo federal anunciou nesta terça-feira (1°) o Plano Safra 2025/26 voltado à agropecuária empresarial, com volume recorde de R$ 516,2 bilhões. O montante representa alta nominal de 1,5% frente aos R$ 508,6 bilhões do ciclo anterior. No entanto, descontada a inflação acumulada de 5,32% desde o último anúncio, não há ganho real.

    “Mesmo com todas as dificuldades, entregamos o maior Plano Safra da história. Fizemos um esforço enorme para preservar o acesso ao crédito, estimular a produção e aquecer a economia. Esse volume de recursos vai impulsionar uma supersafra e garantir o abastecimento de alimentos no mercado interno”, afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, durante o lançamento do programa, em Brasília.

    Os recursos para custeio e comercialização cresceram de R$ 401,3 bilhões para R$ 414,7 bilhões, refletindo o foco em linhas de curto prazo, diante de juros elevados. Já os investimentos recuaram de R$ 107,3 bilhões para R$ 101,5 bilhões, em meio à cautela dos produtores rurais.

    As taxas de juros também subiram, acompanhando a alta da Selic de 10,5% no lançamento do Plano Safra passado para os atuais 15% ao ano. Para custeio, médios produtores terão juros de 10%, enquanto demais produtores pagarão 14%. No caso dos investimentos, as taxas variam entre 8,5% e 13,5% ao ano.

    Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), avaliou que, mesmo com o esforço para conter aumentos, as condições continuam desafiadoras. “O Plano Safra agora tentou minimizar esse problema. O Moderfrota subiu de 11,5% para 13,5%, um aumento de 2 pontos percentuais. É um juro alto, mas ainda mais barato que os 20% a 22% do mercado. Mesmo assim, muito agricultor vai esperar para comprar máquina ou comprar à vista”, disse.

    Para o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Glauber Silveira, o aumento de recursos para armazenagem é positivo, mas há gargalos na execução. “Passa para R$ 8,2 bilhões, o que seria bom se fosse empregado na sua totalidade. Mas, muitas vezes, apenas 70% são utilizados, e no caso do PCA [Programa para Construção e Ampliação de Armazéns], apenas 50% foram efetivados no ano passado. Grandes grupos conseguem pegar esse recurso, mas o produtor fica refém dos cerealistas. É importante que o Banco do Brasil e o BNDES efetivem esses recursos para o produtor ter armazenagem na fazenda”, defendeu.

    Na área de pesquisa, Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, destacou a evolução das políticas para custeio sustentável. “A Embrapa vem trabalhando junto ao governo na transição ecológica, criando índices e métricas para agricultura tropical que sirvam de parâmetro para políticas públicas como o Plano Safra”, disse. Ela informou que a empresa realiza pilotos de zoneamento agrícola de manejo sustentável no Paraná e Mato Grosso do Sul, com quatro níveis de práticas agrícolas para subsidiar políticas futuras.

    O coordenador do Ramo Agropecuário na Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), João Prieto, avaliou que o cenário macroeconômico limitou os recursos. “Houve majoração das principais linhas de 1,5% a 2%, principalmente armazenagem, um gargalo do setor. Esses custos fazem o produtor recalcular investimentos de longo prazo”, disse.

    Já Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas, destacou a importância do crédito para a fruticultura. “O custeio é caro para produção de frutas. Estamos lutando para continuar como terceiro maior produtor de frutas do mundo. Ninguém gosta de juro alto, mas temos recurso disponível para trabalhar”, afirmou.

    O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura (Mapa), Luis Rua, ressaltou que o Plano Safra recorde ajudará a gerar excedentes exportáveis. “Com produção recorde e mercados abertos, poderemos apoiar a segurança alimentar mundial e gerar mais emprego e receita no Brasil”, disse.

    Fonte: https://www.canalrural.com.br/

  • Cooperativismo e meio ambiente em foco

    Cada vez mais necessário o debate na sociedade, o meio ambiente foi tema central de um fórum promovido pelo Sistema Ocergs com a FecoAgro/RS. Reunindo especialistas, representantes de cooperativas e órgãos públicos, o Fórum de Meio Ambiente do Cooperativismo Gaúcho discutiu temas estratégicos relacionados à sustentabilidade, clima e inovação no setor cooperativista.

    O Fórum de Meio Ambiente integra a estratégia do Sistema Ocergs de promover práticas sustentáveis e apoiar as cooperativas no atendimento às exigências legais e regulatórias, bem como aos compromissos assumidos com a Agenda ESG e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O evento teve mais de cem inscrições de participação e foi feito em modelo híbrido. A realização presencial ocorreu no auditório da CCGL, em Cruz Alta.

    Na abertura, o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann, falou sobre a importância de eventos que tenham o propósito de debater o crescimento sustentável das cooperativas e as questões sociais e ambientais que norteiam os princípios do cooperativismo. Alinhado ao discurso de Hartmann, o diretor-geral da FecoAgro/RS, Sérgio Feltraco, reforçou o compromisso da parceria da federação com o Sistema Ocergs em aprofundar aos cooperados a temática de ESG.

    Sobre a programação do Fórum

    O primeiro painel foi focado à apresentação do Diagnóstico ESG, ferramenta desenvolvida pelo Sistema Ocergs para apoiar as cooperativas na gestão de indicadores ambientais, sociais e de governança. A atividade contará ainda com relatos de experiências de cooperativas como a Integrada (PR) e a Cotripal (RS).

    O fórum também teve um diálogo técnico e institucional com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). O secretário adjunto da Sema, Marcelo Camardelli, falou especialmente para representantes de cooperativas agropecuárias, sobre o agravamento das mudanças climáticas no Rio Grande do Sul, com chuva em excesso e estiagem. Sobre isso, Camardelli falou sobre o novo Sistema de Outorga de Água e de mudanças no regramento para garantir melhorias na irrigação em tempos de seca e para situações de excesso de chuva, como licença única para os empreendimentos de portes mínimo e pequeno e a inclusão de temas de licenciamento ambiental e recursos naturais. Cooperados aproveitaram o momento para tirar dúvidas com a Sema.

    O secretário também falou sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR), importante para diversos ramos do cooperativismo. Desde 2024, o Estado utiliza a plataforma federal, mas segue responsável pela gestão dos dados. “Os desafios estão aí, precisamos fazer diferente para seguir produzindo e estamos aqui para apoiar as cooperativas e os produtores”, garantiu o secretário.

    Na parte da tarde, o evento seguiu com a participação de Eduardo Pavão, mestre em Agronegócio, que trouxe reflexões sobre o impacto das mudanças climáticas na agricultura, gestão de carbono e o futuro da produção sustentável. Na sequência, Karin W. Correa, engenheira agrônoma e especialista em Direito Ambiental, abordou a transição energética justa, com foco nos desafios e oportunidades para o setor elétrico cooperativo.

    Além dos painéis, o Sistema OCB realizou uma apresentação sobre a participação do cooperativismo na COP 30 e outras pautas ambientais relevantes. O evento também foi um espaço para articulação e planejamento do Comitê RSCOOP150bi – Ambiental e Social e do Grupo Técnico das Cooperativas Agropecuárias, reforçando o compromisso do Sistema Ocergs com o fortalecimento da agenda ambiental.

    Fonte: https://rtc.coop.br/