Daily Archives

18 de agosto de 2025

  • A tecnologia pode salvar o pequeno produtor

    “O plano só será eficaz se for combinado ao conhecimento”

     

     

    O Anuário Estatístico da Agricultura Familiar 2024, elaborado pela Contag em parceria com o Dieese, aponta que a agricultura familiar concentra 67% das ocupações no campo, gera 23% do valor bruto da produção agropecuária nacional e apresenta uma das maiores diversidades produtivas do planeta. Pequenas propriedades predominam: 53% têm menos de 10 hectares e 35% entre 10 e 50 hectares, onde a mecanização ainda é limitada, apenas 14,5% possuem trator, número que cai para 2,3% no Nordeste.

    Diante desse cenário, tecnologias digitais surgem como alternativa para aumentar produtividade, otimizar recursos e garantir sustentabilidade. Sensores, softwares e drones podem ser mais eficazes, mesmo em propriedades com baixa mecanização. Pesquisas mostram que soluções de baixo custo combinadas a plataformas de gestão via celular podem reduzir perdas em até 25%.

    O Plano Nova Indústria Brasil, lançado em 2024, estabelece meta de 70% de mecanização na agricultura familiar até 2033, com foco em máquinas menores e mais acessíveis. Especialistas alertam que a simples compra de equipamentos não garante resultados; é necessária a capacitação e a democratização do uso das tecnologias, com estratégias como cooperativas para aquisição compartilhada de drones, contratação de serviços sob demanda e parcerias com universidades.

    “O plano só será eficaz se for combinado ao conhecimento sobre tecnologias digitais adaptáveis a diferentes cenários agrícolas. Não adianta ter o equipamento ou o maquinário e não saber operá-lo ou subutilizá-lo, pois acaba virando uma grande despesa imediata sem retorno financeiro efetivo”, destaca Maria Fernanda Lopes de Freitas, professora do curso de Gestão Integrada de Agronegócios, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

    Além da produtividade, a revolução digital no campo impacta gestão financeira, rastreabilidade, acesso a mercados e redução de perdas. Um levantamento da Embrapa em 2020 indica que mais de 65% dos agricultores familiares têm interesse em apps de gestão de lavouras, principalmente para detectar deficiências nutricionais, doenças e pragas. Tecnologias acessíveis e adaptáveis permitem que o agricultor familiar aumente a eficiência do trabalho manual e se beneficie da transição digital em curso.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Pastagens mostram recuperação parcial

    Pastagens variam em qualidade nas regiões gaúchas

    O Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (14) pela Emater/RS-Ascar indica que as pastagens cultivadas no Rio Grande do Sul apresentaram resposta fisiológica positiva nas áreas com lotação adequada, especialmente onde houve aplicação de fertilizantes nitrogenados e orgânicos. “Os campos nativos ainda enfrentam limitações, mas em algumas regiões já iniciaram a rebrota”, informou o boletim.

    Apesar da variação climática, houve recuperação em áreas mais drenadas, e as pastagens de inverno retomaram o desenvolvimento, sobretudo as implantadas de forma mais tardia. Segue também o preparo de áreas para semeadura de milho para silagem e de forrageiras anuais de verão.

    Na região de Bagé, as pastagens de inverno tiveram leve recuperação, mas em áreas de aveia e azevém o potencial produtivo esperado não foi alcançado. Em Quaraí, a umidade favoreceu a incidência de fungos. Em Hulha Negra, pastagens com trevo apresentaram condições adequadas para pastejo e corte, com previsão de fenação em setembro. Em Santa Margarida do Sul, áreas foram arrendadas para engorda de animais, como alternativa de renda.

    Em Caxias do Sul, o frio e a chuva limitaram os manejos e os pastejos, que ocorreram de forma restrita para evitar danos às plantas e ao solo.

    Em Frederico Westphalen, o clima aliado às adubações nitrogenadas favoreceu a rebrota, a melhoria da qualidade nutricional e o aumento da oferta de forragem. Na região de Ijuí, as pastagens de aveia-preta e aveia-branca estão em floração, enquanto trigo de pastoreio e azevém permanecem em fase vegetativa com boa qualidade nutricional.

    Já em Passo Fundo, fatores edafoclimáticos limitaram o crescimento vegetal, exigindo ajustes de lotação e interrupção das adubações.

    Em Pelotas, as condições variaram: enquanto municípios como Arroio Grande, Canguçu e São José do Norte registraram bom desenvolvimento das pastagens de inverno, em localidades como Capão do Leão, Piratini e Rio Grande o frio, as geadas e a baixa radiação solar prejudicaram o crescimento.

    Na região de Santa Maria, a alta umidade e o excesso de lotação comprometeram o desenvolvimento das pastagens e atrasaram o crescimento do azevém. Em Júlio de Castilhos, lavouras de triticale para silagem tiveram bom desempenho, reduzindo custos com alimentação suplementar.

    Na região de Santa Rosa, as pastagens se recuperaram e apresentam menor risco de arranquio. Em Erechim e Soledade, o frio e a umidade prejudicaram o rebrote de aveia e azevém, mas os pastejos continuaram, mesmo com menor oferta. A aveia comum, de modo geral, está em fase avançada de crescimento e perde qualidade.

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Manejo integrado para preservar herbicidas

    Entre as principais recomendações, está a rotação de herbicidas

     

    O manejo de resistência a plantas daninhas é fundamental para preservar a eficácia dos herbicidas e assegurar uma produção agrícola sustentável. Segundo o engenheiro agrônomo Marcus Costa, a adoção de estratégias integradas é decisiva para evitar o avanço de populações resistentes e manter a produtividade no campo.

    Entre as principais recomendações, está a rotação de herbicidas com diferentes modos de ação, que ajuda a reduzir a seleção de plantas tolerantes. O manejo integrado de plantas daninhas (MIPD), que combina métodos mecânicos, culturais e químicos, é outra ferramenta essencial, incluindo práticas como rotação de culturas, plantio direto e capinas. O monitoramento frequente das lavouras possibilita detectar precocemente sinais de resistência e ajustar as práticas. O uso de culturas mais competitivas e o controle mecânico, como capina, aração e desbaste, também contribuem para diminuir a pressão das invasoras. Capacitar produtores e técnicos, por meio de educação e treinamento, completa o conjunto de ações recomendadas.

    No âmbito do controle químico, a Bayer trabalha para ampliar as opções disponíveis no mercado. Até 2026, deve lançar o herbicida Convintro Duo, formulado com diflufenicam (HRAC 12) e metribuzim (HRAC 5), destinado à fase de pré-emergência da soja. Outro produto previsto é o icafolin-methyl, uma molécula inédita com ação sobre plantas mono e dicotiledôneas, incluindo espécies como capim-amargoso e capim-pé-de-galinha. A integração dessas práticas com novas tecnologias é vista como o caminho mais eficaz para garantir o controle de plantas daninhas e retardar o desenvolvimento de resistência.
     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/