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24 de outubro de 2025

  • Caruru-palmeri impõe desafio urgente ao manejo agrícola no Brasil

    Planta daninha afeta produtividade de soja em diversas regiões produtoras

    Uma das plantas daninhas mais agressivas da agricultura está avançando silenciosamente pelo campo. Trata-se do caruru-palmeri (Amaranthus palmeri), espécie invasora originária das Américas, que vem se consolidando como ameaça concreta às principais cadeias produtivas do país. Com resistência comprovada ao glifosato — herbicida base no manejo de culturas transgênicas — e capacidade de produzir até 600 mil sementes por planta, o caruru já compromete a produtividade de lavouras em estados como Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul.

    “Uma planta sozinha pode gerar um banco de sementes com milhões de unidades viáveis por ciclo. Isso facilita a infestação de novas áreas, principalmente quando não há controle eficiente”, explica Anderson Cavenaghi, professor da Univag-MT.

    Além da alta produção de sementes, o caruru-palmeri apresenta crescimento acelerado — podendo atingir 4 cm por dia —, porte elevado (até 2 metros de altura) e fotossíntese do tipo C4, mais eficiente em condições tropicais. Tais características o tornam um competidor feroz por luz, água e nutrientes.

    Estudos apontam que o caruru pode reduzir em até 91% a produtividade do milho, 79% na soja e 77% no algodão. Além das perdas diretas, a planta dificulta a colheita mecanizada e favorece o surgimento de pragas e doenças secundárias. Em propriedades onde há resistência múltipla, os custos com herbicidas já aumentaram até 70%, segundo levantamento realizado no Mato Grosso.

    “O controle químico isolado já não funciona. Temos casos de resistência cruzada a inibidores da ALS e da EPSPS, o que torna o manejo químico muito limitado”, afirma Cavenaghi.

    O papel dos pré-emergentes no combate

    Frente à ineficácia do glifosato, o uso de herbicidas com diferentes mecanismos de ação é apontado como estratégia prioritária. Um dos aliados nesse processo é a piroxasulfona, herbicida pré-emergente que atua antes do nascimento das plantas daninhas. Aplicado corretamente, cria uma janela de crescimento livre de competição, favorecendo o estabelecimento saudável da cultura principal.

    “É fundamental que o produtor invista em pré-emergência com ativos eficazes e realize o manejo integrado, que inclui a limpeza de máquinas, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura”, ressalta o pesquisador.

    Identificação

    A correta identificação do caruru ainda nos estágios iniciais é desafiadora, especialmente pela semelhança entre espécies. “A distinção entre A. hybridus e A. retroflexus, por exemplo, só é possível com análise laboratorial ou já na fase de inflorescência”, aponta Cavenaghi.

    Para conter o avanço do caruru, entidades de pesquisa têm investido em tecnologias de identificação precoce, como sensores ópticos e algoritmos de visão computacional. Ao mesmo tempo, campanhas educativas em cooperativas e sindicatos rurais visam ampliar o conhecimento técnico entre pequenos e médios produtores.

    “O combate ao caruru exige uma atuação coordenada entre agricultores, consultores, empresas e órgãos de pesquisa. Não podemos subestimar o risco de novas infestações e o impacto sobre a rentabilidade das lavouras”, conclui Cavenaghi

    Como o produtor pode agir hoje contra o caruru-palmeri

    – Adote herbicidas pré-emergentes eficazes: Utilize ativos com mecanismos de ação diferentes, como a piroxasulfona, para impedir a emergência do caruru logo após o plantio.

    – Realize a rotação de culturas: Alternar culturas reduz a pressão seletiva e dificulta o ciclo reprodutivo do caruru.

    – Limpe maquinários e equipamentos: Evite a contaminação cruzada entre áreas ao lavar colheitadeiras, tratores e implementos após uso em áreas infestadas.

    – Participe de projetos de monitoramento: Envie amostras de sementes para análise de resistência. Universidades, Embrapa e empresas de pesquisa recebem esse material e retornam com orientações técnicas.

    – Evite deixar plantas atingirem a fase de sementes: Uma única planta pode gerar até 600 mil sementes. Eliminar os focos antes da floração é essencial.

    – Fique atento aos sinais: Folhas ovadas com marcas em V, inflorescências densas e caules espessos são indícios de Amaranthus palmeri.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/noticias/

  • Colheita do trigo avança no RS

    O tempo seco e ensolarado favorece a colheita do trigo, que atinge 10% dos 1.141.224 hectares cultivados no Rio Grande do Sul. A cultura encontra-se nas fases de enchimento de grãos (50%) e maturação (40%). De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (23/10), as condições meteorológicas do período, como temperaturas amenas, boa luminosidade e redução da umidade excessiva, favoreceram tanto a maturação quanto o início da colheita, em especial nas áreas de semeadura mais precoce. De modo geral, as lavouras de trigo apresentam elevado potencial produtivo, sobretudo nos cultivos conduzidos sob manejo adequado de adubação e controle fitossanitário.

    A pressão de doenças fúngicas, como giberela, brusone e ferrugens, é observada em diversas regiões, exigindo atenção e aplicação de fungicidas em áreas não colhidas. Já o estado sanitário geral está satisfatório. Os índices de PH dos grãos colhidos permanecem, em sua maioria, acima de 78, indicando boa qualidade industrial. As produtividades variam entre 2.400 e 4.200 kg/ha, de acordo com a região, a tecnologia empregada e a intensidade de ocorrência de doenças. Conforme a reestimativa da Safra 2025, realizada pela Emater/RS-Ascar, a produtividade revista, considerando o bom desempenho das lavouras, está em 3.261 kg/ha, sendo 8,81% superior à estimada no momento do plantio.

    Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Soledade, as lavouras de trigo seguem em excelente condição fisiológica e sanitária, com 80% em enchimento de grãos, 15% em maturação e 5% em espigamento/floração. As chuvas do período foram benéficas à manutenção da umidade do solo, assegurando produtividades superiores a 3.900 kg/ha em áreas de alta tecnologia. O controle de doenças fúngicas está em finalização, com foco na giberela, ferrugens e oídio.

    Aveia-branca – A cultura está em colheita, com bom desempenho produtivo, com produtividades de 2.300 a 2.900 kg/ha, conforme o nível tecnológico empregado. A qualidade de grãos e o peso hectolitro estão satisfatórios, dentro do padrão industrial. De forma pontual, registrou-se acamamento em lavouras de maturação avançada e danos localizados por granizo, sem impacto expressivo sobre a produtividade estadual. A reestimativa da Emater/RS-Ascar indica que estão cultivados 393.252 hectares de aveia-branca, com estimativa atual de produtividade de 2.445 kg/ha, representando elevação de 8,48% com a projetada no início do plantio.

    Canola – A cultura da canola encontra-se entre as fases de maturação e colheita. As produtividades variam entre 1.500 e 2.100 kg/ha, conforme o nível tecnológico e as condições locais de cultivo. A qualidade dos grãos está satisfatória, mas, em parte das regiões, observam-se descontos por umidade e impurezas nos pontos de recebimento, o que reduz a rentabilidade. A dessecação pré-colheita tem sido adotada para uniformizar a maturação e otimizar o cronograma de colheita. Em linhas gerais, o ciclo da cultura caminha para o encerramento, com resultados dentro do esperado, ainda que abaixo do potencial em algumas áreas, devido à redução do estande de plantas na emergência e à irregularidade hídrica no início do ciclo. De acordo com a nova estimativa da safra realizada pela Emater/RS-Ascar, a área cultivada com canola totalizou 176.076 hectares. A reavaliação aponta produtividade de 1.659 kg/ha, representando redução de 4,49% em relação a 1.737 kg/ha projetados no início do plantio.

    Cevada – As lavouras estão nas fases de enchimento de grãos e maturação, com elevado potencial produtivo e condições fitossanitárias satisfatórias. A disponibilidade de radiação solar e a umidade do solo adequadas favorecem a maturação uniforme das espigas e o acúmulo de amido nos grãos, aspectos determinantes para a qualidade industrial do produto.

    As lavouras de cevada implantadas mais precocemente estão em colheita, e as produtividades médias projetadas situam-se entre 3.800 e 4.000 kg/ha, índice considerado promissor e compatível com o padrão tecnológico empregado no cultivo. Se o tempo continuar firme, a qualidade dos grãos deve atender de forma plena às exigências da indústria cervejeira, especialmente quanto à capacidade germinativa e ao baixo percentual de impurezas. Na reestimativa da safra de cevada, a área cultivada é de 31.613 hectares. A estimativa atual de produtividade é de 3.458 kg/ha, representando elevação de 8,14% em comparação a 3.198 kg/ha projetados inicialmente pela Emater/RS-Ascar.

    CULTURAS DE VERÃO
    Soja – A semeadura encontra-se em fase inicial no Estado, limitada a áreas com condições adequadas de umidade. O avanço reduzido resulta da combinação entre fatores econômicos e físicos, como a estratégia de produtores de postergar o plantio, minimizando riscos de redução da disponibilidade hídrica em novembro e dezembro; a priorização da colheita dos cereais de inverno; as baixas temperaturas e a diminuição da umidade nos solos, em parte do Estado.

    Nas áreas de implantação da soja, é realizada a dessecação das coberturas vegetais e ajustes nas condições do solo para facilitar a semeadura. Em meio ao preparo, os produtores também têm encaminhado laudos para os agentes financeiros a fim de acessar a linha de crédito recentemente criada pelo Governo Federal, que busca auxiliar produtores rurais afetados por sucessivas frustrações de safra. Contudo, ainda se observa a possibilidade de redução no uso de fertilizantes, bem como maior emprego de sementes próprias, devido aos custos elevados de produção e às restrições de crédito.

    Nos cultivos implantados, as sementes se encontram em fase de embebição e germinação. O avanço mais expressivo da semeadura da soja deve ocorrer a partir do final de outubro. Para a Safra 2025/2026, no Rio Grande do Sul, a projeção da Emater/RS-Ascar indica o cultivo de 6.742.236 hectares e produtividade média de 3.180 kg/ha.

    Milho – A cultura de milho segue em ritmos distintos de semeadura no Estado e se desenvolve conforme as condições regionais de umidade e temperatura. Nas principais áreas produtoras, a semeadura está praticamente concluída, e as lavouras estão em fase de germinação e desenvolvimento vegetativo. A boa disponibilidade hídrica e as temperaturas adequadas têm beneficiado a cultura, exceto em pontos isolados onde a falta de chuvas ou o excesso de umidade impuseram ajustes no calendário de plantio. Na Safra 2025/2026, a área total alcançará 785.030 hectares, segundo projeção da Emater/RS-Ascar, e a produtividade estimada é de 7.376 kg/ha.

    As plantas apresentam estado vegetativo, vigor e arquitetura satisfatórios. A adubação de cobertura e o controle de plantas daninhas estão em andamento, enquanto o uso de fungicidas se intensifica nas lavouras próximas ao pendoamento. O uso do Manejo Integrado de Pragas (MIP) tem sido adotado, com monitoramento constante de cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e vaquinha (Diabrotica speciosa), e intervenções pontuais em áreas com maior incidência.

    Milho silagem – A semeadura do milho para silagem se aproxima da metade da área prevista nas principais regiões produtoras, excetuando-se no Nordeste do Estado, onde as temperaturas estão mais baixas, e o plantio ocorre em época mais tardia. As lavouras estão em desenvolvimento vegetativo (99%) e 1% das áreas mais precoces ingressam no estádio de florescimento. Em ambas as fases, observa-se excelente condição, como colmos robustos, bom índice de área foliar e elevada taxa de expansão das folhas, indicadores de nutrição e ambiente adequados ao crescimento. No entanto, observou-se redução no uso de fertilizantes minerais e maior adoção de adubação orgânica. Segundo a Emater/RS-Ascar, na Safra 2025/2026, a área de milho silagem alcançará 366.067 hectares e produtividade de 38.338 kg/ha.

    Arroz – Houve avanço expressivo nas atividades de semeadura, favorecido pelo tempo seco em grande parte das regiões produtoras. A redução dos volumes de chuva também permitiu o acesso às áreas que apresentavam excesso de umidade, viabilizando o preparo do solo, a construção de taipas e a implantação das lavouras. Contudo, o andamento do plantio está heterogêneo entre as regiões. Nas áreas de várzea com drenagem mais lenta ou com histórico de precipitações recentes, a implantação está em fase inicial em razão do excesso de umidade para uso de maquinário. Já nas áreas em que o tempo se manteve firme, o plantio atingiu cerca de dois terços da área prevista em algumas localidades.

    Em relação ao sistema de cultivo pré-germinado, as lavouras de arroz implantadas estão, em geral, em estádio vegetativo inicial, com desenvolvimento dentro da normalidade. A área a ser cultivada está estimada em 920.081 hectares (Irga). A produtividade está estimada pela Emater/RS-Ascar em 8.752 kg/ha.

    Feijão 1ª Safra – O andamento da semeadura de feijão se dá conforme as condições nas regiões produtoras. Nas áreas de segundo cultivo, o plantio está próximo da conclusão. No Sul do Estado, o processo ocorre de forma escalonada, estendendo-se por um período mais longo, conforme as condições de umidade e temperatura. Já nos Campos de Cima da Serra, a semeadura é tardia, realizada a partir de dezembro, após a colheita das lavouras implantadas mais precocemente em outras regiões.

    A maior parte das lavouras de feijão está em fase de desenvolvimento vegetativo; nas mais precoces, inicia o florescimento. As condições climáticas das últimas semanas, como temperaturas em elevação e precipitações regulares, têm favorecido o estabelecimento e o crescimento das plantas. Em algumas áreas, o frio residual e as geadas pontuais causaram sintomas leves de encarquilhamento foliar, sem impacto relevante sobre o potencial produtivo. A área projetada de feijão 1ª safra é de 26.096 hectares. A produtividade média está estimada em 1.779 kg/ha.

    PASTAGENS E CRIAÇÕES
    O campo nativo apresentou desenvolvimento satisfatório, favorecido pelas condições do período, com aumento gradual da oferta de forragem e rebrote significativo. No campo nativo melhorado, foi possível permitir lotações adequadas e ganhos de peso, com utilização de sal proteinado em áreas entouceiradas. Nas pastagens de azevém, mesmo em fase de formação de sementes ou senescência, também ocorreu pastejo. Nas áreas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), houve retirada dos animais e dessecação da vegetação para implantação das lavouras de soja e de milho destinados à silagem. As pastagens perenes de verão intensificaram o rebrote, contribuindo de forma parcial para a alimentação dos rebanhos. A exuberante floração das diferentes espécies de maria-mole (Senecio spp.) em algumas localidades preocupou produtores, apesar da fase crítica para a intoxicação dos animais já ter passado.

    BOVINOCULTURA DE CORTE – Nas áreas de ILP, os animais foram retirados para que fossem realizados os manejos necessários ao cultivo da soja, o que tem contribuído para o aumento da oferta de bovinos destinados à engorda, à terminação e ao abate. O rebanho apresentou condições corporais satisfatórias na maioria das propriedades. No aspecto sanitário, houve aumento da ocorrência de carrapatos e moscas.

    BOVINOCULTURA DE LEITE – Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em diversas propriedades da Campanha, a produção de leite reduziu em relação aos meses de agosto e setembro, em razão da transição entre pastagens e do desconforto térmico causado por dias de temperatura elevada. Para enfrentar a menor oferta de forragem, os produtores estão fornecendo silagem e ração aos rebanhos. Nas de Erechim, Ijuí, Passo Fundo e de Santa Maria, a boa oferta de forragem colaborou para a manutenção ou para o aumento do escore corporal e da produção. A suplementação com silagem foi utilizada nos sistemas a pasto.

    OVINOCULTURA – Os produtores realizaram a seleção de matrizes e a compra de carneiros para a próxima fase reprodutiva. A esquila avançou e os rebanhos apresentaram condições corporais adequadas. Os cordeiros têm sido desmamados e recebem suplementação alimentar, visando à comercialização no final do ano. A ocorrência de verminose foi registrada em alguns rebanhos, com aparecimento de papeira e mucosas pálidas.

    PISCICULTURA – Devido às condições meteorológicas do período, como aumento das temperaturas, e aos níveis adequados de água nos tanques e nos açudes em várias regiões, a atividade tem se intensificado. Os parâmetros de qualidade da água, como turbidez e oxigenação, ficaram dentro do esperado. Os piscicultores iniciaram a introdução de alevinos e ampliaram o arraçoamento. O aumento da oferta de nutrientes e das condições ambientais favoreceu o desenvolvimento de fitoplâncton e zooplâncton, o que contribuiu para o crescimento dos peixes nos viveiros.

     

    Fonte: https://www.emater.tche.br/site/index.php