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27 de outubro de 2025

  • Falta de chuva e frio freiam semeadura da soja

    Safra 2025/26 avança devagar no RS

    De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na última quinta-feira (23), a semeadura da soja no Rio Grande do Sul está em fase inicial, alcançando 2% da área total prevista. O avanço limitado é resultado de fatores econômicos e climáticos, entre eles a estratégia de produtores de adiar o plantio para reduzir riscos de falta de chuva em novembro e dezembro, a priorização da colheita dos cereais de inverno, as baixas temperaturas e a redução da umidade do solo em parte do Estado.

    Nas áreas onde a implantação já começou, os produtores realizam a dessecação das coberturas vegetais e ajustes nas condições do solo para facilitar a semeadura. Conforme a Emater/RS-Ascar, muitos agricultores estão encaminhando laudos para agentes financeiros com o objetivo de acessar a linha de crédito criada pelo Governo Federal para apoiar produtores afetados por perdas sucessivas de safra. Apesar disso, a instituição observa tendência de redução no uso de fertilizantes e maior aproveitamento de sementes próprias, reflexo dos custos de produção e das restrições de crédito.

    Nos cultivos implantados, as sementes estão nas fases de embebição e germinação. A Emater/RS-Ascar prevê avanço mais significativo da semeadura a partir do final de outubro. Para a safra 2025/2026, a projeção é de cultivo em 6,74 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 3.180 quilos por hectare.

    Na região administrativa de Bagé, na Fronteira Oeste, o plantio ocorre de forma pontual e concentrada em pequenas áreas, enquanto a maior parte dos produtores segue voltada à colheita das lavouras de inverno e à preparação do solo. Na Campanha, a falta de chuvas tem dificultado o plantio convencional, especialmente em solos argilosos, onde se formam torrões que prejudicam o contato entre semente e solo. As baixas temperaturas e os ventos constantes também têm limitado o uso de herbicidas, retardando o início mais amplo da semeadura.

    Nos Campos de Cima da Serra, região de Caxias do Sul, produtores que planejavam iniciar o plantio optaram por adiar a atividade devido às mínimas abaixo de 5 °C registradas nas primeiras horas do dia, condição que pode comprometer a germinação e a emergência das plântulas.

    Na região de Ijuí, o plantio atinge 2% da área estimada. Segundo a Emater/RS-Ascar, o trabalho avança com cautela diante das temperaturas baixas e do início antecipado do ciclo. A expectativa é de aceleração do ritmo nas próximas semanas, acompanhando o aumento das temperaturas e a regularização das chuvas.

    Em Pelotas, a semeadura alcança 4% da área projetada. Os agricultores estão concentrados na compra de insumos e na manutenção de maquinário agrícola, preparando-se para intensificar o trabalho nas próximas semanas, caso o clima se mantenha favorável.

    Na região de Santa Maria, menos de 1% da área foi semeada até o momento. As lavouras implantadas apresentam germinação e emergência adequadas, mas o avanço da semeadura depende da elevação das temperaturas e da melhoria da umidade do solo.

    Em Soledade, cerca de 10% das áreas destinadas ao cultivo já foram plantadas. A maioria das propriedades concluiu a dessecação e aguarda condições ideais para o corte da palhada e a continuidade dos trabalhos.

    Fonte:  https://www.agrolink.com.br/
  • Uso de herbicidas pré-emergentes é decisivo para a produtividade da soja, aponta pesquisa da RTC/CCGL

       Estudos conduzidos pela Rede Técnica Cooperativa (RTC/CCGL), em parceria com cooperativas singulares e suas áreas experimentais, reforçam a importância estratégica do uso de herbicidas pré-emergentes no manejo de plantas daninhas em lavouras de soja. De acordo com o pesquisador da RTC/CCGL, Dr. Mário Bianchi, a escolha correta do herbicida, associada ao conhecimento do histórico da área e das espécies infestantes, é fundamental para garantir um controle eficaz e evitar perdas significativas de produtividade.

    Segundo o pesquisador, o primeiro passo para um manejo eficiente é conhecer o histórico de infestação da lavoura. A definição do herbicida mais ajustado depende do conjunto de plantas daninhas presentes e de possíveis casos de resistência. Em muitos casos observados nos experimentos da RTC/CCGL, falhas de controle estiveram relacionadas a escolhas inadequadas de produtos frente às espécies predominantes, à presença de resistência de plantas daninhas aos mecanismos de ação utilizados e também à ausência de chuva após a aplicação, o que impede a incorporação do herbicida ao solo e reduz sua eficiência. “Os herbicidas pré-emergentes precisam de umidade para serem ativados no solo. Se a chuva não ocorre até dois dias após a aplicação, há risco de emergência de plantas daninhas antes que o produto se torne efetivo”, explica Bianchi.

    Os resultados dos estudos realizados na safra 2024 demonstram diferenças expressivas na produtividade líquida das lavouras conforme a estratégia de manejo utilizada. Sem o uso de pré-emergente, apenas com aplicação de glifosato em pós-emergência no estádio V6 da soja, a produtividade alcançou 63 sacos por hectare. Já quando o herbicida pré-emergente foi associado ao glifosato, o rendimento subiu para 79 sacos por hectare. E, nas áreas em que o pré-emergente escolhido foi o mais ajustado às espécies de plantas daninhas presentes, aliado à aplicação pós-emergente, a produtividade chegou a 84 sacos por hectare, um ganho de 21 sacos em relação à área sem o uso do produto.

    Esses resultados evidenciam o impacto da competição de plantas daninhas nas fases iniciais da cultura. “A competição até o estádio V6 da soja, especialmente com espécies como caruru, leiteira e papuã, pode reduzir a produtividade em mais de 20 sacos por hectare. Essa perda é irreversível”, ressalta o pesquisador.

    O investimento necessário para o uso de herbicidas pré-emergentes, conforme levantamento realizado pela RTC/CCGL com base em dados de 13 cooperativas e empresas parceiras, varia de R$ 60 a R$ 90 por hectare, podendo chegar a R$ 150 em situações de maior complexidade, como áreas com presença de gramíneas resistentes. Na prática, esse valor representa aproximadamente o custo de um saco de soja por hectare, enquanto       o retorno pode chegar a 10, 15 ou até 20 sacos a mais por hectare, dependendo das condições de infestação. “Estamos falando de investir o equivalente a um saco de soja para garantir a colheita de até 20 sacos adicionais. É uma das relações custo-benefício mais favoráveis no manejo da cultura”, destaca Bianchi.

    O pesquisador também reforça que a decisão sobre qual herbicida utilizar deve priorizar a eficácia de controle e não apenas o preço do produto. “Primeiro escolhemos os herbicidas eficazes para as espécies presentes na lavoura. Entre esses, aí sim optamos pelo mais econômico. O erro é inverter essa lógica e escolher apenas pelo custo, comprometendo o resultado final”, afirma.

    Com a crescente ocorrência de caruru resistente ao glifosato, os herbicidas pré-emergentes tornam-se uma ferramenta fundamental no manejo integrado de plantas daninhas. “Hoje, diante da resistência, o pré-emergente não é mais uma opção. É uma necessidade para manter a produtividade e a sustentabilidade da lavoura de soja”, conclui Bianchi.

    A Rede Técnica Cooperativa (RTC), coordenada pela CCGL, atua em parceria com cooperativas singulares, pesquisadores e instituições de pesquisa, promovendo estudos aplicados e soluções técnicas que contribuem para o avanço da produtividade e da sustentabilidade nas lavouras do sistema cooperativo.

     

    Fonte:https://rtc.coop.br/