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11 de dezembro de 2025

  • Representantes do RS se reúnem com o governo federal para tratar de novas medidas de renegociação das dívidas dos produtores

    Reunião na Casa Civil, em Brasília, contou com a participação do secretário da Agricultura, Edivilson Brum

    Representantes do governo e lideranças do Rio Grande do Sul participaram, nesta terça-feira (9/12), de uma reunião na Casa Civil da Presidência da República para tratar das dificuldades de acesso dos produtores rurais à linha de crédito de renegociação criada pela Medida Provisória 1.314/2025 e buscar novas medidas que facilitem o pagamento das dívidas.

    O encontro foi convocado pelo líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, e contou com a presença do secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, do senador Luis Carlos Heinze, e do presidente eleito da Farsul, Domingos Velho Lopes, que assume a entidade em janeiro de 2026.

    Entre as demandas apresentadas pelo Rio Grande do Sul está a inclusão da safra 2024/25 na linha de renegociação. Atualmente, a MP 1.314/25 contempla apenas operações contratadas até junho de 2024, deixando de fora justamente um dos ciclos mais afetado pelos eventos climáticos no Estado. Outro ponto considerado crítico pelos representantes gaúchos é a exigência de que o produtor estivesse inadimplente na data de publicação da MP e adimplente no momento da contratação do crédito.

    Para o secretário Edivilson Brum, a agenda foi positiva. “Precisamos ajustar alguns pontos das condições já disponíveis e avançar em outras medidas. O governo federal sinaliza novas ações e admitiu ampliar os recursos após a reunião”, destacou.

    Encontro com o líder do governo no Senado

    Pouco antes da reunião na Casa Civil, o governador Eduardo Leite esteve com o senador Randolfe Rodrigues, líder do governo no Senado, para defender a votação do Projeto de Lei (PL) 5.122/2023 e apresentar os principais gargalos identificados na MP 1.314. Tanto o PL quanto a MP tratam do refinanciamento das dívidas dos produtores rurais.

    O PL 5.122, já aprovado na Câmara, prevê o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal para refinanciar dívidas de produtores atingidos por calamidades, oferecendo juros menores e prazos mais longos, sem impacto no resultado primário da União.

    A MP 1.314, editada pelo governo federal, também cria uma linha emergencial de crédito, mas com regras que hoje restringem o acesso e não alcançam a maior parte dos produtores gaúchos. Por isso, o Estado defende ajustes que tornem a medida mais efetiva e alinhada ao modelo previsto no PL.

    Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial
  • Pesquisa da RTC mostra que a escolha da cultivar pode dobrar a produtividade da soja

    A cada safra, uma nova história é escrita nas lavouras gaúchas. E, segundo o pesquisador em manejo de culturas da RTC/CCGL, Dr. Tiago Hörbe, essa narrativa começa muito antes da chuva “Quando o produtor sai com a plantadeira do galpão, ele já está definindo o enredo da safra”, afirma Hörbe. “A decisão sobre qual cultivar utilizar e como posicioná-la é determinante para o sucesso da produção. Depois que a semente está no solo, não há segunda chance. A próxima oportunidade virá apenas no ano seguinte.”
    Os resultados das pesquisas conduzidas pela Rede Técnica Cooperativa (RTC) comprovam o peso dessa decisão. Em um mesmo talhão, sob as mesmas condições de solo, manejo e clima, a simples troca de uma cultivar por outra gerou diferença de até 15 sacas por hectare. “O ambiente era o mesmo o que mudou foi apenas o genótipo. E essa variação representa um impacto econômico expressivo”, pontua o pesquisador.
    Nos últimos cinco anos, a equipe da CCGL avaliou 20 cultivares de soja, de diferentes ciclos, em quatro épocas de semeadura, de outubro a dezembro. O estudo mostrou que o desempenho das plantas varia significativamente conforme o grupo de maturação e o momento de plantio, revelando um intervalo ideal entre 5 e 20 de novembro, quando as condições de água e luminosidade tendem a favorecer a expressão do máximo potencial produtivo.
    Ao compilar os resultados das cinco safras (2020 a 2024), a média das lavouras “erradas” ficou em 38 sacas por hectare, enquanto os experimentos mais assertivos alcançaram 81 sacas. “A diferença de mais de 40 sacas mostra o valor do planejamento. Não é sobre acertar o olho da mosca todo ano, mas sim sobre reduzir erros com estratégias simples, como o escalonamento de épocas de semeadura e grupos de maturação”, explica Hörbe.
    O estudo também analisou o comportamento climático do Rio Grande do Sul nas últimas três décadas. O levantamento indica que 72% dos anos são marcados por incertezas climáticas, entre episódios de La Niña, El Niño e neutralidade. “O produtor precisa entender que o clima é incerto, mas previsível dentro de certos padrões. Quando ele combina diferentes épocas de semeadura com cultivares de ciclos distintos, consegue driblar estresses hídricos, tanto precoces quanto tardios”, destaca o pesquisador.
    Com base em dados históricos, a RTC aponta que anos de La Niña fraca,condição projetada para a safra 2025/26, podem, inclusive, oferecer excelentes produtividades, desde que o manejo seja ajustado. “Muitos agricultores estão céticos após os desafios das últimas safras, mas os dados mostram que há boas perspectivas. O clima pode ser favorável, desde que a decisão técnica esteja correta”, reforça Hörbe.
    A recomendação prática é dividir a área em três blocos de semeadura, espaçados por cerca de dez dias, combinando cultivares de grupos de maturação com diferença mínima de cinco pontos. Essa estratégia amplia a estabilidade produtiva e reduz o risco de perdas concentradas por estresse climático. “O escalonamento é o que transforma a média em segurança. Quando o produtor distribui o risco, ele aumenta suas chances de acertar, independentemente do comportamento do clima”, resume o pesquisador.

    Pesquisa e tecnologia à disposição do produtor

    Os resultados apresentados fazem parte de uma ampla base de dados desenvolvida pela RTC, disponível na plataforma digital SmartCoop. “Nosso objetivo é dar previsibilidade à decisão do produtor. Dominar essa escolha é dominar o futuro da safra”, conclui Hörbe.
    Para quem deseja se aprofundar no tema, as análises completas estão disponíveis no canal da RTC no YouTube e na plataforma SmartCoop.

     

    Fonte:https://rtc.coop.br/