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jan 20 2026 Região Norte lidera inadimplência rural, aponta Serasa
Já a Região Sul obteve o melhor desempenho, com apenas 5,5% da população rural
A inadimplência no agronegócio brasileiro continua a crescer, ainda que em ritmo mais lento. Dados divulgados pela Serasa Experian mostram que 8,3% da população rural enfrentava dívidas em atraso no terceiro trimestre de 2025. A taxa é 0,9 ponto percentual superior ao mesmo período de 2024. No comparativo trimestral, a elevação foi mais contida: 0,2 ponto percentual em relação ao segundo trimestre.
Apesar da relativa estabilidade recente, o cenário segue desafiador. Segundo a Serasa, os produtores ainda enfrentam margens de lucro apertadas e fluxo de caixa comprometido, em um contexto de custos elevados, oscilação de preços e maior seletividade na concessão de crédito.
As instituições financeiras concentram a maior fatia da inadimplência rural. Em 2025, 7,3% das dívidas estavam vinculadas a bancos, enquanto apenas 0,3% tinham origem em credores ligados diretamente ao setor agropecuário. Outros setores respondiam por 0,2% do total, apontando para um risco mais concentrado no sistema financeiro tradicional.
Mesmo com incidência relativamente baixa, os valores médios das dívidas chamam atenção. Os inadimplentes com instituições financeiras registraram débitos médios de R$ 100,5 mil, enquanto as dívidas contraídas diretamente no setor agro chegaram a R$ 130,3 mil – valor significativamente superior ao de outros segmentos relacionados, como transporte e armazenagem, cuja média foi de R$ 31,7 mil.
A segmentação por perfil fundiário mostra que produtores rurais “sem registro formal” – grupo que pode incluir arrendatários ou membros de famílias com estrutura informal de produção – lideram o ranking da inadimplência, com 10,8%. Na sequência vêm grandes proprietários (9,6%), médios (8,1%) e pequenos produtores (7,8%).
A idade também interfere no comportamento financeiro. Os produtores mais jovens, entre 30 e 39 anos, apresentaram o maior índice de inadimplência: 12,7%. Já aqueles com 80 anos ou mais demonstraram maior controle financeiro, registrando a menor taxa entre todas as faixas etárias avaliadas.
Geograficamente, os contrastes são evidentes. A Região Sul obteve o melhor desempenho, com apenas 5,5% da população rural inadimplente no período. O Rio Grande do Sul lidera o ranking nacional com a menor taxa: 5,1%. Já o Amapá marcou o índice mais alto do Brasil, com 19,8% de inadimplência no campo.
De acordo com a análise da Serasa, o desempenho do Sul é influenciado por fatores estruturais, como a forte presença de cooperativas, uso intenso de seguro rural e políticas de apoio à renegociação de dívidas. Mesmo com impactos climáticos severos nos últimos anos, como secas e enchentes, a região demonstrou maior resiliência.
Fonte: https://www.agrolink.com.br/
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jan 20 2026 Emater/RS-Ascar realiza levantamento do cenário da atividade leiteira na região de Santa Rosa
O 6º Levantamento Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite do RS foi desencadeado na região de Santa Rosa, como forma de diagnosticar e contribuir com a construção de políticas públicas que levem em conta a realidade das famílias rurais. O levantamento é realizado pela Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR). Na região de Santa Rosa, o processo contou com o engajamento dos 45 escritórios municipais e com o apoio de diversas entidades parceiras, a exemplo de cooperativas e indústrias de beneficiamento de leite.
Os questionários foram aplicados em agosto de 2025 com o levantamento de mais de cem itens relacionados à cadeia do leite, abarcando temas como produção, tecnologias utilizadas, comercialização e industrialização do leite. “Assim, é possível vislumbrar um diagnóstico sobre o que está acontecendo com o leite na região, uma das maiores bacias leiteiras do RS, e ao mesmo tempo ter subsídio para a definição de estratégias e construção de políticas públicas”, destaca o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar, Jorge João Lunardi.
Lunardi também destaca a importância da atividade para a economia da região, sendo a segunda principal fonte de renda agrícola local, com mais de R$ 1,7 bilhões movimentados anualmente. Nos 45 municípios que compõe os Coredes Fronteira Noroeste e Missões existem 4.299 estabelecimentos, que vendem aproximadamente 1,67 milhões de litros de leite por dia e mais de 10 indústrias e agroindústrias da região.
Entre 2015, primeiro ano do levantamento, e 2025, observou-se a redução de 71% no número de produtores de leite na região, ao mesmo tempo o volume de produção se manteve e a produtividade por vaca cresceu 37%, evidenciando uma concentração da produção em menos propriedades, cada vez mais tecnificadas.
Perfil das Propriedades
Os mais de 635 milhões de litros de leite produzidos ao ano provém de 131.877 vacas. A produtividade média é de 5.152 litros/vaca/ano, sendo 64% do rebanho formado por holandesas, 18% Jersey e o restante cruzadas.
A atividade está presente principalmente em propriedades da agricultura familiar, perfil presente em 93% das unidades, que possuem em média 20 hectares de área.
Na faixa de produção de até 300 litros/dia, a região possui 2.590 estabelecimentos (60%); até 500 litros/dia há 3.484 estabelecimentos (81%). Já na faixa de 501 a 1 mil litros/dia estão 14% do total de propriedades e, acima de 1.001 l/dia, há 288 estabelecimentos, correspondendo a 7% do total.
Manejo e tecnologias adotadas
O manejo do rebanho aponta para a tendência de produção de leite à base de pasto, em sistema de pastoreio rotativo, com suplementação (85%). Também é adotado o sistema de semiconfinamento (10%) e confinamento em free stall e compost barn (5%).
Avança a adoção de tecnologias como a irrigação, presente em 11% das propriedades. Para a ampliação deste número, a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) oferece o Programa Estadual de Irrigação, executado pela Emater/RS-Ascar.
As ordenhas são canalizadas em 49% das propriedades; balde ao pé é adotado ainda em 23%; 27% possuem transferidor; 89% têm local adequado para ordenha; 68% possuem sala com fosso; 32% possuem piso calcado na sala de espera e 17 propriedades adotaram ordenha robotizada.
Em relação aos equipamentos dos quais dispõem, o resfriamento do leite é feito em 99% das propriedades com tanque de expansão direta, isotérmico; 92% usam água quente para higienização de equipamentos, e a maioria vêm obtendo boa qualidade do leite decorrentes das medidas de higiene e limpeza adotadas.
Lunardi destaca que o levantamento de 2025 aponta ainda que os índices de produção têm melhorado, especialmente em questões como genética, alimentação e nutrição, qualidade do leite, bem-estar animal, sanidade do rebanho, construções e equipamentos adequadas.
O levantamento apontou também que 30 municípios possuem programas municipais de fomento ao leite. Também se destaca o arranjo institucional que tem sido feito, capitaneado pela Associação dos Municípios da Fronteira Noroeste (Amufron), de modo a qualificar estratégias para o desenvolvimento sustentável da bacia leiteira local.
Em relação à disponibilidade de apoio técnico, a região tem centenas de profissionais que trabalham com inseminação artificial e outros que atuam em Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters).
Somente em 2025, a Emater/RS-Ascar atendeu mais de 1.900 famílias produtoras de leite na região de Santa Rosa, com ações voltadas à assistência técnica, agroindustrialização, tecnologias e fomento.
Desafios Estruturais
Apesar dos avanços, o setor enfrenta dificuldades estruturais. Entre os produtores entrevistados, 45% reclamam do preço pago pelo leite, 55% apontam a falta de mão de obra, e 40% citam a ausência de sucessores para continuidade da atividade. Além disso, 17% mencionam dificuldades em atingir a escala mínima exigida pelas indústrias.
A faixa de produção até 500 litros/dia ainda concentra 81% dos estabelecimentos, mas há crescimento na produção acima de mil litros/dia, sinalizando um movimento de concentração produtiva. A maioria dos produtores ativos tem mais de 50 anos, apontando para a necessidade de políticas que fomentem a continuidade da atividade nos próximos anos.
Fonte:https://www.emater.tche.br/site/index.php
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jan 20 2026 Monitora Ferrugem RS fortalece prevenção e auxilia produtores de soja no Estado
A ferrugem asiática é considerada uma das principais ameaças à produção de soja, com potencial de provocar perdas severas nas lavouras. Causada pelo fungo biotrófico obrigatório Phakopsora pachyrhizi, que depende da planta viva para sobreviver, a doença se desenvolve a partir da presença de esporos no ambiente, associada a condições climáticas favoráveis, como temperaturas entre 15°C e 25°C e alta umidade. Sem controle adequado, a ferrugem compromete a colheita e gera prejuízos expressivos aos agricultores.
No Rio Grande do Sul, o Programa Monitora Ferrugem RS tem desempenhado papel fundamental no apoio aos produtores de soja. Desenvolvido pela Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar e outras instituições, a iniciativa está atualmente em 94 municípios produtores do grão. Coletores instalados nessas localidades monitoram semanalmente a presença de esporos da ferrugem, permitindo a identificação de áreas com maior risco de incidência da doença.
Segundo o diretor do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Seapi, Ricardo Felicetti, o Monitora Ferrugem RS possibilita a detecção precoce do fungo, fornecendo subsídios técnicos importantes para a tomada de decisão no manejo da lavoura. “O trabalho epidemiológico de monitoramento também permite investigações sobre o comportamento da doença a campo e, com isso, novas possibilidades de controle. Um trabalho de sucesso que tem dado grandes resultados no controle da ferrugem”, destaca.
Criado em 2019, o programa também contribui para o acompanhamento da evolução da doença ao longo das safras, fortalecendo o entendimento sobre os fatores que influenciam a sua disseminação. “O que se observa do ponto de vista técnico é que a ferrugem asiática tem uma relação muito grande com as condições ambientais. Então teremos safras com uma grande quantidade de esporos distribuídos e, mantendo as condições de temperatura e umidade, há a expansão da doença nas lavouras”, explica a pesquisadora do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Seapi, Andréia Mara Rotta de Oliveira.
Os dados mais recentes do monitoramento indicam uma redução no número de esporos presentes no ambiente, o que traz um sinal positivo para o setor. Ainda assim, os especialistas reforçam a importância da vigilância constante.
“As massas de esporo acabam migrando em função das correntes de ar. Nessas últimas coletas, há algumas regiões que têm uma quantidade maior de esporos, mas, de forma geral, houve uma diminuição, se comparado ao início do monitoramento. Isso pode deixar o produtor tranquilo? Um pouco, mas é preciso estar alerta. Há a presença de esporos, então, se houver condições ambientais favoráveis, a ferrugem pode ocorrer”, sinaliza o extensionista e coordenador Estadual de Defesa Sanitária Vegetal da Emater/RS-Ascar, Elder Dal Prá.
Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial