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11 de fevereiro de 2026

  • Inmet atualiza projeções climáticas para a agricultura

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou nesta terça-feira (10) o Boletim Agroclimatológico Mensal referente ao trimestre de fevereiro, março e abril de 2026, com projeções de chuva, temperatura e armazenamento hídrico do solo para as regiões do país.

    Segundo o boletim, na Região Norte, o modelo multimodelo desenvolvido em cooperação entre o Inmet, o CPTEC/INPE e a Funceme aponta volumes de chuva próximos ou abaixo da média histórica no Tocantins, com reduções mais acentuadas no leste do estado, onde os acumulados podem ficar até 100 mm abaixo da normal climatológica. Em contrapartida, o boletim indica precipitações acima da média no Amazonas, Roraima, Acre, centro-sul do Amapá e em grande parte do Pará, com acréscimos de até 100 mm em áreas entre o leste do Amazonas, oeste do Pará, Roraima e sul do Amapá. As temperaturas devem permanecer próximas da média na maior parte da região, com desvios levemente acima do padrão no Tocantins, Rondônia, Acre e sudeste do Pará, com aumento médio de até 1 °C. O Inmet informa que o armazenamento hídrico do solo entre fevereiro e abril de 2026 deve superar 80% em grande parte da região, favorecendo lavouras de mandioca, milho e feijão, além de sistemas com banana e cacau. Por outro lado, parte do extremo norte do Amazonas e Roraima deve registrar níveis inferiores a 40%, com necessidade de atenção ao manejo do solo. O boletim aponta ainda déficits hídricos mais intensos em fevereiro e março nessas áreas, com redução em abril, enquanto excedentes hídricos são esperados no centro do Amazonas, Rondônia, extremo norte do Tocantins e grande parte do Amapá e do Pará.

    Para a Região Nordeste, o Inmet projeta chuvas abaixo da média na maior parte do território, com reduções de até 100 mm e anomalias mais intensas no nordeste da Bahia e em áreas do Vale do São Francisco, onde os volumes podem ficar até 200 mm abaixo da média. No norte do Maranhão e do Piauí, a previsão indica precipitações acima da média. As temperaturas devem permanecer acima do padrão histórico em grande parte da região, com desvios entre 0,25 °C e 1,0 °C. O boletim registra estoques hídricos do solo inferiores a 30% na maior parte do Nordeste, com déficit mais amplo em fevereiro e redução gradual em março. O Inmet alerta que o cenário pode comprometer o desenvolvimento de milho e feijão, sobretudo em áreas com menor retenção de água. Em contrapartida, o armazenamento hídrico superior a 60% previsto no Maranhão, oeste e norte do Piauí e extremo oeste da Bahia tende a favorecer as fases reprodutivas da soja e do milho no MATOPIBA e contribuir para a recuperação das pastagens.

    No Centro-Oeste, o prognóstico para o trimestre indica chuvas próximas ou acima da média no norte e oeste de Mato Grosso, enquanto Mato Grosso do Sul, Goiás e o leste de Mato Grosso devem registrar volumes até 50 mm abaixo da média histórica. As temperaturas tendem a permanecer acima da média em toda a região, com desvios de até 1,0 °C. O Inmet aponta armazenamento hídrico do solo superior a 60% na maior parte da região, com exceção de áreas do Pantanal e do leste de Mato Grosso do Sul, onde os estoques podem ficar abaixo de 40% e evoluir para déficit hídrico em abril. Nessas áreas, a limitação de água pode afetar o enchimento de grãos e o desenvolvimento de soja e algodão, além de reduzir a capacidade de suporte das pastagens. Já no norte de Mato Grosso e no centro de Goiás, as condições são apontadas como favoráveis para lavouras de verão e para o estabelecimento de culturas de segunda safra.

    Na Região Sudeste, a previsão indica chuvas abaixo da média no centro-norte de Minas Gerais, Rio de Janeiro, oeste de São Paulo e em todo o Espírito Santo, com desvios de até 50 mm. No sul de Minas Gerais e no centro-leste de São Paulo, os volumes devem ficar próximos ou levemente acima da média. As temperaturas podem ficar até 0,5 °C acima da média em São Paulo, leste do Espírito Santo e grande parte de Minas Gerais, com desvios de até 1,0 °C no norte mineiro. O Inmet informa que o armazenamento hídrico do solo deve permanecer abaixo de 40% no norte de Minas Gerais, centro-norte do Espírito Santo e nordeste do Rio de Janeiro, o que pode limitar pastagens e o enchimento de grãos de café. Nas demais áreas, os estoques superiores a 70% tendem a favorecer milho, algodão e cana-de-açúcar. O boletim aponta déficits hídricos mais intensos em fevereiro e abril no extremo norte de Minas Gerais, enquanto excedentes hídricos em fevereiro e março no centro-sul mineiro e centro-leste paulista favorecem a manutenção da umidade do solo. O Inmet destaca ainda que a disponibilidade hídrica ao longo do trimestre cria condições para a implantação do trigo irrigado em abril em áreas de São Paulo e do centro-sul de Minas Gerais.

    Para a Região Sul, o boletim indica chuvas próximas da média em grande parte do Rio Grande do Sul e no nordeste de Santa Catarina e do Paraná. No norte do Rio Grande do Sul e em grande parte de Santa Catarina e do Paraná, são previstas anomalias negativas de até 30 mm, com déficit de até 50 mm no sudoeste do Paraná. As temperaturas devem permanecer acima da média em toda a região. O Inmet aponta aumento e manutenção de elevados níveis de umidade do solo no Rio Grande do Sul e em grande parte da região, com estoques superiores a 70%, enquanto o sudeste e o extremo sul gaúcho podem registrar níveis inferiores a 40% em fevereiro e março. O boletim informa que os excedentes hídricos devem favorecer o estabelecimento de feijão e milho segunda safra no Paraná e contribuir para a recuperação das condições de armazenamento de água no solo no Rio Grande do Sul, beneficiando culturas de grãos e pastagens. O Inmet ressalta que os maiores acumulados previstos para abril exigem atenção, uma vez que áreas de soja com semeaduras mais tardias podem estar próximas da colheita, com possíveis impactos nas operações e na qualidade do produto.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Ferrugem asiática desafia e impacta a produtividade da soja

    A ferrugem asiática da soja continua sendo uma das principais e mais agressivas doenças que afetam a cultura no Brasil. Quando não controlada de forma adequada e no momento correto, a doença pode causar perdas de até 100% da lavoura, comprometendo a rentabilidade do produtor rural.

    Causada por um fungo altamente agressivo, a ferrugem asiática se desenvolve com maior intensidade em temperaturas amenas, entre 20°C e 25°C, e em períodos prolongados de molhamento foliar, que variam de oito a dez horas. Nessas condições, o fungo encontra o ambiente ideal para se multiplicar e se espalhar entre plantas e lavouras.

    De acordo com Clovis Roberto Schwengber, técnico em agropecuária e extensionista da Emater/RS-Ascar, os primeiros sinais da doença aparecem como pequenas pintas na folhagem, que evoluem para manchas maiores, seguidas pela queda precoce das folhas. “Um dos principais diferenciais da ferrugem asiática é a presença de esporulações de coloração marrom, localizadas principalmente na parte inferior das folhas, com aspecto de pequenos vulcões”, explica. Ele ressalta ainda que “embora possam ser vistas a olho nu, a identificação correta e mais precisa é com o uso de lupa de aumento de até 20 vezes ou através de análises laboratoriais”.

    Os impactos causados pela doença podem afetar a soja desde o seu estágio inicial de desenvolvimento, mas é na fase reprodutiva, quando a planta apresenta menor capacidade de reação, que costumam ocorrer os maiores prejuízos. Após a instalação da ferrugem, o controle se torna extremamente difícil, reforçando a importância de ações preventivas e antecipadas.

    O fungo responsável pela ferrugem asiática sobrevive em plantas hospedeiras, sendo a própria soja a principal delas. A disseminação de seus esporos acontece principalmente pelo vento, atingindo as folhagens e multiplicando-se rapidamente, podendo comprometer toda a plantação e até mesmo áreas vizinhas.

    O uso de espaçamentos adequados, plantio precoce, adoção de cultivares com resistência genética, aplicações sequenciais de fungicidas com diferentes modos de ação e monitoramento de áreas vizinhas são as principais estratégias de manejo integrado da ferrugem asiática. A falta de controle adequado pode resultar em perdas totais da produção, causando forte impacto econômico. A detecção e reconhecimento precoce permitem a aplicação de fungicidas específicos no momento certo, aumentando de forma significativa a eficiência do manejo.

    O vazio sanitário também tem papel fundamental no controle da doença, pois elimina plantas hospedeiras no campo, quebrando o ciclo do fungo. Porém, o risco de resistência aos fungicidas é real e exige atenção. A rotação de princípios ativos e o uso consciente dos produtos são medidas essenciais para manter a eficiência do controle ao longo do tempo.

    Schwengber destaca que a pesquisa agrícola tem contribuído para o avanço no controle da ferrugem asiática, com o desenvolvimento de novos princípios ativos, misturas mais eficientes e cultivares com resistência genética, como a chamada Soja Inox. “Atualmente, a doença já não causa o mesmo temor do passado, graças ao maior conhecimento técnico dos produtores”, relata o extensionista.
    A expectativa para os próximos anos é de que o manejo aconteça de forma mais eficiente, com atenção redobrada nas condições que favorecem a doença, como safras com clima chuvoso, alta umidade e temperaturas amenas.

     

    Fonte: https://www.emater.tche.br/site/index.php