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19 de fevereiro de 2026

  • Calor limita pastejo em diversas regiões

    Pragas e seca desafiam pecuaristas

    O Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (12) pela Emater/RS-Ascar aponta que, em diversas regiões do Rio Grande do Sul, os sintomas de déficit hídrico são visíveis nas pastagens, com redução do crescimento e perda de vigor das forrageiras. Segundo o boletim, o capim-annoni tem se destacado em relação às espécies nativas, mantendo maior oferta de biomassa e coloração verde, além de apresentar produção de sementes, o que pode ampliar a infestação da espécie invasora. O relatório informa que “a irregularidade das precipitações, associada às temperaturas elevadas, reduziu os níveis de umidade no solo e limitou o desenvolvimento das forrageiras, especialmente das espécies anuais”. Mesmo com irrigação em algumas áreas, os baixos níveis dos reservatórios restringiram a eficiência da prática.

    Na regional de Bagé, nas áreas de várzea, o crescimento dos campos nativos é considerado satisfatório em razão do maior acúmulo de água no solo. Em localidades com solos arenosos ou rasos e vários dias sem chuva, há redução no crescimento da vegetação. As pastagens cultivadas de braquiária, Panicum, capim-elefante, Tifton, milheto e capim-sudão registraram diminuição na produção de massa verde, embora apresentem tolerância à restrição hídrica. Produtores iniciaram a busca por sementes de aveia e a aquisição de ureia para a semeadura das pastagens de inverno prevista para março. Na regional de Erechim, o desenvolvimento e o rendimento das pastagens são apontados como adequados na maioria das áreas, mas nas anuais de verão, como sorgo e milheto, houve alteração na coloração em função da deficiência de umidade no solo.

    Na regional de Ijuí, as pastagens anuais e perenes de verão apresentam bom desenvolvimento nos municípios onde houve chuva em 7 de novembro, porém, de modo geral, a escassez hídrica e o calor intenso têm provocado baixo crescimento e reduzida rebrota. O boletim destaca que “apesar da oferta de forragem em parte das propriedades, o excesso de calor tem limitado o pastejo”, exigindo roçadas para ajuste do manejo. Em Passo Fundo, as pastagens cultivadas atingiram o potencial produtivo máximo, enquanto os campos nativos ofertaram forragem, mas estão no limite devido à restrição hídrica.

    Na regional de Pelotas, em Santa Vitória do Palmar e Chuí, as precipitações limitadas restringem a oferta de alimento nos campos nativos e nas pastagens cultivadas. Em Pedras Altas, há boa oferta de forragem. Em Santa Rosa, as espécies nativas ficaram estagnadas, com taxa mínima de acúmulo de matéria seca, e as pastagens anuais de verão apresentaram produção abaixo do esperado. Áreas de aveia implantadas precocemente estão em fase de sementação, comprometendo o valor nutricional e reduzindo a disponibilidade de alimento aos rebanhos. Em Soledade, as chuvas de 7 de novembro impulsionaram a rebrota e possibilitaram pastejo.

    Nas regionais de Porto Alegre, a reserva de umidade no solo e as temperaturas elevadas favoreceram o desenvolvimento das pastagens. Escritórios da Emater/RS-Ascar iniciaram a elaboração de projetos de crédito de custeio do Programa Sementes e Mudas Forrageiras, por meio do FEAPER, marcando o planejamento das pastagens de inverno. Em Santa Maria, a qualidade e a quantidade das pastagens variaram conforme a localidade, com redução na taxa de crescimento nas áreas com menos chuva. Em São Vicente do Sul, produtores realizaram roçadas para controle de alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia) e há ocorrência de cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta), demandando controle químico.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Controle do carrapato é um desafio para a pecuária gaúcha

    O carrapato bovino, pequeno em tamanho, porém gigante em impacto, é um dos maiores desafios sanitários da pecuária brasileira. Estimativas apontam que o parasita acarreta prejuízos anuais superiores a US$ 3,9 bilhões no país, comprometendo produtividade, bem-estar animal e rentabilidade das propriedades.

    No Rio Grande do Sul, as perdas chegam a R$ 300 milhões por ano, segundo dados da Emater/RS-Ascar, em série de entrevistas sobre o tema no programa de rádio da Instituição, acessado em https://www.youtube.com/watch?v=vWIGJht7WWc.

    Além da queda no ganho de peso e na produção de leite, o carrapato é vetor da tristeza parasitária bovina, considerada a principal causa de morte de bovinos no Estado. Embora registros oficiais indiquem cerca de dez mil mortes anuais, técnicos afirmam que o número real pode ser dez vezes maior, devido à subnotificação.

    AVANÇOS TÉCNICOS E ALTERNATIVAS PARA SUPERAR A RESISTÊNCIA

    Outro fator alarmante é a resistência crescente aos carrapaticidas. Levantamento do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), ligado à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), revela que 70% das propriedades gaúchas já apresentam multirresistências, ou seja, os parasitas não respondem a pelo menos quatro das sete classes de produtos disponíveis. Em 5% das propriedades, não há eficácia em nenhum dos produtos comercializados, tornando o controle praticamente inviável.

    Especialistas destacam que o problema não está apenas nos animais, mas principalmente no ambiente. Mais de 95% da população de carrapatos permanece no solo e no pasto, o que exige estratégias de manejo que vão além da aplicação de químicos. O ciclo do parasita, que se intensifica do verão ao outono, multiplica a infestação de forma exponencial, se não houver medidas preventivas já na primavera.

    O pecuarista Ruberlei Jacques Dondé, de André da Rocha, cria bovinos de corte desde 2008 e alterna manejos convencionais e integrados, como a homeopatia que, segundo relata, ajudou a diminuir o intervalo entre as aplicações dos acaricidas químicos, chegando quase a zerar a incidência de ectoparasitas em seu rebanho de 150 animais. “Começamos o manejo no início da primavera e fazemos aplicações em sequência até dezembro e isso tem garantido uma baixa população de ectoparasitas. Mas no alto verão, como agora, aumenta o desafio, com novas gerações apresentando carrapatos. Aí entramos com mais um produto que ajuda no controle de carrapatos que podem já estar nos animais. O importante é o produtor conhecer como os produtos funcionam e posicionar conforme a necessidade de cada um. O que funciona para um produtor pode não funcionar para outro”, destaca.

    Para enfrentar o desafio, o biocarrapaticidograma surge como ferramenta essencial. O exame gratuito, realizado pelo IPVDF, identifica quais produtos ainda funcionam em cada propriedade, permitindo um controle mais direcionado e eficiente. A coleta de carrapatos engurgitados e o envio ao laboratório garantem um laudo detalhado sobre a eficácia dos diferentes grupos químicos.

    PRÁTICAS DE CONTROLE

    Nos últimos quatro anos, a Emater/RS-Ascar realizou mais de 2.500 visitas técnicas e promoveu 60 eventos em parceria com o IPVDF, alcançando cerca de 60 mil produtores rurais. Além do uso racional de carrapaticidas, iniciativas como rotação de piquetes, homeopatia e fitoterapia vêm sendo testadas para reduzir a infestação e minimizar impactos ambientais.

    Conforme a extensionista da Emater/RS-Ascar, veterinária Thaís Michel, o trabalho da Emater/RS-Ascar no controle do carrapato bovino baseia-se em uma estratégia integrada que reduz a dependência exclusiva de carrapaticidas químicos. A Emater promove o controle integrado, combinando uso estratégico e rotacionado de carrapaticidas, manejo produtivo (rotação de piquetes, ajuste da carga animal e redução da contaminação), adoção de raças mais resistentes, quarentena sanitária e práticas complementares como homeopatia. Essa abordagem busca eficiência, sustentabilidade e equilíbrio entre saúde animal, ambiental e econômica nas propriedades rurais”, conclui.

    Apesar dos esforços, especialistas reforçam que o carrapato é um problema permanente e sem possibilidade de erradicação. O caminho, afirmam, é a integração entre pesquisa, assistência técnica e defesa sanitária, para que os produtores possam conviver com o parasita de forma sustentável e menos onerosa.

     

    Fonte: https://www.emater.tche.br/site/index.php

  • Chuvas abaixo da média e temperaturas próximas da normal marcaram o mês de janeiro

    Desvios negativos foram registrados na Fronteira Oeste, Missões, Alto Uruguai, Norte, Central, Campanha e Litoral Sul

    O monitoramento climático de janeiro de 2026 mostrou que as chuvas no Rio Grande do Sul estiveram abaixo da média histórica em praticamente todo o estado, com temperaturas médias do ar próximas ou abaixo da normal. As informações fazem parte do Comunicado Agrometeorologico 97, elaborado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

    As chuvas em janeiro de 2026 ficaram abaixo da média histórica em praticamente todo o estado, com desvios negativos entre -25 e -100 mm nas regiões da Fronteira Oeste, Missões, Alto Uruguai, Norte, Central, Campanha e Litoral Sul. “Apenas em áreas a leste e nordeste, incluindo alguns pontos da Serra, Campos de Cima da Serra e Litoral Norte, os volumes foram superiores à média”, complementa a pesquisadora Loana Cardoso, uma das autoras do comunicado.

    As temperaturas médias do ar ficaram entre 18°C e 28°C na maior parte do estado. Os valores mais elevados concentraram-se na região sudoeste, com médias entre 24°C e 28°C. As menores temperaturas médias ocorreram no sudeste e nordeste, especialmente nos Campos de Cima da Serra, que registraram temperaturas médias variando entre 18 e 22°C.

    “As condições meteorológicas favoreceram a maturação e colheita das variedades precoces de uva. Também permitiram um desenvolvimento adequado das culturas de verão”, pontua a pesquisadora.

    Já para as bovinoculturas de corte e de leite, o clima auxiliou na maior disponibilidade de forragem. “Porém, houve necessidade de ajustes de manejo em função de estresse térmico, pelas temperaturas mais elevadas do período”, complementa Loana.

    Produzido pelo grupo de Agrometeorologia do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA/Seapi), o Comunicado Agrometeorológico é uma publicação mensal que traz as informações detalhadas das condições meteorológicas ocorridas no mês anterior. Com dados captados das estações meteorológicas do Simagro e do Inmet, o comunicado apresenta tabelas e mapas, além de uma análise dos impactos das condições meteorológicas sobre as principais culturas agrícolas e a produção pecuária no período.

    Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial