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mar 23 2026 Apesar da falta de chuva, pastagens mantêm alimentação dos rebanhos no Rio Grande do Sul
A boa luminosidade, a umidade e as temperaturas elevadas garantem rebrota satisfatória das pastagens e a manutenção da oferta de alimentos volumosos a campo na maioria das regiões do Rio Grande do Sul. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (19/3), na região administrativa de Passo Fundo inicia o declínio nas forrageiras anuais de verão, em função da proximidade do final de ciclo, depreciando a qualidade nutricional, pela elevação dos teores de fibra. Com a proximidade do outono, o campo nativo apresenta redução do crescimento.
Na região de Bagé, as pastagens anuais de verão ainda contribuem de forma satisfatória para a alimentação dos rebanhos, e a capacidade de rebrota está reduzindo de forma gradativa, à medida que o fotoperíodo diminui. Áreas semeadas em janeiro com manejo correto de altura de pastejo apresentam boa oferta. Nas áreas implantadas em outubro e novembro, principalmente onde não foi realizado manejo de ajuste da carga animal ou uso de roçadeira, ocorre alongamento dos colmos e emissão de estruturas reprodutivas, resultando na perda de qualidade da forragem. Continua forte o movimento de compra de sementes para a implantação das pastagens de aveia e azevém, e alguns produtores realizam o preparo do solo e a semeadura, esperando as chuvas previstas nas próximas semanas.
Ainda na região de Bagé, as áreas de campo nativo continuam dando suporte satisfatório para a manutenção da condição corporal dos rebanhos, inclusive proporcionando ganho de peso nas áreas adequadamente manejadas e contempladas pelas chuvas. Há campos amarelados e secos, com baixa oferta forrageira, sobretudo nas áreas mais afetadas pela estiagem e em solos de pouca profundidade, mais sensíveis à falta de chuvas regulares.
Na região de Santa Maria, em Júlio de Castilhos, o campo nativo continua mostrando bom desenvolvimento, garantindo ainda satisfatória rebrota e crescimento mais vigoroso das plantas, assim como as pastagens perenes cultivadas. A condição nutricional dos rebanhos continua adequada, pois há boa oferta de forragem. Já na região de Santa Rosa, em Garruchos, as chuvas favoreceram a retomada do crescimento das gramíneas nativas ou cultivadas utilizadas para forragem dos rebanhos. Os produtores que dispõem de sistema de irrigação mantêm as pastagens em boa produção. No entanto, irrigam com limitações, devido à redução na disponibilidade de água.
Bovinocultura de leite
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, as forrageiras se desenvolveram bem nos sistemas a pasto, permitindo a produção de leite com menor custo. Nos sistemas confinados ou semiconfinados, foi utilizada silagem como base forrageira, e concentrados proteicos para balanceamento da dieta. O calor em alguns dias provocou estresse térmico nos animais, principalmente em sistemas a pasto sem sombra e em sistemas confinados sem ventilação ou aspersores. Muitos produtores colocaram as vacas para pastejo pela manhã e final da tarde, tratando com silagem nos cochos cobertos nos momentos mais quentes do dia.
Na região de Ijuí, a produção de leite apresentou leve estabilização em termos de quantidade recolhida, em relação à semana anterior. O tempo quente e seco causou estresse nos animais em sistemas estabulados, o que exigiu aumento da aeração e aspersão de água para diminuir o calor. Por outro lado, o tempo seco tem favorecido a sanidade animal e a qualidade do leite produzido.
Bovinocultura de corte
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, a atividade apresenta bom desempenho, favorecida pela melhora das pastagens nativas e cultivadas de verão, em função das chuvas. Com a recuperação das pastagens, houve redução no uso de rações e volumosos conservados. Os produtores adquirem sementes de aveia, azevém e trigo-pasto para pastagens de outono-inverno. Seguem os manejos sanitários, como vermifugação e vacinação. A maioria das propriedades já concluiu os protocolos de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), e inicia a fase de repasse com touros. Nas propriedades de cria, a boa oferta de forragem favorece as vacas e o desenvolvimento dos terneiros. Em muitos casos, é utilizado o sistema de creep feeding, que melhora o ganho de peso dos animais jovens.
Na região de Soledade, em função do aumento da oferta de forragens, o rebanho ganhou peso. As condições sanitárias e o escore corporal estão adequados. As chuvas mais escassas nas últimas semanas diminuíram a pressão de incidência do carrapato. O rebanho bovino está em período de reprodução; a monta natural, a inseminação artificial ou a IATF são técnicas utilizadas.
Ovinocultura
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a fase de encarneiramento predomina na maioria das propriedades, e os reprodutores e matrizes apresentam condição corporal satisfatória. Esse quadro permite projetar uma boa safra de cordeiros nos próximos meses, caso se mantenham as condições atuais de manejo e alimentação. Em Caçapava do Sul, os produtores que já encerraram o período de encarneiramento iniciam os trabalhos de esquila pré-parto nas ovelhas. De modo geral, o sistema produtivo apresenta equilíbrio entre oferta de alimento e manejo reprodutivo, favorecendo o desempenho zootécnico e as perspectivas para a próxima produção de cordeiros.
Na região de Pelotas, está adequado o escore corporal dos animais, o que reflete em melhores índices produtivos e reprodutivos. Em relação ao aspecto sanitário, o aumento da umidade em diversas localidades tem deixado os produtores alertas para o controle de verminoses, especialmente de Haemonchus contortus, além da ocorrência de afecções podais e miíases. Em Santa Vitória do Palmar, a Emater/RS-Ascar, em conjunto com o Núcleo de Ovinos, segue divulgando o 12° Concurso Municipal de Borregas, que será em 18/04. O mercado está aquecido, especialmente para animais destinados ao abate. Há maior oferta e manutenção de bons preços em todas as categorias, sustentando a rentabilidade da atividade no período.
Culturas de verão
Soja – A cultura da soja apresentou avanço significativo de fases, aproximando do final do ciclo. Predominam as fases de enchimento de grãos (50%) e de maturação (37%), além da colheita (5%), que avançou e se estendeu para diferentes regiões administrativas. As precipitações irregulares e mal distribuídas, associadas às temperaturas elevadas, continuam determinando forte variabilidade no desempenho das lavouras. A reestimativa realizada pela Emater/RS-Ascar indica produtividade média de 2.871 kg/ha, o que representa redução de 9,7% em relação à estimativa realizada no início da safra, refletindo os efeitos da irregularidade hídrica. A área cultivada está estimada em de 6.624.988 hectares.
Milho – Na maior parte das lavouras, a colheita foi concluída (68%), e 18% estão em fase final de maturação. As lavouras implantadas em períodos mais tardios estão em estágios reprodutivos ou vegetativos. O desempenho produtivo segue heterogêneo entre as regiões, refletindo a irregularidade das precipitações e a ocorrência de períodos de déficit hídrico ao longo do ciclo, especialmente durante as fases de florescimento e enchimento de grãos. Nas áreas de safrinha, o desenvolvimento está condicionado à disponibilidade hídrica, e parte das lavouras segue em definição de componentes de rendimento. A nova projeção de safra realizada pela Emater/RS-Ascar indica área cultivada de 803.019 hectares, sendo 2,3% maior que o estimado inicialmente. A produtividade média está em 7.424 kg/ha.
Milho silagem – A cultura do milho destinado à produção de silagem apresenta desenvolvimento escalonado conforme a época de semeadura. Nas áreas implantadas no cedo ou intermediárias, a ensilagem está concluída, e os cultivos tardios avançam para estádios vegetativos e reprodutivos. A estimativa estadual indica área de 345.299 hectares e produtividade média de 37.840 kg/ha.
Feijão 1ª safra – A cultura está em fase final de colheita ou concluída, com desempenho produtivo condicionado, sobretudo, pelas condições climáticas registradas durante o período reprodutivo. A restrição hídrica ocorrida a partir da segunda quinzena de janeiro, associada a elevadas temperaturas, impactou de forma negativa as lavouras tardias, que estão em floração e enchimento de grãos, localizadas no Nordeste do Estado. A qualidade dos grãos colhidos é considerada adequada, apesar da redução no volume produzido. A Emater/RS-Ascar projeta área de 23.029 hectares e produtividade média de 1.781 kg/ha.
Feijão 2ª safra – A segunda safra predomina em estágios vegetativos e reprodutivos. A evolução do ciclo segue variável, conforme as condições de umidade do solo e a disponibilidade hídrica. De maneira geral, as lavouras apresentam desenvolvimento adequado, em especial em áreas com suporte de irrigação ou que receberam precipitações mais regulares. A Emater/RS-Ascar projeta área de 7.774 hectares e produtividade média de 1.504 kg/ha.
Arroz – Na cultura do arroz irrigado, predominam as lavouras em maturação e em colheita nas diversas regiões produtoras. De maneira geral, as produtividades têm se mantido satisfatórias. Há registros de resultados elevados em diversos talhões, apesar das variações associadas às condições meteorológicas ocorridas durante o período reprodutivo. De acordo com o Instituto Riograndense de Arroz (Irga), a área cultivada é de 891.908 hectares. A produtividade está projetada pela Emater/RS-Ascar em 8.744 kg/ha.
Fonte: https://www.agricultura.rs.gov.br/inicial
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mar 23 2026 O que está por trás da oscilação da soja
O mercado da soja segue em um cenário de forças opostas, refletindo a combinação de fatores que sustentam e limitam os preços no cenário internacional. De acordo com análise da TF Agroeconômica, os fundamentos atuais indicam um equilíbrio delicado entre oferta elevada e sinais pontuais de demanda mais firme.
Pelo lado positivo, o farelo de soja voltou a assumir protagonismo dentro do complexo, impulsionado pela maior competitividade nas exportações. O contrato de maio atingiu US$ 366,85 por tonelada, enquanto as vendas semanais somaram 220,9 mil toneladas, volume 33% superior ao da semana anterior. Esse movimento reforça a demanda pelo subproduto e contribui para dar sustentação ao mercado. Soma-se a isso a expectativa de possível elevação na mistura obrigatória de biodiesel nos Estados Unidos, o que poderia ampliar o consumo de óleo de soja. Além disso, o mercado vinha de um período de seis semanas consecutivas de alta em Chicago, evidenciando um impulso comprador recente.
Por outro lado, fatores de pressão seguem relevantes. As exportações norte-americanas ficaram abaixo das expectativas, com vendas de apenas 298 mil toneladas na semana, recuo de 35% em relação à anterior. Há também a possibilidade de aumento da área de soja nos Estados Unidos na próxima safra, favorecida pelo custo mais elevado dos insumos para o milho. A demanda chinesa permanece aquém do esperado, com compras ainda não concluídas e volume abaixo do inicialmente projetado.
A oferta global também pesa sobre as cotações. A colheita recorde no Brasil amplia a disponibilidade no mercado internacional, enquanto as condições das lavouras na Argentina melhoraram com as chuvas recentes, mantendo a projeção de 48,5 milhões de toneladas. No cenário global, a previsão é de produção recorde de 442 milhões de toneladas em 2026/27, acima da safra atual. Soma-se a isso a realização de lucros por parte dos fundos, que passaram a liquidar posições após semanas de valorização.
Diante desse quadro, a tendência de curto prazo é lateral a levemente baixista, influenciada pela pressão da oferta sul-americana e ajustes técnicos. Já no médio prazo, o viés permanece neutro com inclinação de alta, condicionado à manutenção da firmeza do complexo soja e ao avanço da demanda por biocombustíveis.
Fonte: https://www.agrolink.com.br/
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mar 23 2026 Tupanciretã sedia abertura oficial da colheita da soja no RS
A colheita da soja, principal cultura de verão do Rio Grande do Sul, foi oficialmente aberta na manhã desta sexta-feira (20/03). A cerimônia ocorreu na Fazenda Pedras Brancas, no município de Tupanciretã, na região Central do Estado.
A estimativa de produção para a safra foi revisada para baixo pela Emater/RS-Ascar, passando de 21,4 milhões para 19 milhões de toneladas. A redução se deve à falta de chuva durante o período crítico de desenvolvimento das lavouras, além da diminuição de 1,7% na área inicialmente projetada. A restrição ao crédito foi outro fator que contribuiu para o recuo anunciado pela Emater/RS-Ascar.
“Este é um momento importante para analisar os dados da safra, que evidenciam os impactos da falta e da má distribuição das chuvas nas diferentes regiões, afetando produtores de forma heterogênea. Também é uma oportunidade para reforçar a adoção de boas práticas agrícolas, aliadas a políticas públicas como o Plano ABC+, o Irriga+ RS e a Operação Terra Forte, que orientam o manejo e a conservação do solo e da água, além de ampliar o uso da irrigação como estratégia para dar mais segurança à produção”, salienta o presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera.
PERDAS E SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA
Na região de Santa Maria, ao menos 18 municípios já registram perdas na produtividade da soja. Em 10 deles, os prejuízos são mais expressivos, com emissão de laudos técnicos para subsidiar decretos de situação de emergência. São eles: Ivorá, Jari, Júlio de Castilhos, Nova Esperança do Sul, Quevedos, Santiago, São Pedro do Sul, Toropi, Tupanciretã e Unistalda.
IRRIGAÇÃO
As frequentes perdas econômicas fizeram com que o Governo do Estado ampliasse o Programa Irriga+ RS, que entra na sua terceira fase. O objetivo é transformar as lavouras em áreas mais seguras e produtivas.
“O Governo do Estado tem adotado políticas públicas para mitigar os efeitos da estiagem, e a irrigação é fundamental nesse processo. Hoje, pouco mais de 4% da área de soja é irrigada, o que ainda é muito baixo. Por isso, o Estado está subvencionando em 20% os projetos de irrigação, com limite de até 150 mil reais por produtor, e lançou a terceira fase do programa Irriga+ RS. Além disso, buscamos junto ao Governo Federal a prorrogação de dívidas para que esses recursos sejam direcionados à irrigação, garantindo safras mais seguras, geração de renda e fortalecimento da economia, em parceria com a Emater”, destacou o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum.
“No âmbito do programa Supera Estiagem, o governo trabalha para ampliar significativamente a irrigação no Estado. Já foi proposta ao Governo Federal a prorrogação de mecanismos como o Fundo de Reconstrução e o Regime de Recuperação Fiscal, para que esses recursos sejam direcionados à irrigação. A meta é multiplicar por cinco a área irrigada no Rio Grande do Sul nos próximos quatro anos, garantindo maior resiliência às lavouras diante das adversidades climáticas”, afirmou o vice-governador Gabriel Souza.
Fonte:https://www.emater.tche.br/site/index.php