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28 de abril de 2026

  • El Niño: como o fenômeno pode afetar o Rio Grande do Sul?

    O fenômeno El Niño-Oscilação Sul segue como um dos principais moduladores do clima global e pode voltar a influenciar o Brasil ao longo de 2026, segundo análises recentes. O sistema é composto por três fases — El Niño, La Niña e neutralidade — definidas pelas variações na temperatura das águas do Oceano Pacífico e na circulação atmosférica.

    No Rio Grande do Sul, o ENOS tem impacto direto ao intensificar o transporte de umidade da região amazônica, o que favorece a formação de sistemas de baixa pressão e a ocorrência de tempestades e inundações.

    De acordo com o Centro de Previsão Climática, ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, previsões divulgadas em 20 de abril indicam aumento da probabilidade de formação do El Niño ao longo de 2026. Atualmente, a região do Pacífico equatorial conhecida como Niño 3.4 permanece em condição de neutralidade, após o enfraquecimento da La Niña, mas apresenta aquecimento gradual.

    As projeções apontam cerca de 80% de chance de manutenção da neutralidade até o fim do primeiro semestre. A partir do trimestre maio–junho–julho, a probabilidade de formação do El Niño supera 60%, podendo ultrapassar 90% no segundo semestre.

    Segundo análise do Instituto Nacional de Meteorologia, o Rio Grande do Sul possui clima subtropical úmido, com chuvas distribuídas ao longo do ano, mas sujeito a variações causadas por padrões de grande escala como o ENOS. “Essa regularidade pode ser alterada por padrões de grande escala, como o ENOS”, aponta a análise, ao destacar que o fenômeno intensifica o transporte de umidade e favorece eventos de chuva acima da média.

    Estudos baseados em eventos de El Niño forte entre 1961 e 2019 indicam um padrão de anomalias de precipitação no Brasil, com redução de chuvas nas regiões Norte e Nordeste e aumento na Região Sul, além de áreas do Centro-Oeste e Sudeste. No território gaúcho, os volumes tendem a ficar acima da média na maior parte dos trimestres analisados, com exceção de áreas do extremo sul em períodos específicos.

    Figura 1: Composições de anomalias de precipitação no Brasil durante eventos de El Niño forte, entre os anos de 1961 e 2019, nos trimestres de (a) MJJ, (b) JJA, (c) JAS, (d) ASO, (e) SON e (f) NDJ. Os desvios foram calculados considerando a média climatológica de 1981-2010.

     

    Eventos recentes reforçam esse padrão. As chuvas extremas registradas no estado em abril e maio de 2024 ocorreram durante a fase final de um El Niño forte, associada à intensificação do jato subtropical e à atuação de frentes frias estacionárias. A magnitude do evento também foi influenciada por fatores adicionais, como o aquecimento do Atlântico tropical sul e bloqueios atmosféricos que mantiveram a instabilidade.

    Para o trimestre maio–junho–julho de 2026, o Inmet indica maior probabilidade de chuvas acima da média no Rio Grande do Sul, com temperaturas próximas aos padrões históricos. Apesar da ausência de sinal claro de extremos no curto prazo, a possível evolução para El Niño ao longo do ano mantém a necessidade de acompanhamento.

    A análise conclui que o monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas é fundamental. “A possível volta do El Niño em 2026 reforça a necessidade de acompanhamento contínuo”, destaca o estudo, ao apontar que a interação entre o Pacífico e o Atlântico pode intensificar impactos e exigir ações de prevenção.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/

  • Nematoides desafiam produtividade no campo e impulsionam busca por soluções biológicas

    Pragas microscópicas que atacam as raízes das plantas exigem manejo integrado e ampliam o interesse por tecnologias baseadas em microrganismos

    Os nematoides estão entre os desafios silenciosos mais relevantes da agricultura moderna. Presentes naturalmente no solo, esses organismos microscópicos podem provocar perdas significativas nas lavouras quando atingem altas populações. Entre os mais preocupantes estão os nematoides das galhas, Meloidogyne spp., os nematoides das lesões, Pratylenchus spp., e os nematoides de cisto, Heterodera spp., capazes de invadir as raízes das plantas, comprometer a absorção de água e nutrientes e afetar o desenvolvimento das culturas desde os estágios iniciais.

    No campo, os efeitos costumam aparecer na forma de plantas menos vigorosas, raízes deformadas e redução de produtividade. Em áreas com alta infestação, o impacto econômico pode ser expressivo, sobretudo porque esses organismos apresentam grande capacidade de multiplicação e podem permanecer viáveis no solo por longos períodos.

    Esse cenário torna o manejo mais complexo e exige uma abordagem estratégica. Em vez de medidas isoladas, especialistas defendem a adoção de práticas integradas que combinem monitoramento, manejo agronômico adequado e o uso de tecnologias capazes de reduzir a pressão da praga ao longo do ciclo produtivo.

    Nos últimos anos, o avanço de soluções biológicas passou a integrar esse conjunto de ferramentas disponíveis aos produtores. Produtos formulados com microrganismos têm sido utilizados como complemento às estratégias de manejo, com foco na proteção do sistema radicular e na melhoria do equilíbrio microbiológico do solo.

    Entre as alternativas presentes no mercado está o BioNMT, desenvolvido pela Vitalforce, empresa referência em bioinsumos para o agronegócio, formulado com Bacillus subtilis CCT 0480 e Trichoderma harzianum CCT 2160, microrganismos associados à proteção das raízes e à competição biológica no ambiente do solo. Segundo Guilherme Oliveira, gerente de Marketing e Produto da Vitalforce, o avanço desse tipo de tecnologia está relacionado à necessidade de ampliar as ferramentas disponíveis para o manejo de pragas de solo.

    “Os fitonematoides são um desafio recorrente em diferentes regiões agrícolas e culturas e, por isso, o produtor precisa trabalhar com estratégias combinadas. As soluções biológicas surgem como mais uma ferramenta dentro do manejo integrado, contribuindo para a proteção radicular e para o equilíbrio do ambiente do solo”, afirma.

    Para Oliveira, a tendência é que o manejo de nematoides se torne cada vez mais estratégico nas decisões agronômicas, especialmente em sistemas produtivos intensivos, nos quais a sanidade das raízes tem impacto direto sobre a produtividade das lavouras.

     

    Fonte: https://www.agrolink.com.br/